domingo, 27 de fevereiro de 2011

Resumo da Semana #1

A partir de agora toda semana posterei aqui os trailers dos filmes que vi ao longo da semana. Como em qualquer arte, o cinema é algo subjetivo e as opiniões quanto aos filmes serem bons ou não cabem a cada um. Sendo assim, recomendo sempre todos os filmes que vi.

Abaixo os filmes que vi entre 20/02 e 26/02.

Bom fim de semana e bons filmes!

127 Horas

SINOPSE

127 Horas é a história real e notável do alpinista Aron Ralston, na tentativa de salvar a si mesmo após a queda de um pedregulho sobre seu braço na garganta de uma rocha isolada em Utah. Nas próximas 127 horas, Ralston repassa sua vida e luta contra aos elementos da natureza para finalmente descobrir que ele tem a coragem e os meios para livrar-se dessa prisão, escalar uma parede rochosa e caminhar ao longo de oito quilômetros antes de ele finalmente ser resgatado. Ao longo de sua jornada, Ralston se lembra dos amigos, da namorada, da família, e das duas caminhantes que ele conheceu pouco antes do seu acidente.

O Triunfo da Vontade

SINOPSE

Em 1934 no 6° encontro no Partido Nacional Socialista, Adolf Hitler encomenda um cobrir todo o evento em documentário para enaltecer sua figura e do partido para as futuras gerações nazistas.

O Ritual

SINOPSE

Inspirado em fatos reais, O Ritual narra a história do cético seminarista Michael Kovak que, relutantemente, freqüenta uma escola de exorcismo no Vaticano. Sua vida muda quando ele encontra o ortodoxo Padre Lucas, que lhe apresenta o lado mais obscuro de sua fé.

Enterrado Vivo

SINOPSE

Paul Conroy (Ryan Reynolds) é um americano que trabalha como motorista de caminhão no Iraque. Ele acorda, sem saber como, enterrado vivo dentro de caixão de madeira. Sem saber o que aconteceu e o porquê de estar ali, ele tem em suas mãos apenas um telefone celular e um isqueiro. Começa então uma tensa corrida contra o tempo e a falta de ar. A pressão aumenta ainda mais quando os sequestradores exigem um resgate milionário para libertá-lo e um vídeo com suas imagens vai parar no YouTube.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Musicais #2: Tempos Modernos

Essa semana selecionei no Musicais um dos trechos mais engraçados de Tempos Modernos.

Carlitos acaba de ser contrato por um restaurante para ser garçom e cantor nas horas vagas. Só tem um pequeno problema, ele não sabe a letra de nenhuma música!

A solução? Improvisar. Charles Chaplin aqui cria um número no mínimo genial, num verdadeiro embromation misturando italiano, inglês e francês, inventa uma língua que ninguém entende, mas deixa tudo muito claro em seus gestos.

Gênio é gênio!

Bom show!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Ritual


NOTA: 3


Ontem fui assistir O Ritual e confesso que chorei muito...muito mesmo. Chorei porque nunca mais vou recuperar as duas horas da minha vida que joguei fora vendo essa droga.

Resumindo minha impressão numa frase: Nem mesmo o filme se leva a sério!

O Ritual conta a história de Mathews, um jovem que entra para o seminário sem nenhum interesse na vida eclesiástica, apenas buscando fugir do convívio com seu pai. Quatro anos mais tarde, quando decide largar a batina é chantageado a participar de um curso sobre exorcismo no Vaticano. Cético ao extremo em relação ao fenômeno da possessão dos demônios sobre o homem e seu rito de salvação, Mathew instruído a conhecer o Padre Lucas, um exorcista veterano nada convencional em seus métodos. A partir daí seu ceticismo acaba sendo posto a prova.

Pra começar, ao longo de todo o filme há um vício irritante do diretor Mikael Hafström de toda hora utilizar da trilha sonora para nos preparar para um cena medonha nunca acontece e é sempre interrompida sem o menor por quê.

A Alice Braga faz sua pior atuação com uma personagem que não tem nenhuma função na narrativa. Com ou sem ela a história seria exatamente a mesma. E confesso que não entendi que consolo traria conhecer um exorcista para aliviar sua pressão de ter que conviver com o peso de ter abandonado seu irmão à morte numa pouco provável possessão. Talvez o Padre Lucas além de exorcista tenha o poder de devolver a vida aos mortos.

E por falar nele, Anthony Hopkins também é lamentável em sua interpretação, dando sempre respostas secas sem nenhum embasamento aos constantes questionamentos de Mathew sobre a veracidade do exorcismo que não esclarecem nada a ninguém.

Mas o que mais me chamou a atenção é como o diretor parecia estar perdido em suas reais intenções.

É evidente que ele quis reforçar a imagem católica com o poder dos exorcistas e de como os demônios ainda estão presentes em nossa vida. Desnecessário dizer que não seria isso que converteria espectadores de cinema em fiéis. Mikael apenas quis dar veracidade a um assunto que volta e meia vem a tona, principalmente nos cinemas. Mas o modo como executa toda a sua obra, deixa claro que ele não sabia fazer tal coisa.

A começar pela chantagem ridícula que obriga Mathew a entrar para o curso, mesmo este se mostrando claramente desinteressado pela fé. Depois, no seu primeiro encontro com Lucas, no exorcismo de uma adolescente grávida, quando finalmente Mikael conseguia conferir alguma credibilidade às suas intenções, ele preferiu ser 'engraçadinho' e fazer com que o celular do Padre Lucas tocasse durante o ritual (onde o toque era o tema de Beleza Americana). Mas essa cena catastrófica não termina aí, pois Lucas por incrível que pareça atende ao telefone e pra piorar manda Mathew que nunca viu um exorcismo dar seqüência ao processo. Ridículo.

Não mais ridículo do que o modo como Mathew sempre cético e muito coerente e incisivo em seus questionamentos às práticas católicas sobre o assunto de possessão é instantaneamente levado a mudar de idéia num momento de fraqueza recheado de alucinações pífias. Era o único personagem interessante até então.

Não pretendo me estender muito num filme patético como esse, que começa e termina do mesmo modo: sem nenhum propósito e coerência. Não façam como eu, aproveitem melhor seu tempo.


127 Horas - de onde tudo poderia dar errado...uma obra-prima!


Nota: 10

Quem não se lembra da história do rapaz que ficou 5 dias com a mão presa numa rocha num canyon afastando de toda civilização e que, pra piorar, não avisou ninguém onde estava, tendo que amputar o próprio braço pra se salvar? Bom, para os poucos que não se recordam, eu acabei de contar o filme inteiro acima. Mas calma! O privilégio de se assistir 127 Horas não é essa história batida que é toda contada no seu próprio trailer de divulgação. O que há de extraordinário no filme é ver como um longa que tinha tantas chances de dar errado se transformou numa verdadeira obra-prima.

E por que poderia dar errado? Por três motivos. Primeiro: toda a ação se passa num único lugar: no canyon onde Aron Ralston está com seu braço preso. Ou seja, uma narrativa bastante truncada que possibilita uma grande chance de se tornar monótona. Segundo: há basicamente um único personagem no filme inteiro (Aron). Sendo assim, 127 Horas praticamente depende exclusivamente do trabalho de seu protagonista (James Franco) para funcionar. Um ator ruim nessa hora faria com que milhões de dólares fossem direto para o ralo. Terceiro: por mais impressionante que seja o drama de ter que cortar o próprio braço para sobreviver, fica realmente difícil compilar tudo isso em mais de uma hora de filme. O risco de levar o espectador ao tédio é enorme.

Mas então por que apesar de tudo 127 Horas se sobressaiu? A isso cabe uma resposta minuciosa.
Eu credito a três fatores o seu brilhantismo. Primeiramente sem qualquer sombra de dúvida o trabalho de James Franco interpretando Aron Ralston. Franco sempre foi um bom ator, mas nunca teve uma grande oportunidade, e é ótimo ver que na primeira delas ele se agarrou com unhas e dentes em seu trabalho. Seu Ralston mostra um auto-controle fora do comum numa situação que por si só é desesperadora a qualquer um. Também carrega consigo uma sapiência além de seu tempo: desde a série de engenhocas que projetou para se salvar, até o talk show onde entrevistando a si mesmo (num dos momentos mais interessantes do filme), chega a conclusão que jamais o resgatariam dali, ou seja, ele só podia contar consigo mesmo.

O segundo fator é a edição extremamente competente e eficaz que, além de levar quase todos os créditos da cena que acabei de citar acima, também sabe dosar bem o drama de Aron com flashbacks de seu passado, e claras alusões de alucinação, quando por exemplo ele se imagina na festa em que foi convidado naquela noite e que, por uma razão óbvia, não compareceu. Ou mesmo na epifania que tem com seu filho que ainda não nasceu como força motora para levá-lo a lutar pela sua sobrevivência.

E o terceiro, mas não menos importante fator, é a direção excelente de Danny Boyle. Ele que acaba de vir de oito Oscar’s com Quem Quer Se Um Milionário, aqui não busca se sobressair a sua equipe, ficando claro que eles trabalharam no mesmo nível o tempo todo. Além disso Boyle cria cenas marcantes, belas e terríveis, sendo algumas inesquecíveis. A começar por aquela onde num grito de desespero de Aron a câmera vai se afastando pra cima revelando pouco a pouco a imensidão onde ele se encontrava, mostrando o quão em vão eram seus pedidos de socorro, uma vez que nem nós mesmos o escutamos mais. Há a cena belíssima do primeiro amanhecer depois de Ralston ficar preso onde o sol vai surgindo e sutilmente como um manto, vai invadindo o canyon e expulsando suas sombras. E é lógico que não poderia deixar de citar a cena mais forte de 127 Horas e talvez uma das mais fortes de todos os tempos. Sim! É a cena onde ele decide amputar seu braço, apresentada em detalhes com todo carne e sangue que tem direito. Sugiro que vão de estômago preparado ao cinema.

Bom, há histórias da vida real que por mais comoventes ou tenebrosas que possam ser nunca dariam um bom filme. E sinceramente, antes de ir ao cinema era essa a sensação que tive sobre 127 Horas, pois não conseguia imaginar que graça poderia ter ficar 90 minutos vendo um homem com o braço preso numa rocha, mesmo havendo todo o seu claro contexto de luta pela sobrevivência. Ainda bem que paguei minha língua e fui, junto com todo o público, presenteado com esse filme que já é histórico, devido ao casamento perfeito do trabalho de toda equipe. E agora, que finalmente vi todos os concorrentes na briga do Oscar 2011, considero esse o meu palpite como o Melhor Filme, mesmo achando pouco provável que irá ganhar.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Musicais: #1 Cantando na Chuva


A partir de hoje, toda semana postarei aqui uma cena de musical selecionadas seja pela sua fama, importância ou pelo simples prazer de ver e ouvir.


E para começar em grandissíssimo estilo não poderia selecionar outro musical senão Cantando na Chuva. Talvez seja o musical mais famosos da história, todos com certeza conhecem a música título com o brilhante Gene Kelly radiante ora subindo no poste ora sapateando em meio a chuva.


O filme como um todo é perfeito, mas essa cena pela sua fama e pela sua perfeita execução, merece ser a primeira.


Bom Show!

Bravura Indômita


Nota: 7
É impressionante como um gênero tão antigo como o western consiga até hoje fazer tanto sucesso. Desde O Grande Roubo de Trem, passando por John Wayne e Leone, chegamos hoje no extremo de cowboys enfrentarem aliens no velho oeste (Cowboys VS Aliens, ainda não lançado).
E sendo um gênero tão aclamado, especialmente nos EUA, não é de assustar termos um representante na briga pelo Oscar 2011.

Adaptado pelos irmãos Coen a partir da obra homônima estrelada por John Wayne (da qual não farei comparações, pois não assisti a primeira versão), Bravura Indômita conta a história de Mattie Ross, uma jovem muito a frente de seu tempo que viajando para a cidade onde se encontra o corpo de seu pai recentemente assassinado, contrata Rooster (Jeff Bridges), um militar já velho, para se vingar do assassino.

Em muitos aspectos, especialmente no que concerne à fotografia, os Coen nada mais fazem do que seguirem a cartilha: uma série de tomadas com planos gerais para valorizar o cenário, e o clássico plano americano, desenvolvido exclusivamente pra esse gênero.

Porém, há também as características que tornam uma obra exclusiva dos Coen: seus personagens. Primeiramente pela falsa expectativa que é feita sobre dois deles (Rooster e Tom Chaney), extremamente superestimado pela população local e, quando finalmente apresentados ao público, vemos que apesar de um fundo de verdade em tudo que foi dito, há também uma boa dose de exagero, embora seja realmente cruel quando Rooster descreve num depoimento tão friamente o modo como eliminou toda uma família.

E não só as expectativas, mas também o figurino os definem muito bem. Desde o tampão no olho de Rooster nos fazendo pensar em que tipo de missão ele se metia quando em atividade, passando pelo uniforme de ranger de LaBoeuf (Matt Damon), até as roupas contidas e conservadoras de Mattie que tornam evidentes sua personalidade.

Mas parte das atuações não acompanham o trabalho realizado pelos Coen e criam personagens fracos e até incômodos. Mattie é insuportável e se apóia o tempo todo na lei para obrigar Rooster e LaBoeuf a ajudá-la, usando basicamente a mesma frase sem força nenhuma: “Se não fizer o que eu quero eu te processo” (e reparem que ninguém dá a mínima pra ela quando diz isso). Matt Damon também interpreta um LaBoeuf apático muito aquém da valentia e audácia características dos rangers (pelo menos na ficção).

Já o sempre ótimo Jeff Bridges não decepciona com seu Rooster que parece ter o objetivo cego (sem trocadilhos com seu tampão no olho) de capturar o vilão da trama Ned Pepper, uma missão não cumprida em sua carreira que o deixa claramente frustrado, estando alheio a tudo em volta, inclusive o desejo de vingança de sua contratante. Aliás, apesar de duas participações bem curtas, Josh Brolin e Barry Pepper (interpretando respectivamente Tom Chaney e Ned Pepper), trabalham de forma brilhante, frustrando novamente o espectador que esperava ver dois bandidos sanguinários quando na verdade vemos o primeiro quase não tendo consciência de seus atos, num retardamento mental evidente, e o último que tira todo o glamour dos criminosos cheios de pompa do cinema quando diz estar preocupado porque ele e seu bando passam fome.

E embora os Coen tenham inserido algumas cenas sem nenhuma importância para a narrativa apenas para dar um ar característico de humor de seus filmes, como aquela em que Rooster e LaBoeuf disputam quem tem a melhor pontaria atirando em biscoitos, por outro lado inserem outras que somente dois profissionais competentes como eles fariam de modo que não soasse artificial Me refiro ao duelo final entre Rooster contra Pepper e mais três capangas que de início parece ser uma marmelada, mas se mostra muito plausível na sua execução.

Mesmo pertencendo a um gênero tão receptivo ao cinema, acho pouco provável após a euforia do Oscar Bravura Indômita conseguir manter um patamar de sucesso. Isso porque o que tinha de melhor nos filmes do velho oeste, ou seja, os conflitos cheio de tiroteios, aqui quase inexiste, pois os Coen preferiram se focar na relação entre Mattie e Rooster, sugerindo o início de uma amizade e uma viagem de auto-descoberta que de forma alguma acontece.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Vencedor

Nota: 8
Confesso que nessa semana fiquei com dificuldade pra escrever. E não por falta de opção como vinha acontecendo ultimamente, mas sim porque foram tantas ótimas estréias na última sexta que virou uma tarefa difícil escolher apenas uma.

Mas trabalho é trabalho, e dentre tudo o que vi o vencedor foi (sem trocadilhos) O Vencedor.
No longa, Mickey Ward (Mark Whalberg) é um boxeador peso-leve que nunca teve grandes chances nos ringues, até que surge uma oportunidade de se reerguer e lutar pelo título. Porém, para vencer, Mickey deve enfrentar fora dos ringues o controle exercido por sua mãe (Melissa Leo) sobre sua carreira e os problemas ligados ao vício em cocaína de seu irmão e treinador Dicky (Christian Bale).

Filmes que contam a história de um rapaz pobre que ama o boxe, mas deve se sacrificar para enfim alcançar a vitória não são nenhuma novidade pra ninguém. Só em Rocky temos 6 contando basicamente a mesma coisa. O que mais chama a atenção em O Vencedor é o relacionamento familiar de Mickey e como sua passividade perante o óbvio controle de uma mãe-empresária e a dependência do treinamento de um irmão viciado o impedem de crescer. A frieza da relação entre eles fica evidente quando em praticamente nenhum momento da narrativa Dicky e Mickey chamam sua mãe de mãe, mas sim pelo seu próprio nome.

A passividade de Mickey fica clara na reunião onde ele pretendia se desligar da família e quem acaba virando sua porta-voz é a namorada, chegando até mesmo a soar ridículo um lutador de boxe ser defendido por uma mulher muito mais frágil do que ele.

O ponto quente de toda a trama é sem qualquer sombra de dúvida as atuações. Amy Adams finalmente se propõe a interpretar papéis mais sérios, sendo uma namorada que embora aparentemente frágil, carrega consigo uma enorme presença de espírito. Melissa Leo interpreta magistralmente uma mãe chantagista, manipuladora e tendenciosa.

Mas o grande destaque é sem qualquer sombra de dúvida Christian Bale. Seu Dicky, ao mesmo tempo que incomoda com sua óbvia decadência e o controle sobre o irmão, comove com um carisma único, quebrando qualquer visão unilateral sobre os dependentes químicos, dos quais estamos acostumados a construir. E como é triste ver ele assistindo a um documentário feito sobre a decadência de atletas viciados no qual ele é o protagonista. E só pelos dois primeiros minutos da trama, Bale já merecia um Oscar.

Porém, por conter uma história previsível e também por sempre interromper as sequencias mais interessantes do longa, ou seja, as lutas, O Vencedor acaba se tornando aquele tipo de filme que agrada muito, mas que com o tempo vai se esquecendo.
Ah! Já ia me esquecendo de um detalhe importante: a história é real, tanto que nos créditos, os verdadeiros Mickey e Dicky aparecem dando um bem humorado depoimento ao público.
Ufa! Tomara que na semana que vem fique mais fácil escolher o filme pra comentar.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Lixo Extraordinário



NOTA: 10

Num 2010 extremamente produtivo para o cinema nacional com o lançamento de títulos como As Melhores Coisas do Mundo, Chico Xavier e claro, o fenômeno Tropa de Elite 2, “não dá pra entender “ o por que o Ministério da Cultura selecionou Lula, o Filho do Brasil como nosso representante ao Oscar 2011. Fora os interesses políticos, aconteceu o que era mais do que evidente: ele sequer foi pré-indicado.

E quando víamos mais uma vez o sonho de um Oscar tupiniquim ficar só na vontade, eis que uma produção estrangeira (daí as aspas no título) nos deu um pouquinho mais de esperança entrando como indicada ao prêmio de Melhor Documentário com o – sem redundância – extraordinário Lixo Extraordinário.

No documento, Vik Muniz, um dos mais respeitados artistas plásticos contemporâneos (foi ele quem fez a abertura de Passione), nascido em São Paulo e radicado nos EUA, desenvolve um projeto que visa englobar arte com ação social, vindo ao Brasil, mas especificamente em Duque de Caxias, criar uma série de trabalhos artísticos a partir de material reciclável do maior lixão do país, o Jardim Gramacho. Envolvendo alguns dos catadores do aterro no projeto, sua intenção fica clara: expor ao mundo a beleza da arte através de algo completamente desprezado pela sociedade, o lixo.

Sem as câmeras, esse projeto por si só seria espetacular. Mas transformá-lo num filme teve um quê a mais, pois além das obras em si, Vik e a diretora Karen Harley apresentam ao mundo não só a matéria-prima ignorada, mas uma classe igualmente ou até mais desprezada do que seu lixo: os catadores de material reciclável que ao vivo parecem invisíveis aos nossos olhos.

Focando na história de 6 personagens-reais, acompanhamos o dia-a-dia desse povo que mesmo vivendo no nosso lixo encontram diariamente a felicidade e a boa convivência, sendo um verdadeiro exemplo a nós. Lá encontramos desde a anciã que faz questão de diariamente preparar a refeição de seus colegas, até um jovem e visionário líder (Tião) leitor de Nietzsche e Maquiavel (tanto a comida, quanto os livros encontrados no lixão), uma sociedade que sabendo de seu desprezo e miséria se uniu e a partir do isolamento social conseguiu se consolidar como uma classe representativa e que quer ser ouvida, prova disso o protesto bem humorado em frente a prefeitura da cidade.

E após sermos realmente tocados pela história de cada um, ficamos ainda mais impressionados com o modo como os insights para as obras Vik vão surgindo, e eu não poderia deixar de citar a reprodução da Morte de Marat com Tião posando de modelo. E a partir do momento que todas as fotos foram tiradas e seus próprios modelos vão ao estúdio de Vik reproduzi-las, usando o lixo que recolhem como matéria-prima, numa alegria radiante, é inevitável misturarmos a alegria em saber o quanto o artista estava certo sobre seus objetivos o tempo todo, e a tristeza de saber que por melhor que fosse, aquele sonho uma hora iria acabar e todos retomariam suas vidas repleta de dificuldades.

Mas, independente de tudo, as obras finalizadas são sensacionais (digitem Vik Muniz, Retratos do Lixo, no Google) e realmente impressiona ver aquele trabalho de formiguinha ser concluído. E pra mim especialmente teve dois momentos que marcaram mais: o choro de Tião emocionado com a venda de sua foto por quase cem mil reais num leilão e a alegria quase infantil de todos os 6 participantes do projeto ao verem suas fotos expostas num museu.

Se Lixo Extraordinário vai ganhar o Oscar prefiro nem arriscar o palpite, até porque a maioria dos filmes que concorrem sempre chegam ao Brasil depois do evento. Mas com ou sem prêmio, a lição que o documentário deixa é o quanto simplesmente ignoramos coisas que tem um papel importante em nossas vidas. E por ignorar estou me referindo ao lixo, mas sobretudo às pessoas.

O Turista

NOTA: 2

Quem nunca foi ao cinema ou a locadora para assistir a um filme só porque nele atuava seu ator/atriz favorito ou dirigido por um diretor de igual prestígio?
Pois é, foi exatamente o que eu fiz essa semana. Fui assistir a O Turista só porque era protagonizado pelo meu ator favorito, Johnny Depp, e fiquei surpreso...mas de modo bem negativo.

Em, O Turista, Elise (Angelina Jolie) é a mulher de Alexander Pearce, um bandido que aplicou um golpe bilionário num gangster e se foragiu. Procurado pela máfia russa e pela Scotland Yard, a polícia escocesa passa a vigiar todos os passos de Elise para tentar chegar a Pearce que havia mudado de rosto após uma cirurgia. Mas tudo muda quando ela pega Frank (Depp), um professor de matemática viúvo em viagem à Europa, como bode expiatório para que todos pensassem que ele era Alexander.

Com uma equipe sensacional atrás e à frente das câmeras, O Turista tinha tudo pra, senão um filme sensacional, no mínimo um ótimo entretenimento. Só para listar, no elenco estão Johnny Depp, Angelina Jolie e Paul Bettany; e seu diretor é Florian Henckel von Donnersmarck que simplesmente dirigiu um dos melhores filmes que vi na vida (A Vida dos Outros). Isso faria de O Turista aquele tipo de filme que achamos excelente antes mesmo de assistir, porém nesse caso é tudo uma grande armadilha.

O Turista é o filme de espionagem que menos se parece com o gênero. É frio, quase não há ação e a trama principal (encontrar Alexander Pearce) é facilmente descartada para enfocar apenas o improvável e sem graça romance de Frank e Elise.

Um filme com o nome que tem e nos lugares onde se passa (Veneza e Paris), o mínimo que se esperava era que seus maravilhosos cenários arquitetônicos e naturais estivessem presentes e envolvidos em toda a trama. Mas o uso de uma fotografia que a todo momento privilegiou apenas seus protagonistas com enquadramentos fechados, e não seu cenário, praticamente anulou a cenografia de um modo que a história poderia ter se passado em qualquer lugar sem nenhuma diferença.

E embora Jolie possua uma beleza inquestionável, usar a todo momento da miseé en scene de todos os homens babando pó ela onde quer que ela passe se torna um exercício infantil, cansativo e preguiçoso. E ela interpreta uma Elise tão imponente e segura de si que é impossível imaginar que ela realmente esteja preocupada em estar sendo perseguida.

E pra minha enorme decepção, Depp provou que tem uma séria limitação em interpretar personagens normais, ficando restrito as figuras exóticas memoráveis já vividas por ele (Jack Sparrow, Chapeleiro Maluco etc). Frank é extremamente caricato e sua atuação é minimalista. Parece até haver um certo desconforto em Depp ao interpretar alguém tão ‘normal’ como Frank. Acho que foi um erro em sua carreira aceitar esse papel, e com certeza tirou um pouco de seu prestígio.

ATENÇÃO: Vou revelar uma parte importante do filme abaixo. Se você ainda não o assistiu, sugiro que interrompa sua leitura aqui.

Após 20 minutos de filme, vi uma incoerência na cena do trem que me fez perguntar até agora: o que aconteceria com toda a história caso Elise decidisse se sentar ao lado de outra pessoa que não Frank?

sábado, 22 de janeiro de 2011

Enrolados



NOTA: 5

Em 1937 a Disney revolucionou para todo o sempre o mundo da animação com o lançamento de Branca de Neve e os Sete Anões. Com técnicas até então inovadoras e um modo singular de aliar sonho e fantasia, a empresa se tornou peça fundamental na vida de crianças de todas as gerações a partir de então. E 74 anos depois não parou de nos encantar, criando personagens e narrativas que transcendem o tempo e ainda fazem os olhos de qualquer criança e muitos adultos brilhar.
De lá para cá foram 49 filmes sendo que todos, uns mais outros menos, fizeram sucesso. E acaba sendo até um desapontamento saber que seu 50° filme, Enrolados, fique muito aquém do que sabemos que o estúdio é capaz de fazer.

Em mais uma adaptação dos contos dos irmãos Grimm, Enrolados conta a história de Rapunzel, uma princesa aprisionada numa torre por sua falsa mãe e que possui poderes mágicos em seus imensos cabelos: a cura e o rejuvenescimento. Superprotegida, mas ansiosa pra conhecer o mundo, ela finalmente consegue aos seus 18 anos logo após conhecer um ladrão por quem acaba se apaixonando, provocando a fúria da suposta mãe que apenas se aproveita de seus poderes para permanecer jovem.

Não se pode negar que o filme tenha seus méritos. As reações de Rapunzel logo ao escapar da torre, se alternando numa alegria radiante e num choro repleto de culpa retrata bem o quão instáveis são os jovens nessa fase. Aliás, achei muito interessante o estudo antropológico feito pelo estúdio pra construir esta personagem. Seu 3D também é excelente, sendo muito bem dosados a profundidade de campo e a sensação de projeção para fora da tela de objetos e personagens. E há o mérito de um ótimo trabalho de fotografia que de forma eficaz se alternam entre uma paleta repleta de cores e um ambiente sombrio conforme a necessidade narrativa e, embora se faça uso de alguns clichês, como o vilão surgindo da neblina e confundindo a personagem ou a bruxa mergulhando nas sombras antes de cometer uma maldade, ela não decepciona.

As gags do camaleão e do cavalo conferem momentos de muito riso na platéia. Aliás, a Disney sempre atribuiu essa função de humor a seus personagens secundários e se com isso consegue criar personagens extremamente engraçados, também cai na bobagem de blindar seus protagonistas de tudo o que é mundano.

Se por um lado Enrolados tem seus pontos positivos, por outro, seu roteiro é chato e mal planejado. Nada acontece e quando Rapunzel retorna à torre, ele fica tão truncado que é preciso uma epifania ridícula dela num pedaço de pano para que o filme tenha algum desfecho. Fora a canção que ela devia cantar para ativar seus poderes que me perguntei o filme todo como é que a bruxa descobriu sozinha que era essa a chave do seu poder.
Além disso, a dublagem terrível de Luciano Huck fazem até tapar os ouvidos quando o herói da história, Flynn, abre a boca. Não conseguindo em nenhum momento sincronizar sua entonação com o que o momento pede (até porque nem ator ele é), as cenas com Flynn acabam sendo sempre muito superficiais e nada envolventes em função disso, praticamente anulando personagem. O mesmo se dá as canções sem ritmo e rima por causa da péssima tradução para o português.E por mais que o final da história seja idêntico ao livro, o uso da lágrima (numa cena que não vou descrever aqui) já se tornou algo mais do que batido no cinema, além de conferir uma função quase de deus ex macchina para o desfecho do filme.

Mas ainda assim, Enrolados consegue ter sua eficiência no que diz respeito ao entretenimento desses filmes infantis típicos das férias que garantem diversão dentro das salas de cinema, mas que são facilmente esquecidos fora dela. Uma pena saber que um título tão prestigiado pelo estúdio Disney, por ser seu 50°, não seja recíproco no mesmo nível ao qual é atribuído.

Além da Vida



NOTA: 10

Todo início de ano parece seguir o mesmo roteiro: dieta, IPVA, IPTU, chuva sem parar e os muito bem vindos filmes de Clint Eastwood. E 2011 não foi diferente.

Seu novo longa, Além da Vida, vem para ser o primeiro grande lançamento do ano. Uma obra muito bem executada por esse mestre que felizmente parece não se aposentar nunca.
No filme assistimos a três histórias que carregam uma semelhança entre si: em todas, de algum modo, há o contato direto ou indireto com a morte de um jeito que acaba mexendo para sempre com a vida de cada um de seus protagonistas.

Primeiro conhecemos a história de Cécile de France que interpreta uma jornalista francesa que é atingida pelo Tsunami numa viagem de férias às Filipinas. Lá, tem uma experiência de quase morte, decidindo provar ao mundo após esse acontecimento que a pós vida de fato existe; Matt Damon é um médium que possui a capacidade de conversar com os mortos. Recebendo muito dinheiro no passado por esse dom, mas ao mesmo tempo abrindo mão de qualquer chance de uma vida pessoal, ele abandona essa vida e se torna um operário; Jason e Marcus são dois jovens irmãos gêmeos que devido ao fato de possuírem uma mãe viciada acabam tendo um no outro seu apoio para serem felizes. Entretanto tudo muda quando Jason morre atropelado e Marcus não consegue mais seguir sua vida sem seu irmão.

Sempre contada exatamente na ordem citada acima, é interessante que quanto mais próximo chega o momento do encontro dos 3 personagens, menores ficam suas cenas individuais. Parece até uma espécie de contagem regressiva para este encontro inevitável.
Também é indescritivelmente impressionante a cena inicial do Tsunami devastando as Filipinas e o modo como suas vítimas o vivenciaram, muito mais dramático do que qualquer jornal poderia apresentar. Kurosawa dizia que nunca iniciava seus filmes com grandes cenas, pois o espectador ficaria esperando cada vez mais e chegaria um ponto que seria impossível agradá-lo. Mas nesse caso, mesmo não havendo tantas cenas espetaculares como esta, o restante do filme não deixa a desejar pois a trama de cada personagem é muito bem desenvolvida.

Das tramas todas a que me chama mais a atenção é a de Matt Damon. Com planos claustrofóbicos em sua casa nem é preciso dizer o quão solitário ele é. E dói ainda mais saber que por mais gentil e dedicado que seja, seu ‘dom’ questionável parece sempre pôr tudo por terra, evidenciado na cena em que ele perde uma possível companheira por descobrir um segredo muito íntimo dela revelado pelo seu falecido pai. E todos os trechos de Charles Dickens que ele ouve toda noite em seu audiobook o definem melhor do que qualquer roteiro.

Entretanto, o que realmente faz de Além da Vida um filme genial é o modo frio e neutro como Clint aborda o tema MORTE. Em nenhum momento nas suas quase duas horas e meia de filme a palavra deus ou quaisquer religiões sequer são citadas. E até mesmo a possível experiência dos personagens deixam lacunas para dúvidas. O que garante que o que a jornalista viu foi uma imagem produzida pela sua mente devido ao trauma sofrido? E o que garante que ao invés de médium, Matt na verdade possuía um poder telepático e acreditando que realmente se comunicava com os mortos, não fazia nada mais do que dizer o que seus clientes gostariam de ouvir?

É por abordar tão bem temas complexos e não ter medo de se aventurar em qualquer gênero que Clint Eastwood sempre inaugura o ano com obras primas (estou desconsiderando aqui Invictus e Gran Torino). E a julgar pela sua disposição de garoto aos 80 anos, não é de se admirar que por um bom tempo o cinema no Brasil seja presenteado todo início de ano com um ótimo filme.

domingo, 9 de janeiro de 2011

72 Horas


NOTA: 7


No filme, Russel Crowe é John Brennan, um pai de família extremamente dedicado à mulher e filho. Porém, sua vida vira de ponta cabeça quando sua esposa é presa por assassinato, num crime bastante controverso. Sozinho e acreditando piamente na inocência da mulher, John elabora um plano arriscado e perigoso pra resgatá-la.

Claro que contar com um excelente ator como Russel Crowe ajuda qualquer filme a fazer sucesso nas bilheterias. Contudo, há uma série de acontecimentos ao longo da trama que fazem com que ela pouco a pouco perca o prestígio que talvez alcançaria.

Seu início é esplêndido. Num jantar com amigos, Laura, mulher de John, conversa com raiva sobre a futura vítima da qual foi acusada de assassinar e, provocada pela amiga, tem uma reação agressiva instantânea, revelando muito de seu caráter e dando indício à possibilidade dela realmente ter cometido o crime. Porém, ao longo da trama essa questão fica um pouco confusa e mal explicada. Até porque, o crime em si não era importante, mas sim seu resgate.

Contudo, no desenrolar da trama tudo vai ficando previsível e inverossímil. Numa participação relâmpago de Liam Neeson, interpretando um ex-detento que fugiu sete vezes da cadeia, seu personagem instrui John como deve proceder para resgatar sua mulher e, adivinhem? Ele faz exatamente o que foi dito, ou seja, antes da metade do filme já sabemos seu final.

Inverossímil porque John deixava rastros a todo tempo de suas intenções e ainda assim não é pego, como a chave que ele quebra na fechadura do presídio ou a boca de fumo que ele explode. Sem contar que de um professor universitário que mal sabia segurar uma arma, ele instantaneamente se torna um profissional em fuga, algo impossível até de se imaginar.

Além disso, chegou um momento que eu realmente me perguntei se não confundi o título com o tempo de duração, pois parecia mesmo que teríamos 72 horas de filme de tão longo que se mostra, numa narrativa extensa que desnecessariamente se arrasta, especialmente no terceiro ato, repleto de reviravoltas que não acrescentam nada à história e não chegam a lugar algum.

Independente de ser cansativo por sua extensão, 72 Horas acaba sendo um interessante thriller que vai colar alguns na ponta da poltrona com cenas de tirar o fôlego. Lembra muito um filme excelente com Kevin Bacon, Sentença de Morte (2007), porém este último é muito melhor.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Rede Social – o cinema adicionado ao Facebook


NOTA: 10


Confesso que fiquei embasbacado com minha última ida ao cinema.

Tudo bem que já vinha lendo nas críticas que A Rede Social era um dos grandes filmes do ano e um dos fortes concorrentes ao Oscar 2011. Mas sequer me passou pela cabeça que quando o apontavam como ótimo, ele o era sobre todos os aspectos.
É realmente espetacular o casamento perfeito entre direção, roteiro, fotografia e casting do filme. E o melhor foi transformar uma história aparentemente não muito interessante numa obra-prima que dá vontade de assistir muitas vezes.
Em A Rede Social, David Fincher (Seven, O Curioso Caso de Benjamin Button) traz às telas a história de Mark Zuckerberg, um jovem gênio dos computadores que após levar um fora da namorada, cria, pra se vingar, um site onde é possível votar nas garotas mais bonitas da faculdade (incluindo sua atual ex). Espantado com a quantidade recorde de visitas de sua página, Mark decide ir além e inspirado na idéia inicial dos gêmeos aristocratas Tyler e Cameron Winklevoss, cria aos 19 anos de idade em parceria com seu amigo brasileiro, Eduardo Saverin, o que viria a ser a rede social mais popular do mundo: o Facebook.

Em paralelo a essa história que muitos já conhecem, acompanhamos outras duas um pouco mais obscuras. Na verdade boa parte da história é contada em duas disputas judiciais pelos direitos da rede: um movido pelos irmãos Winklevoss sobre a alegação de roubo de propriedade intelectual e outro movido pelo seu melhor amigo, Eduardo, brigando pelo seu quinhão que lhe fora tomado do Facebook.

Primeiramente achei que foi muito bem acertado desconstruir o mito que se fazia sobre Zuckerberg. Embora gênio incontestável, é interessante como o criador da maior rede de amizades do mundo não consiga fazer um amigo sequer na vida real, ao contrário, afastando todos que estão próximos e sendo muito bem definido por uma das personagens em poucas falas: “você não é um babaca, mas faz de tudo pra parecer um”. Além disso, fica claro que quem de fato idealizou o Facebook (de um modo bastante precário) foram mesmo os Winklevoss; e é muito triste saber que Mark traiu friamente Eduardo em busca de poder sendo este quem mais batalhou pelo sucesso do site e o único verdadeiro amigo que possuía. Isso é tão evidente que mesmo rivais nos tribunais, o embaraço que ambos sentem ao se acusarem, a ponto de falarem de costas um pro outro, mostra que apesar de todo o ocorrido um ainda sente profunda admiração pelo outro e desejo de aproximação.

Para dar a tudo sua merecida atenção precisaria de muitas e muitas páginas para discorrer. Como tal coisa não é possível, vou ressaltar apenas uma das muitas perfeições que vi: o elenco.
Parecia que todos haviam nascido para aqueles papéis. Jesse Eisenberg, o novo Woody Allen, consegue criar um Mark Zuckerberg fechado em seu mundo com a mesma expressão quase todo o filme e que parece não querer que ninguém entre em sua vida. Isso talvez para que sua fragilidade e solidão não sejam descobertas. Além disso, seu jeito de falar, sempre rápido e extremamente coerente em seus raciocínios exigiram um grande trabalho do ator.

Andrew Garfield com seu Eduardo já na sua primeira aparição carrega consigo a ternura em sua expressão, sempre pronto a se dedicar a seu amigo não importando o quão louco suas idéias possam parecer.E antes do triste desfecho entre ambos não paramos de nos perguntar: o que poderia levar dois amigos tão próximos se digladiarem desse modo?

E por fim, embora na minha opinião sem nada muito relevante no universo musical, Justin Timberlake impressiona com eu Sean Parker (sim, o cara que criou o Napster e hoje um dos donos do Facebook) que ao mesmo tempo em que é promissor na sua visão dos negócios, é igualmente insano consumido pelas drogas e por sua mania de acreditar que está sendo sempre perseguido.

Fazia alguns meses que não ficava tão empolgado desse jeito ao sair do cinema. Mas A Rede Social realmente tem esse efeito sobre a gente. E inspira ao vermos que não há idade pra se chegar ao topo do mundo. No caso de Zuckerberg foi preciso apenas 19 anos.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1


NOTA: 9


Particularmente nunca me atraiu nenhum filme que envolvesse magia, magos, bruxas e afins. Não que isso tudo não seja interessante. Mas que perde toda graça uma história onde tudo se resolve com feitiços, raios e varinhas mágicas. Não há emoção nenhuma, tudo fica fácil demais. Imagine nosso cotidiano desse jeito? Um carro importado num estalar de dedos; uma maleta cheia de dólares numa palavra mágica. Você conhece alguém que tem tudo isso desse modo? Se sim, me apresente porque estou precisando de alguns favores.

Mas tudo que escrevi acima com certeza não se aplica a saga Harry Potter. E o mais novo lançamento, As Relíquias da Morte, são uma perfeita mostra de exercício de estilo. O modo como a magia é trabalhada cuidadosamente ao longo de toda trama sem prejudicar seu desfecho, conflitos e o drama de seus personagens é algo raríssimo num gênero que geralmente é constituído de roteiros preguiçosos e alienantes.

Nunca li os livros da série e a cada filme que sai prefiro continuar assim, porque é muito gratificante se encher de expectativas e ter elas todas atendidas na tela. Embora não tão fã da série como sou de O Senhor dos Anéis, não dá pra negar que sou um grande admirador de todos os filmes do Harry Potter sobre muitos aspectos: desde um elenco juvenil que vive em função de seus personagens até detalhes como uma impecável direção de arte.

Na primeira parte do sétimo episódio, vemos o poder de Valdemort e seus seguidores crescer de modo ilimitado exceto pelo fato de seu algoz permanecer vivo. Harry, a única esperança de salvação, vive no isolamento com seus amigos, agindo praticamente na marginalidade para destruir Valdemort e restabelecer a paz. Um caminho parece ter sido apontado: destruir todas as Hercrox (pedaços da alma de Valdemort presos em pequenas relíquias) para assim poder enfrentar e destruir seu vilão. Ainda assim não sendo tarefa fácil, Harry e seus amigos vão a busca das Relíquias Sagradas, três poderosas armas que podem auxiliá-lo no combate.

Por ter sido dividido em duas partes, é evidente que uma série de buracos ficaram na narrativa, como o destino dos amigos de Harry que ficaram no casamento enfrentando os Comensais da Morte. Porém, não me estenderei muito debatendo seu roteiro por crer que obviamente tudo será esclarecido em sua sequencia. Já a direção sempre foi unilateral: tirava o fôlego nos momentos de ação e suspense, mas em compensação caia numa morosidade entediante nas demais cenas.

Contudo, ao meu ver, há dois grandes trunfos que tornam o Harry Potter uma obra perfeita. A primeira se dúvida nenhuma são seus espetaculares efeitos especiais que de tão meticulosamente trabalhados se firmam de um modo naquele mundo de em nenhum momento sua veracidade é questionável. Cito como exemplo os dois elfos fazem algumas pontas no filme e que é impossível não dizer que são reais mesmo.

O outro grande trunfo, obviamente, é a dedicação de seu elenco que permaneceu unido e se entregando aos seus personagens por quase 10 anos. E isso vai desde seus protagonistas aé seus personagens secundários. É muito mais fácil desse modo gerar identidade e afinidade com o público, mas é igualmente difícil manter um elenco deste tamanho unido por tanto tempo. É um trabalho que por si só já é digno de aplauso.

Filmes de magia, magos e bruxa realmente são muito chatos e desinteressantes,sendo uma muito bem vinda exceção toda a saga Harry Potter que ao mesmo tempo que deixa todo mundo ansioso pra saber seu desfecho ano que vem, também deixa triste por saber que é uma despedida. Mas que valeu a pena a espera por cada filme.

Senna – Homenagem mais que merecida a um ídolo


NOTA: 10


Quem não se lembra das tardes de domingo onde nos reuníamos para assistir as corridas, ou melhor, os verdadeiros espetáculos que Ayrton Senna dava nas pistas do mundo todo? Dos pegas com Alain Prost? Das vitórias impossíveis? E da dor da perda?

Bom, infelizmente nosso ídolo foi embora pra sempre e nada podemos fazer para mudar isso. Mas para os milhões de fãs de Senna, como quem vos escreve, temos a possibilidade de matar a saudades e conhecer um pouco mais de sua vida 16 anos após sua morte no documentário homônimo de Asif Kapadialo.

Nesse maravilhoso filme, Asif conta a história do atleta desde o final de sua carreira vitoriosa no kart, quando ainda era um adolescente franzino, até a corrida que culminou na sua morte no circuito de Ímola em 1° de maio de 1994.

Com uma aprofundada pesquisa de arquivo, Asif consegue dar igual proporção a todas as fases da vida de Senna: seu início promissor na F1, suas brigas dentro e fora das pistas com Proust, o início do declínio etc. Assim, ele não se perdeu enfatizando demais determinado momento e ofuscando outros não tão brilhantes, porém igualmente importantes, como a corrida onde ele literalmente atira seu carro contra Proust para tirá-lo da pista e conquistar um título sem nenhuma glória.

O Senna que nos é apresentado, além daquele bom moço humilde que conhecemos, é o de um verdadeiro leão nas pistas que enfrenta tudo e todos (até mesmo o presidente da FIA) para vencer. Injustiçado em diversas ocasiões, como na patética corrida de Suzuka em 89, Senna sempre teve que provar com talento e não com influências sua capacidade de vencer.

Achei muito acertado manter todos os depoimentos ao longo do filme (incluindo os de Reginaldo Leme) em voice over enquanto assistíamos ao que vinha sendo narrado, não quebrando o ritmo da narrativa com cortes em pessoas que muitos nem conhecem. Além disso, todos depoimentos somaram muito e não ficaram apenas preenchendo espaço. O mais tocante é sem dúvida o do chefe da equipe médica da F1 Sid Watkins que tinha uma relação de mútuo respeito com o piloto.
E o que mais chama a atenção é o ar dramático que Asif impôs no documentário. Todos sabíamos o que ia acontecer em cada momento, mas ainda assim ficamos apreensivos nas disputas acirradas em suas corridas e rezando pra que nada acontecesse em San Marino.
Aliás San Marino é um desfecho cuidadosamente trabalhado onde vemos desde início o perigo que a cercava (o acidente gravíssimo do Rubinho, a morte de um piloto no dia seguinte). A tensão nos olhos d Senna era notável a quilômetros. Mas ainda assim a prova foi realizada e terminou em tragédia.

Ao mesmo tempo que é muito gratificante esse reencontro, ainda que frio, com Ayrton Senna, é igualmente triste saber que nunca mais teremos um ídolo como ele não só no Brasil, mas arrisco dizer no mundo todo. O jeito é se contentar com o documentário e se emocionar muito, porque realmente mexe xom os sentimentos até dos mais fortes.

sábado, 13 de novembro de 2010

Crítica: Um Parto de Viagem



NOTA: 7

Nos últimos anos, Hollywood abraçou um diretor que trouxe muitas mudanças, pra melhor, no gênero comédia. O humor no cinema até bem pouco tempo era algo previsível, exagerado e tinha sempre as mesmas figuriras marcadas, mas tudo mudou após Todd Phillips começar a ganhar respeito como diretor com verdadeiros sucessos como Starky e Hutch, Escola de Idiotas e o excelente Se Beber Não Case.

E ele repete a dose em Um Parto de Viagem, seu novo filme que estreou na última sexta-feira, estrelado por Robert Downey Jr e Zach Galifanakis.

Na comédia, Downey Jr é Peter Highman, um arquiteto que está numa viagem na costa leste dos EUA planejando o retorno pra casa, na costa oeste, para assistir ao parto de seu primeiro filho. Ele só não contava encontrar no caminho um ator pouco promissor e atrapalhado, Ethan, que o coloca numa cadeia de enrascadas ao longo da viagem.
Com a assinatura clara de Todd, o filme não possui um roteiro muito privilegiado, porém conta com uma originalidade absurda sempre muito presente em seus filmesr. Nada é óbvio, todos os acontecimentos surpreendem e alguns são tão malucos que é até difícil descrever. Num mesmo filme vemos o filho mais novo de uma atraente traficante sendo surrado, um cão se masturbando, cinzas que viram café, o México sendo confundido com Texaco e mil coisas mais que se eu escrever vão dar um nó enorme na cabeça ou tirar toda a graça de assistir.

O grande destaque fica por conta da atuação desse meteoro em ascensão que é Zach Galifanakis. Embora já tenha sido perfeito em Se Beber Não Case, aqui ele traz seu Ethan como um ator frustrado pelo sucesso que não alcançou, mas que se convence de que ainda é capaz, e para reforçar isso mente pra si mesmo sua idade e seu nome. Ele é totalmente alheio ao seu mundo, desastrado, porém um encanto, um desses amigos únicos que temos. É tão encantador que não dá pra entender como alguém não gostaria dele. É nele que Todd insere uma de suas principais características: os adultos da geração X que não conseguem se desvincular de muitos traços de sua infância. Ethan vive com seu cachorrinho, sempre precisa fazer “pipi” e por muitos momentos age como uma verdadeira criança.

Em contraponto, Robert Downey Jr decepciona, interpretando um personagem arrogante e antipático, muito diferente de seus dois últimos personagens (Tony Stark e Sherlock Holmes) que tinham o humor e o sarcasmo em seu sangue. Peter é tão frio que por muitas vezes Downey tenta inseri-lo no universo da comédia, mas não consegue.

Embora num desempenho ruim em sua atuação, boa parte do que é prejudicial ao filme sem qualquer sombra de dívida vem de seu roteiro que não evolui muito na trama. Embora cheio de surpresas que farão muitos rir, a história em si é muito pouco trabalhada. Além disso, a primeira frase de Peter já revela seu final aos mais atentos.

Mas independente do roteiro ruim e da atuação idem de Downey Jr, Um Parto de Viagem continua sendo uma obra que vem pra mudar a linguagem das comédias. Os filmes de Todd ainda não são perfeitos e nem possuem uma linguagem única, mas vem sendo ótimos filmes de transição dentro desse gênero quase falido.

Atração Perigosa


NOTA: 8


Que Ben Affleck nunca foi um bom ator, isso nunca foi novidade para ninguém. O que não dava pra entender é porque alguém que tinha tanto talento atrás das câmeras – vale lembrar que ele estreou no cinema ganhando um Oscar pelo roteiro de O Gênio Indomável – insistia em seguir um caminho que claramente não era o seu.



O resultado disso foi o óbvio: nem mesmo um rosto bonito o manteve famoso por muito tempo e pouco a pouco Affleck foi caindo no esquecimento. Ele chegou a dar um pequeno sopro de vida ao estrear na direção de Medo da Verdade. Porém o que parecia um retorno, não emplacou e ele continuou permanecendo no esquecimento.
E quando já nem se falava mais seu nome, eis que ele surge dirigindo um dos melhores filmes do ano até o momento. Tudo bem, ele ainda é o protagonista, mas mesmo assim faz questão de dar o devido espaço para todo o excelente elenco do filme, sem tentar roubar a cena.
Em Atração Perigosa, Ben Affleck interpreta o líder de um grupo de quatro assaltantes de bancos do bairro de Charlestown na periferia de Boston. Mas isso não quer dizer que os quatro são amadores, pois logo no início, Affleck narra em off de modo impecável como seu trabalho exige profissionalismo como qualquer outro. E o melhor é que acompanhamos tudo de perto enquanto narra.

E essa primeira cena é realmente um dos pontos altos do filme: é lá que boa parte dos personagens são apresentados e a rapidez e precisão como tudo acontece já nos faz mergulhar de cara no universo proposto. É lá também que conhecemos Claire, personagem de Rebbeca Hall, uma gerente de banco que já surge numa cena dramática que só bons atores conseguem fazer.
A partir desse assalto, o grupo suspeita que Claire possa ter visto o rosto de um deles e ficam na dúvida entre o que fazer com ela, principalmente quando descobrem que ela vive perto deles. Affleck decide se aproximar para descobrir algo e nisso se apaixona loucamente, assim como Claire que desconhece sua verdadeira identidade.

Enquanto vive seu romance, ele vive o conflito entre o amor e sua profissão, esconder do restante do bando seus sentimentos, fugir da polícia que está na sua cola e conter seu comparsa que parece a todo o tempo estar de cabeça quente.




Embora o romance entre Claire e Affleck seja o mote história, o roteiro o favoreceu muito pouco ao longo do filme, a ponto de alguns momentos parecer até de certa forma desnecessário. A preferência foi dar maior ênfase a vida do grupo de bandidos e os conflitos internos do protagonista. Não que isso seja ruim, ao contrário, é igualmente bom, mas faltou dar a atenção necessária ao desenvolvimento da história.

O que mais chama atenção mesmo são os personagens e os excelentes atores que os interpretam. Desde o pouco habituado ao cinema Jon Hamm, com seu agente sedento por justiça a ponto de atropelá-la se for o caso (a cena de sua primeira prisão é impressionante) até o delinqüente e sangue quente Coughly, interpretado pelo indicado ao Oscar Jeremy Renner, e quem pra mim é o grande destaque de Atração Perigosa, especialmente na cena em que é pego que muito lembra Fogo Contra Fogo.

Atração Perigosa vem como um filme policial eletrizante do início ao fim e cheio de conteúdo que prende nossa atenção com toda a certeza. Uma excelente mostra da habilidade de Ben Affleck atrás das câmeras, da qual não duvido que receba ao menos uma indicação ao Oscar.
CONFIRA O TRAILER (legendado)

Atividade Paranormal 2


NOTA: 4

Não faz tanto tempo assim, Atividade Paranormal chegou aos cinemas e de cara se tornou um sucesso no mundo todo e revolucionário sobre vários aspectos como seu baixíssimo orçamento, bilheteria escandalosamente alta, sua câmera subjetiva, a originalidade de seu roteiro e uma linguagem adotada que a meu ver é a melhor para o gênero terror: nada é mostrado, tudo é sugerido, cabendo a nós criar a trama.

Sem dúvida, o filme de Oren Peli se consagrou como uma obra-prima da sétima arte. E dizem que uma obra-prima não deve ser tocada. Entrementes, com seu histórico nas bilheterias era mais do que evidente que mais hora, menos hora teríamos uma sequencia. E veio mais rápido do que se esperava.

Pois é, mas não é que o feitiço virou contra o feiticeiro. O que fez do primeiro longa tão original foi repetido no segundo e se tornou cansativo, óbvio e totalmente previsível. Até porque essa nova história basicamente tem o mesmo roteiro que a primeira, inclusive acontecendo na mesma família, porém ocorre num alguns meses antes dos acontecimentos do primeiro filme.

Agora, conhecemos Kristi, irmã de Kate e que acaba de ter um bebê com Daniel. Acompanhamos suas vidas a partir do momento em que chegam à nova casa num bairro de classe média alta. Após alguns dias morando no local, a família se depara certo dia com a casa toda revirada, com móveis e eletrônicos quebrados, porém sem nenhum furto. Crendo terem sido vítimas de um ato de vandalismo, eles instalam câmeras de circuito interno por toda a casa e é a partir delas que acompanhamos a rotina da família e percebemos que coisas estranhas e assustadoras acontecem no local.

Os sustos são os mesmos. Na verdade acho que fica tudo piorado porque as cenas que antes assustavam exatamente pela velocidade relâmpago e imprevisibilidade que aconteciam, agora são estendidas a ponto de até nos adaptarmos a elas e esquecê-las, como quando Kristi é arrastada pela escada várias vezes.
E até mesmo a tentativa de explicar o motivo desse demônio assombrar a família de Kristi soa forçado e se torna desnecessário (e eu nem vou comentar o ritual pra se livrar dele porque é ridículo) uma vez que ninguém precisou dela para apreciar o primeiro filme.
Os atores ajudam a construir uma narrativa mais eficiente agindo como devem agir: pessoas comuns no seu cotidiano que nem sempre é tão empolgante. E mais uma vez, embora este recurso vem começando a se tornar viciado, a câmera subjetiva dá seu peso na construção da narrativa.


A meu ver, realmente a grande falha de Atividade Paranormal 2 é mesmo seu roteiro preguiçoso e pouco criativo. A dificuldade de criar coisas novas foi tanta que pra conseguir fazer com que o filme rendesse 90 minutos foi preciso espaçar e muito uma cena de susto da outra, não gerando nenhuma tensão no espectador, ao contrário, conseguiu gerar apenas tédio em algumas oportunidades.

Talvez de ego inflado com seu primeiro sucesso, Oren Peli acreditou que era só repetir a mesma fórmula para repetir seu sucesso. Uma pena! Espero que tenha aprendido a lição para uma próxima oportunidade, pois o que está feito, está feito!


CONFIRA O TRAILER


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Tropa de Elite 2 – A Repetição de um sucesso



NOTA: 10


Valeu a pena esperar! Valeu a pena tanto suspense sobre o Tropa de Elite 2! O resultado foi podermos conferir a partir da última sexta um dos maiores filmes do ano.

Com um roteiro guardado a sete chaves até seu lançamento, a história se passa nos dias atuais, pouco mais de 10 anos depois do primeiro filme. O hoje Coronel Nascimento é transferido do BOPE para a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, após uma ação desastrosa em Bangu 1. Lá, ele vê uma chance única de acabar com o tráfico, mas não imaginava que o verdadeiro inimigo era outro: os políticos corruptos e a própria PM com seu grupo de extermínio dominando as favelas. A partir de então Nascimento chama novamente para si a responsabilidade de ‘quebrar o sistema’ mesmo virando alvo dele.
O mais incrível de tudo é ver que o diretor José Padilha aproveitou muito pouco do primeiro filme, fazendo quase um filme à parte e não uma seqüência, ainda assim conseguindo criar novamente um sucesso que já caiu nas graças do público. Sobre um aspecto, Tropa de Elite 2 é quase uma obra shakespeariana: é extremamente crítica e reflexiva para os que apreciam mais o conteúdo, e incrivelmente empolgante, tirando o fôlego para quem prefere a forma.

Seu roteiro foi meticulosamente trabalhado para que não fosse praticamente um filme de ação como o anterior. Tropa de Elite 2 é multifacetado e mais abrangente. Se antes os principais temas a serem discutidos eram o tráfico de drogas e a violência exacerbada de um grupo específico da polícia, agora Braulio Mantovani inseriu outras discussões atuais e de interesse de toda a sociedade: a corrupção na política e de quem mais deveria nos proteger, a polícia; os dramas pessoais de um homem sempre duro (Nascimento) focado em seu dever, pagando o preço do afastamento da família dentre outros muitos dramas secundários.

Antes um filme quase documental, agora uma superprodução, Padilha o recheou com cenas de ação muito mais elaboradas, diálogos melhores escritos e uma trilha sonora impecável. Resultado do sucesso anterior e uma verba de produção muito maior atualmente (R$ 14 milhões). Talvez choque muitos o excesso de veracidade de algumas cenas, por exemplo quando dois corpos são queimados para eliminar provas, mas ainda assim a profundidade que são trabalhados seus temas e a reflexão que nos obriga a ter, fazem com que cenas assim sejam essenciais na construção de seu raciocínio.


E claro que novamente o sucesso se deve em boa parte pelo seu brilhante elenco. Wagner Moura é mais uma vez estupendo na construção de seu personagem: já mais velho, cansado, tentando conciliar a vida pessoal e profissional, Nascimento é um homem que ainda luta contra um sistema corrupto, mas começa a dar mostras de estar sendo vencido pelo mesmo. André Ramiro trabalhou muito bem também na evolução do Sargento Mathias de um homem pacífico a uma dura máquina de guerra.

E quem chama muita atenção na trama é um novo personagem, o Fraga, interpretado por Irandhir Santos, um humanista que se elege deputado que é quem junto ao Coronel Nascimento, ao seu modo, nos obriga a questionar o quão errado está esse sistema e como nos tornamos refém dele.

São tantas coisas a se falar de um filme só que precisaria de páginas e mais páginas para concluir. Mas posso adiantar o que mais gostei no filme: sua frase inicial que dizia algo como “Por mais que coincida com a vida real, este filme é apenas uma obra de ficção”. Acredito que com ela nada mais precise ser dito. É assistir (no cinema de preferência) e tirar suas conclusões.
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sábado, 9 de outubro de 2010

Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme


NOTA: 8


Em 1987 uma notícia abalou o mundo financeiro americano. Não, não foi nenhuma queda da bolsa asiática ou a desvalorização da moeda que preocuparam os executivos dos EUA. Foi o lançamento do então novo filme de Oliver Stone: Wall Street – Poder e Cobiça.
O título já deixa claro o porquê do calafrio, mas aqui vai uma melhor explicação: Stone deixou escancarado ao mundo e aos americanos tão seguros de sua economia o quanto a mesma é esdruxulamente manipulada por uma mínima parcela de executivos sedentos de dinheiro – sintetizada na frase de Gordon Gekko “Ganância é boa.” - que em nenhum momento pensam no benefício de seu país, o que fazem de bem e quando o fazem é consequência apenas da visão de seus próprios interesses.

Por mais catastrófico que o filme possa ter sido, não conseguiu se firmar na mente da população tão pouco ligada à economia. A época em que foi lançado não permitiu. Mas hoje em dia o novo Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme tira um grande benefício no timing e no tema de uma recente e colossal crise financeira mundial.

Novamente dirigido pelo mestre Oliver Stone, a seqüência se inicia apresentando o antes inabalável e poderoso Gordon Gekko, agora velho e derrotado no seu último dia na cadeia, após cumprir uma pena de 9 anos de prisão por movimentar o mercado sobre falsa informação.Ainda assim, ele aparenta estar revigorado e disposto a combater o mercado que ajudou a criar ironizando em seu livro a própria frase “Ganância é boa?” e sendo uma espécie de profeta do apocalipse prevendo o estouro da bolha imobiliária anos antes de seu acontecimento em 2008 gerando a famosa crise.
Em paralelo, há a história do jovem executivo de sucesso Jake (Shia LeBouf) que vive junto e pretende se casar com Winnie (Carrey Mulligan) que coincidentemente é filha de Gekko. Ela sente um ódio enorme do pai, culpando-o pela morte do irmão drogado. Mas em dado momento, por puro interesse, Jake se aproxima de seu sogro procurando auxílio para enriquecer e derrubar um adversário, prometendo em troca aproximar pai e filha.

Seu excelente roteiro com certeza não se deve a essa trama paralela bastante água com açúcar, mas sim a uma espécie de bastidores de como tudo aconteceu em 2008. Alguns poucos poderosos banqueiros decidem o futuro econômico do mundo numa mesa, visando apenas seus lucros. É tão simples que chega a parecer ridículo, mas foi assim. E não podia ter alguém melhor do que Josh Brolin para interpretar um vilão (se é que podemos chamar assim) prepotente, cruel e seguro de si. Aliás as atuações em geral são um ponto forte de Wall Street. Até mesmo a aparição relâmpago de Charlie Sheen é intensa, mostrando o quanto ele acabou cedendo à ganância ao longo dos anos.

O mais interessante é como Oliver deixa evidente, sem parecer forçado, o como nossa economia é frágil: há uma cena que toda a economia da empresa de Bretton (Brolin) parece ruir a partir de uma pequena fofoca que se espalha instantaneamente de Jake, ou seja, tudo é especulação nesse mundo.

Quem rouba a cena é mesmo Michael Douglas com seu Gekko que nos deixa o tempo todo com um pé atrás com total razão. A cena em que ele sai às compras após dar um golpe na própria filha parece a de um vilão dos quadrinhos vestindo seu uniforme.
Em 2010 Oliver Stone conseguiu causar mais um abalo no mundo financeiro com seu novo longa escancarando o mercado financeiro com sua cruel cobiça e ingênua fragilidade. Mas dessa vez o momento o ajudou. Agora é torcer para que se houver uma seqüência, seja apenas de ficção.


CONFIRA O TRAILER (legendado)