quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O Artista



NOTA: 10


SINOPSE: George Valentin é o maior astro de Hollywood da década de 20, época que existiam apenas filmes mudos. Peppy Miller é uma fã de seu trabalho e está tentando começar uma carreira de atriz. A tecnologia avança e agora os filmes são falados. Por puro orgulho, George se recusa a aceitá-la, acreditando que isso era apenas uma moda passageira. Porém, o cinema falado fica e ele vê sua carreira ruir, enquanto a jovem Miller está em plena ascensão, numa completa inversão de papéis. Sem trabalho e completamente falido, George mergulha em depressão enquanto ainda sonha com alguma oportunidade na sétima arte.

Quando foi criado, o cinema era definido como a arte de contar histórias através de imagens, e assim foi por muito tempo até chegar o primeiro filme falado em 1927, O Cantor de Jazz, que mudou em definitivo toda a forma de se trabalhar com essa arte. Embora uma mudança muito bem vinda pelo público, a mesma foi uma verdadeira catástrofe para a maior parte dos astros daquele tempo que seja por ceticismo, orgulho ou por não terem nenhum talento falando, caíram no limbo e viram suas carreiras sumirem.

Em 1950, Gene Kelly fez uma sátira excelente desse período em Cantando na Chuva, onde vivia um ator de filmes mudos que busca se adaptar a essa transição. Seu musical é uma pérola do talento e bom humor, arrancando risos de um momento delicado de Hollywood. Mas eis que em 2012, Michel Hazanavicius resgata o mesmo tema, mas na sua essência melancólica retratando o contraponto de uma velha geração cética e sua degradação iminente, e a nova geração aspirando por novidades, abertos a qualquer mudança e desse modo tomando o lugar dos seus antigos ídolos.



Essa premissa Michel consegue resumir numa única cena. Enquanto George Valentin é demitido do estúdio - em que por muitos anos fora o astro principal - desce a escada do prédio abalado, ele topa com a jovem Peppy Miller radiante, subindo a mesma escada para assinar um contrato na mesma produtora. Uma perfeita metáfora de fracasso e sucesso.

E o diretor também teve o cuidado de aplicar toda a linguagem cinematográfica da década de 20 na sua composição, sendo fiel até mesmo ao formato quadrado da tela. Numa época em que os efeitos especiais podem fazer qualquer coisa, ele volta no tempo e dirige um filme mudo e em preto e branco, presenteando o público ao mostrar como o cinema funcionava até a década de 20, além da opção ser perfeitamente coerente com seu roteiro. Afinal, se estamos falando de cinema mudo mesmo, por que não fazer um filme sem som?

Sua exclusão dá a oportunidade de criar cenas belíssimas que contam muito apenas com imagens. A mais tocante é quando Peppy, com um dos braços vestindo o smoking de George, se abraça imaginando ser seu ídolo. Há outras duas onde os letreiros é quem dão o tom: a primeira é no encontro entre Peppy e George no seu camarim onde atrás do galã há o cartaz de um filme chamado “The Thief of Hearts” (O Ladrão de Corações) e mais adiante, com o astro já em declínio, atravessa a rua onde quase é atropelado lê-se no letreiro do cinema ao fundo “The Lonely Star” (A Estrela Solitária). Duas frases que falam por si.

Laurence Bennet faz um excelente design de produção, onde logo no início vemos o famoso letreiro de Hollywood ao fundo com sua concepção original, ou seja, escrito HOLLYWOODLAND. Um detalhe que passaria despercebido por muitos.

Por fim, o elenco como um todo faz um trabalho excepcional, exagerando constantemente nos gestos e nas expressões faciais para dizer o que suas vozes não podem. A cada semana me complico mais nos palpites do Oscar, agora já acho que Jean Dujardin (George Valentin) merece a estatueta de Melhor Ator (veja a lista de indicados aqui) só pelo desafio de participar de uma produção tão complexa. E deviam criar o prêmio de Melhor Bicho de Estimação porque o entrosamento de George e seu pequeno cão arranca vários “aahhhhhhhh”s do público.

Partindo de um ponto de vista completamente oposto a Cantando na Chuva, O Artista se firma como um filme de cenas igualmente belas e melancólicas e garantem um espetáculo que só o cinema pode proporcionar, indo contra todas as convenções atuais. Esse já tem lugar reservado na minha prateleira e com certeza já é um dos melhores filmes do ano.


P.S.: O Artista concorre a 10 prêmios no Oscar 2012, incluindo Melhor Filme, Diretor, Ator e Roteiro Original.

CONFIRA O TRAILER E DÊ O SEU COMENTÁRIO SOBRE O FILME.




quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os Homens que Não Amavam as Mulheres



NOTA: 10

SINOPSE: Mikael é um famoso jornalista que está com a reputação abalada após cair numa armadilha e publicar falsas acusações de um mafioso sueco. Decidido a se isolar até que as coisas melhorem, ele é contratado pelo bilionário Henrik Vanger para investigar e descobrir quem matou sua sobrinha Harriet 40 anos atrás. O velho empresário acredita que o assassino seja da sua própria família, um núcleo composto por sádicos e nazistas. Para esse trabalho, Mikael conta com a ajuda de Lisbeth, uma hacker nada convencional no seu estilo e nas suas atitudes. Juntos, eles mergulham numa trama de violência extrema e põe suas próprias vidas em risco.

A primeiro filme da trilogia Millennium é sem dúvida de peso. Conta com um diretor de peso, um elenco de peso, um roteiro de peso enfim, uma produção eficaz que já o torna com certeza um dos melhores filmes do ano, sendo ainda melhor que sua versão sueca de 2010, já  excelente.


A adaptação do livro de Stieg Larsson por Steven Zaillian consegue acrescentar elementos importantes deixados de lado pela versão anterior, como boa parte da história de Lisbeth Salander que se mostra crucial para entender a personagem e suas motivações. Além disso, Zaillian facilita a compreensão de uma trama difícil por essência, deixando cada descoberta da dupla Mikael/Lisbeth bem explicada sem deixar espaço pra dúvida. E elimina elementos desnecessários como a sentença em regime fechado que Mikael deveria cumprir no livro e que aqui é acertadamente descartada.

A direção de David Fincher (A Rede Social) é impecável e não economiza na intensidade de cenas que mesmo sendo extremamente fortes, são essenciais para entender aquele mundo, seus personagens e o mistério do assassinato de Harriet. Além disso, Fincher acerta numa montagem que privilegia igualmente tanto Mikael quanto Lisbeth, mostrando o primeiro já mergulhado na investigação, enquanto destrincha a vida da segunda, mostrando que Lisbeth tinha todos os motivos do mundo pra se interessar pelo caso. Por fim, O Iluminado de Stanley Kubrik mostrou que às vezes a neve consegue criar um elemento mais aterrorizante do que qualquer escuridão e aqui não é diferente: ela é quem instala o clima de tensão na narrativa durante toda sua duração.


E com o time de excelentes atores contracenando em perfeita sintonia, fica fácil pra qualquer diretor fazer um bom filme. Nunca vi Stellan Skarsgard (Mamma Mia, Thor) tão bem num papel. Ele interpreta um Martin que é exatamente o oposto do que Henrik dizia de toda a sua bizarra família. Carismático, educado, atencioso com o tio e com a estadia de Mikael, Martin inspira confiança no primeiro contato. 

Cristopher Plummer (Padre, A Noviça Rebelde), emprega em seu Henrik todo o cansaço advindo da sua avançada idade, e mesmo no fim da vida seja a ser comovente seu empenho em descobrir o que houve com sua Harriet, não mais por justiça mas apenas por acreditar que isso trará algum conforto pra sua existência. 

Daniel Craig (007, As Aventuras de Tintimestá muito diferente do invulnerável James Bond que ele interpreta tão bem, dando espaço a um Mikael apresentado de modo vergonhoso pela estupidez de sua matéria investigativa na revista Millennium,  que vai evoluindo de forma avassaladora, tirando o direito de qualquer um pensar que seu tropeço no início da história define sua personalidade. Não se enganem: Mikael é um dos melhores no que faz.


Mas o maior destaque de Os Homens que Não Amavam as Mulheres só poderia ser de Rooney Mara (A Rede Social), numa das melhores atuações dos últimos anos. Lisbeth é de uma complexidade intrigante, com uma personalidade indecifrável. E mesmo sendo uma hacker tão destemida, uma mulher tão segura de si, ainda contrasta com a dependência financeira de seu governo que a impede de se criar sozinha por ser uma cidadã diagnosticada como de alta periculosidade, coisa que a torna ainda mais interessante. Seus gritos estridentes e incessantes quando é atacada por seu tutor (é o máximo que vou revelar aqui) dão vontade de invadir a tela e fazer algo para protegê-la. Felizmente somos premiados pela catarse de vê-la se vingando com chave de ouro, na melhor cena da trama.

É impressionante como dois filmes baseados em um mesmo livro conseguem ser tão brilhantes mesmo que totalmente diferentes um do outro. A versão de David Fincher talvez se saia melhor, pois é o tempo toda tensa, misteriosa e eletrizante. Um filme tão envolvente que chega a despertar o desejo que não acabe nunca. Felizmente ainda temos mais duas sequencias por vir, todas protagonizadas por Rooney Mara, minha candidata ao Oscar de Melhor Atriz (confira a Lista de Indicados).



CONFIRAM OS TRAILERS


VEJA TAMBÉM O TRAILER DA VERSÃO SUECA (2010)



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

MIssão Impossível 4: Protocolo Fantasma



NOTA: 9

SINOPSE: Infiltrados no Kremlin em Moscou, Ethan e sua equipe tem a missão de conseguir um arquivo com códigos que podem ativar mísseis atômicos. Porém, sua missão fracassa quando os códigos são roubados e o prédio sofre um atentado a bomba de proporções colossais. Os russos acreditam que o atentado foi cometido pelos americanos e um clima de forte tensão se instala nas relações dos dois países. Pressionada, a Casa Branca declara o Protocolo Fantasma que desativa a IMF (Força Missão Impossível) e todos os seus agentes. Agora na clandestinidade e quase sem suporte, Ethan tem que encontrar quem cometeu o atentado e recuperar os códigos roubado, antes que uma guerra nuclear exploda no mundo.

Filme de ação sem marmelada não é filme de ação. Mas é incrível como toda a série Missão Impossível conseguiu conferir alguma verossimilhança nesse gênero tornando justificáveis e aceitáveis as mais impossíveis sequencias como a cena final do metrô no primeiro filme, a perseguição de motos no segundo e por aí vai. Protocolo Fantasma não é diferente, a cena da escalada do prédio de Ethan, frustrada por uma falha de equipamento é impressionante, sobretudo pelo acidente que o personagem sofre na sua descida. E vale lembrar que mais uma vez Tom Cruise não utilizou dublê em nenhuma cena.

E a ação da série se torna um feito ainda maior se levar em conta que os quatro filmes seguem exatamente o mesmo enredo: um agente de elite que desobedece seu governo para frear os planos de algum vilão que pretende destruir o mundo.



Outra característica marcante de Missão Impossível é contar com um elenco de ponta que consegue dar fluxo e conteúdo ao filme, não sobrecarregando o protagonista. Dessa vez, o destaque fica por conta de Simon Pegg (Todo Mundo Quase Morto), um excelente humorista vivendo um agente trapalhão que tira boas risadas do público. Outro destaque - que pra mim é um dos melhores atores da nova geração - é Jeremy Reener, que interpreta um agente de ponta da IMF, rebaixado após um erro numa missão que envolvia diretamente a vida pessoal de Ethan. Porém, se por um lado o terceiro longa contava com o seu melhor vilão, vivido por Philip Seymor Hoffman, dessa vez o desempenho do novo antagonista é tímido e quase imperceptível, o que supreende se levar em conta que ele é interpretado por Michael Nyqvist (o mesmo que viveu Mikael na versão sueca de Os Homens que Não Amavam as Mulheres), que embora vivia um personagem de peso - o primeiro-ministro russo - tem pouco espaço na narrativa e contracena apenas uma vez com Ethan, num clímax bem fraco perto do que já aconteceu nos três filmes anteriores.

E mesmo com um roteiro razoável, sem muitas surpresas e não muito preocupado com o enredo, Protocolo Fantasma cumpre bem seu papel de proporcionar entretenimento de tirar o fôlego, reforçado por um excelente elenco. Missão Impossível não inova na história, mas revoluciona suas sequencias de ação, o que faz a série funcionar não importam quantas continuações sejam produzidas.

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Os Descendentes



NOTA: 7

SINOPSE: Matt King é um advogado havaiano que vê sua vida se transformar repentinamente após sua mulher sofrer um acidente que a deixou em coma. Agora ele está sozinho para cuidar das suas duas filhas das quais ele sempre foi distante. Em paralelo, está a frente de uma negociação milionária de um terreno de sua família e vem sofrendo forte pressão de seus parentes para efetuar a venda. E só para piorar um pouco as coisas, ele descobre que sua mulher o vinha traindo e pretendia pedir o divórcio.


“Meus amigos do continente acreditam que só porque eu vivo no Havaí, minha vida é um paraíso. Como se fossem férias permanentes – ficamos por aí bebendo coquetéis, remexendo os quadris e pegando ondas. Eles estão loucos? Como eles podem pensar que nossas famílias têm menos problemas, nosso ataque cardíaco e câncer são menos fatais, nossa dor é menos devastadora? Inferno! Faz 15 anos que sequer subo numa prancha.”



Com essa fala de abertura de Matt King (George Clooney) intercalada numa ótima montagem de um Havaí nem um pouco paradisíaco, ao contrário, bem próximo de nossa realidade, o roteiro de Alexander Payne, Jim Rash e Nat Faxon apresenta de forma bastante inteligente a premissa de Os Descendentes em seus primeiros minutos: não importa o quão rica ou bonita seja a pessoa, e menos ainda o lugar em que ela vive, os problemas do cotidiano não tem endereço e não analisam a renda ou a identidade das pessoas. Eles são iguais pra todos, até mesmo a um milionário havaiano descendente direto da nobreza da ilha.

A cena seguinte ressalta ainda mais essa premissa. Matt está sentado numa sala de hospital, visivelmente cansado, cuidando de sua mulher recém acidentada. Daí pra frente ele enfrenta uma sucessão de problemas e uma jornada de auto descoberta pra mudar sua vida, pois o mundo não irá mudar em função dele. E sua roupa florida e colorida serve apenas para maquiar a turbulência que vem passando. “Não se iluda pela roupa. No Havaí até o mais perigoso gângster usa uma camisa florida.” enfatiza ele.

Clooney está em uma das suas melhores atuações, compondo um Matt King bastante minimalista e naturalista, transformando o personagem numa pessoa comum como qualquer outra. A cena em que ele corre desengonçado de chinelos pelo seu bairro é belíssima.

Porém, o filme de Alexander Payne (Sideways – Entre umas e outras) acaba caminhando pra um desfecho óbvio, especialmente em relação à venda do terreno da família, onde na hora de assinar o contrato de venda, Clooney tem o famoso clichê da epifania onde reflete sobre o sentido da vida e o peso entre o valor emocional e material de suas terras. Até porque o enquadramento perfeito delas numa visita da família King no segundo ato da projeção torna condenável qualquer tentativa de venda de algo tão paradisíaco, o que torna ainda mais previsível o que vem pela frente.

Por fim das contas, mesmo com uma premissa interessante, o desfecho de Os Descendentes acaba por colocar o filme num lugar comum e perde a oportunidade de se firmar como uma grande obra. Ainda assim, ficaria muito feliz de ver Clooney receber a estatueta de Melhor Ator (confira os indicados aqui), pois hoje em dia sinto falta do desempenho simplista que ele teve com seu personagem.

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

As Aventuras de Tintim




NOTA: 10

Em 1981 Steven Spielberg e George Lucas fizeram uma das parcerias mais promissoras do cinema que resultou em nada mais, nada menos do que a trilogia Indiana Jones, uma produção lucrativa que rendeu 4 filmes, série de TV, além de eternizar o professor e aventureiro nas horas vagas vivido por Harrison Ford. Eis que mais de 30 anos depois, Spielberg, um exímio contador de histórias encontra um novo parceiro que se julgar pelo primeiro filme da dupla, As Aventuras de Tintim, promete ser tão promissora quanto a formada décadas atrás. Estou falando de Peter Jackson, diretor que “só” dirigiu a trilogia O Senhor dos Anéis, o remake de King Kong e lançará neste ano O Hobbit.

Numa Europa pós-guerra, Tintim é um jovem e promissor repórter que certa manhã se depara numa feira com uma réplica de uma antiga caravela, o Licorne. Assim que arremata a peça, outro homem, Sakharim, o pressiona sem sucesso, a vendê-la a qualquer preço. Intrigado com a persistência do homem, Tintim decide investigar o que há de tão interessante no Licorne e descobre que ele contém um mistério que o levará a um capitão alcoólatra, um tesouro escondido e acima de tudo muitas aventuras.


Adaptado de dois quadrinhos criados por Hergé (O Segredo de Licorne e O Tesouro de Rackham, o Terrível) o roteiro assinado por Steven Moffat e Edgar Wright, mesmo mudando consideravelmente seus originais, não prejudica o argumento principal da história: um misterioso barco e o tesouro que ele esconde. E acertadamente elimina personagens que viriam a atrapalhar a compreensão do espectador e exigiriam longas introduções, o que poderia tornar cansativa uma narrativa feita para evoluir ininterruptamente. Mas mesmo fugindo de alguns elementos do texto original, a dupla consegue se aproximar do universo dos quadrinhos ao tentar manter boa parte das revelações da trama centradas nas falas dos personagens.

E a qualidade incrível de sua animação, baseada na captação de movimentos de pessoas reais, não seria tão bem sucedida se não fosse o trabalho de quem praticamente inventou essa tecnologia ao conceber a criatura Sméagol em O Senhor dos Anéis. Sim, estou falando de Peter Jackson que conseguiu com essa técnica aproximar do público jovem uma história que sempre possuiu uma trama bem complexa, sem deixar de agradar os mais velhos e nostálgicos que acompanhavam desde cedo o herói nos quadrinhos e na TV. Nunca vi tamanha perfeição e riqueza de detalhes numa animação. Até mesmo a mudança na cor da pele do Capitão Haddock é percebida quando ele se enfurece. E Peter parecia querer se desafiar o tempo todo, criando situações tecnicamente difíceis de conceber, como a cena de abertura onde Tintim é revelado através de uma série de espelhos posicionados em ângulos diferentes ou pouco depois onde ele é visto através de uma lupa.




Mas o mérito principal é mesmo de Steven Spielberg que vinha da direção razoável de Cavalo de Guerra para proporcionar um verdadeiro espetáculo de estilo, criatividade e originalidade. Tintim se mantém num ritmo constante de aventura e ação onde numa piscada de olhos mais longa se perde muito do filme. Com isso, ele se aproxima e rejuvenesce a saga Indiana Jones, e atrevo dizer que tem tudo para repetir seu sucesso. Além disso, propõe soluções de extrema criatividade para diversas cenas e evita cair nas mesmos clichês, como na batalha entre duas caravelas onde uma literalmente salta sobre a outra. Ou na cena onde ele resgata uma outra personagem dos quadrinhos, a Madame Castafiore, para numa apresentação de canto lírico conseguir com sua voz aguda quebrar um vidro a prova de balas que guardava uma preciosa relíquia.



Constantemente eu critico sequencias, mas em As Aventuras de Tintim saí do cinema muito ansioso para ver o herói num novo filme. A reunião de dois gênios como Spielberg e Jackson conseguem proporcionar não só esse desejo, mas também todo o encanto e magia que só o cinema consegue oferecer. O maior beneficiado é o público que ganha a oportunidade de ver uma adaptação de uma obra já excelente nos quadrinhos se manter nesse padrão nas telas.

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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Indicados ao Oscar 2012



Fonte: Cinema em Cena

Saiu hoje a lista dos indicados ao Oscar 2012 que acontecerá dia 26 de fevereiro. Os mais indicados foram O Artista e A Invenção de Hugo Cabret com 10 e 11 indicações respectivamente. E as surpresas foram Cavalo de Guerra concorrer ao prêmio de melhor filme e As Aventuras de Tintim ficar fora da disputa de melhor animação.

Só pra não fugir do costume, a imensa maioria dos filmes ainda não estreou aqui no Brasil. De qualquer forma deixei o link para os filmes que já tiverama crítica publicada nesse blog.

Confira a lista completa abaixo:


FILME
O Artista - Thomas Langmann

Os Descendentes - Jim Burke, Alexander Payne e Jim Taylor

Tão Forte e Tão Perto - Scott Rudin

Histórias Cruzadas - Brunson Green, Chris Columbus e Michael Barnathan

A Invenção de Hugo Cabret - Graham King e Martin Scorsese

Meia-Noite em Paris - Letty Aronson e Stephen Tenenbaum

O Homem que Mudou o Jogo - Michael De Luca, Rachael Horovitz e Brad Pitt

A Árvore da Vida - Indicados a serem determinados

Cavalo de Guerra - Steven Spielberg e Kathleen Kennedy


DIRETOR
Terence Mallick por A Árvore da Vida

Martin Scorsese por A Invenção de Hugo Cabret

Woody Allen por Meia-Noite em Paris

Michel Hazanavicius por O Artista

Alexander Payne por Os Descendentes


ATOR
Demián Bichir por A Better Life

Gary Oldman por O Espião que Sabia Demais

George Clooney por Os Descendentes

Jean Dujardin por O Artista

Brad Pitt por O Homem que Mudou o Jogo


ATRIZ
Viola Davis por Histórias Cruzadas

Glenn Close por Albert Nobbs

Rooney Mara por Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres

Meryl Streep por A Dama de Ferro

Michelle Williams por Sete Dias com Marilyn


ATOR COADJUVANTE
Max Von Sydow por Tão Forte e Tão Perto

Christopher Plummer por Beginners

Kenneth Branagh por Sete Dias com Marilyn

Nick Nolte por Guerreiro

Jonah Hill por O Homem que Mudou o Jogo


ATRIZ COADJUVANTE
Berenice Bejo por O Artista

Jessica Chastain por Histórias Cruzadas

Melissa McCarthy por Missão Madrinha de Casamento

Janet McTeer por Albert Nobbs

Octavia Spencer por Histórias Cruzadas


ROTEIRO ADAPTADO
Os Descendentes - Alexander Payne and Nat Faxon & Jim Rash

A Invenção de Hugo Cabret - John Logan

Tudo Pelo Poder - George Clooney & Grant Heslov e Beau Willimon

O Homem que Mudou o Jogo - Steven Zaillian e Aaron Sorkin, história de Stan Chervin

O Espião que Sabia Demais - Bridget O'Connor & Peter Straughan


ROTEIRO ORIGINAL
O Artista - Michel Hazanavicius

Missão Madrinha de Casamento - Annie Mumolo & Kristen Wiig

Margin Call: O Dia Antes do Fim - J.C. Chandor

Meia-Noite em Paris - Woody Allen

A Separação - Asghar Farhadi


ANIMAÇÃO
Um Gato em Paris - Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli

Chico & Rita - Fernando Trueba e Javier Mariscal

Kung Fu Panda 2 - Jennifer Yuh Nelson

Gato de Botas - Chris Miller

Rango - Gore Verbinski


FILME ESTRANGEIRO
Bullhead (Bélgica) - Michael R. Roskam

Monsieur Lazhar (Canadá) - Philippe Falardeau

A Separação (Irã) - Asghar Farhadi


Footnote (Israel) - Joseph Cedar

In Darkness (Polônia) - Agnieszka Holland


FOTOGRAFIA
O Artista - Guillaume Schiffman

Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres - Jeff Cronenweth

A Invenção de Hugo Cabret - Robert Richardson

A Árvore da Vida - Emmanuel Lubezki

Cavalo de Guerra - Janusz Kaminski


DIREÇÃO DE ARTE
O Artista - Laurence Bennett (Design de Produção) e Robert Gould (Decoração de Set)

Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 - Stuart Craig (Design de Produção) e Stephenie McMillan (Decoração de Set)

A Invenção de Hugo Cabret - Dante Ferretti (Design de Produção) e Francesca Lo Schiavo (Decoração de Set)

Cavalo de Guerra - Rick Carter (Design de Produção) e Lee Sandales (Decoração de Set)

Meia Noite em Paris - Anne Seibel (Design de Produção) e Hélène Dubreuil (Decoração de Set)


FIGURINO
Anônimo - Lisy Christl

O Artista - Mark Bridges

A Invenção de Hugo Cabret - Sandy Powell

Jane Eyre - Michael O'Connor

W.E. - Arianne Phillips


DOCUMENTÁRIO
Hell and Back Again - Danfung Dennis e Mike Lerner

If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front - Marshall Curry e Sam Cullman

Paradise Lost 3: Purgatory - Joe Berlinger e Bruce Sinofsky

Pina - Wim Wenders e Gian-Piero Ringel

Undefeated - TJ Martin, Dan Lindsay e Richard Middlemas


CURTA DOCUMENTÁRIO
The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement - Robin Fryday e Gail Dolgin

God is the Bigger Elvis - Rebecca Cammisa e Julie Anderson

Incident in New Baghdad - James Spione

Saving Face - Daniel Junge e Sharmeen Obaid-Chinoy

The Tsunami and the Cherry Blossom - Lucy Walker e Kira Carstensen


MONTAGEM
O Artista - Anne-Sophie Bion e Michel Hazanavicius

Os Descendentes - Kevin Tent

Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres - Kirk Baxter and Angus Wall

A Invenção de Hugo Cabret - Thelma Schoonmaker

O Homem que Mudou o Jogo - Christopher Tellefsen


MAQUIAGEM
Albert Nobbs - Martial Corneville, Lynn Johnston e Matthew W. Mungle

Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 - Nick Dudman, Amanda Knight e Lisa Tomblin

A Dama de Ferro - Mark Coulier e J. Roy Helland



MÚSICA - TRILHA SONORA ORIGINAL
As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne - John Williams

O Artista - Ludovic Bource

A Invenção de Hugo Cabret - Howard Shore

O Espião que Sabia Demais - Alberto Iglesias

Cavalo de Guerra - John Williams


MÚSICA - CANÇÃO ORIGINAL
"Man or Muppet" de Os Muppets - Letra e música de Bret McKenzie

"Real in Rio" de Rio - Letra de Siedah Garret, música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown


CURTA METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Dimanche/Sunday - Patrick Doyon

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore - William Joyce e Brandon Oldenburg

La Luna - Enrico Casarosa

A Morning Stroll - Grant Orchard e Sue Goffe

Wild Life - Amanda Forbis e Wendy Tilby


CURTA METRAGEM
Pentecost - Peter McDonald e Eimear O'Kane

Raju - Max Zähle e Stefan Gieren

The Shore - Terry George e Oorlagh George

Time Freak - Andrew Bowler e Gigi Causey

Tuba Atlantic - Hallvar Witzø


MONATEGEM DE SOM
Drive - Lon Bender e Victor Ray Ennis

Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres - Ren Klyce

A Invenção de Hugo Cabret - Philip Stockton e Eugene Gearty

Transformers: O Lado Oculto da Lua - Ethan Van der Ryn e Erik Aadahl

Cavalo de Guerra - Richard Hymns e Gary Rydstrom


MIXAGEM DE SOM
Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres - David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Bo Persson

A Invenção de Hugo Cabret - Tom Fleischman e John Midgley

O Homem que Mudou o Jogo - Deb Adair, Ron Bochar, Dave Giammarco e Ed Novick

Transformers: O Lado Oculto da Lua - Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Peter J. Devlin

Cavalo de Guerra - Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson e Stuart Wilson


EFEITOS VISUAIS
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 - Tim Burke, David Vickery, Greg Butler e John Richardson

A Invenção de Hugo Cabret - Rob Legato, Joss Williams, Ben Grossman e Alex Henning

Gigantes de Aço - Erik Nash, John Rosengrant, Dan Taylor e Swen Gillberg

Planeta dos Macacos: A Origem - Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White e Daniel Barrett

Transformers: O Lado Oculto da Lua - Dan Glass, Brad Friedman, Douglas Trumbull e Michael Fink

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sherlock Holmes 2 - O Jogo das Sombras


NOTA: 6


Eu costumo ficar sempre desconfiado de continuações. Poucas vezes elas acontecem pelo potencial artístico e pelo poder de sua história. Na maior parte delas é levado em conta apenas seu potencial comercial, resultando sempre em seqüências onde cada filme lançado é muito pior - ou na melhor das hipóteses uma cópia - de seu antecessor. Há exceções e o Brasil foi palco de uma das melhores com Tropa de Elite 2, mas em geral isso não acontece. E infelizmente esse é o caso de Sherlock Holmes 2 que embora trazendo alguns elementos interessantes, de uma forma geral pouco inova de seu antecessor e repete o fiasco de seu roteiro.

Dirigido novamente por Guy Ritchie, em O Jogo das Sombras, o detetive mais intrigante do mundo tenta deter e capturar seu algoz, o Professor Moriarty, um inimigo tão inteligente quanto Holmes que vem sorrateiramente causando ataques terroristas na França e Alemanha, jogando um país contra o outro afim de causar uma guerra mundial e lucrar com o feito.


O filme conta com um roteiro que não consegue fluir, fazendo pausas constantes para dar espaço a flashbacks das descobertas de Holmes. Esse recurso, muito explorado pelo diretor, se mostra muito ineficaz, uma vez que em tese deveria proporcionar ao espectador o modo como o herói raciocina, acaba se tornando palco para preencher lacunas da narrativa, inserindo elementos até então não vistos (como o caderno vermelho de anotações de Moriarty) e evidenciando quase sempre muita inverossimilhança nos feitos do detetive, sendo nesse caso apoiada por uma edição rápida que dificulta a construção de algumas cenas, especialmente as de ação.

Tem-se o trunfo do design de produção na cenografia de uma Europa às portas do século 20 suja e cinza, mostrando uma face do continente bem diferente das habituais paletas de cores bastante vivas, carregadas de suntuosos jardins e imponentes castelos imperiais. Além disso, os figurinos continuam impecáveis, especialmente os de Holmes que usa diversos disfarces ao longo do tempo. Mas embora o design de produção seja de fato excelente, ele nada traz de inovador em relação à versão de 2009.

O grande mérito de O Jogo das Sombras sem qualquer sombra de dúvida é seu elenco que conta com mais uma atuação impecável de Robert Downey Jr novamente trazendo toda a energia, sagacidade e excentricidade de seu Sherlock Holmes único e nada ancorado no intectual arrogante e sisudo da literatura, com uma boa pitada de humor na sua composição assim como já foi em outras épocas o Jack Sparrow de Johnny Depp (aliás, é um sonho atual ver os dois contracenarem). Jude Law se mostra um pouco mais a vontade com um Watson que deixa de ser tão Sancho Pança e passa a ter um pouco mais de personalidade, se permitindo até a entrega a vícios como a bebida e ao jogo. E assim como em Homem de Ferro 2 com Mickey Rourke, Downey Jr tem novamente a felicidade de estabelecer uma excelente química entre seu personagem e o antagonista da história Moriarty, brilhantemente interpretado por Jared Harris, conferindo sempre um ar imprevisível e assustador num personagem que parece estar o tempo todo acima do bem e do mal.


E dois rivais geniais como esses não poderiam ter um combate melhor do que o encenado numa partida de xadrez, onde sem o disparo de uma bala e sem desferirem um único golpe, proporcionam o momento mais tenso da narrativa, infelizmente destruída por um duelo”telepático” e decepcionante logo em sua sequencia.


Mas ainda pouco criativo, eu sinceramente gostaria muito de ver mais uma sequencia de Sherlock Holmes, pois assistir Downey Jr tão bem no papel vale o sacrifício das demais falhas na produção.

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Cavalo de Guerra



NOTA: 6

Tanto em publicidade, como no cinema, existe uma técnica já bem manjada de cativar emoção no público: exibir crianças e animais. A maioria absoluta das pessoas se deixa levar por esses dois personagens, especialmente quando estão numa situação opressora. E às vésperas do Oscar nada melhor do que Steven Spielberg utilizar essas duas figuras nas telas pra já dar as caras entre os prováveis indicados à estatueta dourada.

Numa Inglaterra às portas da Primeira Guerra Mundial, Joey é um cavalo arrematado num desastroso leilão por Mullan, um pobre fazendeiro arrendatário que emprega quase toda sua renda na compra do animal. Obrigado pela mulher a devolvê-lo e recuperar o dinheiro, seu filho Irvine se interpõe e se apropria de Joey, se comprometendo a treiná-lo e colocá-lo para trabalhar na fazenda da família. O laço entre menino e cavalo se estreita, mas quando a guerra estoura, eles são separados e Joey percorre uma longa jornada para reencontrar seu dono.



Não li o livro homônimo de Michael Morpurgo, mas nem foi preciso pra perceber um erro grave na adaptação de Lee Hall que coloca em seu roteiro o que acredito serem todas as histórias vividas por Joey, mostrando todos os exércitos pelos quais passou, a separação de seu dono, um momento onde quase encontra a paz na França etc, etc e etc. Com esse excesso de pequenas histórias tratadas praticamente em episódios por Lee, o roteirista literalmente nos obriga a engolir uma enxurrada de informação e nunca permite que o espectador tenha tempo de se envolver emocionalmente e até mesmo conhecer esse ou aquele personagem, algo tão caro num filme onde causar comoção e lágrimas é seu principal objetivo.

Seu erro também comprometeu todo o trabalho de montagem, obrigada a compilar algo que num livro teríamos dias para absorver numa projeção de pouco mais de duas horas, o que tirou por muito tempo de foco os dois protagonistas da trama: Joey e Irvine. Em alguns momentos esse ou aquele eram totalmente esquecidos, especialmente Irvine que depois de quase uma hora sem sequer ser citado, surge repentinamente já em combate.

Mas se há o erro grave no roteiro e montagem, Spielberg mostra ter aprendido muito com O Resgate do Soldado Ryan e proporciona cenas memoráveis da guerra como a fuzilamento da cavalaria inglesa que sem mostrar um soldado sequer sendo abatido, garante ao público toda a dor da perda. Expressa com maestria e quase humaniza o sofrimento dos cavalos no exército francês que trabalham até morrerem de exaustão. Sem falar na inimaginável cena em que um soldado inglês e um alemão trabalham em equipe para libertar Joey da morte certa em meio a um emaranhado de arame farpado.


E sua fotografia também, numa referência clássica a John Ford, garante quadros belíssimos, como o retorno de Irvine ao lar, tendo sua imagem projetada em silhueta, decorada por um belíssimo pôr-do-sol.

Se tem um conselho que é certo na área das artes é o famoso “menos é mais”. Numa tentativa de provocar toda emoção possível no público, entupindo-o com pequenas e tristes sub-tramas, Spielberg consegue exatamente o oposto: um espectador que sai do cinema quase tão frio quanto entrou, pois não teve tempo de se emocionar. Uma pena, pois a história mostrava  grande potencial para ser um sucesso. Fica pra próxima.

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Imortais



NOTA: 1

Ninguém faz sucesso na vida sem correr risco, a história está aí pra provar isso. Mas risco é risco, e do mesmo jeito que pode resultar em sucesso, pode acabar em desastre também. E eu não consigo ver outra coisa a não ser um verdadeiro desastre na direção de Tarsem Singh num dos piores filmes já feitos: Imortais. Ele (Tarsem) que é um excelente diretor de videoclipes (dentre eles um dos melhores, Losing My Religion do R.E.M.) cria na sua segunda tentativa no cinema uma enorme mancha em sua carreira.

Imortais conta a história do rei grego Hipérion que busca um artefato, o Arco de Epiro, capaz de libertar os titãs aprisionados por Zeus e os outros deuses, numa guerra ocorrida antes dos humanos existirem. Com esse exército ele pretende dominar toda a Grécia e destruir todos os deuses olímpicos. Mas para isso ele precisa enfrentar Teseu, um herói que luta para impedi-lo e salvar seu povo.

O filme é uma tentativa frustrada de copiar 300 tanto na sua fotografia, seu próprio roteiro (poucos soldados tentando combater um exército de inimigos) e até mesmo sua direção de arte, e é infeliz em todas elas. Os figurinos chegam a ser cômicos de tão mal concebidos. O elmo de Hipérion e a tentativa de criar um capacete ao estilo Neymar para o deus Apolo dispensam qualquer comentário sobre o assunto.

Assim também é a tentativa de Tarsem em copiar a todo o momento a técnica de slow motion para enfatizar os movimentos de combate em cenas de ação. Usada com maestria, e até certo exagero, por Zack Sneyder em 300, Sucker Punch e em todos os seus filmes, aqui a técnica soa extremamente artificial, especialmente quando os deuses, numa velocidade assustadoramente rápida, combatem os titãs que nem parecem ser inimigos tão relevantes assim. Aliás, a vida inteira achei que os titãs eram gigantes, talvez só Tarsem acredite no oposto. E deuses morrendo? De onde foi tirado isso? E, mesmo se um absurdo desses fosse real, qual o sentido do título Imortais a um filme onde nem mesmo os deuses são? É um trabalho tão ruim que dá momentos até para divagar. Quando o primeiro deus morre fiquei por muito tempo pensando: “Se um mortal quando morre vai pra junto dos deuses, pra onde eles (deuses) vão quando morrem?”

E foi triste saber que até um ator excelente como Mickey Rourke é decepcionante, vivendo um Hipérion totalmente caricato à figura do vilão que só mata e destrói tudo, chegando a parecer  burrice, uma vez que ele destrói o mundo que quer dominar.

Além disso, Imortais conta com um roteiro tão fraco (assinado pelos irmãos Charles e Vlas Parlapadines) que precisa inventar situações para ter continuidade. A cena onde Teseu encontra o Arco de Epiro plantado na tumba de sua mãe é ridícula de tão forçada. Fora os acontecimentos que se concluem sem nenhuma explicação, como o filme se iniciar com todos falando grego e de repente falarem inglês, ou as videntes que Hipérion tanto procurava “aparecerem” de uma hora pra outra sobre seu domínio.

Imortais é um conjunto de tanta baboseira que dá até vontade de contar toda a história aqui pra ninguém perder tempo assistindo. Mas temos que preservar o livre arbítrio. Porém, fica a dica: o trailer é muito mais emocionante (e gratuito) do que as duas longas horas de filme. 

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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Amanhecer - Parte 1


NOTA:1

E o pesadelo continua! Não, não estou me referindo a luta entre vampiros e lobisomens, é simplesmente ao fato de saber que ainda teremos mais um filme da “saga” Crepúsculo, aquele triângulo amoroso fabuloso entre um vampiro afeminado, uma garota depressiva e um lobisomem com muito músculo e pouco cérebro. Chega a ser um caso de estudo entender como algo tão ruim, tão depreciativo consiga se tornar um sucesso.

Na primeira parte do último episódio da “saga” (virou moda dividir filmes), Bella (Kristen Stewart) e Edward (Robert Pattinson) enfim se casam e vão passar a lua de mel no Rio de Janeiro. Após sua noite de núpcias, Bella descobre estar grávida de um ser desconhecido e que se desenvolve em tempo recorde, drenando todas as energias da mãe que fica à beira da morte. Os lobisomens, ao saber da notícia decidem matar Bella e o ser que ela carrega no ventre, temendo que este possa se tornar uma ameaça a todos no futuro.

Como sempre, o principal de todos os defeitos da “saga” é seu roteiro extremamente pobre, pouquíssimo imaginativo (chegando a soar estúpido às vezes) e que inventa situações medíocres para prolongar sua história. Vamos por partes. Qual a lógica na cena em que Bella acorda sozinha na casa da lua de mel e encontra o bilhete de Edward que dentre outras coisas diz: “Volto antes de você acordar”? Pra quê o bilhete então?

Stephenie Meyer quando escreveu a “saga” defendeu que seu objetivo era resgatar nos jovens valores como o amor puro e a virgindade, e ela levou bem a sério isso, pois logo após a tão aguardada primeira vez de Bella, a personagem acorda machucada e repleta de hematomas. É...realmente a geração Crepúsculo passará a pensar muito sobre o assunto daqui pra frente. Sem contar no verdadeiro caso de polícia que é essa agressividade de Edward nas núpcias, justificada com algo do tipo “eu avisei que ia ser assim” à sua esposa. Que belo exemplo! Existe Lei Maria da Penha no cinema? Sem contar com a Bella tomando um “milk-shake” sabor sangue que com certeza vai entrar para a história das cenas mais patéticas do cinema. Se eu for citar tudo de ruim do roteiro vou precisar de páginas e mais páginas aqui.

Mas para encerrar essa parte, ano passado quando escrevi sobre Eclipse, discuti sobre um termo que parecia ter sido inventado por Meyer apenas para virar gíria dentre os adolescentes: imprinting (que é basicamente amor a primeira vista), algo que existe no universo dos lobisomens. Esse termo foi apenas citado algumas vezes no filme anterior, mas nesse vem como algo extremamente importante para o andamento da narrativa e consegue estragar de modo injustificável o clímax dessa primeira parte de Amanhecer, no combate entre vampiros e lobisomens.


Deixando o roteiro de lado, a “saga” Crepúsculo já conta com seu 4º diretor (Bill Condon) e mesmo sendo uma produção milionária com recursos de sobra para fazer qualquer coisa, Amanhecer continua esbarrando nos mesmos problemas técnicos que seus antecessores, contando com uma maquiagem muito carregada, artificial e ruim dos vampiros e os terríveis efeitos especiais empregados na concepção dos lobisomens num trabalho verdadeiramente amador. Mas há uma exceção nos dois casos: Bella, que quando debilitada pela gravidez conta com uma maquiagem bastante convincente e mesmo pode ser dito dos efeitos empregados na sua aparência física esquelética.

Outro problema antigo, mas esse irreparável é a reunião do pior elenco de um filme teen já produzido. Robert Pattinson continua interpretando o mesmo personagem apático e afeminado, do qual parece que ninguém nota seu machismo com Bella. Lautner desistiu de atuar e entregou seu personagem aos seus músculos. E Kristen Stewart...bom essa sim parece se sair bem de certa forma, uma vez que teve nos quatro filmes a mesma cara doentia e sem emoção , nesse episódio pelo menos sua debilidade física justificam essa expressão. O melhor do filme inteiro (e o que garantiu seu único ponto na nota) é Bill Burke na sua cena que como policial e pai dá o seu recado sarcástico e bem humorado ao casal recém-formado, em especial, em sua cerimônia.

Eu não costumo dizer pra ninguém pra assistir ou não um filme porque este é ou não é bom, acredito que cada pessoa tem seu modo de pensar e cada um é quem deve avaliar o que assiste, mas dessa vez me vejo obrigado a fazer uma exceção e com certeza NÃO recomendo a ninguém assistir não só o Amanhecer – Parte1, como todos os seus antecessores e o próximo que virá, pois são uma perda de tempo e um exercício de péssimo gosto, denegrindo o status de arte que o cinema possui. Ao invés disso, vá ler um bom livro (o que definitivamente exclui a “saga” Crepúsculo).

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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Contágio



NOTA: 7

Imagine viver num mundo onde o inimigo possa estar em qualquer lugar, qualquer lugar mesmo! No ar, no contato com uma pessoa ou até mesmo no mouse que você tem sob as mãos agora. É exatamente essa a sensação que Soderbergh imprime nas duas horas de projeção de seu mais novo longa, Contágio, ao tratar de uma epidemia que custa a vida de dezenas de milhões de pessoas que já não sabem mais como se prevenir de um vírus que está em todo o lugar. Uma obra bem arquitetada que causa certo temor em quem assiste justamente por saber que naquele universo nada é seguro e nada impede que o que acontece no filme se concretize no nosso mundo. E já tivemos uma amostra - senão da força da doença, apenas do medo de contraí-la - dessa sensação há dois anos com a gripe suína.

Em Contágio, uma epidemia sem precedentes vinda da Ásia está matando milhões e milhões de pessoas em todo o mundo. A população está em pânico, pois ao que tudo indica o simples contato físico com qualquer objeto tocado por um infectado é suficiente para contrair a doença. Nesse cenário, os cientistas buscam desesperadamente uma cura que parece não chegar, os governos se mostram desorientados em conter a provável catástrofe, a imprensa se divide entre informar e fazer sensacionalismo enquanto a população regride a um estado primitivo em busca da sobrevivência.

Contágio teria sido um filme comum e facilmente descartável não fosse a direção de extrema competência de Steven Soderbergh que inteligentemente inicia a narrativa no segundo dia da epidemia já colocando desde início uma interrogação que perduraria até o fim do filme sobre o que a desencadeou. Outro aspecto interessante é a fotografia que privilegia enquadramentos em detalhes como copos, jornais e mãos, apontando pra gente a todo o momento o que causava a transmissão da doença, coisa que os personagens demorariam dias pra saber.

Contudo, um dos problemas do longa é a edição rápida e repleta de cortes que ao mesmo tempo que é necessária devido ao excesso de sub-tramas, peca justamente por não permitir que o espectador tenha tempo de se identificar com essas histórias. Quando começamos a nos identificar com o drama de Matt Damon de no mesmo dia perder mulher e filho um corte nos leva para o Departamento de Saúde, daí quando começamos a nos identificar com Laurence Fishburne tomando ciência da epidemia, um novo corte nos leva à Asia com Marion Cotilard e por aí vai até o fim.




 Ainda bem que Soderbergh já previa esse problema e tenta corrigi-lo convocando um excepcional time de estrelas para o elenco como pouquíssimas vezes se vê na tela. São três Oscars e mais de dez indicações  à estatueta na tela. Além dos três nomes citados acima, o casting ainda conta com Jude Law, Gwineth Paltrow e Kate Winslet. E o interessante é que quem descobre a vacina para a doença é exatamente uma atriz pouco conhecida do grande público (Jennifer Ehle), reforçando que nesses casos quase sempre os verdadeiros heróis ficam nos bastidores.

Mesmo comprometendo boa parte do desenvolvimento do roteiro com o excesso de sub-tramas, Contágio acaba tendo o saldo positivo por se mostrar um ótimo documento em apresentar as diversas esferas e o modo que atuam frente a uma situação adversa, algo que Fernando Meirelles deveria ter feito em Ensaio Sobre a Cegueira mas conseguiu um efeito muito menos impactante.

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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Trailer Tropa de Elite 3 - O Retorno do Renegado

Trailer fake feito pelo meu grupo da faculdade ESAMC Campinas, o grupo Pégasus.

SINOPSE: Em novembro de 2010 o crime havia tomado conta do Rio. Quando o governo não tinha mais saída, chamou de volta aquele que havia expulsado no passado: o Capitão Nascimento. Mas dessa vez ele não vai pra guerra sozinho, terá a ajuda de Barney Ross e seus mercenários para derrubar o império de medo e violência de Zé Pequeno.


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