segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cópia Fiel

copia fiel juliette binoche abbas kiarostami


Nota: 10

Crítica escrita por Pablo Villaça e publicada originalmente no site Cinema em Cena.
Em Cópia Fiel, seu mais novo longa, o cineasta Abbas Kiarostami adota uma estratégia narrativa intrigante e surpreendentemente eficaz: depois de estruturar a primeira metade da projeção salientando o realismo e o naturalismo da situação e da dinâmica entre os personagens, ele altera a lógica interna do filme na metade final de forma sutil, mas inequívoca, passando a investir num tom que flerta com a fantasia ao estabelecer um fascinante jogo de cena envolvendo a dupla principal. E se uso a expressão “jogo de cena”, é porque há muito da exploração feita pelo brasileiro Eduardo Coutinho em seu longa de mesmo nome na temática aqui explorada por seu colega iraniano.

Com roteiro do próprio diretor, o filme tem início com uma palestra ministrada pelo escritor James Miller (Shimell), que acaba de lançar um livro que defende a importância das réplicas de obras de arte na cultura de modo geral. Presente no evento encontra-se a personagem vivida por Juliette Binoche, que, dona de uma galeria, parece se encantar pelo sujeito, oferecendo-se para levá-lo a um passeio pela Toscana antes que ele parta da Itália. Discordando de certos aspectos defendidos pelo autor em sua obra, ela inicia uma discussão enquanto visitam museus e restaurantes, até que, eventualmente, algo curioso ocorre e eles passam a agir e a conversar como se fossem um casal com 15 anos de matrimônio.

Mas por que eles adotam este comportamento? A possibilidade de que sejam mesmo casados e estivessem apenas se entregando a algum tipo de jogo de sedução torna-se implausível quando nos lembramos de que o filho pré-adolescente da mulher não conhecia o escritor e que tal elaboração seria artificial por natureza. Por outro lado, é perfeitamente possível que ambos passem a interpretar o papel de casados intencionalmente num exercício psicológico ou intelectual depois de assim serem vistos pela dona de um café – mas mesmo esta interpretação exigiria um grande esforço de imaginação em função da maneira abrupta com que a transição ocorre.

Assim, resta uma terceira – e, acredito, mais lógica – possibilidade: a de que os personagens assumam uma dinâmica diferente porque se tornam figuras diferentes cujas histórias passadas combinam elementos de ambas as realidades. E esta alteração ocorreria simplesmente por ser fundamental para a discussão que Kiarostami quer propor (e que Coutinho abordou em seu longa): a de que nossa percepção sobre os personagens (ou sobre a arte de modo geral) não é ou não deveria ser afetada pela constatação de sua irrealidade. As idéias que o filme e o casal apresentam, assim como seus conflitos pessoais, são dramaticamente eficazes e relevantes mesmo que sejam falsos por natureza – e sempre são falsos, já que estamos falando, afinal, de uma obra de ficção, independentemente da versão do casal apresentada pelo filme.

No entanto, para que esta discussão funcionasse, era imperativo que os espectadores fossem surpreendidos pelas mudanças experimentadas pelos personagens – e é aí que o cineasta demonstra sua inteligência ao estabelecer uma lógica consistente durante a primeira hora de projeção apenas para puxar o tapete sob o público em seguida. Para isso, Kiarostami concebe uma narrativa calcada no naturalismo em seus mínimos detalhes, das pausas embaraçadas feitas pelo escritor quando suas piadas não provocam os risos esperados na pequena platéia até a forma com que Binoche esbarra sua bolsa no rosto do sujeito ao removê-la do banco do carro para que ele possa se sentar.

Da mesma forma, o diretor emprega longas cenas que, criadas a partir de planos extensos e estáticos, conferem um ritmo realista às conversas, que também revelam fluidez graças às performances minimalistas, mas precisas, da dupla central: observem, por exemplo, como Binoche completa a piada que Shimell contava a fim de ilustrar um argumento ou o jeito com que interrompe uma frase para reclamar de um pedestre que cruzou à sua frente e certamente constatará a estratégia do cineasta e de seus atores – especialmente ao contrastar estes momentos com outros que ocorrem na segunda metade do filme, quando as performances se tornam mais intensas e exibem propositalmente muletas de interpretação como uma lágrima que escorre solitária pelo rosto da atriz ou a arrogância agressiva com que o ator trata um garçom.

Aliás, não é só o estilo de atuação que sofre mudanças neste ponto da narrativa, mas a própria essência dos personagens: se inicialmente Binoche se mostra insegura diante do escritor e até mesmo reverente (“Não acredito que está em meu carro!”), eventualmente passa a tratá-lo com agressividade e cobranças. Além disso, a quase obsessão de sua personagem com o valor intrínseco de experiências (ou obras de arte) “reais” gradualmente evolui para uma intensa amargura até culminar numa carência emocional óbvia. Em contrapartida, se o escritor a princípio apresenta-se como um homem contido e seguro que valoriza – mesmo que apenas racionalmente – a idéia de “curtir a vida”, esta postura acaba se metamorfoseando em uma atitude ressentida, raivosa e de incontestável imaturidade e egoísmo. Se estas mudanças soam radicais – e são -, é porque, vale repetir, os próprios personagens estão mudando e assumindo novas histórias e personalidades levemente diferenciadas – e é admirável o controle que Binoche e Shimell mantêm em suas atuações, considerando a complexidade da tarefa exigida pela própria estrutura da narrativa.

Mas Cópia Fiel também é admirável em seus aspectos formais, já que Kiarostami freqüentemente concebe seus quadros não só de maneira econômica, mas intensamente evocativa, carregando-os de simbolismos e metáforas. Em primeiro lugar, é notável a lógica visual que ele adota para indicar de forma sutil as pontuações da estrutura; os instantes exatos em que os personagens experimentarão as já discutidas alterações em suas histórias/personalidades/facetas – algo que ocorre justamente nas cenas em que o casal, durante certas discussões, olha diretamente para a câmera e, conseqüentemente, para o espectador. De forma similar, é impossível não se encantar com composições como aquela que mostra o escritor admirando uma moto enquanto vemos Binoche, refletida no retrovisor, questionando estranhos sobre a beleza temática de uma escultura, já que isso espelha justamente as características da dupla naquele momento: ela, romântica e carente; ele, auto-centrado e sempre disposto a partir.

E mais: é curioso notar também como Kiarostami freqüentemente enfoca a dupla interagindo com outros casais (particularmente um recém-casado, outro que parece ter duas ou três décadas de matrimônio e um terceiro já idoso), já que estas duplas acabam refletindo diferentes estágios e facetas da relação mantida pelos protagonistas. Isto fica ainda mais claro quando o escritor é visto diante de uma janela que expõe, ao fundo, a celebração de um casamento – em outras palavras, mais uma projeção de seu passado ou apenas de mais uma versão deste.

Porque, no fundo, não importa se o que estamos vendo são os mesmos personagens que iniciaram a narrativa ou não, já que, de uma maneira ou de outra, todos são projeções ficcionais construídas por Kiarostami. Refletindo o próprio tema discutido no livro visto no filme (e que dá título a este), as diferenças entre original e cópia são negligenciáveis; o que importa de fato é a percepção que temos da obra (ou, no caso, dos personagens) e a maravilhosa reflexão que esta nos inspira.

Trailer

domingo, 17 de abril de 2011

Rio - Um belíssimo cartão postal e...só!

rio desenho brasil carlos saldanha arara azul passaro janeiro

Nota: 5

É um imenso orgulho para nós saber que um dos maiores gênios da animação digital no cinema seja um brasileiro. Sim, estou falando de Carlos Saldanha, o diretor que “nada a mais, nada a menos” criou todo o mundo de A Era do Gelo. E é claro que não havia nada mais justo e coerente do que o Brasil ser homenageado nas telas por um conterrâneo. Porém, é igualmente uma pena saber que Saldanha fez um filme que qualquer diretor estrangeiro preguiçoso faria, ou seja, carregado de estereótipos. E acreditem, não estou exagerando.

Em Rio, Blu é uma ararinha azul que raptada ainda filhote vai parar acidentalmente na gelada cidade de Minnesota (ou Not Rio, como nos é apresentada), sendo adotada pela jovem Linda, dividindo toda uma vida com ela até que numa viagem ao Rio de Janeiro, Blu junto a novos amigos entram numa série de aventuras pela Cidade Maravilhosa.

O grande incômodo para nós em Rio é ver que mais uma vez o Brasil foi basicamente retratado como um país onde parece que nossa única preocupação e interesse seja apenas samba, carnaval e futebol, fazendo parecer que vivemos constantemente desligados do que há no mundo lá fora. Reparem que o samba está presente em todos os momentos na trama, sendo até dois personagens (embora engraçados) sambistas natos. E nem nisso Saldanha é feliz, fazendo uso de uma trilha sonora com canções óbvias até mesmo para quem é de fora.

E é claro que o futebol e o carnaval não poderiam faltar. Há a cena onde num suposto jogo bastante monótono de Brasil x Argentina em pleno carnaval, todos ficam hipnotizados e colam a cara na TV, até mesmo dois dos bandidos da história que esquecem parte de seus afazeres em função do jogo. E o carnaval vem com o único propósito de ser só mais uma característica do país explorada como cartão postal e propaganda turística.

O evento ficou tão sem propósito que uma enorme incoerência foi inserida no roteiro para justificar seu uso: os traficantes de aves, numa estratégia para fugir do país com seus animais roubados, camuflam uma van e fogem nada mais, nada menos que pela Marquês de Sapucaí. Tem um problema aí: por que eles decidiram fugir exatamente pelo lugar onde todos os holofotes do mundo estariam voltados? Aliás, com uma cidade inteira dentro de um sambódromo, por que não optar por qualquer caminho fora dali, chamando bem menos atenção?

Sem contar que há uma cena de péssimo gosto onde macacos roubam turistas no Cristo Redentor que não consigo imaginar qual foi a graça pretendida com um insulto desses (e muito menos a quem os babuínos faziam alusão).

Contudo, Rio também possui muitos méritos, especialmente na concepção de sua cenografia que é impecável preservando todos os seus detalhes, além de carregada de cores vivas na cidade e em seus pontos turísticos, contraposta pela quase predominância do cinza dando um ar de tristeza às suas favelas. Aliás, falando em cores, nada melhor do que explorá-las tendo acertadamente selecionado como personagens do filme aves, possibilitando assim trabalhar com uma infinidade de cores, já evidenciada logo na abertura do longa com um maravilhoso balé dos pássaros (em especial as araras vermelhas).

E não dá pra deixar de ressaltar o modo como os belíssimos pontos turísticos são apresentados, especialmente a visão panorâmica que temos do alto vendo o Cristo Redentor se revelando pouco a pouco.

Mérito de Saldanha também o fato dele ter tocado num ponto muito importante que deveríamos dar melhor atenção. Estou me referindo ao tráfico de aves (e animais como um todo), mostrando o quão revoltante e degradante é tal crime que passa despercebido por muitos. E mais inteligente ainda foi escolher como protagonistas a ararinha azul, a maior vítima dessa prática, estando próxima a extinção por isso.
Por fim, mesmo ficando muito longe de uma homenagem, Rio pelo menos consegue conferir seus 90 minutos de entretenimento. Conta com ótimos cartões postais, além de ser praticamente um comercial do tipo ‘Visite o Rio’, útil tanto para os estrangeiros, como para nós, pois o Rio de Janeiro que nos é apresentado é bastante diferente do que conhecemos na realidade.

Trailer - dublado

Sucker Punch - Mundo Surreal

sucker punch mundo surreal zack snyder

Nota: 7

Apesar de jovem, Zack Snyder já é um fenômeno no cinema atual. Simplesmente em seu primeiro filme como diretor ele reinventou por completo o gênero zumbi com Madrugada dos Mortos e criou verdadeiros sucessos de bilheteria e público com 300 e Watchmen. Sendo assim já era de se esperar um grande filme com Sucker Punch.
E nele, Snyder faz o que sabe de melhor: criar um incrível design de produção. Porém, assim como em seus outros títulos, esse incrível trabalho técnico vem acompanhado de um enredo fraco e sem muito conteúdo. Uma bobagem que diverte e nada mais que isso.

Em Sucker Punch, Babydoll (Emily Browning) é uma jovem que acabou de perder a mãe e que, sofrendo abusos do padrasto, tenta assassiná-lo matando acidentalmente sua irmã caçula. Internada num manicômio, ela tem cinco dias para fugir antes de ser lobotomizada. E para tal, Babydoll mergulha numa aventura num mundo paralelo onde deve conquistar cinco itens para fugir: um mapa, fogo, uma faca, uma chave e o quinto que é um mistério.

Falando assim parece até uma história bem simples. Porém, nesse mundo paralelo (que nada mais é do que um local que ela imagina enquanto dança) ela terá que enfrentar samurais gigantes com metralhadoras, dragões, robôs e – pasmem – nazistas zumbis. Complicou um pouco, não é?

A partir daí, parecia não haver outra saída para a produção conseguir inserir a protagonistas e suas amigas em tamanhas aventuras – incrivelmente sensacionais nas coreografias de ação e efeitos especiais. Contudo, transportando toda a ação do filme para um mundo imaginário, o diretor acaba reduzindo consideravelmente o interesse do espectador pelo desfecho de Babydoll e suas amigas, pois uma vez que tudo aquilo se passa na sua imaginação, com certeza nada de mal acontecerá, fazendo delas invencíveis enquanto nesse local.

Bem diferente do mundo real onde elas eram tratadas como verdadeiras escravas sexuais pelo administrador desse curioso sanatório que ao mesmo tempo funciona como uma espécie de bordel. Daí surge algo curioso, porque para evitar que a censura ao filme aumentasse, Snyder optou por fazer com que as internas apenas dançassem para seus clientes, quando nas entrelinhas era evidente que elas eram forçadas a fazer programas.

Até porque os figurinos das atrizes utilizam em praticamente todo o filme (nos dois mundos) são extremamente curtos e provocantes, minando quaisquer possibilidades de atenuar tal situação. E junto aos figurinos provocantes vem uma maquiagem que transformam todas elas em verdadeiras pin-ups, e o exagero em maquiagem é tão grande que nem mesmo o diretor do sanatório escapa de usá-la.

blondie babydoll sweet pea amber rocket sucker punch mundo surreal

Uma coisa que acaba incomodando bastante é a obsessão que Snyder tem com planos detalhes que na maioria dos casos são desnecessários, bem como nas câmeras lentas que mais servem para tirar a adrenalina da ação e alimentar o ego do diretor, do que apresentar algum ponto realmente relevante. E isso já vem dele desde 300, repetindo em Watchmen.

E mesmo já citado acima, o design de produção merece um parágrafo a parte. Zack Snyder é um verdadeiro mestre nisso! Em Sucker Punch ele cria um mundo real repleto de cores quentes apelando à sensualidade - assim como no bordel de Moulin Rouge - contrapostas com o mundo surreal no meio do nada quase monocromático, intencionando em não fazer o espectador se dispersar tentando identificar o cenário, mas sim se concentrar na ação.

Numa mistura de Matrix, Um Estranho no Ninho, Moulin Rouge e Senhor dos Anéis, Zack Snyder trás às telas um filme que é ótimo para os olhos, mas nem um pouco para o cérebro, sendo isento de qualquer conteúdo. Na verdade, Sucker Punch nada mais é do que uma fantasia de adolescente viciado em vídeo games (e o filme parece desenrolar em fases como num jogo) que ele finalmente conseguiu trazer para o cinema. Mas para quem busca diversão - como foi meu caso - vale muito à pena!

Trailer HD - legendado

quarta-feira, 23 de março de 2011

Invasão do Mundo - Batalha de Los Angeles

invasao do mundo
NOTA: 5

A Terra está sendo dominada por extraterrestres; a raça humana está condenada a extinção e ao que tudo indica, nada podemos fazer para evitar esse apocalipse. Mas eis que no sofrimento e na desilusão surge uma esperança. E finalmente o ponto fraco do inimigo se revela e podemos restaurar a paz no mundo (sempre com uma pequena ajuda do exército americano).


Em poucas palavras, acabei de contar a história inteira de pelo menos uns dez filmes de ficção científica como Marte Ataca, Independence Day, Guerra dos Mundos etc. E é incrível que em frente a essa total falta de criatividade ainda há quem insista em repetir essa fórmula. E em maior ou menor grau a Invasão do Mundo é basicamente isso: uma repetição do que muitos já fizeram.


No filme, após décadas fazendo incursões na Terra, eis que os alienígenas finalmente decidem atacar nosso planeta e num embate maciço tomam em poucas horas quase todas as capitais do mundo (que novidade!). Agora, cabe ao esquadrão 2/5 do exército americano, comandados pelo Sargento Michael (Aaron Eckhart) defender e retomar a mais importante capital americana no momento: Los Angeles.


Não contente em fazer um filme num argumento já batido, o diretor Jonathan Liebsman ainda tem a cara de pau de copiar descaradamente outros longas (os alienígenas surgem exatamente do mesmo modo que em Guerra dos Mundos). E nos poucos momentos que tenta exercer alguma criatividade, na concepção dos invasores, ele apela pra figuras que beiram a comédia (notem que parte do corpo se assemelha suas cabeças).


Além disso, logo em seu início ele apresenta uma a uma a história de cada um dos muitos soldados do esquadrão 2/5, na tentativa de gerar vínculo com os personagens. Porém, essa tentativa é minada por ele mesmo, pois nenhuma delas é desenvolvida e muitos morrem ao longo da trama sem haver qualquer nova ligação com sua história. Ou seja, os primeiros 20 minutos são totalmente desnecessários, uma vez que o que Liebsman queria era guerra. Até porque quando escrevi sobre Os Mercenários já havia dito que se torna muito difícil a identificação num filme carregado de personagens, como é o caso.


Li na crítica de um amigo (Pablo Villaça) que Invasão do Mundo é um filme pra macho e concordo com ele. Tanto que logo de cara o piloto do helicóptero do exército americano manda seus soldados serem machos antes de entrarem em combate. E é tão filme de macho que a única mulher que compõe o exército é vivida por Michelle Rodriguez (Velozes e Furiosos, Resident Evil) fazendo o que sabe de melhor, ou seja, interpretando mulheres masculinas.


E observem que há uma incoerência fatal no roteiro. Na metade da história é descoberto que o que os aliens buscam em nosso planeta é nossa água em seu estado abundante(líquido), crucial para sua sobrevivência. O mesmo soldado que faz a descoberta, também afirma que a Terra é o único local do universo onde encontramos ela nesse estado. Ora, façamos uma pausa para meditar: se os invasores dependem de água para sua sobrevivência e aqui é o único lugar que ela existe, como foi que eles sobreviveram durante tanto tempo fora? Pois é, a produção se esqueceu de pensar nesse “pequeno” detalhe quando o inseriu no filme.


No mais, Invasão do Mundo tem seus méritos. A fotografia é ótima, fazendo um bom uso da câmera na mão, na busca de transformar o evento em algo documental. Também há uma neblina que encobre a cidade no início da invasão que tornam ainda mais imprevisíveis e assustadores os inimigos, atrasando a apresentação se sua figura a nós e ao exército. A edição e mixagem de som também fazem um ótimo trabalho levando o espectador a mergulhar no meio dos tiroteios (um pouco escassos). Desnecessário dizer a essencialidade que foi a aplicação de efeitos especiais para que tudo funcionasse.


Embora com alguns méritos, o saldo final de A Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles acaba sendo negativo, pois é óbvio, fraco e contraditório. Mas o que realmente chama a atenção é que em mais de cem anos de história do cinema foram inúmeras as tentativas de filmar títulos que pudessem assombrar a população sobre uma eventual invasão extraterrestre. Entretanto, todas elas fracassaram e no fim das contas a única vez que isso de fato aconteceu foi em 1938 no meio mais improvável, o rádio, na célebre transmissão de Orson Welles dizendo que a Terra estava sendo invadida naquele momento por discos voadores. Já passou da hora do cinema analisar se esse é um tema que vale realmente a pena investir.


domingo, 20 de março de 2011

Musicais #5: O Concerto


Tá aí um musical que salvou todo um filme de um desastre.

O Concerto é um dos filmes mais inverossímeis que já vi. Mas esse musical no final...me fez vê-lo e revê-lo inúmeras vezes. Além da ótima música escolhida (concerto para violino de Tchaikovsky) a montagem é feliz dando um tom extremamente dramático na revelação da história de uma das personagens centrais, Maria.


Sem mais delongas, BOM SHOW!



quarta-feira, 16 de março de 2011

Resumo da Semana #4

Um resumo de tudo que assisti entre os dias 13 e 19 de março. Uma semana que começou com Scorcese e terminou em Sordenbergh.



O Rei da Comédia

Jerry Langford (Jerry Lewis) é um consagrado apresentador de TV. Um dia, ao se encaminhar para o trabalho, ele é sequestrado pelo aspirante a comediante Rupert Pumpkin (Robert De Niro) e sua amiga Masha (Sandra Bernhard). Para escapar da situação, Jerry concede a Rupert espaço em seu programa de TV, de forma que ele possa apresentar seu número.




Ben-Hur


Em Jerusalém no início do século I vive Judah Ben-Hur (Charlton Heston), um rico mercador judeu. Mas, com o retorno de Messala (Stephen Boyd), um amigo da juventude que agora é o chefe das legiões romanas na cidade, um desentendimento devido a visões políticas divergentes faz com que Messala condene Ben-Hur a viver como escravo em uma galera romana, mesmo sabendo da inocência do ex-amigo. Mas o destino vai dar a Ben-Hur uma oportunidade de vingança que ninguém poderia imaginar.




Comer, Rezar e Amar
Elizabeth (Julia Roberts) descobre que sempre teve problemas nos seus relacionamentos amorosos. Um dia, ela larga tudo, marido, trabalho, amigos, decidida a viver novas experiências em lugares diferentes por um ano inteiro. E parte para a Índia, Itália e Bali, para se reencontrar numa grande viagem de auto conhecimento.




A Tortura do Medo
Mark é um fotógrafo obcecado em capturar o medo no rosto das pessoas. Para isso, comete crimes e filma suas vítimas. Essa estranha necessidade surgiu por culpa do seu próprio pai, um psiquiatra que o sujeitava a terríveis experiências, registrando suas reações em pequenos filmes.




Colheita Maldita
Isaac Chroner (John Franklin), um menino pregador, vai para Gatlin, Nebraska, e consegue que as crianças assassinem todos os adultos da cidade. Um jovem casal tem de comunicar um assassinato e vai para Gatlin, a cidade mais próxima, em busca de ajuda. Porém a localidade parece abandonada e logo eles são aprisionados, com poucas chances de escaparem vivos, pois as crianças praticam um culto que utiliza sangue humano para adubar a terra.





Hulk vs
Thor - Por eras, Loki procurou um modo de derrotar seu amaldiçoado meio-irmão, Thor. Mas em todas as batalhas que Thor participou nos 9 mundos, apenas uma criatura está à altura de sua força - uma fera mortal de Midgard conhecida como O Incrível Hulk. Agora, com Odin, o rei dos deuses, num profundo sono meditativo, todas as forças que protegem Asgard jazem enfraquecidas, e Loki finalmente está pronto para engendrar sua armadilha. Numa luta clássica que testará os limites do herói como nunca antes, apenas o poderoso Thor pode ter esperanças de prevalecer.



Wolverine - A história se passa em Alberta, no Canadá, por onde o Hulk tem passado deixando um rastro de destruição. O único que poderá pará-lo é Wolverine, agente de elite do sigiloso Departamento H do Canadá.




Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles
Uma chuva de meteoros repentinamente atinge a Terra. Logo se descobre que eles na verdade são naves alienígenas, que desejam exterminar os seres humanos a qualquer custo. A cidade de Los Angeles é alvo de uma das principais batalhas, dentre as várias que ocorrem ao redor do planeta. Nela está envolvido o sargento Michael Nantz (Aaron Eckhart), que teve sua aposentadoria cancelada devido à gravidade dos ataques. Nantz sofre ainda o trauma de ter perdido vários homens em sua última missão, o que o coloca em dúvida entre integrantes de sua nova tropa. Apesar disto, ele obedece as ordens do tenente William Martinez (Ramon Rodriguez) e tenta ajudar no que pode para eliminar o invasor extraterrestre.



Treze Homens e um Novo Segredo


Reuben Tischkoff (Elliott Gould), o homem que bancou financeiramente o assalto triplo aos cassinos de Terry Benedict (Andy Garcia), foi traído por Willie Bank (Al Pacino), um inescrupuloso dono de cassinos. Com Reuben no hospital, Danny Ocean (George Clooney), Rusty Ryan (Brad Pitt) e sua trupe mais uma vez se reúnem para iniciar um plano de vingança. O objetivo é derrotar Bank na noite de inauguração de seu mais luxuoso cassino, chamado The Bank, derrotando-o financeiramente e também atingindo sua reputação.

domingo, 13 de março de 2011

Musicais #4: O Violinista no Telhado

Esse é um dos números musicais mais divertidos do cinema, assim como todo o filme. O leiteiro pobre em seu estáblo fantasiando o quão boa sera a vida se fosse rico.

Embora o filme em si não seja um sucesso, essa canção (If I Were A Rich Man) ficou tão famosa que já até houve uma regravação no mundo pop.

Bom Show!

*vídeo em baixa qualidade. SORRY!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Resumo da Semana #3

A relação de filmes que vi entre 06 e 12/03. Semana cheia por causa do carnaval...rs

Rango
Rango (Johnny Depp) é um camaleão da cidade grande que vai parar, após um acidente, em pleno velho oeste, na cidade de Poeira no deserto do Mojave, na Califórnia. De uma hora para outra, sua rotina de animal de estimação mudou radicalmente e agora ele precisa deixar a vida "camuflada" para enfrentar os perigos existentes no mundo real, fazendo com que ele vivencie a experiência de fazer amigos, conhecer inimigos e até, quem sabe, se tornar um herói.



Bruna Surfistinha
Raquel (Deborah Secco) era uma jovem da classe média paulistana, que estudava num colégio tradicional da cidade. Um dia ela tomou uma decisão surpreendente: virar garota de programa. Com o codinome de Bruna Surfistinha, Raquel viveu diversas experiências "profissionais" e ganhou destaque nacional ao contar suas aventuras sexuais e afetivas num blog, que depois acabou virando um livro e tornou-se um best seller.




Os Dez Mandamentos
A épica vida de Moisés (Charlton Heston), desde recém-nascido, quando foi colocado nas águas em um cesto e acabou sendo adotado por uma princesa egípcia, até quando descobre sua real condição e decide liderar seu povo que, escravizado pelos egípcios, anseia pela liberdade.




O Violinista no Telhado
Um trabalho de destaque em qualquer categoria (Boxoffice), esta magnificamente produzida e aclamada pela crítica adaptação cinematográfica da peça que foi uma grande sensação nos teatros internacionais, conta a história de crença na vida de Tevye (Topol), um leiteiro pobre cujo amor, orgulho e fé o impulsionam a enfrentar a opressão da Rússia czarista do início do século.
Indicado para oito Oscar, incluindo melhor filme e melhor diretor e apresentando canções clássicas como If I Were A Rich man, Matchmnaker e Sunrise, Sunset, Um Violinista no Telhado é uma história universal de esperança, amor e aceitação - uma obra-prima musical Vibrante, alegre e marcante (New York Daily News).



Carta de Uma Desconhecida
Viena, início do século XX. O famoso pianista Stephan Brand se hospeda num hotel, onde recebe uma carta de uma mulher desconhecida. Ao lê-la, relembra de Lisa (Joan Fontaine em grande momento), uma mulher com quem viveu uma linda e tumultuada história de amor.
Ao som de Liszt, Wagner e Mozart, Max Ophüls realizou, com sua sofisticação característica, um melodrama inesquecível. Baseado no romance de Stefan Zweig.




5x Favela: Agora por nós mesmos
Episódio 1 - Fonte de Renda: Maicon (Sílvio Guindane) consegue realizar o sonho de passar no vestibular, mas logo se encontra apreensivo devido à sua incapacidade de arcar com os gastos com livros, alimentação e transporte. Ele fica então tentado a vender drogas para os colegas de faculdade, como forma de obter o sustento necessário para os estudos.
Episódio 2 - Arroz com Feijão: Para conseguir um quarto para o filho, os pais de Wesley (Juan Paiva) resolvem reduzir o cardápio diário a arroz com feijão. No aniversário do pai o garoto se junta ao amigo Orelha (Pablo Vinícius) para conseguir dinheiro, no intuito de comprar um frango como presente.
Episódio 3 - Concerto para Violino: Quando crianças Márcia (Cíntia Rosa), Jota (Thiago Martins) e Ademir (Samuel de Assis) fizeram um pacto de amizade eterna. Agora, com todos em torno dos 20 anos, Jota entrou para o tráfico de drogas enquanto que Ademir se tornou policial. O confronto entre os dois pode impedir que Márcia, agora violinista, realize o sonho de uma bolsa de estudos na Europa.
Episódio 4 - Deixa Voar: Flávio (Vítor Carvalho), de 17 anos, deixa que a pipa de um amigo voe. Para buscá-la ele precisa ir à favela de uma facção rival. Mesmo com medo, ele decide buscar a pipa.
Episódio 5 - Acende a Luz: É véspera de Natal e o morro está sem luz há três dias. Como os técnicos da companhia de luz não conseguem resolver o problema, um deles é sequestrado pelos moradores locais. Eles decidem fazê-lo de refém até que a luz volte.



O Caçador
Joong-ho Eom (Kim Yun-seok) é um detetive que se tornou cafetão por problemas financeiros, mas está de volta a ação, quando percebe que suas meninas desaparecem uma após a outra. Uma pista o faz perceber que todas elas estavam com o mesmo cliente, identificado pelos últimos dígitos do celular. Então, o ex-detetive embarca numa caçada feroz ao homem, convencido de que ele ainda possa salvar Kim Mi-jin (Seo Yeong-hie), a última menina desaparecida e acabar com este mistério.



Trindade Violenta
Após a Guerra Civil o ex-oficial Confederado Colt Saunders (Charlton Heston) conhece Lorna Hunter (Anne Baxter), uma dançarina de saloon que se faz passar por uma dama e até como esposa dele, quando Colt estava desacordado após uma briga. Acontece que ela soube manobrar tão bem a situação que Colt resolve casar repentinamente com ela. Eles vão morar em "Bar S", o rancho de Colt, que há 5 anos não tinha a presença do seu dono. Logo após chegar recebe uma má notícia, pois membros do "governo provisório" taxam em US$ 16 mil o rancho de Colt. Eles sabem que a dívida é impossível de ser paga e assim tem um pretexto para tomar o rancho. Para piorar, uma destas pessoas do "governo provisório" sabe do passado sombrio de Lorna. Além disto aparece Beauregard "Cinch" Saunders (Tom Tryon), o irmão de Colt, que é a ovelha negra da família.



O Selvagem da Motocicleta
Em uma pequena cidade industrial que está morrendo, o líder de uma pequena gangue, Rusty James (Matt Dillon), vive na sombra de seu ausente irmão mais velho, "O Motoqueiro" (Mickey Rourke). A mãe dele partiu, o pai dele bebe, escola não tem nenhum significado para ele e suas relações são superficiais. Rusty é levado em participar de mais uma briga de gangues e os eventos que se seguem começam a mudar sua vida.


segunda-feira, 7 de março de 2011

Musicais #3: Chicago

Todos os números musicais de Chicago são um espetáculo à parte, mas esse é o que considero mais interessante por conter a melhor canção do filme e contar com uma coreografia das bailarinas sensacional e que com graça auxiliam a recriar as 6 cenas de crime narradas por cada uma delas.

Além disso, as fitas de cetim vermelha representando o sangue dos maridos mortos e a iluminação em igual cor dão uma plástica única a cena.

Bom show!

domingo, 6 de março de 2011

Resumo da Semana #2

Inverno da Alma

Ree Dolly (Jennifer Lawrence) é uma garota de 17 anos que inicia uma caçada por seu pai no submundo do crime, depois que a polícia o declara foragido. Em sua procura, Ree tem de encarar a vida que o pai - um traficante de drogas - deixou para trás, enquanto tenta encontrar respostas para o que lhe aconteceu e uma maneira de não deixar a família entrar em colapso.

Minhas Mães e Meu Pai

Dois irmãos, filhos de um casal de lésbicas, decidem procurar pelo doador do esperma que os gerou e acabam mudando a vida de sua família quando o pai biológico dos jovens começa a fazer parte de suas vidas.

Assassinato no Expresso Oriente

No Orient Express um passageiro é morto e Hercule Poirot (Albert Finney), o famoso detetive belga que embarcou por acaso, considera que todos os passageiros são suspeitos, pois todos tinham motivos para matar a vítima, que tinha sequestrado e matado uma menina, já que os suspeitos de alguma forma tinham alguma conexão com a criança morta.

Amadeus

Após tentar se suicidar, Salieri (F. Murray Abraham) confessa a um padre que foi o responsável pela morte de Mozart (Tom Hulce) e relata como conheceu, conviveu e passou a odiar Mozart, que era um jovem irreverente mas compunha como se sua música tivesse sido abençoada por Deus.

Os Fugitivos

Final dos anos 40. Um casal de serial killers, Martha Beck (Salma Hayek) e Raymond Fernandez (Jared Leto), são conhecidos como "Lonely Hearts Killers". O plano era simples: fraudavam e matavam viúvas de guerra, que responderam anúncios de jornal nos quais Ray se descrevia como um amante latino. Ironicamente ele conheceu Martha desta forma, mas quando se encontraram foi amor à primeira vista, talvez por ambos gostarem de sexo intenso e dinheiro fácil. Ao cometerem assassinatos fazia parte do plano Martha fingir ser irmã de Ray. Enquanto mais mortes aconteciam, os detetives Elmer C. Robinson (John Travolta) e Charles Hildebrandt (James Gandolfini) decidiram fazer qualquer coisa para capturarem Martha e Raymond.

Olhos de Serpente

Policial corrupto (Nicolas Cage) presencia assassinato de político famoso em arena de boxe. Ele ajuda um velho amigo (Gary Sinise), que fazia a segurança do político, a tentar encontrar o responsável pelo crime. E acaba tendo que bancar o herói para desvendar a trama.

sábado, 5 de março de 2011

Minhas Mães e Meu Pai


Trailer (legendado)


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Resumo da Semana #1

A partir de agora toda semana posterei aqui os trailers dos filmes que vi ao longo da semana. Como em qualquer arte, o cinema é algo subjetivo e as opiniões quanto aos filmes serem bons ou não cabem a cada um. Sendo assim, recomendo sempre todos os filmes que vi.

Abaixo os filmes que vi entre 20/02 e 26/02.

Bom fim de semana e bons filmes!

127 Horas

SINOPSE

127 Horas é a história real e notável do alpinista Aron Ralston, na tentativa de salvar a si mesmo após a queda de um pedregulho sobre seu braço na garganta de uma rocha isolada em Utah. Nas próximas 127 horas, Ralston repassa sua vida e luta contra aos elementos da natureza para finalmente descobrir que ele tem a coragem e os meios para livrar-se dessa prisão, escalar uma parede rochosa e caminhar ao longo de oito quilômetros antes de ele finalmente ser resgatado. Ao longo de sua jornada, Ralston se lembra dos amigos, da namorada, da família, e das duas caminhantes que ele conheceu pouco antes do seu acidente.

O Triunfo da Vontade

SINOPSE

Em 1934 no 6° encontro no Partido Nacional Socialista, Adolf Hitler encomenda um cobrir todo o evento em documentário para enaltecer sua figura e do partido para as futuras gerações nazistas.

O Ritual

SINOPSE

Inspirado em fatos reais, O Ritual narra a história do cético seminarista Michael Kovak que, relutantemente, freqüenta uma escola de exorcismo no Vaticano. Sua vida muda quando ele encontra o ortodoxo Padre Lucas, que lhe apresenta o lado mais obscuro de sua fé.

Enterrado Vivo

SINOPSE

Paul Conroy (Ryan Reynolds) é um americano que trabalha como motorista de caminhão no Iraque. Ele acorda, sem saber como, enterrado vivo dentro de caixão de madeira. Sem saber o que aconteceu e o porquê de estar ali, ele tem em suas mãos apenas um telefone celular e um isqueiro. Começa então uma tensa corrida contra o tempo e a falta de ar. A pressão aumenta ainda mais quando os sequestradores exigem um resgate milionário para libertá-lo e um vídeo com suas imagens vai parar no YouTube.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Musicais #2: Tempos Modernos

Essa semana selecionei no Musicais um dos trechos mais engraçados de Tempos Modernos.

Carlitos acaba de ser contrato por um restaurante para ser garçom e cantor nas horas vagas. Só tem um pequeno problema, ele não sabe a letra de nenhuma música!

A solução? Improvisar. Charles Chaplin aqui cria um número no mínimo genial, num verdadeiro embromation misturando italiano, inglês e francês, inventa uma língua que ninguém entende, mas deixa tudo muito claro em seus gestos.

Gênio é gênio!

Bom show!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Ritual


NOTA: 3


Ontem fui assistir O Ritual e confesso que chorei muito...muito mesmo. Chorei porque nunca mais vou recuperar as duas horas da minha vida que joguei fora vendo essa droga.

Resumindo minha impressão numa frase: Nem mesmo o filme se leva a sério!

O Ritual conta a história de Mathews, um jovem que entra para o seminário sem nenhum interesse na vida eclesiástica, apenas buscando fugir do convívio com seu pai. Quatro anos mais tarde, quando decide largar a batina é chantageado a participar de um curso sobre exorcismo no Vaticano. Cético ao extremo em relação ao fenômeno da possessão dos demônios sobre o homem e seu rito de salvação, Mathew instruído a conhecer o Padre Lucas, um exorcista veterano nada convencional em seus métodos. A partir daí seu ceticismo acaba sendo posto a prova.

Pra começar, ao longo de todo o filme há um vício irritante do diretor Mikael Hafström de toda hora utilizar da trilha sonora para nos preparar para um cena medonha nunca acontece e é sempre interrompida sem o menor por quê.

A Alice Braga faz sua pior atuação com uma personagem que não tem nenhuma função na narrativa. Com ou sem ela a história seria exatamente a mesma. E confesso que não entendi que consolo traria conhecer um exorcista para aliviar sua pressão de ter que conviver com o peso de ter abandonado seu irmão à morte numa pouco provável possessão. Talvez o Padre Lucas além de exorcista tenha o poder de devolver a vida aos mortos.

E por falar nele, Anthony Hopkins também é lamentável em sua interpretação, dando sempre respostas secas sem nenhum embasamento aos constantes questionamentos de Mathew sobre a veracidade do exorcismo que não esclarecem nada a ninguém.

Mas o que mais me chamou a atenção é como o diretor parecia estar perdido em suas reais intenções.

É evidente que ele quis reforçar a imagem católica com o poder dos exorcistas e de como os demônios ainda estão presentes em nossa vida. Desnecessário dizer que não seria isso que converteria espectadores de cinema em fiéis. Mikael apenas quis dar veracidade a um assunto que volta e meia vem a tona, principalmente nos cinemas. Mas o modo como executa toda a sua obra, deixa claro que ele não sabia fazer tal coisa.

A começar pela chantagem ridícula que obriga Mathew a entrar para o curso, mesmo este se mostrando claramente desinteressado pela fé. Depois, no seu primeiro encontro com Lucas, no exorcismo de uma adolescente grávida, quando finalmente Mikael conseguia conferir alguma credibilidade às suas intenções, ele preferiu ser 'engraçadinho' e fazer com que o celular do Padre Lucas tocasse durante o ritual (onde o toque era o tema de Beleza Americana). Mas essa cena catastrófica não termina aí, pois Lucas por incrível que pareça atende ao telefone e pra piorar manda Mathew que nunca viu um exorcismo dar seqüência ao processo. Ridículo.

Não mais ridículo do que o modo como Mathew sempre cético e muito coerente e incisivo em seus questionamentos às práticas católicas sobre o assunto de possessão é instantaneamente levado a mudar de idéia num momento de fraqueza recheado de alucinações pífias. Era o único personagem interessante até então.

Não pretendo me estender muito num filme patético como esse, que começa e termina do mesmo modo: sem nenhum propósito e coerência. Não façam como eu, aproveitem melhor seu tempo.


127 Horas - de onde tudo poderia dar errado...uma obra-prima!


Nota: 10

Quem não se lembra da história do rapaz que ficou 5 dias com a mão presa numa rocha num canyon afastando de toda civilização e que, pra piorar, não avisou ninguém onde estava, tendo que amputar o próprio braço pra se salvar? Bom, para os poucos que não se recordam, eu acabei de contar o filme inteiro acima. Mas calma! O privilégio de se assistir 127 Horas não é essa história batida que é toda contada no seu próprio trailer de divulgação. O que há de extraordinário no filme é ver como um longa que tinha tantas chances de dar errado se transformou numa verdadeira obra-prima.

E por que poderia dar errado? Por três motivos. Primeiro: toda a ação se passa num único lugar: no canyon onde Aron Ralston está com seu braço preso. Ou seja, uma narrativa bastante truncada que possibilita uma grande chance de se tornar monótona. Segundo: há basicamente um único personagem no filme inteiro (Aron). Sendo assim, 127 Horas praticamente depende exclusivamente do trabalho de seu protagonista (James Franco) para funcionar. Um ator ruim nessa hora faria com que milhões de dólares fossem direto para o ralo. Terceiro: por mais impressionante que seja o drama de ter que cortar o próprio braço para sobreviver, fica realmente difícil compilar tudo isso em mais de uma hora de filme. O risco de levar o espectador ao tédio é enorme.

Mas então por que apesar de tudo 127 Horas se sobressaiu? A isso cabe uma resposta minuciosa.
Eu credito a três fatores o seu brilhantismo. Primeiramente sem qualquer sombra de dúvida o trabalho de James Franco interpretando Aron Ralston. Franco sempre foi um bom ator, mas nunca teve uma grande oportunidade, e é ótimo ver que na primeira delas ele se agarrou com unhas e dentes em seu trabalho. Seu Ralston mostra um auto-controle fora do comum numa situação que por si só é desesperadora a qualquer um. Também carrega consigo uma sapiência além de seu tempo: desde a série de engenhocas que projetou para se salvar, até o talk show onde entrevistando a si mesmo (num dos momentos mais interessantes do filme), chega a conclusão que jamais o resgatariam dali, ou seja, ele só podia contar consigo mesmo.

O segundo fator é a edição extremamente competente e eficaz que, além de levar quase todos os créditos da cena que acabei de citar acima, também sabe dosar bem o drama de Aron com flashbacks de seu passado, e claras alusões de alucinação, quando por exemplo ele se imagina na festa em que foi convidado naquela noite e que, por uma razão óbvia, não compareceu. Ou mesmo na epifania que tem com seu filho que ainda não nasceu como força motora para levá-lo a lutar pela sua sobrevivência.

E o terceiro, mas não menos importante fator, é a direção excelente de Danny Boyle. Ele que acaba de vir de oito Oscar’s com Quem Quer Se Um Milionário, aqui não busca se sobressair a sua equipe, ficando claro que eles trabalharam no mesmo nível o tempo todo. Além disso Boyle cria cenas marcantes, belas e terríveis, sendo algumas inesquecíveis. A começar por aquela onde num grito de desespero de Aron a câmera vai se afastando pra cima revelando pouco a pouco a imensidão onde ele se encontrava, mostrando o quão em vão eram seus pedidos de socorro, uma vez que nem nós mesmos o escutamos mais. Há a cena belíssima do primeiro amanhecer depois de Ralston ficar preso onde o sol vai surgindo e sutilmente como um manto, vai invadindo o canyon e expulsando suas sombras. E é lógico que não poderia deixar de citar a cena mais forte de 127 Horas e talvez uma das mais fortes de todos os tempos. Sim! É a cena onde ele decide amputar seu braço, apresentada em detalhes com todo carne e sangue que tem direito. Sugiro que vão de estômago preparado ao cinema.

Bom, há histórias da vida real que por mais comoventes ou tenebrosas que possam ser nunca dariam um bom filme. E sinceramente, antes de ir ao cinema era essa a sensação que tive sobre 127 Horas, pois não conseguia imaginar que graça poderia ter ficar 90 minutos vendo um homem com o braço preso numa rocha, mesmo havendo todo o seu claro contexto de luta pela sobrevivência. Ainda bem que paguei minha língua e fui, junto com todo o público, presenteado com esse filme que já é histórico, devido ao casamento perfeito do trabalho de toda equipe. E agora, que finalmente vi todos os concorrentes na briga do Oscar 2011, considero esse o meu palpite como o Melhor Filme, mesmo achando pouco provável que irá ganhar.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Musicais: #1 Cantando na Chuva


A partir de hoje, toda semana postarei aqui uma cena de musical selecionadas seja pela sua fama, importância ou pelo simples prazer de ver e ouvir.


E para começar em grandissíssimo estilo não poderia selecionar outro musical senão Cantando na Chuva. Talvez seja o musical mais famosos da história, todos com certeza conhecem a música título com o brilhante Gene Kelly radiante ora subindo no poste ora sapateando em meio a chuva.


O filme como um todo é perfeito, mas essa cena pela sua fama e pela sua perfeita execução, merece ser a primeira.


Bom Show!

Bravura Indômita


Nota: 7
É impressionante como um gênero tão antigo como o western consiga até hoje fazer tanto sucesso. Desde O Grande Roubo de Trem, passando por John Wayne e Leone, chegamos hoje no extremo de cowboys enfrentarem aliens no velho oeste (Cowboys VS Aliens, ainda não lançado).
E sendo um gênero tão aclamado, especialmente nos EUA, não é de assustar termos um representante na briga pelo Oscar 2011.

Adaptado pelos irmãos Coen a partir da obra homônima estrelada por John Wayne (da qual não farei comparações, pois não assisti a primeira versão), Bravura Indômita conta a história de Mattie Ross, uma jovem muito a frente de seu tempo que viajando para a cidade onde se encontra o corpo de seu pai recentemente assassinado, contrata Rooster (Jeff Bridges), um militar já velho, para se vingar do assassino.

Em muitos aspectos, especialmente no que concerne à fotografia, os Coen nada mais fazem do que seguirem a cartilha: uma série de tomadas com planos gerais para valorizar o cenário, e o clássico plano americano, desenvolvido exclusivamente pra esse gênero.

Porém, há também as características que tornam uma obra exclusiva dos Coen: seus personagens. Primeiramente pela falsa expectativa que é feita sobre dois deles (Rooster e Tom Chaney), extremamente superestimado pela população local e, quando finalmente apresentados ao público, vemos que apesar de um fundo de verdade em tudo que foi dito, há também uma boa dose de exagero, embora seja realmente cruel quando Rooster descreve num depoimento tão friamente o modo como eliminou toda uma família.

E não só as expectativas, mas também o figurino os definem muito bem. Desde o tampão no olho de Rooster nos fazendo pensar em que tipo de missão ele se metia quando em atividade, passando pelo uniforme de ranger de LaBoeuf (Matt Damon), até as roupas contidas e conservadoras de Mattie que tornam evidentes sua personalidade.

Mas parte das atuações não acompanham o trabalho realizado pelos Coen e criam personagens fracos e até incômodos. Mattie é insuportável e se apóia o tempo todo na lei para obrigar Rooster e LaBoeuf a ajudá-la, usando basicamente a mesma frase sem força nenhuma: “Se não fizer o que eu quero eu te processo” (e reparem que ninguém dá a mínima pra ela quando diz isso). Matt Damon também interpreta um LaBoeuf apático muito aquém da valentia e audácia características dos rangers (pelo menos na ficção).

Já o sempre ótimo Jeff Bridges não decepciona com seu Rooster que parece ter o objetivo cego (sem trocadilhos com seu tampão no olho) de capturar o vilão da trama Ned Pepper, uma missão não cumprida em sua carreira que o deixa claramente frustrado, estando alheio a tudo em volta, inclusive o desejo de vingança de sua contratante. Aliás, apesar de duas participações bem curtas, Josh Brolin e Barry Pepper (interpretando respectivamente Tom Chaney e Ned Pepper), trabalham de forma brilhante, frustrando novamente o espectador que esperava ver dois bandidos sanguinários quando na verdade vemos o primeiro quase não tendo consciência de seus atos, num retardamento mental evidente, e o último que tira todo o glamour dos criminosos cheios de pompa do cinema quando diz estar preocupado porque ele e seu bando passam fome.

E embora os Coen tenham inserido algumas cenas sem nenhuma importância para a narrativa apenas para dar um ar característico de humor de seus filmes, como aquela em que Rooster e LaBoeuf disputam quem tem a melhor pontaria atirando em biscoitos, por outro lado inserem outras que somente dois profissionais competentes como eles fariam de modo que não soasse artificial Me refiro ao duelo final entre Rooster contra Pepper e mais três capangas que de início parece ser uma marmelada, mas se mostra muito plausível na sua execução.

Mesmo pertencendo a um gênero tão receptivo ao cinema, acho pouco provável após a euforia do Oscar Bravura Indômita conseguir manter um patamar de sucesso. Isso porque o que tinha de melhor nos filmes do velho oeste, ou seja, os conflitos cheio de tiroteios, aqui quase inexiste, pois os Coen preferiram se focar na relação entre Mattie e Rooster, sugerindo o início de uma amizade e uma viagem de auto-descoberta que de forma alguma acontece.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Vencedor

Nota: 8
Confesso que nessa semana fiquei com dificuldade pra escrever. E não por falta de opção como vinha acontecendo ultimamente, mas sim porque foram tantas ótimas estréias na última sexta que virou uma tarefa difícil escolher apenas uma.

Mas trabalho é trabalho, e dentre tudo o que vi o vencedor foi (sem trocadilhos) O Vencedor.
No longa, Mickey Ward (Mark Whalberg) é um boxeador peso-leve que nunca teve grandes chances nos ringues, até que surge uma oportunidade de se reerguer e lutar pelo título. Porém, para vencer, Mickey deve enfrentar fora dos ringues o controle exercido por sua mãe (Melissa Leo) sobre sua carreira e os problemas ligados ao vício em cocaína de seu irmão e treinador Dicky (Christian Bale).

Filmes que contam a história de um rapaz pobre que ama o boxe, mas deve se sacrificar para enfim alcançar a vitória não são nenhuma novidade pra ninguém. Só em Rocky temos 6 contando basicamente a mesma coisa. O que mais chama a atenção em O Vencedor é o relacionamento familiar de Mickey e como sua passividade perante o óbvio controle de uma mãe-empresária e a dependência do treinamento de um irmão viciado o impedem de crescer. A frieza da relação entre eles fica evidente quando em praticamente nenhum momento da narrativa Dicky e Mickey chamam sua mãe de mãe, mas sim pelo seu próprio nome.

A passividade de Mickey fica clara na reunião onde ele pretendia se desligar da família e quem acaba virando sua porta-voz é a namorada, chegando até mesmo a soar ridículo um lutador de boxe ser defendido por uma mulher muito mais frágil do que ele.

O ponto quente de toda a trama é sem qualquer sombra de dúvida as atuações. Amy Adams finalmente se propõe a interpretar papéis mais sérios, sendo uma namorada que embora aparentemente frágil, carrega consigo uma enorme presença de espírito. Melissa Leo interpreta magistralmente uma mãe chantagista, manipuladora e tendenciosa.

Mas o grande destaque é sem qualquer sombra de dúvida Christian Bale. Seu Dicky, ao mesmo tempo que incomoda com sua óbvia decadência e o controle sobre o irmão, comove com um carisma único, quebrando qualquer visão unilateral sobre os dependentes químicos, dos quais estamos acostumados a construir. E como é triste ver ele assistindo a um documentário feito sobre a decadência de atletas viciados no qual ele é o protagonista. E só pelos dois primeiros minutos da trama, Bale já merecia um Oscar.

Porém, por conter uma história previsível e também por sempre interromper as sequencias mais interessantes do longa, ou seja, as lutas, O Vencedor acaba se tornando aquele tipo de filme que agrada muito, mas que com o tempo vai se esquecendo.
Ah! Já ia me esquecendo de um detalhe importante: a história é real, tanto que nos créditos, os verdadeiros Mickey e Dicky aparecem dando um bem humorado depoimento ao público.
Ufa! Tomara que na semana que vem fique mais fácil escolher o filme pra comentar.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Lixo Extraordinário



NOTA: 10

Num 2010 extremamente produtivo para o cinema nacional com o lançamento de títulos como As Melhores Coisas do Mundo, Chico Xavier e claro, o fenômeno Tropa de Elite 2, “não dá pra entender “ o por que o Ministério da Cultura selecionou Lula, o Filho do Brasil como nosso representante ao Oscar 2011. Fora os interesses políticos, aconteceu o que era mais do que evidente: ele sequer foi pré-indicado.

E quando víamos mais uma vez o sonho de um Oscar tupiniquim ficar só na vontade, eis que uma produção estrangeira (daí as aspas no título) nos deu um pouquinho mais de esperança entrando como indicada ao prêmio de Melhor Documentário com o – sem redundância – extraordinário Lixo Extraordinário.

No documento, Vik Muniz, um dos mais respeitados artistas plásticos contemporâneos (foi ele quem fez a abertura de Passione), nascido em São Paulo e radicado nos EUA, desenvolve um projeto que visa englobar arte com ação social, vindo ao Brasil, mas especificamente em Duque de Caxias, criar uma série de trabalhos artísticos a partir de material reciclável do maior lixão do país, o Jardim Gramacho. Envolvendo alguns dos catadores do aterro no projeto, sua intenção fica clara: expor ao mundo a beleza da arte através de algo completamente desprezado pela sociedade, o lixo.

Sem as câmeras, esse projeto por si só seria espetacular. Mas transformá-lo num filme teve um quê a mais, pois além das obras em si, Vik e a diretora Karen Harley apresentam ao mundo não só a matéria-prima ignorada, mas uma classe igualmente ou até mais desprezada do que seu lixo: os catadores de material reciclável que ao vivo parecem invisíveis aos nossos olhos.

Focando na história de 6 personagens-reais, acompanhamos o dia-a-dia desse povo que mesmo vivendo no nosso lixo encontram diariamente a felicidade e a boa convivência, sendo um verdadeiro exemplo a nós. Lá encontramos desde a anciã que faz questão de diariamente preparar a refeição de seus colegas, até um jovem e visionário líder (Tião) leitor de Nietzsche e Maquiavel (tanto a comida, quanto os livros encontrados no lixão), uma sociedade que sabendo de seu desprezo e miséria se uniu e a partir do isolamento social conseguiu se consolidar como uma classe representativa e que quer ser ouvida, prova disso o protesto bem humorado em frente a prefeitura da cidade.

E após sermos realmente tocados pela história de cada um, ficamos ainda mais impressionados com o modo como os insights para as obras Vik vão surgindo, e eu não poderia deixar de citar a reprodução da Morte de Marat com Tião posando de modelo. E a partir do momento que todas as fotos foram tiradas e seus próprios modelos vão ao estúdio de Vik reproduzi-las, usando o lixo que recolhem como matéria-prima, numa alegria radiante, é inevitável misturarmos a alegria em saber o quanto o artista estava certo sobre seus objetivos o tempo todo, e a tristeza de saber que por melhor que fosse, aquele sonho uma hora iria acabar e todos retomariam suas vidas repleta de dificuldades.

Mas, independente de tudo, as obras finalizadas são sensacionais (digitem Vik Muniz, Retratos do Lixo, no Google) e realmente impressiona ver aquele trabalho de formiguinha ser concluído. E pra mim especialmente teve dois momentos que marcaram mais: o choro de Tião emocionado com a venda de sua foto por quase cem mil reais num leilão e a alegria quase infantil de todos os 6 participantes do projeto ao verem suas fotos expostas num museu.

Se Lixo Extraordinário vai ganhar o Oscar prefiro nem arriscar o palpite, até porque a maioria dos filmes que concorrem sempre chegam ao Brasil depois do evento. Mas com ou sem prêmio, a lição que o documentário deixa é o quanto simplesmente ignoramos coisas que tem um papel importante em nossas vidas. E por ignorar estou me referindo ao lixo, mas sobretudo às pessoas.

O Turista

NOTA: 2

Quem nunca foi ao cinema ou a locadora para assistir a um filme só porque nele atuava seu ator/atriz favorito ou dirigido por um diretor de igual prestígio?
Pois é, foi exatamente o que eu fiz essa semana. Fui assistir a O Turista só porque era protagonizado pelo meu ator favorito, Johnny Depp, e fiquei surpreso...mas de modo bem negativo.

Em, O Turista, Elise (Angelina Jolie) é a mulher de Alexander Pearce, um bandido que aplicou um golpe bilionário num gangster e se foragiu. Procurado pela máfia russa e pela Scotland Yard, a polícia escocesa passa a vigiar todos os passos de Elise para tentar chegar a Pearce que havia mudado de rosto após uma cirurgia. Mas tudo muda quando ela pega Frank (Depp), um professor de matemática viúvo em viagem à Europa, como bode expiatório para que todos pensassem que ele era Alexander.

Com uma equipe sensacional atrás e à frente das câmeras, O Turista tinha tudo pra, senão um filme sensacional, no mínimo um ótimo entretenimento. Só para listar, no elenco estão Johnny Depp, Angelina Jolie e Paul Bettany; e seu diretor é Florian Henckel von Donnersmarck que simplesmente dirigiu um dos melhores filmes que vi na vida (A Vida dos Outros). Isso faria de O Turista aquele tipo de filme que achamos excelente antes mesmo de assistir, porém nesse caso é tudo uma grande armadilha.

O Turista é o filme de espionagem que menos se parece com o gênero. É frio, quase não há ação e a trama principal (encontrar Alexander Pearce) é facilmente descartada para enfocar apenas o improvável e sem graça romance de Frank e Elise.

Um filme com o nome que tem e nos lugares onde se passa (Veneza e Paris), o mínimo que se esperava era que seus maravilhosos cenários arquitetônicos e naturais estivessem presentes e envolvidos em toda a trama. Mas o uso de uma fotografia que a todo momento privilegiou apenas seus protagonistas com enquadramentos fechados, e não seu cenário, praticamente anulou a cenografia de um modo que a história poderia ter se passado em qualquer lugar sem nenhuma diferença.

E embora Jolie possua uma beleza inquestionável, usar a todo momento da miseé en scene de todos os homens babando pó ela onde quer que ela passe se torna um exercício infantil, cansativo e preguiçoso. E ela interpreta uma Elise tão imponente e segura de si que é impossível imaginar que ela realmente esteja preocupada em estar sendo perseguida.

E pra minha enorme decepção, Depp provou que tem uma séria limitação em interpretar personagens normais, ficando restrito as figuras exóticas memoráveis já vividas por ele (Jack Sparrow, Chapeleiro Maluco etc). Frank é extremamente caricato e sua atuação é minimalista. Parece até haver um certo desconforto em Depp ao interpretar alguém tão ‘normal’ como Frank. Acho que foi um erro em sua carreira aceitar esse papel, e com certeza tirou um pouco de seu prestígio.

ATENÇÃO: Vou revelar uma parte importante do filme abaixo. Se você ainda não o assistiu, sugiro que interrompa sua leitura aqui.

Após 20 minutos de filme, vi uma incoerência na cena do trem que me fez perguntar até agora: o que aconteceria com toda a história caso Elise decidisse se sentar ao lado de outra pessoa que não Frank?