quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Kill Bill - Volume 1 e 2



NOTA: 10


Mais uma semana que não consigo ir ao cinema, muita correria. Mas pra não ficar sem escrever mais uma vez, ao invés de fazer a crítica de algum filme que está em cartaz, nessa edição vou falar de uma saga que sou viciado e por um acaso vi novamente há alguns dias: KILL BILL.

E a escolha dela em especial não é só por mera afinidade, mas também por ser um ótimo exemplo de uma obra prima recente, um perfeito exercício de estilo de Quentin Tarantino que conseguiu transformar dois gêneros de classe B, westerns e samurais, num espetáculo único do cinema que somente um gênio como ele pode proporcionar.


Dividido em 2 partes (ou melhor, volumes), conhecemos a história de ???? (é isso mesmo, seu nome não é revelado, ela é conhecida apenas como A Noiva) uma antiga assassina que decidida a abandonar sua profissão e viver de modo simples no interior, é vítima de uma chacina praticada pelos seus antigos colegas no ensaio de seu casamento, grávida e prestes a dar a luz. Baleada na cabeça, ela fica em coma durante 4 anos até que acorda e inicia uma onda de vingança ao estilo samurai para punir todos os que mataram seu noivo, amigos e filha, perseguindo especialmente o líder do bando e seu antigo amante, Bill.

Por muitas razões Kill Bill é uma obra-prima: seu roteiro muito bem elaborado que prende a atenção do público desde seu início até o fim; o elenco extremamente profissional selecionado a dedo, além da direção de um verdadeiro gênio da sétima arte: Quentin Tarantino.

Por que seu roteiro é genial?

Por três motivos. O primeiro é que a trama nunca se esfria, tem um ritmo acelerado e sempre que o espectador está relaxando algo acontece e o obriga a grudar na tela novamente. O filme começa com uma chacina, poucos minutos depois há uma luta mortal entre A Noiva e Verneta Green e por aí vai até o fatídico encontro com Bill no final do Volume 2.


Segundo, ele consegue ser claro na construção e desenvolvimento da história mesmo não sendo essa linear com começo, meio e fim. Há o uso constante de flashbacks interrompendo sua continuidade, além disso repare que o Volume 1 começa pelo final, pois quando a Noiva estaciona sua caminhonete para executar sua “primeira” vítima (Verneta), o primeiro nome da sua lista negra já está riscado e é justamente quem veríamos ela enfrentar em seguida, O-Ren Shi. E terceiro, a súbita mudança de um ambiente completamente enraizado na cultura oriental, com toda a beleza e filosofia samurai no Volume 1, para um ambiente de velho oeste apático e sem vida no Volume 2. Uma mudança súbita, porém sutil.


Por que a direção é genial?

Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios, A Prova de Morte) é um aficionado por filmes de samurais, bang-bang e quadrinhos, e ele consegue de forma magistral transportar essas três paixões para dentro do universo de Kill Bill. Porém, a chance de cair numa armadilha misturando gêneros tão ignorados era enorme. Solução? Tarantino fez deixar claro logo de cara que tudo não passava de uma ficção, o que permitiu a ele abusos sem restrições. Enquanto no Volume 1 o foco é nos banhos de sangue e violência exagerada e surreal e da onipotência da protagonista, o Volume 2 é mais centrado em revelações importantes da trama como a aparência até então oculta de Bill, o nome da Noiva, Beatrix Kiddo, e uma importante descoberta sobre sua filha. É muito mais sério e centrado na disciplina, não só na contenção da violência e na onipotência da protagonista, que agora por mais de uma vez quase vê seus planos ruírem, mas também com longas cenas que mostram o treinamento rígido de Beatrix com Pai Mei, além de seu relacionamento íntimo com Bill, que tornavam ainda mais complexa sua vingança.

Por que as atuações são geniais?

Porque cada ator parece ter sido a escolha perfeita para seu papel. Beatrix precisava ao mesmo tempo ser bela e sedutora o suficiente para ser subestimada, mas mortal e inteligente o bastante para ser temida. Ninguém melhor que Uma Turman para vivê-la que sempre se alterna nesse tipo de papel, mas que aqui consegue fundir esses dois estilos de atuação.

Bill precisava ser um homem educado, gentil e sábio para ser admirado, mas extremamente frio, cruel e egocêntrico para amedrontar com suas palavras doces. Resultado? David Carradine na melhor atuação da sua vida, vivendo com seu Bill dois tipos de personagem que marcaram sua história: guerreiros e cowboys. E ainda há o privilégio de contar com uma excelente gama de atores que vão de Daryl Hana a Michael Madsen, com personagens no mínimo excêntricos.

KILL BILL é histórico e incansável de assistir. Aliás, tudo que Tarantino faz tem essa característica. Fazia tempo que queria fazer esse review porque filme é algo eterno e que não tem idade e mesmo completando quase 10 anos de seu lançamento, essa saga ainda continua atual e um ícone a ser seguido. E se preparem, pois em 2014 ele prometeu Kill Bill Volume 3.







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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Planeta dos Macacos - A Origem



NOTA: 9


Desde o ano passado vem se tornando uma tendência o relançamento de sagas famosas ao invés de prolongá-las com mais seqüências cansativas e sem criatividade (como foi com Piratas do Caribe 4). E essa atitude vem colhendo bons frutos, dando a oportunidade de corrigir eventuais erros de seus filmes antecessores, adaptá-los à tecnologia atual, aprofundar o conhecimento sobre sua história e até mesmo mudar o desfecho do que já havíamos visto no passado. E Planeta dos Macacos - A Origem vem pra confirmar que essa é uma ótima abordagem para ser explorada, pois junto com X-Men – Primeira Classe, talvez seja o filme que proporciona as melhores discussões e reflexões ao sair da sessão de cinema nesse ano, apresentando nossa sociedade que na sede de evoluir cada vez mais, acabou encontrando sua extinção.

Em Planeta dos Macacos – A Origem, James Franco interpreta um neurocientista que desenvolveu um vírus para combater o mal de Alzheimer. Sua invenção é testada em macacos que desenvolviam uma inteligência acima do normal. Após um acidente em seu laboratório, todas as suas cobaias morrem à exceção de um chimpanzé, César, que possui praticamente todas as habilidades humanas, a ponto de acreditar ser um. Tomando conhecimento de que é um ser diferente e alimentando um sentimento de completa decepção e desprezo com a raça humana, César reúne outros macacos e decide formar sua própria civilização.



O roteiro, assinado pela dupla Rick Jaffa e Amanda Silver, se alterna entre momentos brilhantes e outros nada criativos e em alguns casos desnecessários. A namorada de James Franco, por exemplo, não tem qualquer função na história. E soa no mínimo ridículo ela se revoltar em descobrir que César possuía todas as suas habilidades em função de um vírus, sendo que era evidente que ele não poderia ter nascido assim. Além disso, acho condenável essa fórmula clichê onde o Homem se condena pela sua ambição de evoluir quebrando paradigmas, como se isso fosse algo prejudicial, quando na verdade esse desejo insaciável de crescer foi o principal fator de termos nos tornado a espécie dominante da Terra.

Porém acerta em cheio na comparação que faz entre as duas espécies, homens e macacos, e sua evidente troca de papéis no longa. Enquanto os humanos desenvolvem um vírus com objetivos puramente comerciais ou torturam os animais apenas por tédio, os macacos aprendem pouco a pouco a se entender, se unir e se desenvolver em sociedade diante de sua condição de vítimas, criando um senso de “humanidade” tão elevado a ponto de César proibir seus iguais de matar qualquer pessoa, mesmo que estas estivessem os perseguindo, caçando e em alguns casos, matando. Seu objetivo era unicamente conviver em paz com seus pares. Ou seja, nós, de tão evoluídos nos tornamos cegos e fomos a razão de nossa decadência, e não os macacos apenas por terem ganho um pouco mais de inteligência.



Mas esse bom argumento do roteiro talvez não conseguisse imprimir o mesmo impacto no público se não fosse a competente direção de Rupert Wyatt que busca não deixar de modo algum visualmente latente a diferença entre homens e macacos, empregando em seu filme a mesma tecnologia em efeitos especiais utilizada em Avatar. César não é totalmente criado em computador, ele é interpretado por Andy Sarkis (o mesmo ator que viveu Gollum na trilogia Senhor dos Anéis) cuja aparência é transformada na do símio. E o exagero nas piruetas e malabarismos do protagonista dirigidas por Rupert podem até conter um certo excesso de vaidade, mas não dá pra negar que seu talento em fazer tudo aquilo parecer real e verossímil é sensacional. E esse mesmo cuidado com a perfeição pode ser estendida aos outros babuínos que embora em ora sejam animais de verdade, nos momentos de ação são todos digitais, com seu corpo e movimentos impecavelmente bem trabalhados pela equipe de computação gráfica.

Como um todo, Planeta dos Macacos – A Origem não chega a ser brilhante por conter uma série de pequenas falhas e elementos desnecessários, além de ficar ainda aquém de seus antecessores. Mas apenas pelo fato de reiniciar tão bem uma saga histórica e propor um bom exercício de reflexão sobre a condição humana, merece muito mérito. Sendo assim, prefiro ser otimista e criticar pouco dessa vez. Que venham mais relançamentos, o próximo é o Homem Aranha.

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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Rei Leão é relançado em 3D nos cinemas

Depois de Os Smurfs, mais um filme para as crianças grandes curtirem nos cinemas e matar as saudades de Simba, Timão, Pumba e seus amigos.

A Disney lançou nesta sexta nos cinemas de todo o mundo a versão remasterizada e em 3D desse que é um dos seus maiores clássicos (e o meu favorito).

Curtam o trailer e não percam porque é demais!!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Lanterna Verde



NOTA: 2


Confesso que desde que começou a se falar de Lanterna Verde duvidava que seria um bom filme. Não por algum aspecto especial, mas tão somente porque esse é um gênero que vem se tornando extremamente cansativo e, a exceção de O Homem de Ferro e Batman, não traz absolutamente nada de novo ao público, recorrendo quase sempre ao excesso de efeitos especiais para maquiar sua má qualidade. Mas ainda assim não esperava que Lanterna Verde conseguiria ser tão ruim assim, a ponto de superar Transformers 3 como um dos piores filmes do ano.

Em Lanterna Verde, Hal Jordan (Ryan Reynolds) é um piloto ousado e irresponsável da força aérea americana que recebe de um alienígena moribundo um poderoso anel verde que lhe confere poderes inimagináveis. Descobrindo outros guardiões com poderes semelhantes aos seus num planeta chamado Oa, Hal precisa se preparar para defender a Terra da ameaça de Pallanx, um monstro amarelo que se alimenta do medo e pretende destruir todo o universo, começando por nós.

A lista de problemas e defeitos de Lanterna Verde é enorme, mas aqui vou me concentrar em dois deles: o design de produção e o roteiro.

A concepção do planeta Oa, uma espécie de QG dos lanternas verdes, é de péssimo gosto. É escuro e possui um aspecto que gira entre o pré-histórico e o apocalíptico. E o mais curioso é que os guerreiros se gabam de serem mais inteligentes que os humanos, mas pelo menos nos quesitos arquitetura e bom gosto, ponto pra gente. Na verdade, chega a desanimar saber que a paz no universo depende daquele planeta que parece que já foi destruído há tempos. Além disso, outros elementos são inseridos sem nenhum propósito, como aquela espécie de bateria que Hal Jordan recebe junto com seu anel, que literalmente recarrega seus poderes. Eu ficava me perguntando: o que aconteceria se durante uma batalha a “bateria” do anel simplesmente acabasse? E os efeitos especiais são terríveis, de todas as vezes em que citei até hoje seu uso para disfarçar um mau filme, nunca o fato foi tão latente quanto aqui. Ruim em qualidade e imaginação. Inventar uma catapulta verde pra dar um contra ataque? Salvar um helicóptero da queda transformando-o num autorama?


Escrito pelo trio Greg Berlanti, Marc Guggenhein e Michael Green, o roteiro se mostra perdido e com uma séria dificuldade em criar uma trama realmente envolvente. É exposto um trauma de infância de Jordan relacionado à morte de seu pai num acidente aéreo, mas isso nada implica na história e por mais que se tente mostrar como isso o afeta, tal tentativa não funciona em nenhum momento. Até porque é um contra senso ficar traumatizado em ver o pai morrer num avião e se tornar um piloto quando adulto. Além disso, a falta de criatividade em criar uma boa trama é tão evidente que fazem com que o trio apele para algo até então inédito nesse gênero: o herói indo agradecer sua vítima por tê-la salvo. Ahn? É isso mesmo, o Lanterna Verde vai à casa de sua amada, Carol (Blake Liverly), para agradecer por tê-la salvo, apenas para fazer uma ponte para aproximar o casal, numa cena que termina numa briga confusa e sem propósito.

O único ponto forte de Lanterna Verde (e o que garantiu seus 2 pontos na nota) é a boa atuação de Ryan Reynolds no papel do herói. Uma escolha muito bem acertada, pois ele consegue sempre em seus trabalhos dosar muito bem os momentos de seriedade e humor de seus personagens. Assim como Tony Stark em O Homem de Ferro, seu Hal Jordan ao mesmo tempo em que mostra estar apto para assumir tamanha responsabilidade que seus poderes lhe conferem, imprime com ótimo humor e até com certo carisma seus pontos fracos, como a ousadia inconseqüente às vezes e sua queda pela ex-namorada.


Diferente dele, Peter Sarsgaard, um excelente ator, decepciona com um Hector Hammond que não exerce praticamente nenhuma função na história. E se por um lado, o trabalho de maquiagem feito nele é espetacular, por outro nunca fica claro se sua maldade é conseqüência de seus problemas pessoais – a indiferença do pai, a recusa de Carol – ou se é proveniente de um tímido desejo de poder e pessimismo em relação a humanidade.

Finalizando, o bom de Lanterna Verde é servir de exemplo de como o gênero herói precisa ser repensado, pois em 10 anos foi extremamente explorado, porém pouco inovado. Façamos as contas: 3 Homem Aranha, 3 Transformers, 2 Batman, 2 Hulk, 2 Homem de Ferro, Thor, Capitão América, Demolidor, Elektra, Wolverine, Motoqueiro Fantasma e por aí vai. Nesses 18 títulos tentem encontrar alguma diferença realmente relevante entre eles. A exceção dos uniformes dos personagens e de Batman e Homem Ferro, duvido que encontrarão alguma coisa. Chegou a hora de mudar!

IMPORTANTE: Há uma cena após os créditos que revelam uma provável continuação ao longa.

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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Smurfs



NOTA: 8


As vezes ser crítico é uma tarefa não muito grata, porque não podemos deixar nossas emoções falar mais alto e devemos analisar um filme sempre de um modo frio. Isso é ruim quando gostamos do que vemos, mas temos que falar mal. Já aconteceu comigo diversas vezes, mas nunca me chateou tanto quanto agora com Smurfs que gostei muito, muito mesmo - um misto de satisfação e nostalgia - mas nem por isso posso deixar de apontar seus pontos negativos que são poucos, mas existem e me impediram de dar um 10 ao longa.

Numa pequena vila medieval escondida no meio da floresta, vivem em casas em forma de cogumelos os Smurfs, criaturinhas azuis do tamanho de três maçãs que vivem em perfeita paz e harmonia, governados pelo sábio e generoso Papai Smurf. Mais longe, na mesma floresta vivem o gato Cruel e o bruxo Gargamel, que tenta de todas as maneiras capturar os Smurfs para utilizá-los numa poção que lhe daria poderes absolutos. Numa de suas tentativas de capturá-los, um portal para a Terra se abre e Papai Smurf e mais cinco de seus filhos (Desastrado, Arrojado, Gênio, Ranzinza e Smurfette) vem parar no nosso mundo e enquanto buscam um modo de voltar pra casa também tem que fugir de Gargamel que nem nesse novo local desistiu de pegá-los.

Vou falar rápido do que achei negativo pra ir logo pro que é interessante.

O mais incômodo foi ver um ótimo e envolvente roteiro no primeiro ato, que basicamente se passava na vila dos Smurfs, se tornar óbvio e nada criativo quando eles chegam a Nova Iorque. Assim que chegam lá eles conhecem um publicitário que é o típico cara bondoso que sofre a pressão de uma chefe exploradora e egoísta. E fica mais óbvio ainda quando no seu ceticismo na criação de uma campanha para um cosmético ele é iluminado por um conselho do Papai Smurf que aposto que você “nunca” viu no cinema: “Você não deve pensar com a cabeça, mas sim com o coração.” É um conselho revolucionário que eu apenas vi em todos os filmes que já passaram na Sessão da Tarde até hoje. Obrigado Papai Smurf, você mudou minha vida.


A parte chata acabou, vamos falar do que é bom. E o que é muito bom e não pode ser deixado de falar são os efeitos especiais que conseguiram reproduzir de forma tão fiel os Smurfs com seu desenho. Me refiro não só ao aspecto físico, como também nos trejeitos de cada um. Além disso seu 3D é ótimo, trabalhando em boa dosagem a profundidade de campo e objetos saindo da tela. Uma tempestade de folhas logo no início do filme parecia vir da poltrona de cada espectador.

Nesse tipo de filme é comum não serem feitas grandes contratações para o elenco. Afinal, para as crianças não faz muita diferença se o protagonista é o Brad Pitt ou o José da Silva. Isso acaba sendo ruim porque as atuações geralmente costumam ser muito fracas. E embora Smurfs também não conte com nenhuma celebridade, é impossível não tirar o chapéu para atuação impecável de Hank Azala como Gargamel, desde a minúcia nos detalhes na construção do personagem, até sua linguagem facial e corporal bem fiéis ao desenho. Achei ele o personagem mais engraçado, especialmente nos dois momentos em que se depara com a fumaça saindo de um bueiro e passa por elas magistralmente, por imaginar que aquilo era a entrada triunfal que todo bruxo merecia.

E eu nunca vi um filme infantil atrair tanta criança grande pro cinema. Na sessão que fui não havia ninguém com menos de 18 anos. É nessas horas que essa arte se mostra tão mágica, permitindo até mesmo que adultos resgatem, mesmo que só por duas horas, as alegrias e os bons momentos da infância. Só por essa razão, Smurf já merece aplauso. Vi e estou louco pra ver de novo. O Ranzinza não quer ver porque ele odeia cinema, os Smurfs, eu, você e tudo o mais.

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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Charlie Chaplin ensina a fazer a barba

Cena memorável de O Grande Ditador onde Chaplin, ou melhor, Carlitos, faz a barba de um cliente ao som da Dança Húngara nº5 de Brahms.

Vejam o quão impecável ficou a sincronia da música com a performance do ator. Coisa de gênio.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sai primeiro trailer de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge


Caiu na rede ontem o primeiro trailer do terceiro filme da nova série do Batman.

O trailer é dublado e embora não muito extenso, nos permite ter uma boa idéia do caos que se instaurou em Gotham City após o exílio auto imposto pelo homem morcego no final do segundo filme.

Nele vemos o agente Gordon com a saúde bastante debilitada numa maca de hospoital implorando o retorno do herói à ativa.


Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge será lançado em julho de 2012 e traz novamente Cristopher Nolan na direção e Christian Bale vivendo o herói.

Thor



Nota: 6


Eu nunca li qualquer quadrinho sobre o herói Thor, na verdade o único contato que tive com o deus foi em livros sobre mitologia nórdica. Digo isso, porque talvez fique um pouco travado para escrever sobre o filme, sem saber exatamente o que de fato tinha a ver com os quadrinhos e o que foi inventado.

E também sempre quando eu assisto uma adaptação e comento com alguém minha opinião, me deparo com a mesma conversa: "É que você não leu o livro (quadrinho no caso), porque o livro é bem melhor." Acho esse um dos argumentos mais sem fundamento para defender uma idéia. Primeiro porque independente da qualidade de um livro, um filme tem que valer por si só e não depender de outros meios pra se fazer entender. Segundo porque no mínimo a essência da história é preservada, e se até nisso um filme é ruim, é porque talvez o problema se extenda ao livro (caso de toda a saga Crepúsculo).

Mas voltando ao assunto...Em Thor, o deus do trovão que habita o mundo de Aasgard está prestes a assumir o reino do pai, Odin, quando numa artimanha de seu irmão Loki, desobedece uma ordem real e como castigo é banido para a Terra, deixando o caminho livre para o irmão assumir o poder.

O problema de Thor não é o filme como um todo, mas sim alguns elementos que o tornam entediante e sobre alguns aspectos beirando ao ridículo.

A começar pelo seu design de produção que cria uma Aasgard que até dói a vista de tão dourada, onde só faltam os habitantes serem feitos de ouro. Soa irreal até mesmo para um mundo de fantasia, sua concepção é brega e de um mal gosto sem par.

Outra coisa que deixa muito a desejar (e com a tecnologia de hoje é um erro grave) são seus efeitos especiais totalmente amadores. E isso é facilmente notado logo de início na cena em que Thor e seus amigos fogem de uma fera num mundo de gelo ou quando já na terra enfrentam o monstro Destruidor, que diga-se de passagem é idêntico ao robô de O Dia Em que a Terra Parou.

E há o desapontamento de haver apenas duas cenas de ação num longa que devia sua existência basicamente a isso. Ainda assim, nas duas a sensação do combate nos é tirada com enquadramentos bastante fechados e cortes constantes.



Mas nem tudo é tristeza. As atuações de um modo geral foram boas, e surpreendeu muito o protagonista na concepção de Thor que embora valente e até um pouco arrogante, não deixa de mostrar um bom coração. E claro, Natalie Portman que está sempre bem, embora seja difícil ela superar sua atuação em Cisne Negro. E gostei muito de Anthony Hopkins que criou um Odin bem ao perfil do rei sábio, porém com uma simplicidade e rapidez de raciocínio que pouco se vê nesse tipo de personagem, a ver pela cena onde o castelo é invadido e num desejo de retaliação de Thor, ele com poucas palavras (poucas mesmo) resolve toda a questão.

Independente de ter ou não sido igual aos quadrinhos, Thor acaba cumprindo sua função como um bom filme de entretenimento e nada mais do que isso. E como foram deixadas pontas para continuações, é aguardar para ver se o que vem pela frente corrigirá as falhas deste primeiro.

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Capitão América - O Primeiro Vingador



NOTA: 4

Eis que finalmente chega às telas o último filme baseado nos quadrinhos da Marvel (que dentre outros teve Homem de Ferro, Hulk e Thor) antes que o audacioso projeto Os Vingadores – que pretende reunir todos eles num único filme – se concretize em 2012. Porém, embora com toda essa audácia reforçada com um ótimo planejamento de marketing é muito difícil imaginar sua grandiosidade, tendo em vista que de todos esses filmes introdutórios, apenas O Homem de Ferro possa ser considerado bom, muito mais em virtude de seu protagonista Tony Stark (vivido brilhantemente por Robert Downey Jr) do que por qualquer outro aspecto técnico. E Capitão América, o último episódio dessa extensa introdução veio pra reforçar ainda mais essa dúvida. Saí da sala achando de todos os projetos da Marvel no cinema aquele era sem dúvida o pior. Mas daí me lembraram que fizeram Hulk 1 e 2.

Num EUA em plena 2ª Guerra Mundial, Steve Rogers (Chris Evans) é um americano magricela e fraco, mas que mesmo assim não se deixa intimidar pela sua fragilidade e não corre de nenhum perigo. Rejeitado diversas vezes pelo alistamento do exército americano, ele finalmente chama a atenção do cientista militar Dr. Erskine (Stanley Tucci) que o convida para participar de um experimento que potencializaria todas as células de seu corpo, em especial as musculares, através da injeção de um composto químico (alguma relação com anabolizantes?!). Agora o fortão Steve, ou melhor, Capitão América, precisa deter o Caveira Vermelha (Hugo Weaving), um general nazista que pretende dominar o mundo e que sofreu a mesma experiência que seu algoz, embora no seu caso ela não tenha sido tão bem sucedida.

Com um dos piores roteiros que já vi, assinado pela dupla Stephen McFeely e Cristopher Marcus, a história é carregada de elementos dramáticos fraquíssimos, com diálogos ruins, uma frieza nas emoções e a tentativa frustrada de formar um par romântico. Quando Dr. Erskine pergunta a Steve se este estava pronto pra matar nazistas, ele simplesmente responde: “Não quero machucar ninguém.” E se alista mesmo assim. Ora, pra que a insistência em se alistar no exército então? E quando o mundo está prestes a acabar e você só tem uma chance de salvá-lo, o que faz? Bom, o Capitão América preferiu fazer uma pausa para dar um beijo em Peggy, “tudo a ver”. Além disso, há a cena dele fazendo um show patético e constrangedor para arrecadar fundos, feita apenas para render alguns minutos a mais de filme sem acrescentar nada no seu desenvolvimento.

A direção de Joe Johson também é ineficaz, com uma edição que tira quase toda a ação, com sucessivos cortes rápidos e um enquadramento fechado que dificultava a visão dos personagens. Há também questões que ficam sem conclusão. No início, Caveira Vermelha parecia bastante preocupado em saber que havia alguém como ele, daí a determinação em querer eliminá-lo. Mas parece que ele simplesmente abandona o projeto, sem nenhum motivo aparente. Talvez porque ele não tenha notado nenhuma ameaça no herói, uma vez que esse dependia de um exército enorme pra agir.

Mas nem tudo são espinhos! Os efeitos especiais são ótimos, em especial aquele em que coloca Chris Evans num corpo franzino, a mesma tecnologia utilizada em O Curioso Caso de Benjamin Button com Brad Pitt. Os figurinos também estão impecáveis, em especial do Capitão América. Por fim, temos a oportunidade de ver todas as histórias dos filmes anteriores irem se ligando e ficando mais coerentes. Por exemplo, aquela célula de energia que Tony Stark utiliza no peito na verdade vem do planeta de Thor e foi capturada pelo pai dele, Howard Stark, que tem uma importante participação nas proezas do Capitão América.

O saldo positivo de Capitão América é justamente esse fato de amarrar todos os outros filmes no mesmo contexto, já deixando o espectador preparado para Os Vingadores, abrindo mão da necessidade de explicações cansativas e chatas. Agora é esperar até ano que vem pra ver o resultado dessa empreitada e ser otimista. Pois vamos precisar.

IMPORTANTE: Fiquem nos cinemas até o fim dos créditos. Tem um vídeo surpresa interessante.


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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Harry Potter e As Relíquias da Morte - Parte 2


NOTA: 8


Em 2001 eu era apenas um colegial que jamais pensava em um dia se dedicar ao cinema. Na época haviam duas sagas que eram sensação e que também geravam rivalidades: Harry Potter e Senhor dos Anéis. Assim como no futebol, os adeptos de uma defendiam sua superioridade e se empenhavam em denegrir sua concorrente. Eu era fã de Senhor dos Anéis e era uma dessas pessoas. Tanto que fui ao cinema assistir ao primeiro Harry Potter com total desinteresse, apenas buscando um entretenimento barato. Me surpreendi no primeiro filme, mas meu orgulho me dizia – com razão - que O Senhor dos Anéis seria melhor. No ano seguinte, nova surpresa e assim também foi em 2003.




O problema é que a partir de 2004 não tinha mais Senhor dos Anéis e não havia nada para me ancorar. Resultado? Assim como milhões de pessoas no mundo, me rendi às graças das aventuras do jovem bruxo e seus amigos em Hogwarts.

E o motivo dessa introdução é mostrar como 10 anos e 7 filmes depois essa saga esteve tão presente e cresceu junto com tantas pessoas, e realizou um feito que acredito que não será mais visto: em todo esse tempo, com todos esses filmes manterem um alto padrão de qualidade e uma total entrega e devoção de sua equipe, principalmente de seu elenco que só teve uma mudança em função da morte de um dos atores. Evidente que nem todos os episódios foram perfeitos, mas é impossível dizer que algum deles foi ruim.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 2 tem início exatamente no ponto em que sua primeira parte encerrou, ou seja, quando Voldemort rouba a varinha mágica do túmulo de Dumbledore, acertado em não inserir introduções desnecessárias. Agora, todas as pontas que ficaram soltas ao longo de 10 anos finalmente são amarradas: segredos são revelados e o destino de Harry e seu algoz Voldemort finalmente tem seu desfecho.



Porém, essa segunda parte serviu para deixar claro o quanto foi desnecessária e até prejudicial quebrar As Relíquias da Morte em duas partes. Enquanto na primeira (leia a crítica aqui) havia uma boa dosagem de ritmo no desenrolar da história, não sendo excessivamente eufórica ou monótona, a segunda parte é extremamente corrida pra que tudo seja esclarecido em duas horas. Era perfeitamente plausível fazer um único filme mais longo e manter uma uniformidade.

E essa mudança não se limita apenas ao ritmo. As atuações se tornam mais frias e os coadjuvantes acabam por chamar mais a atenção que seus protagonistas, em especial Severo Snape (Alan Rickman) que na trama revela o porquê de todas as ambigüidades de suas ações e encerra sua participação se mostrando o personagem mais intrigante e interessante de toda a saga. E o trio principal, Harry (Daniel Redclif), Hermione (Emma Stone) e Ron (Rupert Grint) que inquestionavelmente evoluíram muito em suas atuações ao longo dos anos, ficam muito aquém do filme antecessor, onde foram brilhantes.

E mesmo com o tão esperado confronto Harry x Voldemort ser decepcionante em função de sua brevidade, o filme no geral é bom. O diretor David Yattes conseguiu trazer pra realidade um universo tão fantasioso como o da magia, algo que parecia impossível. Não tem como distinguir a guerra final entre os alunos de Hogwarts e os seguidores de Voldemort de qualquer outro confronto do mundo real que se vê nos cinemas, e é igualmente acertada a carga de dor e de perda que ele impõe, deixando mais do que claro que aquele mundo evoluiu e não é mais aquela surpresa e fantasia de A Pedra Filosofal, evolução essa que Yattes também evidencia na fotografia que no último episódio é praticamente inteira em tons de cinza, mostrando a opressão e tristeza em que Hogwarts mergulhou em comparação àquela sobrecarregada de cores distintas e vivas do primeiro episódio em que a escola de magia vivia um momento de alegria e prosperidade.

Mas, independente de um tropeço ou outro e no erro em dividir em dois o filme, Harry Potter e as Relíquias da Morte 2 encerra a saga mantendo a excelente qualidade de seus filmes mostrando o que sucesso não depende só de bilheteria mas sim da busca da perfeição e respeito ao público, além de deixar ótimas contribuições ao cinema, em especial nos efeitos especiais e técnicas de roteiro. Porém, ACABOU! O jeito agora é ver e rever os DVD’s e aproveitar a parte 2 no cinema dessa saga que assim como Senhor dos Anéis, virou referência e vai deixar saudades. Toma essa e aprende saga CREPÚSCULO!

 
 
Confira os trailers (legendados)


terça-feira, 12 de julho de 2011

Zumbilândia



NOTA: 9

Eu sempre detono nas minhas críticas filmes que parecem apenas seguir fórmulas e pouco se preocupar em trazer algo novo, como é o caso recente de Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles, que nada mais é do que uma versão idêntica de Independence Day ou Guerra dos Mundos. Mas há um sub gênero em especial em que me dou o direito de abrir uma exceção: filmes de zumbis.

Eu gosto de todos eles, pois por mais que possam haver muitas semelhanças em seus argumentos - basicamente a humanidade se torna zumbi após a contaminação por algum agente tóxico ou epidemia - todos carregam consigo alguma crítica social em seus monstros. Desde nossa completa alienação representada na série Mortos Vivos à nossa total selvageria potencializada em Extermínio 1 e 2.

Mas Zumbilândia parece carregar alguns diferenciais sobre todos os seus antecessores. Primeiramente, transformar um tipo de filme geralmente classificado como terror numa ótima mistura entre comédia e aventura. Não, não há o que temer, você não vai perder o sono após assistir Zumbilândia. O segundo fator é a ausência de foco no problema "zumbi" e um direcionamento do roteiro para a história do convívio e laços desenvolvidos pelos seus 4 sobreviventes. Tanto que a razão da epidemia é rapidamente contada para que se dê sequencia e foco à história dos quatro. E por fim, uma mega produção pra um subgênero que costuma contar com orçamentos modestos, o que permitiu um excelente trabalho de produção, efeitos especiais e a contratação de ótimos atores.

Sem mais delongas, em Zumbilândia, a Terra foi completamente tomada por zumbis após uma epidemia proveniente de um hambúrguer. Columbus (Jesse Eisenberg) é um dos únicos sobreviventes, é só conseguiu o feito por já na sua rotina anterior ao desastre viver numa completa reclusão social, além de ser tão medroso que desenvolveu um manual de regras que evitavam que ele fosse morto. Em sua jornada pra chegar a sua cidade natal ele descobre outro sobrevivente, Tallahassee (Woody Harrison), o típico cowboy durão que descobriu em matar zumbis seu maior talento. Juntos, eles seguem viagem para o leste até encontrarem no caminho as belíssimas irmãs Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abygail Breslin) que após um relacionamento inicial bastante conturbado, constroem uma amizade muito grande com a dupla e o então formado quarteto tenta sobreviver num mundo onde eles, pelas circunstâncias, se tornaram os invasores.

Filme de estréia de Ruben Fleischer, o diretor já se mostra ótimo logo nos créditos iniciais, que mostram a propagação da epidemia em slow motion e numa inteligente interação entre as pessoas e as legendas do staff. Além disso, o recurso que utiliza em colocar na tela as legendas das regras de Columbus sempre que elas são praticadas, consegue além de entreter, ajudar o espectador a se afastar daquele universo desolador e firmar a história contada como apenas uma ficção. E ele enfatiza esse distanciamento aplicando elementos ainda mais cômicos ao longa como o prêmio para A Morte de Zumbi da Semana.

Porém, peca em apresentar alguns flashbacks desnecessários, em especial aos referentes a Tallahassee e as duas irmãs. No mais, é muito eficaz na dosagem entre humor e ação e ainda mais feliz quando combina as duas coisas. Em duas cenas essa mistura é impecável: naquela onde Tallahassee entra com um banjo num mercado chamando os zumbis pra briga e no terceiro ato, onde o mesmo personagem extermina dezena de monstros enquanto se diverte num parque de diversões.

Aliás, esse personagem é o principal elemento cômico de Zumbilândia. "Minha mãe sempre disse que eu seria bom em alguma coisa. Mas nunca imaginei que seria matando zumbis." diz ele e faz a frase valer, especialmente no sadismo e na criatividade que encontra pra eliminar os seres. E é curioso ver uma típica caricatura do personagem valentão ter uma fraqueza no mínimo curiosa: seu desesperado anseio por conseguir um Twinkee (bolinho recheado com creme) antes que sua validade expire. Parece ser essa sua única motivação em permanecer vivo naquele mundo.

E Columbus (Jesse Eisenberg) é engraçado só pela sua própria composição, sempre medroso e excessivamente cauteloso, sendo piada até mesmo depois do mundo ter acabado. É impossível não achar graça do seu cuidado ao dobrar um papel higiênico antes do uso, ou o seu desejo ardente em passar o cabelo de uma mulher para trás de sua orelha, que é o mais perto do sexo que ele já chegou. E há uma ironia do destino em uma das falas de Eisenberg, onde ele elogia o fim do mundo por não ter mais que ver posts chatos no Facebook, mal sabendo que um ano depois protagonizaria exatamente o criador do site em A Rede Social.

Embora não tão brilhantes, Emma Stone e Abygail Breslin vivem duas irmãs golpistas interessantes, especialmente na facilidade com que conseguem passar sempre pra trás Columbus e Tallahassee. E não tem como deixar de falar da pequena ponta de Bill Murray (interpretando a si mesmo) e seu desfecho tragicômico. Embora desnecessária para o andamento da história, não dá pra negar que são alguns minutos em que o riso é garantido.

Seja pelo roteiro que foge um pouco do trivial, seja pela direção competente de Ruben Flescher que consegue transformar terror em comédia ou pela perfeita química entre os atores, Zumbilândia é um daqueles filmes que não vão acrescentar muita coisa na vida de ninguém, mas com certeza vai arrancar boas risadas de quem assisti, o que é seu principal propósito.


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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Transformers 3 - O Lado Oculto da Lua



NOTA: 4

Sem qualquer sombra de dúvida a franquia Transformers é um verdadeiro fenômeno. Prova disso é que o Transformers 3 teve nesse último final de semana a terceira maior arrecadação da história numa estréia (US$ 372 milhões). Difícil é entender como uma trilogia tão ruim que piora um pouco mais a cada lançamento consiga alcançar tamanho sucesso. E essa cifra do final de semana surpreende pela falta de um mínimo de senso crítico do público, pois Transformers é isento de conteúdo, sendo um daqueles filmes que você desliga o cérebro pra assistir.


Em Transformers 3: O Lado Escuro da Lua, os Autobots, liderados por Optimus Prime, descobrem que os humanos lhes esconderam algo ocorrido no lado oculto da Lua a décadas. Trata-se da queda de uma espaçonave vinda de Cyberton, comandada por Sentinel Prime, que desencadeou a corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética na década de 60. Os Autobots resolvem ir à Lua para resgatar o antigo líder, além das cápsulas que ainda estão no local e que quando acionadas podem teletransportar qualquer coisa de qualquer lugar. Paralelamente, Sam (Shia LaBeouf) vive com sua nova namorada, Carly (Rosie Huntington-Whiteley), e está à procura de emprego. Ele sente-se diminuído, já que salvou o planeta duas vezes, mas nada disto parece ajudá-lo a se estabelecer no mercado de trabalho. Pouco depois de enfim conseguir um trabalho, ele descobre uma série de assassinatos de antigos membros da NASA cometidos pelos Decepticons e se vê novamente inserido na missão de salvar o mundo junto aos Autobots antes que seus inimigos consigam reunir todas as cápsulas e assim destruir a Terra.




Mais uma vez dirigido por Michael Bay (Armagedoon, A Rocha), o diretor novamente busca esconder sua incompetência e falta de talento se ancorando em aspectos como uma edição rápida que dificulta a construção da linearidade nas cenas e um exagero no uso de efeitos especiais. Além disso, ele deixa ao longo do filme pontas soltas das quais não há a menor preocupação em resolvê-las de modo plausível, em especial em relação aos robôs de ambos os lados, onde personagens antigos são removidos e novos são inseridos sem nem sabermos quando ou porquê.

O roteiro é assinado por Erhren Kruger (A Chave Mestra, Irmãos Grimm) e traz uma história pobre e confusa que cai em contradição e sub-tramas completamente desnecessárias. Se os Decepticons sempre souberam da existência das cápsulas e da nave perdida na Lua, por que não recorreram a este recurso antes ao invés de esperar serem derrotados duas vezes? E qual o propósito dos Autobots simularem sua partida para retornarem assim que os Decepticons tomassem tudo? Ainda nessa cena Optimus diz “Os humanos precisavam descobrir que os Decepticons não manteriam sua palavra para retornarmos.” Ah ok, então enquanto ninguém se dá conta disso, eles vão deixando os inimigos dominarem tudo?! É isso o que heróis fazem? E ainda por cima os personagens simplesmente desaparecem sem nenhum motivo. Onde estava Optimus quando Sentinel Prime se revela um traidor?

Um diretor ruim, somado a um roteirista ruim só podiam resultar num filme ruim. Mas sobre um aspecto Transformers 3 é muito melhor que seus antecessores e muitos outros filmes de heróis, pois finalmente alguém teve a idéia de reproduzir a violência num tipo de filme como esse de modo plausível e não como naqueles onde um inimigo devasta um planeta e parece que ninguém se fere, num tipo de “violência bem comportada” pra não assustar o público. Agora, finalmente os humanos viram vítimas dos Decepticons que os matam a sangue frio. Os próprios Autobots se tornaram mais agressivos e sedentos de sangue (ou melhor, óleo diesel) e a luta final de Optimus contra Megatron e prova evidente disso.

E embora tenha se tornado uma versão piorada de Peter Parker, Shia LeBouf continua mostrando competência em seu papel de protagonista, mas é Francis McDormand (que interpreta uma agente do governo) quem se destaca, mesmo sendo totalmente secundária para a trama. E há a completa decepção de ver um excelente ator como John Malkovich mal aproveitado, com um personagem (o chefe de Sam) completamente ridículo e desprezível. E Rosie Huntington-Whiteley vem com sua Carly apenas para embelezar as telas e nada mais do que isso.




De forma geral Transformers 3 agrada por finalmente trazer cenas reais de ação, mas continua decepcionando por parecer simplesmente duvidar da inteligência de seu espectador que se avaliar pelo estouro em bilheterias não chega a ser uma dúvida tão latente assim, o que é uma pena, pois é isso que impulsiona os estúdios a fazerem filmes ruins e profissionais incompetentes como Michael Bay garantirem os seus milhões com esse tipo de projeto.

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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Carros 2



NOTA: 3


Quando ainda estava na metade de Carros 2 me perguntei: Por que hoje em dia parece ser obrigatório um bom filme ganhar uma seqüência? Por que não se contentar a um único filme bom a correr o risco de destrui-lo com uma continuação? Mas que ingenuidade a minha, a resposta é óbvia: dinheiro. Afinal, por melhor ou pior que seja, uma seqüência proporciona a chance de angariar mais fundos com bilheteria, venda de produtos e posteriormente DVD’s e afins. E esse motivo fez com que até mesmo o estúdio que fazia simplesmente os desenhos perfeitos sobre todos os aspectos – a Pixar – caísse em desgraça. Carros 2, diferente de seu antecessor, é chato, cansativo, óbvio e completamente sem foco.

Em Carros 2, um carro bilionário inventa um combustível a base de recursos naturais, o Allinol, e cria um torneio mundial afim de testá-lo. Relâmpago McQueen, Matte e seus companheiros decidem participar, mas uma quadrilha de criminosos liderados por um misterioso líder trabalha para sabotar o torneio e a eficácia desse novo combustível. Um agente secreto britânico e sua assistente estão na cola dos bandidos e confundem Matte, o velho guincho, com um agente disfarçado e o colocam na missão. Agora cabe a Matte salvar o torneio para ajudar seu amigo McQueen e desmembrar a quadrilha que tenta sabotá-lo.

Matte pra quem não lembra, é aquele guincho todo enferrujado com um forte sotaque caipira que garantia a maior parte do riso no primeiro Carros. Antes apenas um personagem secundário, nesse ele é transformado em protagonista, e esse é um dos grandes problemas do filme. Problema porque surge a obrigatoriedade de elaborar muito mais piadas e gags para o personagem que se mostram pouco criativas e perdem a graça rápido. Reparem que num espaço de 10 minutos - entre o momento em que deixa o óleo vazar num evento até quando ele encontra num banheiro o agente secreto americano – que o mesmo recurso é explorado pelo roteiro 3 vezes, onde a piada vem logo em seguida de uma dica dada por Matte. E chega um momento que a criatividade dos roteiristas expira e o único recurso que é explorado é seu sotaque, removendo toda sua graça pelo excesso. 

E esse não é o único problema: o filme simplesmente não tem foco. Conta com uma violência exacerbada - em especial na cena que um carro americano torturado e “morto” – e uma história complexa demais pra ser classificado como filme infantil, principalmente na cena em que Matte descobre num estalo quem é o misterioso chefe dos carros bandidos - outra falha de um roteiro pobre que precisa de uma epifania pra resolver sua incapacidade em ser coeso do início ao fim - além das razões que o levou a sabotar o combustível da competição. Também não dá pra dizer que é um filme adulto porque conta com uma série de tramas artificiais como a discussão ridícula e ginasial de McQueen e Matte que culmina na separação da dupla. Resumindo: Carros 2 tenta se aproximar de todos os públicos, mas consegue o oposto, não se aproximando de nenhum.

Mas nem tudo são espinhos. A Pixar continua impecável na composição artística de seus filmes. As locações elaboradas são idênticas as do mundo real. Duas que mais me chamaram a atenção foram a Itália, onde até o telhado das casas foi desenvolvido para conter o máximo de detalhamento e a cidade de Tókio que é engolida pela quantidade absurda de luzes de neon de placas publicitárias. Além disso, conseguir dar vida e, sobretudo, personalidades diferentes a objetos totalmente inanimados como carros é uma proeza digna de aplauso, possível de ser desenvolvido apenas pelo alto nível de exigência do estúdio em relação aos seus profissionais.

Contudo, a parte artística é praticamente o único trunfo do longa que decepciona muito em sua história e divertimento. Triste ver um estúdio tão perfeito como a Pixar, que à exceção de Toy Story, se negava a fazer seqüências se render ao elemento comercial e esquecer daquele que a tornou mágica e excepcional: o entretenimento inteligente e bem feito. C’est la vie.

 
  
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quinta-feira, 9 de junho de 2011

X-Men: Primeira Classe



NOTA: 10

Uma coisa que eu realmente gosto muito no cinema são os prólogos. É muito legal assistir aos filmes que mostram como tudo começou. Somado a isso, fascina mais um prólogo dos heróis mais interessantes dos quadrinhos – assim como Batman – os X-Men. Interessantes por dois aspectos: o primeiro deles é o fato de seu criador, o gênio Stan Lee, não se ancorar naquelas explicações óbvias e nem um pouco criativas para o seu surgimento. Não, os X-Men não ficaram expostos a energia radioativa ou foram criados pelo governo como arma. Eles apenas nasceram assim. Segundo, porque o grupo de heróis contém já nos quadrinhos uma dramaticidade em suas vidas extremamente tocantes e plausíveis, convivendo com o eterno dilema: Ajudar uma sociedade que constantemente os segrega e os persegue ou fazer uso de seus poderes para se sobrepor a essa mesma sociedade e criar uma nova civilização? E esse prólogo em especial trabalha impecavelmente bem com esses dois pontos, não deixando nenhuma interrogação na trama e mudando muito o modo como interpretar sua história dali em diante, especialmente para aqueles mutantes rebeldes da Irmandade, liderados por Magneto.


Em X-Men: Primeira Classe, Erik (futuramente, Magneto) é um jovem judeu que acidentalmente descobre num campo de concentração nazista seus poderes de manipular objetos metálicos. Despertando o interesse de um oficial alemão, Shaw, Erik é capturado e torturado por ele até que se descubra o que desperta seus poderes que aparentemente, é a raiva. Isso torna Erik um adulto amargurado, pessimista e com uma insaciável sede de vingança.

Na mesma época nos EUA, Charles Xavier é uma criança com poderes telepáticos que acredita ser a única assim em todo mundo. Isso até descobrir acidentalmente a existência de Mística, uma menina azul que tomava qualquer forma humana. Sua comoção em encontrar um par fez com que a adotasse e passasse a se dedicar aos estudos da mutação que acontecia a eles, buscando outras pessoas que sofriam da mesma alteração genética. Já adulto, ele e Magneto se encontram e são recrutados pela CIA para deter Shaw, que pretende causar uma guerra nuclear entre EUA e a União Soviética, usando como pano de fundo pra isso a instalação de mísseis nucleares em Cuba pelos russos durante a Guerra Fria. Montando uma equipe de mutantes, cabe a Xavier, Erik e seu time combaterem o vilão e impedir um desastre de proporções colossais.

Para aqueles que gostam de muita ação talvez se decepcionem com o filme. X-Men: Primeira Classe tem seu foco quase que completamente direcionado ao relacionamento entre os personagens, suas divergências sobre o mundo e seu desenvolvimento psicológico. Algo pouco comum em filmes de heróis, mas que de forma alguma o deprecia. Ao invés de encher de mutantes com os mais variados poderes, o roteiro economiza buscando apresentar apenas aqueles cujo poder seja essencial para a execução dessa ou daquela atividade. Com isso, também acaba entrando na discussão de um modelo de sociedade desenvolvido, onde todos são dependentes um dos outros, até mesmo mutantes poderosos como Magneto, Xavier e o próprio Shaw.

Outra coisa que também é poupada aqui são os efeitos especiais. São utilizados estritamente quando necessários e justamente por isso conferem uma plástica magnífica e não transformam o filme em mero entretenimento barato. Há duas cenas em especial que destaco: quando Erik mata alguns de seus algozes num bar argentino e uma das mais tensas do filme quando os mísseis das armadas russa e americana são literalmente “devolvidos” por Erik.

Mas mesmo com uma direção tão competente como essa de Matthew Vaughn, o destaque do longa é sem qualquer sombra de dúvida seu elenco que mesmo jovem faz um trabalho de extrema perfeição, em especial o trio de protagonistas: Kevin Bacon (Shaw), James McCavoy (Professor Xavier) e Michael Fassbender (Magneto). Bacon faz sua melhor atuação de muitos anos, com um Shaw completamente sarcástico, seguro de si e ciente dos grandes poderes que possui. E é curioso que ele tem como uma das características absorver energia pra se manter jovem,pois parece que Kevin Bacon na vida real simplesmente nunca envelhece. James McCavoy nos traz um Professor Xavier muito diferente do que estamos habituados. Embora sempre sério em relação ao emprego de seus poderes e ao ensinamento de outros mutantes, e mesmo tão jovem quanto seus colegas consiga transmitir impecavelmente seu sentimento paterno, também é mulherengo, brincalhão e curiosamente tem certa preocupação em ficar calvo, que ironia. É carregado de um sentimentalismo comovente, especialmente na cena em que ele utiliza pela primeira vez o Cérebro, onde ele fica radiante ao descobrir a quantidade enorme de pessoas como ele no mundo e também aquela cena em que mostra o trágico acidente que o colocou pra sempre numa cadeira de rodas. Porém, é Michael Fassbender quem mais se destaca. Primeiro porque ele vive um dos personagens mais complexos de toda a história, afinal é difícil julgar se Magneto é de fato um vilão ou uma vítima das circunstâncias. E como ele consegue sustentar impecavelmente bem essa angústia, além de ser notável a admiração e respeito que ele tem por Xavier, ainda que divergentes em suas idéias. E o bom é que o filme apresenta em detalhes como sua forma de interpretar a situação de sua raça em relação à humana e o desejo de se sobrepor, não por soberania, mas por enxergar nisso o único modo de sobreviver. E seu pessimismo se confirma na mesma cena dos mísseis citada acima onde logo após a CIA recorrer a eles para ajudarem a impedir os planos de Shaw, dá a ordem imediata para que seus navios os destruam.

X-Men: Primeira Classe é um filme que renderia páginas e mais páginas para comentar, pois não só é o melhor filme de toda a série, como o melhor do ano até agora. E melhor ainda é rever todos os outros longas do X-Men após esse, o entendimento fica melhor após ver como tudo começou.

OBS: Há uma aparição relâmpago bastante engraçada do Wolverine no filme.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Piratas do Caribe 4 - Navegando em Águas Profundas


NOTA – 4


Aventura, reviravoltas, jogo de gato e rato, personagens marcantes e um mistério a ser desvendado. Tudo isso sempre temperou todos os capítulos da saga Piratas do Caribe que, diga-se de passagem, ressuscitou os filmes de piratas. Porém, embora todos esses ingredientes tenham funcionando bem no início, aos poucos foram perdendo sua importância exatamente pelo seu uso em excesso e a pouca criatividade de roteiros que basicamente repetiam a história anterior. Na verdade, não fosse a figura de Jack Sparrow, talvez a saga nunca teria alcançado o sucesso que alcançou.

Em Piratas do Caribe 4 – Navegando em Águas Profundas, Jack reencontra um antigo amor, Angélica, que o captura e obriga-o a levá-la até a famosa Fonte da Juventude afim de salvar seu pai, o pirata mais destemido dos mares, Barba Negra, o capitão do barco A Vingança da Rainha Ana. Mas os três não estão sozinhos em sua busca: ingleses e espanhóis também procuram o local e não pretendem compartilhá-lo.

Embora a intenção do filme fosse reiniciar a saga, eliminando quase todos os personagens dos outros três episódios, só pela sinopse já fica claro que essa na verdade foi a única mudança que assistiremos, pois no mais a história em si permanece a mesma. Aliás, entre vários tropeços, o roteiro sem dúvida foi o pior deles.

Pobre, pouco criativo e com sérios problemas de amarrar sua trama, ele é claramente centrado na figura de Jack Sparrow, tornando todo o restante dos personagens e a própria história em meros objetos que giram ao seu entorno. Além disso, encontra tantas dificuldades em concluir sua trama e sub tramas que simplesmente as atiram na tela sem muita explicação. Ainda no primeiro ato, uma profecia patética e sem muito nexo de Angélica, que dizia que seu pai seria morto por um homem de uma única perna (ou seja, Barbossa), já deixa mais do que evidente o desfecho daquele personagem, tirando toda e qualquer graça do confronto entre Barbossa e Barba Negra. E Barba Negra, diferente do vilão Davy Jones dos últimos episódios, nos é apresentado apenas com as descrições exageradas dos personagens, não havendo qualquer interesse em introduzi-lo de forma que entendêssemos o por quê de tanto medo em relação a ele. Além disso, os espanhóis são os primeiros a tomar conhecimento da Fonte logo nos primeiros minutos de projeção para logo em seguida serem esquecidos por completo e simplesmente surgirem no terceiro ato já em bastante vantagem em relação aos ingleses e a Jack. E se o objetivo da Espanha era de fato aquele patético que alegaram (que não revelarei aqui) porque não destruir os cálices de Ponce de Léon logo que o obtiveram?

Por falar em relíquias, essas são outro elemento a parte de um roteiro fraco que precisa inventar em excesso para conseguir estender ao máximo a duração do filme. Os dois cálices e a lágrima de uma sereia necessários para o ritual que tornam possíveis ativar a Fonte tem como única função enrolar uma trama já bastante entediante e minar o poder do local que buscavam, uma vez que deixa claro que a Fonte da Juventude de nada vale sem tais itens.E indo mais além me questiono como quem fez os dois cálices já sabia de antemão o poder que teriam, sendo que até então ninguém teria sequer tomado conhecimento de tal Fonte justamente por precisarem deles para localizá-la. Mas isso é outra história.

E me surpreendeu que o mesmo diretor dos outros três filmes da série, Rob Marshal, tenha criado uma obra tão maçante, pecando até mesmo onde poderia ser interessante. A exceção da fuga de Jack logo no início, todas as sequencias de ação são carregadas de enquadramentos tão fechados que dificultam consideravelmente sua apreciação. Além disso, em 40 minutos de filme ele repete 4 vezes a mesma técnica de revelar o personagem através de sombras, capuz etc, sendo que pelo menos no caso de Jack já era mais do que previsível quem era o juiz que a câmera seguia.

Assim como os roteiristas, eu acabei me pregando uma peça e centrando a crítica também em Jack Sparrow. Mas é impossível não fazê-lo porque esse parece ter sido o personagem da vida de Johnny Depp. A mínima menção do nome do maior anti-herói das telas já é de agrado de todos e a concepção do personagem é impecável nos mínimos detalhes, desde suas mãos levantadas com zelo ao andar, ao jeito de falar entre dentes e os movimentos de avanço e recuo de sua cabeça. Para mim, Jack Sparrow é um dos melhores personagens concebidos em toda a história do cinema. Além disso, Geofrey Rush também rouba a cena com seu Barbarossa num esforço cômico e sobre humano em parecer que entrou nos eixos apenas para agradar seu rei e obter sua vingança. Penélope Cruz em cena é apenas um rosto bonito e nada mais, numa atuação fraca que facilmente teria sido levada por qualquer outra atriz de seu porte. E embora não consiga imaginar alguém melhor do que Ian McShane para interpretar Barba Negra, desapontou o modo apático como o ator o incorpora, pois em nenhum momento pareceu que ele fosse tão mal como o roteiro e todos os personagens defendem.

Por fim, não acredito que fazendo esses ou aqueles ajustes a franquia Piratas do Caribe volte a ser tão original ou tão boa quanto em 2001 quando foi lançada. Na verdade acho que a franquia deveria acabar enquanto ainda é inesquecível, pois é claro que nunca sairá do óbvio e pelo jeito explorará para sempre a figura de Jack Sparrow até ele virar piada velha. Melhor parar enquanto se está por cima, do que esperar a derrocada chegar. E parece que já está chegando, porque achava impossível que Piratas 4 fosse pior que seu antecessor e infelizmente me surpreendi.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Padre



NOTA: 8


Desde o primeiro Homem aranha em 2002 pra cá, a safra de filmes sobre super-heróis dos quadrinhos cresceu num número exorbitante, a ponto de virar um gênero a parte. E quase sempre deu muito certo, bem diferente das adaptações dos vídeo games que são sempre um desastre. Eu pouco leio quadrinhos, então constantemente sou surpreendido com o que vejo nas telas, e ontem foi um desses dias. Nunca me passou pela cabeça ver um onde o herói em questão é literalmente um padre treinado para matar pela própria igreja.

Em Padre, num futuro pós-apocalíptico onde a destruição fora causada pelo eterno conflito entre homens e vampiros (criaturas que o roteiro defende que sempre existiram, ao menos naquele mundo), a igreja católica se torna o único refúgio para a raça humana, criando fortalezas onde ela exerce poder absoluto sobre a população. Como os vampiros eram muito mais fortes e velozes que os humanos, parecendo impossível derrotá-los, a instituição treina uma equipe de guerreiros chamados padres que são os únicos que conseguem efetivamente derrotá-los. Por serem uma arma muito poderosa, após eliminarem os vampiros a igreja opta por destituí-los da função, ficando à margem de uma sociedade que agora tem medo de seus antigos salvadores. Mas quando tudo parecia pacificado, novos vampiros surgem e cabe a um ex-padre rebelde a missão de derrotá-los.

Dirigido pelo estreante Scott Stewart, a introdução da história logo no início é feita de um modo magistral, fazendo uso de um desenho em 2D carregado de violência, muito semelhante ao que Tarantino utiliza em Kill Bill Volume 1. Porém, é exatamente nesse acerto que Scott acaba caindo numa armadilha, pois o que se vê depois é um filme onde toda a violência denunciada no início é privada por causa da edição, deixando o espectador apenas com a sensação dos acontecimentos e não com eles de fato. Sempre que os vampiros vão atacar há um corte abrupto e também quando os primeiros padres enfrentam Black Hat, antagonista da trama.

Porém, embora Scott não tenha se saído tão bem nesse ponto de certa forma importante, no mais ele acerta e acerta bem. Ficou bastante interessante e na medida os slow motions adotados em algumas cenas de ação do Padre onde ele se movia e seus inimigos ficam praticamente estáticos, mostrando o quanto o herói era veloz em relação a todos. E o bom é que ele faz esse uso quando é estritamente necessário, ou seja, basicamente para apresentar a habilidade do personagem.

E ninguém melhor que Paul Betanny para viver o herói que embora não seja privilegiado por uma boa expressão corporal, carrega em seu rosto todo o drama sofrido por aquele personagem, sendo dotado de uma personalidade serena que muito surpreende quando deve agir. O mesmo não se pode dizer de Cam Gigandet, que interpreta um xerife Hicks totalmente apático e fora de lugar. Reparem como fica totalmente sem propósito a ameaça que ele faz ao Padre no alto de um penhasco antes do desfecho do filme. Daí você percebe o imenso contraste em um ótimo ator (Bettany) e um medíocre (Cam).

Mas o melhor de tudo é a fotografia e direção de arte em todos os seus aspectos: figurino, cenografia e afins. Seus cenários se intercalam entre a total desolação dos desertos que quase cegam de tão secos à completa escuridão das fortalezas católicas, muito semelhantes as cidades de Blade Runner. Quanto aos figurinos, destaco as capas dos Padres que os tornavam mais temíveis e imprevisíveis escondendo praticamente todo o corpo, excetuando parte do rosto. Na fotografia se faz a opção acertada por uma paleta de cores quase monocromática em todos os ambientes, representando a apatia, a destruição e a falta de perspectiva que aquele mundo representa.

Scott se felicita também em expor como uma sociedade se torna decadente quando se entrega a qualquer tipo de fanatismo religioso (e que fique claro aqui que não estou apontando a religião em questão, mas todas). Nada nem ninguém move um dedo sem a permissão do clero e enquanto a população claramente vive na miséria, os eclesiásticos vivem em completo luxo e conforto.

Por fim, embora deixando um pouco a desejar no quesito ação, Padre é muito eficiente em entreter especialmente devido ao seu design de produção excelente. Como ficou claro no final do filme, teremos uma sequencia em que acredito que as coisas melhorem. Por enquanto essa primeira versão serviu como um excelente prólogo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O Garoto de Liverpool



NOTA: 1


Na trama, Aaron Johnson interpreta o solitário adolescente John Lennon, que viria a compor a maior banda de todos os tempos, Os Beatles. O longa mostra sua juventude e os primeiros momentos como músico. Lennon é um adolescente solitário, abandonado pela mãe, Julia, e criado pela autoritária Tia Mimi. A música é seu único escape.

Lendo a sinopse até que parece ser um filme muito interessante. Afinal de contas Beatles é Beatles e qualquer coisa sobre eles com certeza chama a atenção (até mesmo Across the Universe). Mas acreditem: essa descrição, assim como muitas sinopses, é uma armadilha e quem vos escreve caiu nela.
E a razão de ser uma armadilha é muito simples: um roteiro mal escrito, atuações medíocres e uma direção completamente amadora fazem com que uma celebridade como foi John Lennon soe patética, imatura e repugnante.

A má qualidade de seu roteiro, escrito por Matt Greenhalg e Julia Baird, se deve ao fato de uma certa falta de foco. De início parece seguir uma linha óbvia e a qual esperávamos, ou seja, descobrir como um jovem pobre e comum viria a ser um dos maiores compositores da história. E essa proposta é muito bem trabalhada de início, principalmente na cena em que John vai parar na diretoria e seu diretor diz que do modo como vinha vivendo ia acabar parando em Lugar Nenhum e ele brilhantemente responde: “Ótimo. Todos os gênios são de Lugar Nenhum.”

Porém, logo após essa cena, a proposta da trama muda por completo e passamos a assistir a um drama familiar de um adolescente separado da mãe e em constante conflito com sua tia e tutora, sugerindo inclusive, de um modo já bem clichê, que se talvez não fosse tais acontecimentos John Lennon jamais se tornaria a personalidade que se tornou. Além disso, Paul McCartney é introduzido na história (aos 15 anos) apenas para realizar uma função de conselheiro particular de John, surgindo apenas em momentos de crise existencial de seu amigo, e tendo seu evidente talento completamente ofuscado em função disso.

Aliás, as atuações valem um comentário à parte. Poucas vezes vi um filme onde todas elas fossem tão ruins como nesse. Na verdade há apenas uma exceção que é Anne-Marie Duff que interpreta uma Julia (mãe de John) reprimida, confusa, mas cheia de vontade de viver e reparar seus erros, evidenciado inclusive num ótimo trabalho de figurino onde ela aparece o tempo todo vestindo cores quentes e muito vivas. Ademais, todas as interpretações são clichês, previsíveis e de péssimo gosto. Kristin Scott vive uma Tia Mimi com aquele típico perfil de mulher durona e sisuda que parece não se alegrar com nada, até mesmo com o sucesso aparente do sobrinho.

Mas o pior de tudo com certeza vem Aaron Johnson que interpretada um John Lennon arrogante, estúpido, inconstante e até mesmo demonstrando pouco talento que fazem o espectador ter a sensação evidente de que aquele não é o mesmo Lennon que conhecemos. Reparem como acontece de modo bastante artificial sua transformação de humor ao ouvir McCartney tocando banjo no velório da sua mãe, numa explosão de raiva que após um soco na cara do amigo, tem outra reação artificial vindo abraçá-lo.

Mais a “maior façanha” é sem dúvida a má direção de Sam Taylor-Wood que parece perdido em saber o que quer mostrar para contar sua história, jogando toda hora flashbacks da infância conturbada do protagonista, montadas de um modo sem nexo na tela e sonhos sem nenhum propósito (como na primeira cena em que vemos John sonhando que está correndo sozinho).

Além disso, pouco privilegia o que todos esperavam assistir, ou seja música. Há apenas dois números musicais bem rápidos, sendo um totalmente amador. Também é infeliz em seu objetivo em contar os dramas pessoais de seu personagem construindo uma relação entre ele e a tia que em certos momentos é muito difícil de compreender, especialmente na cena onde ele diz que quer montar uma banda e ela que parece imune a qualquer tipo de alegria, numa transformação abrupta compra seu primeiro violão como incentivo. Resumindo, Sam Taylor mais consegue fazer o espectador gostar menos de John Lennon e consequentemente dos Beatles do que aproximá-lo mais dele.

E toda essa sucessão de erros mostra o quão prejudicial é confiar tão importante obra a profissionais tão amadores, podendo sujar a imagem de alguém que com um intelecto a frente de seu tempo se tornou não só um gênio da música, mas também um dos maiores gênios da humanidade. Uma pena e um total desperdício!