terça-feira, 12 de julho de 2011

Zumbilândia



NOTA: 9

Eu sempre detono nas minhas críticas filmes que parecem apenas seguir fórmulas e pouco se preocupar em trazer algo novo, como é o caso recente de Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles, que nada mais é do que uma versão idêntica de Independence Day ou Guerra dos Mundos. Mas há um sub gênero em especial em que me dou o direito de abrir uma exceção: filmes de zumbis.

Eu gosto de todos eles, pois por mais que possam haver muitas semelhanças em seus argumentos - basicamente a humanidade se torna zumbi após a contaminação por algum agente tóxico ou epidemia - todos carregam consigo alguma crítica social em seus monstros. Desde nossa completa alienação representada na série Mortos Vivos à nossa total selvageria potencializada em Extermínio 1 e 2.

Mas Zumbilândia parece carregar alguns diferenciais sobre todos os seus antecessores. Primeiramente, transformar um tipo de filme geralmente classificado como terror numa ótima mistura entre comédia e aventura. Não, não há o que temer, você não vai perder o sono após assistir Zumbilândia. O segundo fator é a ausência de foco no problema "zumbi" e um direcionamento do roteiro para a história do convívio e laços desenvolvidos pelos seus 4 sobreviventes. Tanto que a razão da epidemia é rapidamente contada para que se dê sequencia e foco à história dos quatro. E por fim, uma mega produção pra um subgênero que costuma contar com orçamentos modestos, o que permitiu um excelente trabalho de produção, efeitos especiais e a contratação de ótimos atores.

Sem mais delongas, em Zumbilândia, a Terra foi completamente tomada por zumbis após uma epidemia proveniente de um hambúrguer. Columbus (Jesse Eisenberg) é um dos únicos sobreviventes, é só conseguiu o feito por já na sua rotina anterior ao desastre viver numa completa reclusão social, além de ser tão medroso que desenvolveu um manual de regras que evitavam que ele fosse morto. Em sua jornada pra chegar a sua cidade natal ele descobre outro sobrevivente, Tallahassee (Woody Harrison), o típico cowboy durão que descobriu em matar zumbis seu maior talento. Juntos, eles seguem viagem para o leste até encontrarem no caminho as belíssimas irmãs Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abygail Breslin) que após um relacionamento inicial bastante conturbado, constroem uma amizade muito grande com a dupla e o então formado quarteto tenta sobreviver num mundo onde eles, pelas circunstâncias, se tornaram os invasores.

Filme de estréia de Ruben Fleischer, o diretor já se mostra ótimo logo nos créditos iniciais, que mostram a propagação da epidemia em slow motion e numa inteligente interação entre as pessoas e as legendas do staff. Além disso, o recurso que utiliza em colocar na tela as legendas das regras de Columbus sempre que elas são praticadas, consegue além de entreter, ajudar o espectador a se afastar daquele universo desolador e firmar a história contada como apenas uma ficção. E ele enfatiza esse distanciamento aplicando elementos ainda mais cômicos ao longa como o prêmio para A Morte de Zumbi da Semana.

Porém, peca em apresentar alguns flashbacks desnecessários, em especial aos referentes a Tallahassee e as duas irmãs. No mais, é muito eficaz na dosagem entre humor e ação e ainda mais feliz quando combina as duas coisas. Em duas cenas essa mistura é impecável: naquela onde Tallahassee entra com um banjo num mercado chamando os zumbis pra briga e no terceiro ato, onde o mesmo personagem extermina dezena de monstros enquanto se diverte num parque de diversões.

Aliás, esse personagem é o principal elemento cômico de Zumbilândia. "Minha mãe sempre disse que eu seria bom em alguma coisa. Mas nunca imaginei que seria matando zumbis." diz ele e faz a frase valer, especialmente no sadismo e na criatividade que encontra pra eliminar os seres. E é curioso ver uma típica caricatura do personagem valentão ter uma fraqueza no mínimo curiosa: seu desesperado anseio por conseguir um Twinkee (bolinho recheado com creme) antes que sua validade expire. Parece ser essa sua única motivação em permanecer vivo naquele mundo.

E Columbus (Jesse Eisenberg) é engraçado só pela sua própria composição, sempre medroso e excessivamente cauteloso, sendo piada até mesmo depois do mundo ter acabado. É impossível não achar graça do seu cuidado ao dobrar um papel higiênico antes do uso, ou o seu desejo ardente em passar o cabelo de uma mulher para trás de sua orelha, que é o mais perto do sexo que ele já chegou. E há uma ironia do destino em uma das falas de Eisenberg, onde ele elogia o fim do mundo por não ter mais que ver posts chatos no Facebook, mal sabendo que um ano depois protagonizaria exatamente o criador do site em A Rede Social.

Embora não tão brilhantes, Emma Stone e Abygail Breslin vivem duas irmãs golpistas interessantes, especialmente na facilidade com que conseguem passar sempre pra trás Columbus e Tallahassee. E não tem como deixar de falar da pequena ponta de Bill Murray (interpretando a si mesmo) e seu desfecho tragicômico. Embora desnecessária para o andamento da história, não dá pra negar que são alguns minutos em que o riso é garantido.

Seja pelo roteiro que foge um pouco do trivial, seja pela direção competente de Ruben Flescher que consegue transformar terror em comédia ou pela perfeita química entre os atores, Zumbilândia é um daqueles filmes que não vão acrescentar muita coisa na vida de ninguém, mas com certeza vai arrancar boas risadas de quem assisti, o que é seu principal propósito.


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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Transformers 3 - O Lado Oculto da Lua



NOTA: 4

Sem qualquer sombra de dúvida a franquia Transformers é um verdadeiro fenômeno. Prova disso é que o Transformers 3 teve nesse último final de semana a terceira maior arrecadação da história numa estréia (US$ 372 milhões). Difícil é entender como uma trilogia tão ruim que piora um pouco mais a cada lançamento consiga alcançar tamanho sucesso. E essa cifra do final de semana surpreende pela falta de um mínimo de senso crítico do público, pois Transformers é isento de conteúdo, sendo um daqueles filmes que você desliga o cérebro pra assistir.


Em Transformers 3: O Lado Escuro da Lua, os Autobots, liderados por Optimus Prime, descobrem que os humanos lhes esconderam algo ocorrido no lado oculto da Lua a décadas. Trata-se da queda de uma espaçonave vinda de Cyberton, comandada por Sentinel Prime, que desencadeou a corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética na década de 60. Os Autobots resolvem ir à Lua para resgatar o antigo líder, além das cápsulas que ainda estão no local e que quando acionadas podem teletransportar qualquer coisa de qualquer lugar. Paralelamente, Sam (Shia LaBeouf) vive com sua nova namorada, Carly (Rosie Huntington-Whiteley), e está à procura de emprego. Ele sente-se diminuído, já que salvou o planeta duas vezes, mas nada disto parece ajudá-lo a se estabelecer no mercado de trabalho. Pouco depois de enfim conseguir um trabalho, ele descobre uma série de assassinatos de antigos membros da NASA cometidos pelos Decepticons e se vê novamente inserido na missão de salvar o mundo junto aos Autobots antes que seus inimigos consigam reunir todas as cápsulas e assim destruir a Terra.




Mais uma vez dirigido por Michael Bay (Armagedoon, A Rocha), o diretor novamente busca esconder sua incompetência e falta de talento se ancorando em aspectos como uma edição rápida que dificulta a construção da linearidade nas cenas e um exagero no uso de efeitos especiais. Além disso, ele deixa ao longo do filme pontas soltas das quais não há a menor preocupação em resolvê-las de modo plausível, em especial em relação aos robôs de ambos os lados, onde personagens antigos são removidos e novos são inseridos sem nem sabermos quando ou porquê.

O roteiro é assinado por Erhren Kruger (A Chave Mestra, Irmãos Grimm) e traz uma história pobre e confusa que cai em contradição e sub-tramas completamente desnecessárias. Se os Decepticons sempre souberam da existência das cápsulas e da nave perdida na Lua, por que não recorreram a este recurso antes ao invés de esperar serem derrotados duas vezes? E qual o propósito dos Autobots simularem sua partida para retornarem assim que os Decepticons tomassem tudo? Ainda nessa cena Optimus diz “Os humanos precisavam descobrir que os Decepticons não manteriam sua palavra para retornarmos.” Ah ok, então enquanto ninguém se dá conta disso, eles vão deixando os inimigos dominarem tudo?! É isso o que heróis fazem? E ainda por cima os personagens simplesmente desaparecem sem nenhum motivo. Onde estava Optimus quando Sentinel Prime se revela um traidor?

Um diretor ruim, somado a um roteirista ruim só podiam resultar num filme ruim. Mas sobre um aspecto Transformers 3 é muito melhor que seus antecessores e muitos outros filmes de heróis, pois finalmente alguém teve a idéia de reproduzir a violência num tipo de filme como esse de modo plausível e não como naqueles onde um inimigo devasta um planeta e parece que ninguém se fere, num tipo de “violência bem comportada” pra não assustar o público. Agora, finalmente os humanos viram vítimas dos Decepticons que os matam a sangue frio. Os próprios Autobots se tornaram mais agressivos e sedentos de sangue (ou melhor, óleo diesel) e a luta final de Optimus contra Megatron e prova evidente disso.

E embora tenha se tornado uma versão piorada de Peter Parker, Shia LeBouf continua mostrando competência em seu papel de protagonista, mas é Francis McDormand (que interpreta uma agente do governo) quem se destaca, mesmo sendo totalmente secundária para a trama. E há a completa decepção de ver um excelente ator como John Malkovich mal aproveitado, com um personagem (o chefe de Sam) completamente ridículo e desprezível. E Rosie Huntington-Whiteley vem com sua Carly apenas para embelezar as telas e nada mais do que isso.




De forma geral Transformers 3 agrada por finalmente trazer cenas reais de ação, mas continua decepcionando por parecer simplesmente duvidar da inteligência de seu espectador que se avaliar pelo estouro em bilheterias não chega a ser uma dúvida tão latente assim, o que é uma pena, pois é isso que impulsiona os estúdios a fazerem filmes ruins e profissionais incompetentes como Michael Bay garantirem os seus milhões com esse tipo de projeto.

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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Carros 2



NOTA: 3


Quando ainda estava na metade de Carros 2 me perguntei: Por que hoje em dia parece ser obrigatório um bom filme ganhar uma seqüência? Por que não se contentar a um único filme bom a correr o risco de destrui-lo com uma continuação? Mas que ingenuidade a minha, a resposta é óbvia: dinheiro. Afinal, por melhor ou pior que seja, uma seqüência proporciona a chance de angariar mais fundos com bilheteria, venda de produtos e posteriormente DVD’s e afins. E esse motivo fez com que até mesmo o estúdio que fazia simplesmente os desenhos perfeitos sobre todos os aspectos – a Pixar – caísse em desgraça. Carros 2, diferente de seu antecessor, é chato, cansativo, óbvio e completamente sem foco.

Em Carros 2, um carro bilionário inventa um combustível a base de recursos naturais, o Allinol, e cria um torneio mundial afim de testá-lo. Relâmpago McQueen, Matte e seus companheiros decidem participar, mas uma quadrilha de criminosos liderados por um misterioso líder trabalha para sabotar o torneio e a eficácia desse novo combustível. Um agente secreto britânico e sua assistente estão na cola dos bandidos e confundem Matte, o velho guincho, com um agente disfarçado e o colocam na missão. Agora cabe a Matte salvar o torneio para ajudar seu amigo McQueen e desmembrar a quadrilha que tenta sabotá-lo.

Matte pra quem não lembra, é aquele guincho todo enferrujado com um forte sotaque caipira que garantia a maior parte do riso no primeiro Carros. Antes apenas um personagem secundário, nesse ele é transformado em protagonista, e esse é um dos grandes problemas do filme. Problema porque surge a obrigatoriedade de elaborar muito mais piadas e gags para o personagem que se mostram pouco criativas e perdem a graça rápido. Reparem que num espaço de 10 minutos - entre o momento em que deixa o óleo vazar num evento até quando ele encontra num banheiro o agente secreto americano – que o mesmo recurso é explorado pelo roteiro 3 vezes, onde a piada vem logo em seguida de uma dica dada por Matte. E chega um momento que a criatividade dos roteiristas expira e o único recurso que é explorado é seu sotaque, removendo toda sua graça pelo excesso. 

E esse não é o único problema: o filme simplesmente não tem foco. Conta com uma violência exacerbada - em especial na cena que um carro americano torturado e “morto” – e uma história complexa demais pra ser classificado como filme infantil, principalmente na cena em que Matte descobre num estalo quem é o misterioso chefe dos carros bandidos - outra falha de um roteiro pobre que precisa de uma epifania pra resolver sua incapacidade em ser coeso do início ao fim - além das razões que o levou a sabotar o combustível da competição. Também não dá pra dizer que é um filme adulto porque conta com uma série de tramas artificiais como a discussão ridícula e ginasial de McQueen e Matte que culmina na separação da dupla. Resumindo: Carros 2 tenta se aproximar de todos os públicos, mas consegue o oposto, não se aproximando de nenhum.

Mas nem tudo são espinhos. A Pixar continua impecável na composição artística de seus filmes. As locações elaboradas são idênticas as do mundo real. Duas que mais me chamaram a atenção foram a Itália, onde até o telhado das casas foi desenvolvido para conter o máximo de detalhamento e a cidade de Tókio que é engolida pela quantidade absurda de luzes de neon de placas publicitárias. Além disso, conseguir dar vida e, sobretudo, personalidades diferentes a objetos totalmente inanimados como carros é uma proeza digna de aplauso, possível de ser desenvolvido apenas pelo alto nível de exigência do estúdio em relação aos seus profissionais.

Contudo, a parte artística é praticamente o único trunfo do longa que decepciona muito em sua história e divertimento. Triste ver um estúdio tão perfeito como a Pixar, que à exceção de Toy Story, se negava a fazer seqüências se render ao elemento comercial e esquecer daquele que a tornou mágica e excepcional: o entretenimento inteligente e bem feito. C’est la vie.

 
  
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quinta-feira, 9 de junho de 2011

X-Men: Primeira Classe



NOTA: 10

Uma coisa que eu realmente gosto muito no cinema são os prólogos. É muito legal assistir aos filmes que mostram como tudo começou. Somado a isso, fascina mais um prólogo dos heróis mais interessantes dos quadrinhos – assim como Batman – os X-Men. Interessantes por dois aspectos: o primeiro deles é o fato de seu criador, o gênio Stan Lee, não se ancorar naquelas explicações óbvias e nem um pouco criativas para o seu surgimento. Não, os X-Men não ficaram expostos a energia radioativa ou foram criados pelo governo como arma. Eles apenas nasceram assim. Segundo, porque o grupo de heróis contém já nos quadrinhos uma dramaticidade em suas vidas extremamente tocantes e plausíveis, convivendo com o eterno dilema: Ajudar uma sociedade que constantemente os segrega e os persegue ou fazer uso de seus poderes para se sobrepor a essa mesma sociedade e criar uma nova civilização? E esse prólogo em especial trabalha impecavelmente bem com esses dois pontos, não deixando nenhuma interrogação na trama e mudando muito o modo como interpretar sua história dali em diante, especialmente para aqueles mutantes rebeldes da Irmandade, liderados por Magneto.


Em X-Men: Primeira Classe, Erik (futuramente, Magneto) é um jovem judeu que acidentalmente descobre num campo de concentração nazista seus poderes de manipular objetos metálicos. Despertando o interesse de um oficial alemão, Shaw, Erik é capturado e torturado por ele até que se descubra o que desperta seus poderes que aparentemente, é a raiva. Isso torna Erik um adulto amargurado, pessimista e com uma insaciável sede de vingança.

Na mesma época nos EUA, Charles Xavier é uma criança com poderes telepáticos que acredita ser a única assim em todo mundo. Isso até descobrir acidentalmente a existência de Mística, uma menina azul que tomava qualquer forma humana. Sua comoção em encontrar um par fez com que a adotasse e passasse a se dedicar aos estudos da mutação que acontecia a eles, buscando outras pessoas que sofriam da mesma alteração genética. Já adulto, ele e Magneto se encontram e são recrutados pela CIA para deter Shaw, que pretende causar uma guerra nuclear entre EUA e a União Soviética, usando como pano de fundo pra isso a instalação de mísseis nucleares em Cuba pelos russos durante a Guerra Fria. Montando uma equipe de mutantes, cabe a Xavier, Erik e seu time combaterem o vilão e impedir um desastre de proporções colossais.

Para aqueles que gostam de muita ação talvez se decepcionem com o filme. X-Men: Primeira Classe tem seu foco quase que completamente direcionado ao relacionamento entre os personagens, suas divergências sobre o mundo e seu desenvolvimento psicológico. Algo pouco comum em filmes de heróis, mas que de forma alguma o deprecia. Ao invés de encher de mutantes com os mais variados poderes, o roteiro economiza buscando apresentar apenas aqueles cujo poder seja essencial para a execução dessa ou daquela atividade. Com isso, também acaba entrando na discussão de um modelo de sociedade desenvolvido, onde todos são dependentes um dos outros, até mesmo mutantes poderosos como Magneto, Xavier e o próprio Shaw.

Outra coisa que também é poupada aqui são os efeitos especiais. São utilizados estritamente quando necessários e justamente por isso conferem uma plástica magnífica e não transformam o filme em mero entretenimento barato. Há duas cenas em especial que destaco: quando Erik mata alguns de seus algozes num bar argentino e uma das mais tensas do filme quando os mísseis das armadas russa e americana são literalmente “devolvidos” por Erik.

Mas mesmo com uma direção tão competente como essa de Matthew Vaughn, o destaque do longa é sem qualquer sombra de dúvida seu elenco que mesmo jovem faz um trabalho de extrema perfeição, em especial o trio de protagonistas: Kevin Bacon (Shaw), James McCavoy (Professor Xavier) e Michael Fassbender (Magneto). Bacon faz sua melhor atuação de muitos anos, com um Shaw completamente sarcástico, seguro de si e ciente dos grandes poderes que possui. E é curioso que ele tem como uma das características absorver energia pra se manter jovem,pois parece que Kevin Bacon na vida real simplesmente nunca envelhece. James McCavoy nos traz um Professor Xavier muito diferente do que estamos habituados. Embora sempre sério em relação ao emprego de seus poderes e ao ensinamento de outros mutantes, e mesmo tão jovem quanto seus colegas consiga transmitir impecavelmente seu sentimento paterno, também é mulherengo, brincalhão e curiosamente tem certa preocupação em ficar calvo, que ironia. É carregado de um sentimentalismo comovente, especialmente na cena em que ele utiliza pela primeira vez o Cérebro, onde ele fica radiante ao descobrir a quantidade enorme de pessoas como ele no mundo e também aquela cena em que mostra o trágico acidente que o colocou pra sempre numa cadeira de rodas. Porém, é Michael Fassbender quem mais se destaca. Primeiro porque ele vive um dos personagens mais complexos de toda a história, afinal é difícil julgar se Magneto é de fato um vilão ou uma vítima das circunstâncias. E como ele consegue sustentar impecavelmente bem essa angústia, além de ser notável a admiração e respeito que ele tem por Xavier, ainda que divergentes em suas idéias. E o bom é que o filme apresenta em detalhes como sua forma de interpretar a situação de sua raça em relação à humana e o desejo de se sobrepor, não por soberania, mas por enxergar nisso o único modo de sobreviver. E seu pessimismo se confirma na mesma cena dos mísseis citada acima onde logo após a CIA recorrer a eles para ajudarem a impedir os planos de Shaw, dá a ordem imediata para que seus navios os destruam.

X-Men: Primeira Classe é um filme que renderia páginas e mais páginas para comentar, pois não só é o melhor filme de toda a série, como o melhor do ano até agora. E melhor ainda é rever todos os outros longas do X-Men após esse, o entendimento fica melhor após ver como tudo começou.

OBS: Há uma aparição relâmpago bastante engraçada do Wolverine no filme.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Piratas do Caribe 4 - Navegando em Águas Profundas


NOTA – 4


Aventura, reviravoltas, jogo de gato e rato, personagens marcantes e um mistério a ser desvendado. Tudo isso sempre temperou todos os capítulos da saga Piratas do Caribe que, diga-se de passagem, ressuscitou os filmes de piratas. Porém, embora todos esses ingredientes tenham funcionando bem no início, aos poucos foram perdendo sua importância exatamente pelo seu uso em excesso e a pouca criatividade de roteiros que basicamente repetiam a história anterior. Na verdade, não fosse a figura de Jack Sparrow, talvez a saga nunca teria alcançado o sucesso que alcançou.

Em Piratas do Caribe 4 – Navegando em Águas Profundas, Jack reencontra um antigo amor, Angélica, que o captura e obriga-o a levá-la até a famosa Fonte da Juventude afim de salvar seu pai, o pirata mais destemido dos mares, Barba Negra, o capitão do barco A Vingança da Rainha Ana. Mas os três não estão sozinhos em sua busca: ingleses e espanhóis também procuram o local e não pretendem compartilhá-lo.

Embora a intenção do filme fosse reiniciar a saga, eliminando quase todos os personagens dos outros três episódios, só pela sinopse já fica claro que essa na verdade foi a única mudança que assistiremos, pois no mais a história em si permanece a mesma. Aliás, entre vários tropeços, o roteiro sem dúvida foi o pior deles.

Pobre, pouco criativo e com sérios problemas de amarrar sua trama, ele é claramente centrado na figura de Jack Sparrow, tornando todo o restante dos personagens e a própria história em meros objetos que giram ao seu entorno. Além disso, encontra tantas dificuldades em concluir sua trama e sub tramas que simplesmente as atiram na tela sem muita explicação. Ainda no primeiro ato, uma profecia patética e sem muito nexo de Angélica, que dizia que seu pai seria morto por um homem de uma única perna (ou seja, Barbossa), já deixa mais do que evidente o desfecho daquele personagem, tirando toda e qualquer graça do confronto entre Barbossa e Barba Negra. E Barba Negra, diferente do vilão Davy Jones dos últimos episódios, nos é apresentado apenas com as descrições exageradas dos personagens, não havendo qualquer interesse em introduzi-lo de forma que entendêssemos o por quê de tanto medo em relação a ele. Além disso, os espanhóis são os primeiros a tomar conhecimento da Fonte logo nos primeiros minutos de projeção para logo em seguida serem esquecidos por completo e simplesmente surgirem no terceiro ato já em bastante vantagem em relação aos ingleses e a Jack. E se o objetivo da Espanha era de fato aquele patético que alegaram (que não revelarei aqui) porque não destruir os cálices de Ponce de Léon logo que o obtiveram?

Por falar em relíquias, essas são outro elemento a parte de um roteiro fraco que precisa inventar em excesso para conseguir estender ao máximo a duração do filme. Os dois cálices e a lágrima de uma sereia necessários para o ritual que tornam possíveis ativar a Fonte tem como única função enrolar uma trama já bastante entediante e minar o poder do local que buscavam, uma vez que deixa claro que a Fonte da Juventude de nada vale sem tais itens.E indo mais além me questiono como quem fez os dois cálices já sabia de antemão o poder que teriam, sendo que até então ninguém teria sequer tomado conhecimento de tal Fonte justamente por precisarem deles para localizá-la. Mas isso é outra história.

E me surpreendeu que o mesmo diretor dos outros três filmes da série, Rob Marshal, tenha criado uma obra tão maçante, pecando até mesmo onde poderia ser interessante. A exceção da fuga de Jack logo no início, todas as sequencias de ação são carregadas de enquadramentos tão fechados que dificultam consideravelmente sua apreciação. Além disso, em 40 minutos de filme ele repete 4 vezes a mesma técnica de revelar o personagem através de sombras, capuz etc, sendo que pelo menos no caso de Jack já era mais do que previsível quem era o juiz que a câmera seguia.

Assim como os roteiristas, eu acabei me pregando uma peça e centrando a crítica também em Jack Sparrow. Mas é impossível não fazê-lo porque esse parece ter sido o personagem da vida de Johnny Depp. A mínima menção do nome do maior anti-herói das telas já é de agrado de todos e a concepção do personagem é impecável nos mínimos detalhes, desde suas mãos levantadas com zelo ao andar, ao jeito de falar entre dentes e os movimentos de avanço e recuo de sua cabeça. Para mim, Jack Sparrow é um dos melhores personagens concebidos em toda a história do cinema. Além disso, Geofrey Rush também rouba a cena com seu Barbarossa num esforço cômico e sobre humano em parecer que entrou nos eixos apenas para agradar seu rei e obter sua vingança. Penélope Cruz em cena é apenas um rosto bonito e nada mais, numa atuação fraca que facilmente teria sido levada por qualquer outra atriz de seu porte. E embora não consiga imaginar alguém melhor do que Ian McShane para interpretar Barba Negra, desapontou o modo apático como o ator o incorpora, pois em nenhum momento pareceu que ele fosse tão mal como o roteiro e todos os personagens defendem.

Por fim, não acredito que fazendo esses ou aqueles ajustes a franquia Piratas do Caribe volte a ser tão original ou tão boa quanto em 2001 quando foi lançada. Na verdade acho que a franquia deveria acabar enquanto ainda é inesquecível, pois é claro que nunca sairá do óbvio e pelo jeito explorará para sempre a figura de Jack Sparrow até ele virar piada velha. Melhor parar enquanto se está por cima, do que esperar a derrocada chegar. E parece que já está chegando, porque achava impossível que Piratas 4 fosse pior que seu antecessor e infelizmente me surpreendi.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Padre



NOTA: 8


Desde o primeiro Homem aranha em 2002 pra cá, a safra de filmes sobre super-heróis dos quadrinhos cresceu num número exorbitante, a ponto de virar um gênero a parte. E quase sempre deu muito certo, bem diferente das adaptações dos vídeo games que são sempre um desastre. Eu pouco leio quadrinhos, então constantemente sou surpreendido com o que vejo nas telas, e ontem foi um desses dias. Nunca me passou pela cabeça ver um onde o herói em questão é literalmente um padre treinado para matar pela própria igreja.

Em Padre, num futuro pós-apocalíptico onde a destruição fora causada pelo eterno conflito entre homens e vampiros (criaturas que o roteiro defende que sempre existiram, ao menos naquele mundo), a igreja católica se torna o único refúgio para a raça humana, criando fortalezas onde ela exerce poder absoluto sobre a população. Como os vampiros eram muito mais fortes e velozes que os humanos, parecendo impossível derrotá-los, a instituição treina uma equipe de guerreiros chamados padres que são os únicos que conseguem efetivamente derrotá-los. Por serem uma arma muito poderosa, após eliminarem os vampiros a igreja opta por destituí-los da função, ficando à margem de uma sociedade que agora tem medo de seus antigos salvadores. Mas quando tudo parecia pacificado, novos vampiros surgem e cabe a um ex-padre rebelde a missão de derrotá-los.

Dirigido pelo estreante Scott Stewart, a introdução da história logo no início é feita de um modo magistral, fazendo uso de um desenho em 2D carregado de violência, muito semelhante ao que Tarantino utiliza em Kill Bill Volume 1. Porém, é exatamente nesse acerto que Scott acaba caindo numa armadilha, pois o que se vê depois é um filme onde toda a violência denunciada no início é privada por causa da edição, deixando o espectador apenas com a sensação dos acontecimentos e não com eles de fato. Sempre que os vampiros vão atacar há um corte abrupto e também quando os primeiros padres enfrentam Black Hat, antagonista da trama.

Porém, embora Scott não tenha se saído tão bem nesse ponto de certa forma importante, no mais ele acerta e acerta bem. Ficou bastante interessante e na medida os slow motions adotados em algumas cenas de ação do Padre onde ele se movia e seus inimigos ficam praticamente estáticos, mostrando o quanto o herói era veloz em relação a todos. E o bom é que ele faz esse uso quando é estritamente necessário, ou seja, basicamente para apresentar a habilidade do personagem.

E ninguém melhor que Paul Betanny para viver o herói que embora não seja privilegiado por uma boa expressão corporal, carrega em seu rosto todo o drama sofrido por aquele personagem, sendo dotado de uma personalidade serena que muito surpreende quando deve agir. O mesmo não se pode dizer de Cam Gigandet, que interpreta um xerife Hicks totalmente apático e fora de lugar. Reparem como fica totalmente sem propósito a ameaça que ele faz ao Padre no alto de um penhasco antes do desfecho do filme. Daí você percebe o imenso contraste em um ótimo ator (Bettany) e um medíocre (Cam).

Mas o melhor de tudo é a fotografia e direção de arte em todos os seus aspectos: figurino, cenografia e afins. Seus cenários se intercalam entre a total desolação dos desertos que quase cegam de tão secos à completa escuridão das fortalezas católicas, muito semelhantes as cidades de Blade Runner. Quanto aos figurinos, destaco as capas dos Padres que os tornavam mais temíveis e imprevisíveis escondendo praticamente todo o corpo, excetuando parte do rosto. Na fotografia se faz a opção acertada por uma paleta de cores quase monocromática em todos os ambientes, representando a apatia, a destruição e a falta de perspectiva que aquele mundo representa.

Scott se felicita também em expor como uma sociedade se torna decadente quando se entrega a qualquer tipo de fanatismo religioso (e que fique claro aqui que não estou apontando a religião em questão, mas todas). Nada nem ninguém move um dedo sem a permissão do clero e enquanto a população claramente vive na miséria, os eclesiásticos vivem em completo luxo e conforto.

Por fim, embora deixando um pouco a desejar no quesito ação, Padre é muito eficiente em entreter especialmente devido ao seu design de produção excelente. Como ficou claro no final do filme, teremos uma sequencia em que acredito que as coisas melhorem. Por enquanto essa primeira versão serviu como um excelente prólogo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O Garoto de Liverpool



NOTA: 1


Na trama, Aaron Johnson interpreta o solitário adolescente John Lennon, que viria a compor a maior banda de todos os tempos, Os Beatles. O longa mostra sua juventude e os primeiros momentos como músico. Lennon é um adolescente solitário, abandonado pela mãe, Julia, e criado pela autoritária Tia Mimi. A música é seu único escape.

Lendo a sinopse até que parece ser um filme muito interessante. Afinal de contas Beatles é Beatles e qualquer coisa sobre eles com certeza chama a atenção (até mesmo Across the Universe). Mas acreditem: essa descrição, assim como muitas sinopses, é uma armadilha e quem vos escreve caiu nela.
E a razão de ser uma armadilha é muito simples: um roteiro mal escrito, atuações medíocres e uma direção completamente amadora fazem com que uma celebridade como foi John Lennon soe patética, imatura e repugnante.

A má qualidade de seu roteiro, escrito por Matt Greenhalg e Julia Baird, se deve ao fato de uma certa falta de foco. De início parece seguir uma linha óbvia e a qual esperávamos, ou seja, descobrir como um jovem pobre e comum viria a ser um dos maiores compositores da história. E essa proposta é muito bem trabalhada de início, principalmente na cena em que John vai parar na diretoria e seu diretor diz que do modo como vinha vivendo ia acabar parando em Lugar Nenhum e ele brilhantemente responde: “Ótimo. Todos os gênios são de Lugar Nenhum.”

Porém, logo após essa cena, a proposta da trama muda por completo e passamos a assistir a um drama familiar de um adolescente separado da mãe e em constante conflito com sua tia e tutora, sugerindo inclusive, de um modo já bem clichê, que se talvez não fosse tais acontecimentos John Lennon jamais se tornaria a personalidade que se tornou. Além disso, Paul McCartney é introduzido na história (aos 15 anos) apenas para realizar uma função de conselheiro particular de John, surgindo apenas em momentos de crise existencial de seu amigo, e tendo seu evidente talento completamente ofuscado em função disso.

Aliás, as atuações valem um comentário à parte. Poucas vezes vi um filme onde todas elas fossem tão ruins como nesse. Na verdade há apenas uma exceção que é Anne-Marie Duff que interpreta uma Julia (mãe de John) reprimida, confusa, mas cheia de vontade de viver e reparar seus erros, evidenciado inclusive num ótimo trabalho de figurino onde ela aparece o tempo todo vestindo cores quentes e muito vivas. Ademais, todas as interpretações são clichês, previsíveis e de péssimo gosto. Kristin Scott vive uma Tia Mimi com aquele típico perfil de mulher durona e sisuda que parece não se alegrar com nada, até mesmo com o sucesso aparente do sobrinho.

Mas o pior de tudo com certeza vem Aaron Johnson que interpretada um John Lennon arrogante, estúpido, inconstante e até mesmo demonstrando pouco talento que fazem o espectador ter a sensação evidente de que aquele não é o mesmo Lennon que conhecemos. Reparem como acontece de modo bastante artificial sua transformação de humor ao ouvir McCartney tocando banjo no velório da sua mãe, numa explosão de raiva que após um soco na cara do amigo, tem outra reação artificial vindo abraçá-lo.

Mais a “maior façanha” é sem dúvida a má direção de Sam Taylor-Wood que parece perdido em saber o que quer mostrar para contar sua história, jogando toda hora flashbacks da infância conturbada do protagonista, montadas de um modo sem nexo na tela e sonhos sem nenhum propósito (como na primeira cena em que vemos John sonhando que está correndo sozinho).

Além disso, pouco privilegia o que todos esperavam assistir, ou seja música. Há apenas dois números musicais bem rápidos, sendo um totalmente amador. Também é infeliz em seu objetivo em contar os dramas pessoais de seu personagem construindo uma relação entre ele e a tia que em certos momentos é muito difícil de compreender, especialmente na cena onde ele diz que quer montar uma banda e ela que parece imune a qualquer tipo de alegria, numa transformação abrupta compra seu primeiro violão como incentivo. Resumindo, Sam Taylor mais consegue fazer o espectador gostar menos de John Lennon e consequentemente dos Beatles do que aproximá-lo mais dele.

E toda essa sucessão de erros mostra o quão prejudicial é confiar tão importante obra a profissionais tão amadores, podendo sujar a imagem de alguém que com um intelecto a frente de seu tempo se tornou não só um gênio da música, mas também um dos maiores gênios da humanidade. Uma pena e um total desperdício!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cópia Fiel

copia fiel juliette binoche abbas kiarostami


Nota: 10

Crítica escrita por Pablo Villaça e publicada originalmente no site Cinema em Cena.
Em Cópia Fiel, seu mais novo longa, o cineasta Abbas Kiarostami adota uma estratégia narrativa intrigante e surpreendentemente eficaz: depois de estruturar a primeira metade da projeção salientando o realismo e o naturalismo da situação e da dinâmica entre os personagens, ele altera a lógica interna do filme na metade final de forma sutil, mas inequívoca, passando a investir num tom que flerta com a fantasia ao estabelecer um fascinante jogo de cena envolvendo a dupla principal. E se uso a expressão “jogo de cena”, é porque há muito da exploração feita pelo brasileiro Eduardo Coutinho em seu longa de mesmo nome na temática aqui explorada por seu colega iraniano.

Com roteiro do próprio diretor, o filme tem início com uma palestra ministrada pelo escritor James Miller (Shimell), que acaba de lançar um livro que defende a importância das réplicas de obras de arte na cultura de modo geral. Presente no evento encontra-se a personagem vivida por Juliette Binoche, que, dona de uma galeria, parece se encantar pelo sujeito, oferecendo-se para levá-lo a um passeio pela Toscana antes que ele parta da Itália. Discordando de certos aspectos defendidos pelo autor em sua obra, ela inicia uma discussão enquanto visitam museus e restaurantes, até que, eventualmente, algo curioso ocorre e eles passam a agir e a conversar como se fossem um casal com 15 anos de matrimônio.

Mas por que eles adotam este comportamento? A possibilidade de que sejam mesmo casados e estivessem apenas se entregando a algum tipo de jogo de sedução torna-se implausível quando nos lembramos de que o filho pré-adolescente da mulher não conhecia o escritor e que tal elaboração seria artificial por natureza. Por outro lado, é perfeitamente possível que ambos passem a interpretar o papel de casados intencionalmente num exercício psicológico ou intelectual depois de assim serem vistos pela dona de um café – mas mesmo esta interpretação exigiria um grande esforço de imaginação em função da maneira abrupta com que a transição ocorre.

Assim, resta uma terceira – e, acredito, mais lógica – possibilidade: a de que os personagens assumam uma dinâmica diferente porque se tornam figuras diferentes cujas histórias passadas combinam elementos de ambas as realidades. E esta alteração ocorreria simplesmente por ser fundamental para a discussão que Kiarostami quer propor (e que Coutinho abordou em seu longa): a de que nossa percepção sobre os personagens (ou sobre a arte de modo geral) não é ou não deveria ser afetada pela constatação de sua irrealidade. As idéias que o filme e o casal apresentam, assim como seus conflitos pessoais, são dramaticamente eficazes e relevantes mesmo que sejam falsos por natureza – e sempre são falsos, já que estamos falando, afinal, de uma obra de ficção, independentemente da versão do casal apresentada pelo filme.

No entanto, para que esta discussão funcionasse, era imperativo que os espectadores fossem surpreendidos pelas mudanças experimentadas pelos personagens – e é aí que o cineasta demonstra sua inteligência ao estabelecer uma lógica consistente durante a primeira hora de projeção apenas para puxar o tapete sob o público em seguida. Para isso, Kiarostami concebe uma narrativa calcada no naturalismo em seus mínimos detalhes, das pausas embaraçadas feitas pelo escritor quando suas piadas não provocam os risos esperados na pequena platéia até a forma com que Binoche esbarra sua bolsa no rosto do sujeito ao removê-la do banco do carro para que ele possa se sentar.

Da mesma forma, o diretor emprega longas cenas que, criadas a partir de planos extensos e estáticos, conferem um ritmo realista às conversas, que também revelam fluidez graças às performances minimalistas, mas precisas, da dupla central: observem, por exemplo, como Binoche completa a piada que Shimell contava a fim de ilustrar um argumento ou o jeito com que interrompe uma frase para reclamar de um pedestre que cruzou à sua frente e certamente constatará a estratégia do cineasta e de seus atores – especialmente ao contrastar estes momentos com outros que ocorrem na segunda metade do filme, quando as performances se tornam mais intensas e exibem propositalmente muletas de interpretação como uma lágrima que escorre solitária pelo rosto da atriz ou a arrogância agressiva com que o ator trata um garçom.

Aliás, não é só o estilo de atuação que sofre mudanças neste ponto da narrativa, mas a própria essência dos personagens: se inicialmente Binoche se mostra insegura diante do escritor e até mesmo reverente (“Não acredito que está em meu carro!”), eventualmente passa a tratá-lo com agressividade e cobranças. Além disso, a quase obsessão de sua personagem com o valor intrínseco de experiências (ou obras de arte) “reais” gradualmente evolui para uma intensa amargura até culminar numa carência emocional óbvia. Em contrapartida, se o escritor a princípio apresenta-se como um homem contido e seguro que valoriza – mesmo que apenas racionalmente – a idéia de “curtir a vida”, esta postura acaba se metamorfoseando em uma atitude ressentida, raivosa e de incontestável imaturidade e egoísmo. Se estas mudanças soam radicais – e são -, é porque, vale repetir, os próprios personagens estão mudando e assumindo novas histórias e personalidades levemente diferenciadas – e é admirável o controle que Binoche e Shimell mantêm em suas atuações, considerando a complexidade da tarefa exigida pela própria estrutura da narrativa.

Mas Cópia Fiel também é admirável em seus aspectos formais, já que Kiarostami freqüentemente concebe seus quadros não só de maneira econômica, mas intensamente evocativa, carregando-os de simbolismos e metáforas. Em primeiro lugar, é notável a lógica visual que ele adota para indicar de forma sutil as pontuações da estrutura; os instantes exatos em que os personagens experimentarão as já discutidas alterações em suas histórias/personalidades/facetas – algo que ocorre justamente nas cenas em que o casal, durante certas discussões, olha diretamente para a câmera e, conseqüentemente, para o espectador. De forma similar, é impossível não se encantar com composições como aquela que mostra o escritor admirando uma moto enquanto vemos Binoche, refletida no retrovisor, questionando estranhos sobre a beleza temática de uma escultura, já que isso espelha justamente as características da dupla naquele momento: ela, romântica e carente; ele, auto-centrado e sempre disposto a partir.

E mais: é curioso notar também como Kiarostami freqüentemente enfoca a dupla interagindo com outros casais (particularmente um recém-casado, outro que parece ter duas ou três décadas de matrimônio e um terceiro já idoso), já que estas duplas acabam refletindo diferentes estágios e facetas da relação mantida pelos protagonistas. Isto fica ainda mais claro quando o escritor é visto diante de uma janela que expõe, ao fundo, a celebração de um casamento – em outras palavras, mais uma projeção de seu passado ou apenas de mais uma versão deste.

Porque, no fundo, não importa se o que estamos vendo são os mesmos personagens que iniciaram a narrativa ou não, já que, de uma maneira ou de outra, todos são projeções ficcionais construídas por Kiarostami. Refletindo o próprio tema discutido no livro visto no filme (e que dá título a este), as diferenças entre original e cópia são negligenciáveis; o que importa de fato é a percepção que temos da obra (ou, no caso, dos personagens) e a maravilhosa reflexão que esta nos inspira.

Trailer

domingo, 17 de abril de 2011

Rio - Um belíssimo cartão postal e...só!

rio desenho brasil carlos saldanha arara azul passaro janeiro

Nota: 5

É um imenso orgulho para nós saber que um dos maiores gênios da animação digital no cinema seja um brasileiro. Sim, estou falando de Carlos Saldanha, o diretor que “nada a mais, nada a menos” criou todo o mundo de A Era do Gelo. E é claro que não havia nada mais justo e coerente do que o Brasil ser homenageado nas telas por um conterrâneo. Porém, é igualmente uma pena saber que Saldanha fez um filme que qualquer diretor estrangeiro preguiçoso faria, ou seja, carregado de estereótipos. E acreditem, não estou exagerando.

Em Rio, Blu é uma ararinha azul que raptada ainda filhote vai parar acidentalmente na gelada cidade de Minnesota (ou Not Rio, como nos é apresentada), sendo adotada pela jovem Linda, dividindo toda uma vida com ela até que numa viagem ao Rio de Janeiro, Blu junto a novos amigos entram numa série de aventuras pela Cidade Maravilhosa.

O grande incômodo para nós em Rio é ver que mais uma vez o Brasil foi basicamente retratado como um país onde parece que nossa única preocupação e interesse seja apenas samba, carnaval e futebol, fazendo parecer que vivemos constantemente desligados do que há no mundo lá fora. Reparem que o samba está presente em todos os momentos na trama, sendo até dois personagens (embora engraçados) sambistas natos. E nem nisso Saldanha é feliz, fazendo uso de uma trilha sonora com canções óbvias até mesmo para quem é de fora.

E é claro que o futebol e o carnaval não poderiam faltar. Há a cena onde num suposto jogo bastante monótono de Brasil x Argentina em pleno carnaval, todos ficam hipnotizados e colam a cara na TV, até mesmo dois dos bandidos da história que esquecem parte de seus afazeres em função do jogo. E o carnaval vem com o único propósito de ser só mais uma característica do país explorada como cartão postal e propaganda turística.

O evento ficou tão sem propósito que uma enorme incoerência foi inserida no roteiro para justificar seu uso: os traficantes de aves, numa estratégia para fugir do país com seus animais roubados, camuflam uma van e fogem nada mais, nada menos que pela Marquês de Sapucaí. Tem um problema aí: por que eles decidiram fugir exatamente pelo lugar onde todos os holofotes do mundo estariam voltados? Aliás, com uma cidade inteira dentro de um sambódromo, por que não optar por qualquer caminho fora dali, chamando bem menos atenção?

Sem contar que há uma cena de péssimo gosto onde macacos roubam turistas no Cristo Redentor que não consigo imaginar qual foi a graça pretendida com um insulto desses (e muito menos a quem os babuínos faziam alusão).

Contudo, Rio também possui muitos méritos, especialmente na concepção de sua cenografia que é impecável preservando todos os seus detalhes, além de carregada de cores vivas na cidade e em seus pontos turísticos, contraposta pela quase predominância do cinza dando um ar de tristeza às suas favelas. Aliás, falando em cores, nada melhor do que explorá-las tendo acertadamente selecionado como personagens do filme aves, possibilitando assim trabalhar com uma infinidade de cores, já evidenciada logo na abertura do longa com um maravilhoso balé dos pássaros (em especial as araras vermelhas).

E não dá pra deixar de ressaltar o modo como os belíssimos pontos turísticos são apresentados, especialmente a visão panorâmica que temos do alto vendo o Cristo Redentor se revelando pouco a pouco.

Mérito de Saldanha também o fato dele ter tocado num ponto muito importante que deveríamos dar melhor atenção. Estou me referindo ao tráfico de aves (e animais como um todo), mostrando o quão revoltante e degradante é tal crime que passa despercebido por muitos. E mais inteligente ainda foi escolher como protagonistas a ararinha azul, a maior vítima dessa prática, estando próxima a extinção por isso.
Por fim, mesmo ficando muito longe de uma homenagem, Rio pelo menos consegue conferir seus 90 minutos de entretenimento. Conta com ótimos cartões postais, além de ser praticamente um comercial do tipo ‘Visite o Rio’, útil tanto para os estrangeiros, como para nós, pois o Rio de Janeiro que nos é apresentado é bastante diferente do que conhecemos na realidade.

Trailer - dublado

Sucker Punch - Mundo Surreal

sucker punch mundo surreal zack snyder

Nota: 7

Apesar de jovem, Zack Snyder já é um fenômeno no cinema atual. Simplesmente em seu primeiro filme como diretor ele reinventou por completo o gênero zumbi com Madrugada dos Mortos e criou verdadeiros sucessos de bilheteria e público com 300 e Watchmen. Sendo assim já era de se esperar um grande filme com Sucker Punch.
E nele, Snyder faz o que sabe de melhor: criar um incrível design de produção. Porém, assim como em seus outros títulos, esse incrível trabalho técnico vem acompanhado de um enredo fraco e sem muito conteúdo. Uma bobagem que diverte e nada mais que isso.

Em Sucker Punch, Babydoll (Emily Browning) é uma jovem que acabou de perder a mãe e que, sofrendo abusos do padrasto, tenta assassiná-lo matando acidentalmente sua irmã caçula. Internada num manicômio, ela tem cinco dias para fugir antes de ser lobotomizada. E para tal, Babydoll mergulha numa aventura num mundo paralelo onde deve conquistar cinco itens para fugir: um mapa, fogo, uma faca, uma chave e o quinto que é um mistério.

Falando assim parece até uma história bem simples. Porém, nesse mundo paralelo (que nada mais é do que um local que ela imagina enquanto dança) ela terá que enfrentar samurais gigantes com metralhadoras, dragões, robôs e – pasmem – nazistas zumbis. Complicou um pouco, não é?

A partir daí, parecia não haver outra saída para a produção conseguir inserir a protagonistas e suas amigas em tamanhas aventuras – incrivelmente sensacionais nas coreografias de ação e efeitos especiais. Contudo, transportando toda a ação do filme para um mundo imaginário, o diretor acaba reduzindo consideravelmente o interesse do espectador pelo desfecho de Babydoll e suas amigas, pois uma vez que tudo aquilo se passa na sua imaginação, com certeza nada de mal acontecerá, fazendo delas invencíveis enquanto nesse local.

Bem diferente do mundo real onde elas eram tratadas como verdadeiras escravas sexuais pelo administrador desse curioso sanatório que ao mesmo tempo funciona como uma espécie de bordel. Daí surge algo curioso, porque para evitar que a censura ao filme aumentasse, Snyder optou por fazer com que as internas apenas dançassem para seus clientes, quando nas entrelinhas era evidente que elas eram forçadas a fazer programas.

Até porque os figurinos das atrizes utilizam em praticamente todo o filme (nos dois mundos) são extremamente curtos e provocantes, minando quaisquer possibilidades de atenuar tal situação. E junto aos figurinos provocantes vem uma maquiagem que transformam todas elas em verdadeiras pin-ups, e o exagero em maquiagem é tão grande que nem mesmo o diretor do sanatório escapa de usá-la.

blondie babydoll sweet pea amber rocket sucker punch mundo surreal

Uma coisa que acaba incomodando bastante é a obsessão que Snyder tem com planos detalhes que na maioria dos casos são desnecessários, bem como nas câmeras lentas que mais servem para tirar a adrenalina da ação e alimentar o ego do diretor, do que apresentar algum ponto realmente relevante. E isso já vem dele desde 300, repetindo em Watchmen.

E mesmo já citado acima, o design de produção merece um parágrafo a parte. Zack Snyder é um verdadeiro mestre nisso! Em Sucker Punch ele cria um mundo real repleto de cores quentes apelando à sensualidade - assim como no bordel de Moulin Rouge - contrapostas com o mundo surreal no meio do nada quase monocromático, intencionando em não fazer o espectador se dispersar tentando identificar o cenário, mas sim se concentrar na ação.

Numa mistura de Matrix, Um Estranho no Ninho, Moulin Rouge e Senhor dos Anéis, Zack Snyder trás às telas um filme que é ótimo para os olhos, mas nem um pouco para o cérebro, sendo isento de qualquer conteúdo. Na verdade, Sucker Punch nada mais é do que uma fantasia de adolescente viciado em vídeo games (e o filme parece desenrolar em fases como num jogo) que ele finalmente conseguiu trazer para o cinema. Mas para quem busca diversão - como foi meu caso - vale muito à pena!

Trailer HD - legendado

quarta-feira, 23 de março de 2011

Invasão do Mundo - Batalha de Los Angeles

invasao do mundo
NOTA: 5

A Terra está sendo dominada por extraterrestres; a raça humana está condenada a extinção e ao que tudo indica, nada podemos fazer para evitar esse apocalipse. Mas eis que no sofrimento e na desilusão surge uma esperança. E finalmente o ponto fraco do inimigo se revela e podemos restaurar a paz no mundo (sempre com uma pequena ajuda do exército americano).


Em poucas palavras, acabei de contar a história inteira de pelo menos uns dez filmes de ficção científica como Marte Ataca, Independence Day, Guerra dos Mundos etc. E é incrível que em frente a essa total falta de criatividade ainda há quem insista em repetir essa fórmula. E em maior ou menor grau a Invasão do Mundo é basicamente isso: uma repetição do que muitos já fizeram.


No filme, após décadas fazendo incursões na Terra, eis que os alienígenas finalmente decidem atacar nosso planeta e num embate maciço tomam em poucas horas quase todas as capitais do mundo (que novidade!). Agora, cabe ao esquadrão 2/5 do exército americano, comandados pelo Sargento Michael (Aaron Eckhart) defender e retomar a mais importante capital americana no momento: Los Angeles.


Não contente em fazer um filme num argumento já batido, o diretor Jonathan Liebsman ainda tem a cara de pau de copiar descaradamente outros longas (os alienígenas surgem exatamente do mesmo modo que em Guerra dos Mundos). E nos poucos momentos que tenta exercer alguma criatividade, na concepção dos invasores, ele apela pra figuras que beiram a comédia (notem que parte do corpo se assemelha suas cabeças).


Além disso, logo em seu início ele apresenta uma a uma a história de cada um dos muitos soldados do esquadrão 2/5, na tentativa de gerar vínculo com os personagens. Porém, essa tentativa é minada por ele mesmo, pois nenhuma delas é desenvolvida e muitos morrem ao longo da trama sem haver qualquer nova ligação com sua história. Ou seja, os primeiros 20 minutos são totalmente desnecessários, uma vez que o que Liebsman queria era guerra. Até porque quando escrevi sobre Os Mercenários já havia dito que se torna muito difícil a identificação num filme carregado de personagens, como é o caso.


Li na crítica de um amigo (Pablo Villaça) que Invasão do Mundo é um filme pra macho e concordo com ele. Tanto que logo de cara o piloto do helicóptero do exército americano manda seus soldados serem machos antes de entrarem em combate. E é tão filme de macho que a única mulher que compõe o exército é vivida por Michelle Rodriguez (Velozes e Furiosos, Resident Evil) fazendo o que sabe de melhor, ou seja, interpretando mulheres masculinas.


E observem que há uma incoerência fatal no roteiro. Na metade da história é descoberto que o que os aliens buscam em nosso planeta é nossa água em seu estado abundante(líquido), crucial para sua sobrevivência. O mesmo soldado que faz a descoberta, também afirma que a Terra é o único local do universo onde encontramos ela nesse estado. Ora, façamos uma pausa para meditar: se os invasores dependem de água para sua sobrevivência e aqui é o único lugar que ela existe, como foi que eles sobreviveram durante tanto tempo fora? Pois é, a produção se esqueceu de pensar nesse “pequeno” detalhe quando o inseriu no filme.


No mais, Invasão do Mundo tem seus méritos. A fotografia é ótima, fazendo um bom uso da câmera na mão, na busca de transformar o evento em algo documental. Também há uma neblina que encobre a cidade no início da invasão que tornam ainda mais imprevisíveis e assustadores os inimigos, atrasando a apresentação se sua figura a nós e ao exército. A edição e mixagem de som também fazem um ótimo trabalho levando o espectador a mergulhar no meio dos tiroteios (um pouco escassos). Desnecessário dizer a essencialidade que foi a aplicação de efeitos especiais para que tudo funcionasse.


Embora com alguns méritos, o saldo final de A Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles acaba sendo negativo, pois é óbvio, fraco e contraditório. Mas o que realmente chama a atenção é que em mais de cem anos de história do cinema foram inúmeras as tentativas de filmar títulos que pudessem assombrar a população sobre uma eventual invasão extraterrestre. Entretanto, todas elas fracassaram e no fim das contas a única vez que isso de fato aconteceu foi em 1938 no meio mais improvável, o rádio, na célebre transmissão de Orson Welles dizendo que a Terra estava sendo invadida naquele momento por discos voadores. Já passou da hora do cinema analisar se esse é um tema que vale realmente a pena investir.


domingo, 20 de março de 2011

Musicais #5: O Concerto


Tá aí um musical que salvou todo um filme de um desastre.

O Concerto é um dos filmes mais inverossímeis que já vi. Mas esse musical no final...me fez vê-lo e revê-lo inúmeras vezes. Além da ótima música escolhida (concerto para violino de Tchaikovsky) a montagem é feliz dando um tom extremamente dramático na revelação da história de uma das personagens centrais, Maria.


Sem mais delongas, BOM SHOW!



quarta-feira, 16 de março de 2011

Resumo da Semana #4

Um resumo de tudo que assisti entre os dias 13 e 19 de março. Uma semana que começou com Scorcese e terminou em Sordenbergh.



O Rei da Comédia

Jerry Langford (Jerry Lewis) é um consagrado apresentador de TV. Um dia, ao se encaminhar para o trabalho, ele é sequestrado pelo aspirante a comediante Rupert Pumpkin (Robert De Niro) e sua amiga Masha (Sandra Bernhard). Para escapar da situação, Jerry concede a Rupert espaço em seu programa de TV, de forma que ele possa apresentar seu número.




Ben-Hur


Em Jerusalém no início do século I vive Judah Ben-Hur (Charlton Heston), um rico mercador judeu. Mas, com o retorno de Messala (Stephen Boyd), um amigo da juventude que agora é o chefe das legiões romanas na cidade, um desentendimento devido a visões políticas divergentes faz com que Messala condene Ben-Hur a viver como escravo em uma galera romana, mesmo sabendo da inocência do ex-amigo. Mas o destino vai dar a Ben-Hur uma oportunidade de vingança que ninguém poderia imaginar.




Comer, Rezar e Amar
Elizabeth (Julia Roberts) descobre que sempre teve problemas nos seus relacionamentos amorosos. Um dia, ela larga tudo, marido, trabalho, amigos, decidida a viver novas experiências em lugares diferentes por um ano inteiro. E parte para a Índia, Itália e Bali, para se reencontrar numa grande viagem de auto conhecimento.




A Tortura do Medo
Mark é um fotógrafo obcecado em capturar o medo no rosto das pessoas. Para isso, comete crimes e filma suas vítimas. Essa estranha necessidade surgiu por culpa do seu próprio pai, um psiquiatra que o sujeitava a terríveis experiências, registrando suas reações em pequenos filmes.




Colheita Maldita
Isaac Chroner (John Franklin), um menino pregador, vai para Gatlin, Nebraska, e consegue que as crianças assassinem todos os adultos da cidade. Um jovem casal tem de comunicar um assassinato e vai para Gatlin, a cidade mais próxima, em busca de ajuda. Porém a localidade parece abandonada e logo eles são aprisionados, com poucas chances de escaparem vivos, pois as crianças praticam um culto que utiliza sangue humano para adubar a terra.





Hulk vs
Thor - Por eras, Loki procurou um modo de derrotar seu amaldiçoado meio-irmão, Thor. Mas em todas as batalhas que Thor participou nos 9 mundos, apenas uma criatura está à altura de sua força - uma fera mortal de Midgard conhecida como O Incrível Hulk. Agora, com Odin, o rei dos deuses, num profundo sono meditativo, todas as forças que protegem Asgard jazem enfraquecidas, e Loki finalmente está pronto para engendrar sua armadilha. Numa luta clássica que testará os limites do herói como nunca antes, apenas o poderoso Thor pode ter esperanças de prevalecer.



Wolverine - A história se passa em Alberta, no Canadá, por onde o Hulk tem passado deixando um rastro de destruição. O único que poderá pará-lo é Wolverine, agente de elite do sigiloso Departamento H do Canadá.




Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles
Uma chuva de meteoros repentinamente atinge a Terra. Logo se descobre que eles na verdade são naves alienígenas, que desejam exterminar os seres humanos a qualquer custo. A cidade de Los Angeles é alvo de uma das principais batalhas, dentre as várias que ocorrem ao redor do planeta. Nela está envolvido o sargento Michael Nantz (Aaron Eckhart), que teve sua aposentadoria cancelada devido à gravidade dos ataques. Nantz sofre ainda o trauma de ter perdido vários homens em sua última missão, o que o coloca em dúvida entre integrantes de sua nova tropa. Apesar disto, ele obedece as ordens do tenente William Martinez (Ramon Rodriguez) e tenta ajudar no que pode para eliminar o invasor extraterrestre.



Treze Homens e um Novo Segredo


Reuben Tischkoff (Elliott Gould), o homem que bancou financeiramente o assalto triplo aos cassinos de Terry Benedict (Andy Garcia), foi traído por Willie Bank (Al Pacino), um inescrupuloso dono de cassinos. Com Reuben no hospital, Danny Ocean (George Clooney), Rusty Ryan (Brad Pitt) e sua trupe mais uma vez se reúnem para iniciar um plano de vingança. O objetivo é derrotar Bank na noite de inauguração de seu mais luxuoso cassino, chamado The Bank, derrotando-o financeiramente e também atingindo sua reputação.

domingo, 13 de março de 2011

Musicais #4: O Violinista no Telhado

Esse é um dos números musicais mais divertidos do cinema, assim como todo o filme. O leiteiro pobre em seu estáblo fantasiando o quão boa sera a vida se fosse rico.

Embora o filme em si não seja um sucesso, essa canção (If I Were A Rich Man) ficou tão famosa que já até houve uma regravação no mundo pop.

Bom Show!

*vídeo em baixa qualidade. SORRY!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Resumo da Semana #3

A relação de filmes que vi entre 06 e 12/03. Semana cheia por causa do carnaval...rs

Rango
Rango (Johnny Depp) é um camaleão da cidade grande que vai parar, após um acidente, em pleno velho oeste, na cidade de Poeira no deserto do Mojave, na Califórnia. De uma hora para outra, sua rotina de animal de estimação mudou radicalmente e agora ele precisa deixar a vida "camuflada" para enfrentar os perigos existentes no mundo real, fazendo com que ele vivencie a experiência de fazer amigos, conhecer inimigos e até, quem sabe, se tornar um herói.



Bruna Surfistinha
Raquel (Deborah Secco) era uma jovem da classe média paulistana, que estudava num colégio tradicional da cidade. Um dia ela tomou uma decisão surpreendente: virar garota de programa. Com o codinome de Bruna Surfistinha, Raquel viveu diversas experiências "profissionais" e ganhou destaque nacional ao contar suas aventuras sexuais e afetivas num blog, que depois acabou virando um livro e tornou-se um best seller.




Os Dez Mandamentos
A épica vida de Moisés (Charlton Heston), desde recém-nascido, quando foi colocado nas águas em um cesto e acabou sendo adotado por uma princesa egípcia, até quando descobre sua real condição e decide liderar seu povo que, escravizado pelos egípcios, anseia pela liberdade.




O Violinista no Telhado
Um trabalho de destaque em qualquer categoria (Boxoffice), esta magnificamente produzida e aclamada pela crítica adaptação cinematográfica da peça que foi uma grande sensação nos teatros internacionais, conta a história de crença na vida de Tevye (Topol), um leiteiro pobre cujo amor, orgulho e fé o impulsionam a enfrentar a opressão da Rússia czarista do início do século.
Indicado para oito Oscar, incluindo melhor filme e melhor diretor e apresentando canções clássicas como If I Were A Rich man, Matchmnaker e Sunrise, Sunset, Um Violinista no Telhado é uma história universal de esperança, amor e aceitação - uma obra-prima musical Vibrante, alegre e marcante (New York Daily News).



Carta de Uma Desconhecida
Viena, início do século XX. O famoso pianista Stephan Brand se hospeda num hotel, onde recebe uma carta de uma mulher desconhecida. Ao lê-la, relembra de Lisa (Joan Fontaine em grande momento), uma mulher com quem viveu uma linda e tumultuada história de amor.
Ao som de Liszt, Wagner e Mozart, Max Ophüls realizou, com sua sofisticação característica, um melodrama inesquecível. Baseado no romance de Stefan Zweig.




5x Favela: Agora por nós mesmos
Episódio 1 - Fonte de Renda: Maicon (Sílvio Guindane) consegue realizar o sonho de passar no vestibular, mas logo se encontra apreensivo devido à sua incapacidade de arcar com os gastos com livros, alimentação e transporte. Ele fica então tentado a vender drogas para os colegas de faculdade, como forma de obter o sustento necessário para os estudos.
Episódio 2 - Arroz com Feijão: Para conseguir um quarto para o filho, os pais de Wesley (Juan Paiva) resolvem reduzir o cardápio diário a arroz com feijão. No aniversário do pai o garoto se junta ao amigo Orelha (Pablo Vinícius) para conseguir dinheiro, no intuito de comprar um frango como presente.
Episódio 3 - Concerto para Violino: Quando crianças Márcia (Cíntia Rosa), Jota (Thiago Martins) e Ademir (Samuel de Assis) fizeram um pacto de amizade eterna. Agora, com todos em torno dos 20 anos, Jota entrou para o tráfico de drogas enquanto que Ademir se tornou policial. O confronto entre os dois pode impedir que Márcia, agora violinista, realize o sonho de uma bolsa de estudos na Europa.
Episódio 4 - Deixa Voar: Flávio (Vítor Carvalho), de 17 anos, deixa que a pipa de um amigo voe. Para buscá-la ele precisa ir à favela de uma facção rival. Mesmo com medo, ele decide buscar a pipa.
Episódio 5 - Acende a Luz: É véspera de Natal e o morro está sem luz há três dias. Como os técnicos da companhia de luz não conseguem resolver o problema, um deles é sequestrado pelos moradores locais. Eles decidem fazê-lo de refém até que a luz volte.



O Caçador
Joong-ho Eom (Kim Yun-seok) é um detetive que se tornou cafetão por problemas financeiros, mas está de volta a ação, quando percebe que suas meninas desaparecem uma após a outra. Uma pista o faz perceber que todas elas estavam com o mesmo cliente, identificado pelos últimos dígitos do celular. Então, o ex-detetive embarca numa caçada feroz ao homem, convencido de que ele ainda possa salvar Kim Mi-jin (Seo Yeong-hie), a última menina desaparecida e acabar com este mistério.



Trindade Violenta
Após a Guerra Civil o ex-oficial Confederado Colt Saunders (Charlton Heston) conhece Lorna Hunter (Anne Baxter), uma dançarina de saloon que se faz passar por uma dama e até como esposa dele, quando Colt estava desacordado após uma briga. Acontece que ela soube manobrar tão bem a situação que Colt resolve casar repentinamente com ela. Eles vão morar em "Bar S", o rancho de Colt, que há 5 anos não tinha a presença do seu dono. Logo após chegar recebe uma má notícia, pois membros do "governo provisório" taxam em US$ 16 mil o rancho de Colt. Eles sabem que a dívida é impossível de ser paga e assim tem um pretexto para tomar o rancho. Para piorar, uma destas pessoas do "governo provisório" sabe do passado sombrio de Lorna. Além disto aparece Beauregard "Cinch" Saunders (Tom Tryon), o irmão de Colt, que é a ovelha negra da família.



O Selvagem da Motocicleta
Em uma pequena cidade industrial que está morrendo, o líder de uma pequena gangue, Rusty James (Matt Dillon), vive na sombra de seu ausente irmão mais velho, "O Motoqueiro" (Mickey Rourke). A mãe dele partiu, o pai dele bebe, escola não tem nenhum significado para ele e suas relações são superficiais. Rusty é levado em participar de mais uma briga de gangues e os eventos que se seguem começam a mudar sua vida.


segunda-feira, 7 de março de 2011

Musicais #3: Chicago

Todos os números musicais de Chicago são um espetáculo à parte, mas esse é o que considero mais interessante por conter a melhor canção do filme e contar com uma coreografia das bailarinas sensacional e que com graça auxiliam a recriar as 6 cenas de crime narradas por cada uma delas.

Além disso, as fitas de cetim vermelha representando o sangue dos maridos mortos e a iluminação em igual cor dão uma plástica única a cena.

Bom show!

domingo, 6 de março de 2011

Resumo da Semana #2

Inverno da Alma

Ree Dolly (Jennifer Lawrence) é uma garota de 17 anos que inicia uma caçada por seu pai no submundo do crime, depois que a polícia o declara foragido. Em sua procura, Ree tem de encarar a vida que o pai - um traficante de drogas - deixou para trás, enquanto tenta encontrar respostas para o que lhe aconteceu e uma maneira de não deixar a família entrar em colapso.

Minhas Mães e Meu Pai

Dois irmãos, filhos de um casal de lésbicas, decidem procurar pelo doador do esperma que os gerou e acabam mudando a vida de sua família quando o pai biológico dos jovens começa a fazer parte de suas vidas.

Assassinato no Expresso Oriente

No Orient Express um passageiro é morto e Hercule Poirot (Albert Finney), o famoso detetive belga que embarcou por acaso, considera que todos os passageiros são suspeitos, pois todos tinham motivos para matar a vítima, que tinha sequestrado e matado uma menina, já que os suspeitos de alguma forma tinham alguma conexão com a criança morta.

Amadeus

Após tentar se suicidar, Salieri (F. Murray Abraham) confessa a um padre que foi o responsável pela morte de Mozart (Tom Hulce) e relata como conheceu, conviveu e passou a odiar Mozart, que era um jovem irreverente mas compunha como se sua música tivesse sido abençoada por Deus.

Os Fugitivos

Final dos anos 40. Um casal de serial killers, Martha Beck (Salma Hayek) e Raymond Fernandez (Jared Leto), são conhecidos como "Lonely Hearts Killers". O plano era simples: fraudavam e matavam viúvas de guerra, que responderam anúncios de jornal nos quais Ray se descrevia como um amante latino. Ironicamente ele conheceu Martha desta forma, mas quando se encontraram foi amor à primeira vista, talvez por ambos gostarem de sexo intenso e dinheiro fácil. Ao cometerem assassinatos fazia parte do plano Martha fingir ser irmã de Ray. Enquanto mais mortes aconteciam, os detetives Elmer C. Robinson (John Travolta) e Charles Hildebrandt (James Gandolfini) decidiram fazer qualquer coisa para capturarem Martha e Raymond.

Olhos de Serpente

Policial corrupto (Nicolas Cage) presencia assassinato de político famoso em arena de boxe. Ele ajuda um velho amigo (Gary Sinise), que fazia a segurança do político, a tentar encontrar o responsável pelo crime. E acaba tendo que bancar o herói para desvendar a trama.

sábado, 5 de março de 2011

Minhas Mães e Meu Pai


Trailer (legendado)


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Resumo da Semana #1

A partir de agora toda semana posterei aqui os trailers dos filmes que vi ao longo da semana. Como em qualquer arte, o cinema é algo subjetivo e as opiniões quanto aos filmes serem bons ou não cabem a cada um. Sendo assim, recomendo sempre todos os filmes que vi.

Abaixo os filmes que vi entre 20/02 e 26/02.

Bom fim de semana e bons filmes!

127 Horas

SINOPSE

127 Horas é a história real e notável do alpinista Aron Ralston, na tentativa de salvar a si mesmo após a queda de um pedregulho sobre seu braço na garganta de uma rocha isolada em Utah. Nas próximas 127 horas, Ralston repassa sua vida e luta contra aos elementos da natureza para finalmente descobrir que ele tem a coragem e os meios para livrar-se dessa prisão, escalar uma parede rochosa e caminhar ao longo de oito quilômetros antes de ele finalmente ser resgatado. Ao longo de sua jornada, Ralston se lembra dos amigos, da namorada, da família, e das duas caminhantes que ele conheceu pouco antes do seu acidente.

O Triunfo da Vontade

SINOPSE

Em 1934 no 6° encontro no Partido Nacional Socialista, Adolf Hitler encomenda um cobrir todo o evento em documentário para enaltecer sua figura e do partido para as futuras gerações nazistas.

O Ritual

SINOPSE

Inspirado em fatos reais, O Ritual narra a história do cético seminarista Michael Kovak que, relutantemente, freqüenta uma escola de exorcismo no Vaticano. Sua vida muda quando ele encontra o ortodoxo Padre Lucas, que lhe apresenta o lado mais obscuro de sua fé.

Enterrado Vivo

SINOPSE

Paul Conroy (Ryan Reynolds) é um americano que trabalha como motorista de caminhão no Iraque. Ele acorda, sem saber como, enterrado vivo dentro de caixão de madeira. Sem saber o que aconteceu e o porquê de estar ali, ele tem em suas mãos apenas um telefone celular e um isqueiro. Começa então uma tensa corrida contra o tempo e a falta de ar. A pressão aumenta ainda mais quando os sequestradores exigem um resgate milionário para libertá-lo e um vídeo com suas imagens vai parar no YouTube.