sábado, 2 de outubro de 2010

Resident Evil 4 – A mesmice e sempre



NOTA: 4


É até difícil escrever uma crítica de um filme que parece ser idêntico em todas as suas sequencias. O novo Resident Evil é idêntico aos outros três, tanto que eu poderia contar o filme todo aqui e ainda não estragar a graça de vê-lo nas telas. Quem já viu algum, já viu todos.

No filme mais uma vez Alice (Milla Jovovich) tenta livrar o mundo da Corporação Umbrella e seus zumbis. E tudo já começa de um modo muito pouco compreensível. O quarto episódio começa de certa forma em plena continuidade com o terceiro, onde Alice leva seus clones para o Japão para tentar destruir a Coporação Umbrella e seu líder (que possui uns óculos escuros que parecem estar grudados em seus rosto). Mas o que parecia ser todo o mote do filme dura menos que 10 minutos: todos seus clones são mortos sem realizar seu objetivo final.

A cena que segue é ainda mais impressionante. Após perder todos seus poderes, Alice sofre um acidente catastrófico de avião, mas sai completamente ilesa, fugindo em busca de outros sobreviventes no planeta. É uma cena que no mínimo duvida da nossa inteligência.

E continua o resto do filme com uma série de eventos no mínimo questionáveis. O que tinha a ver aquela aranha de metal no peito de Claire? O que tinha a ver prender um soldado temendo-o somente porque ele exercia sua profissão? Por que um sobrevivente mata o único mecânico do grupo sendo que ele não atrapalhava em nada? E por aí vai. Quem assistir vai entender porque questiono tanto.

Sem muito o que escrever desse filme patético, posso salientar como ponto positivo o seu 3D que é extremamente eficiente, onde o diretor faz uso de uma profundidade de campo praticamente infinita, deixando ao nosso encargo separar os planos.

Seus cenários também são muito bem planejados, sendo igualmente medonhos quando sombrios quanto assustadores nos brancos em excesso da Umbrella.

Fora isso a série já nem assusta mais com seus zumbis já viciados na tela, virando muito mais um filme de aventura do que terror. E se antes sempre havia uma criatura em especial que assustava mais que as outras, no quarto episódio nem isso ajuda muito.
E numa filmagem que tenta a todo momento copiar o clássico Matrix, com congelamento de cena desnecessário e desvio de balas a la Neo, Resident Evil se mostra não só fraco neste aspecto, como também em seu roteiro, atuações, montagem etc, etc, etc. E podem se preparar que vai ter mais uma sequencia. Querem saber o que vai acontecer? Basta assistir a qualquer um dos outros quatro filmes que você saberá.

Confesso que não consigo escrever mais nada, senão FIM.


CONFIRA O TRAILER (sem legendas)

sábado, 4 de setembro de 2010

Karatê Kid – Mais que um remake, uma homenagem a um clássico



NOTA: 9

Hoje em dia fazer um remake de qualquer filme, em especial um de grande sucesso é algo muito arriscado. As chances de tudo dar errado é muito grande. Seja por incapacidade técnica ou pela nostalgia do público, os remakes tendem a ser rejeitados e costumam passar em branco. E se fazer um já é algo difícil, relançar uma série consagrada torna-se algo praticamente impossível de dar certo. Porém, pra tudo há exceção e é essa a felicidade que temos ao assistir o relançamento da série Karatê Kid de Harald Zwart.

O que parecia impossível melhorar, melhorou. E muito! Zwart se mostrou eficiente nesse filme em não decepcionar os fãs da série e atrair quem é jovem demais pra ter acompanhado a versão antiga.

Seguindo basicamente a história anterior, em Kung Fu K...quer dizer, em Karatê Kid, Dre (Jaden Smith) é um jovem americano de 12 anos que se muda com a mãe para a China após ela ser transferida do trabalho. Chegando lá ele se apaixona pela jovem Mei e imediatamente vira rival de Cheng, um jovem que domina impecavelmente a arte do kung fu. Dre vira vítima constante de bulling (palavra em moda) até que o zelador de seu prédio, Mr Han (Jackie Chan) o salva de uma agressão e começa a treiná-lo para lutar. Fora o kung fu, não contei nenhuma novidade.


Harald Zwart se preocupou em não só mostrar a história de Dre, como também a realidade de uma China que vive atualmente um embate entre manter suas tradições e se posicionar como uma potência agressiva do mundo globalizado. Nessa nova China, o povo não quer mais aprender com a derrota, ele simplesmente não a aceita mais. No filme isso fica claro quando se vê um professor de piano que nunca está satisfeito com o desempenho Mei e um mestre do kung fu, Li, ensinando seus alunos não uma arte marcial, mas uma arma para massacrar inimigos sem piedade, sem fraqueza e sem dor.


E se por um lado o roteiro é desnecessariamente extenso e não surpreende por ser praticamente idêntico ao original, por outro, o modo como foram feitas verdadeiras homenagens a série com certeza agradarão muito os marmanjos de hoje e marcar a memória dos novos fãs. A todas as peculiaridades do original foram feitas referências: os treinos aparentemente estranhos e sem sentido, o golpe final de Dre etc. E quem espera com isso praticamente rever um filme de 20 anos atrás vai se surpreender muito no modo como Zwart originalmente “copiou” a série.


Embora haja ua divergência de opiniões sobre o assunto, achei que foram acertadas as cenas de luta que são extremamente bem filmadas e coreografadas, sendo muito próximas de um combate real, chegando a alguns momentos questionarmos se não foram de fato. E interessante é que foram muito bem dosadas a ponto do filme permanecer no gênero drama e não virar um filme de aventura. É claro que é um pouco estranho ver crianças brigando desse jeito, mas pelo menos pra mim o filme ficaria muito infantilizado se essas cenas fossem feitas de outro modo.

Em relação aos atores, Karate Kid não teria sido tão bom assim não fosse uma atuação mirim surpreendente de Jaden Smith, vivendo um Dre que expressa muito bem sua dor e sua vontade de superação, mostrando uma maturidade incrível quando necessário. Muito melhor do que um Ralph Macchio com seu Daniel Sam maricas e chorão.

E por uma ironia do destino a melhor atuação de Jackie Chan se dá justamente num filme onde ele não dá um único golpe sequer. Aliás há uma cena muito interessante onde ele derrota uma série de garotos apenas se defendendo e se esquivando. Seu personagem, Mr Han carrega a dor e o sofrimento em seu semblante notáveis a quilômetros de distância, sendo muito valorizados pelo seu figurino e maquiagem. Na cena em que o sofrimento que o atormenta é enfim revelado, Jackie e Jaden têm um diálogo comovente que no mínimo faz os olhos marejarem.


Como tudo que é mais arriscado de fazer, quando dá certo o resultado é muito mais gratificante. Humildade, auto-descoberta, o respeito e valor à amizade e sobretudo, a essência dos outros quatro filmes da série foram preservados nesse, e isso o fez ser tão bom. Arrisco dizer que essa nova versão é melhor do que a antiga. Não acreditam? Então na dúvida, confiram.


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sábado, 28 de agosto de 2010

O Último Mestre do Ar – Egocentrismo superando a criatividade.



Escrito, produzido e dirigido por M. Night Shyamalan. Todo esse poder é coisa rara hoje em dia em Hollywood. Somente diretores poderosos e consagrados como Spielberg e Tarantino têm essa autonomia hoje em dia, afinal são milhões de dólares investidos e um risco muito alto a se correr. Mas pra tudo há exceções e definitivamente Shyamalan e seu O Último Mestre do Ar é um péssimos exemplos.

No seu mundo adaptado do desenho Avatar (não confundir com o filme), existem quatro povos controlando cada um, um dos elementos da natureza (água, fogo, terra e ar). Esses povos viviam em harmonia até que a Nação do Fogo decide dominar todos eles. Agora cabe a Aang, um garoto que é o único humano desse mundo a controlar os quatro elementos, impedir a expansão imperialista do povo do fogo.



Carregado de efeitos especiais, O Último Mestre do Ar é aquele tipo de filme que enche os olhos nos trailers, mas que se mostram uma total decepção quando assistidos. Shyamalan sempre foi um exímio contador de histórias, mas nesse caso parece que ele se esqueceu de como fazê-lo. O filme é muito confuso e me parece que ele quis inserir tudo do universo do desenho nele, transformando a história numa verdadeira salada de frutas. Além da trama principal, há uma série de tramas secundárias e personagens em excesso que não conseguem se firmar, como é o caso da disputa entre Zuka e Zhao, ou até mesmo o monstro de aparência carismática Appa, que passa totalmente em branco.

E se um filme é escrito, produzido e dirigido por uma mesma pessoa, não é de se estranhar que ela tenha errado em todas as suas tarefas. Ao contrário de querer autonomia para criar um filme que tinha muito para ser um sucesso, Shyamalan pareceu o tempo todo mais preocupado em alimentar seu ego inserindo falas estúpidas e slow motion em praticamente todas as cenas que possuem efeitos especiais para que nós, reles mortais, ‘apreciemos sua genialidade’.

Embora de início chame muita atenção toda a técnica Tai Shin Shuan dos personagens para controlar os elementos, em coreografias que exigiam muito treino, com o tempo a quase ausência de combates físicos cansa o espectador que diversas vezes se pergunta: “Por que não aproveitam pra matar ele com um golpe enquanto ele faz toda essa dança pra soltar uma bola de fogo?”

Parece que fora os efeitos, tudo deu errado no filme: o egocentrismo de seu diretor, uma história muito mal contada e um elenco de novatos de péssima qualidade. O Aang de Noah Ringer é artificial de sua primeira à última aparição, sendo tão difícil expressar qualquer emoção que nem se nota o seu drama existencial que parece ter alguma importância à história. E as mesmas péssimas atuações se estendem ao restante do elenco. Há apenas uma exceção: Dev Patel. Se quem achava que ele tinha sido apenas um ator que deu sorte em ‘Quem Quer Ser Um Milionário?’ vai se surpreender com a boa performance com seu Príncipe Zuko, com seu eterno conflito interno entre ser justo ou ser aceito pelo pai.

Talvez como Orson Welles, Shyamalan tenha feito sua obra-prima logo no início da carreira (O Sexto Sentido) e venha decaindo desde então (Sinais, Dama D’água, Fim dos Tempos), pois O Último Mestre do Ar é com certeza seu pior filme (e vai ter continuação). Mas aposto que ninguém o convencerá jamais disso, afinal o grande mal dos egocêntricos é acharem que estão sempre certos e o mundo todo é que está errado.



NOTA: 5


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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A Melhor Trilha Sonora do Cinema: A Balada do Pistoleiro


Essa pra mim sem a menor sombra de dúvida é a melhor canção do cinema, Malaguena Salerosa, do filme A Balada do Pistoleiro (1996) escrito, produzido e dirigido pela genial Robert Rodriguez.

Uma música divertidíssima, muito gostosa de ouvir e que já em seus créditos revela muito do perfil de seu personagem principal: El Mariachi. Embora esteja em castelhano, reparem no que for possível entender o quanto ele fala de si mesmo e a partir disso o que podemos esperar de tal personagem. Além disso, há uma pequena mostra de seu senso de justiça que o acompanhará em toda trama.


domingo, 22 de agosto de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

Os Mercenários - muita ação pra pouco filme


Se tem uma coisa que é arriscada fazer no cinema é colocar muitos personagens num mesmo filme. Fica difícil trabalhar a trama de todos e dar equilíbrio em suas participações. E esse foi o pecado grave cometido por Stallone em seu novo filme: Os Mercenários.

O elenco mais desejado para um filme de ação de todos os tempos (Jason Sthatan, Jet Li, Terry Crews, Dolph Laugdren dentre outros), Os Mercenários tinha tudo para ser uma obra memorável do gênero não fosse essa armadilha que Stallone, visando fins comerciais, armou para si mesmo. Os personagens ficam dispersos na história e fica evidente a dificuldade em inseri-los no filme de modo satisfatório. Alguns ficam quase esquecidos como Terry Crews e Jet Li e outros são esquecidos por completo como é o caso de Randy Couture.


No filme, Stallone interpreta Barney líder de um grupo de mercenários que reúne os melhores assassinos da terra, cada um na sua especialidade. Seu grupo é contratado para eliminar um ditador de uma ilha no Golfo (numa referência clara ao Chavez), porém descobrem que esse trabalho não será tão simples e que eles podem estar caindo numa cilada.



Tudo que envolve ação no filme é realmente muito impressionante. As lutas são excelentes e muito bem coreografadas, combinando técnicas de jiu-jitsu, wrestler e kung fu. Os tiroteios também são longos, violentos e bem trabalhados, lembrando muito o último filme de Stallone, Rambo 4. As cenas são rápidas, mas não perdemos nenhum detalhe, e diferentes de tudo o que se costuma a ver no cinema. Barney é rápido no gatilho como um cowboy do velho oeste e Christimas é um exímio atirador de facas, coisa que fica clara na primeira aparição do grupo combatendo piratas somalis num navio. Há um certo exagero nos banhos de sangue, mas nada que atrapalhe o impacto das cenas. Impressiona também o preparo físico de Stallone para o filme, dispensando dublês em plenos 64 anos.
Mas essa é a única coisa boa de todo o filme.

Seu roteiro é péssimo e fica claro que a única intenção do longa é o foco nas cenas de ação. A história é facilmente previsível e nem um pouco envolvente. E ainda há o desastre completo de Stallone ao tentar inserir algum código de ética a um grupo de MERCENÁRIOS logo no início do filme, quando seu personagem diz a Gunnar, que pretendia matar um criminoso por pura diversão, que não é assim que eles ‘trabalham’. Estranho ouvir isso de quem ganha a vida matando quem nem conhece. Bobagem também são as piadas inseridas pra dar alguma graça à história que, coincidentemente, têm sempre algo a ver com a vida pessoal dos atores, a exemplo da piada feita com a orelha de Couture ou a referência ao desejo de ser presidente do personagem de Schwarzenegger. Aliás, sua participação foi curta, mas ótima para matar as saudades. E era o sonho de todo fã de filmes de ação ver Stallone, Bruce Willis e Scwarzenegger contracenarem. Sem contar que essa cena dá uma abertura a uma continuação para o filme, pois nela há dois grupos rivais de mercenários que não são nem um pouco amistosos em suas relações.

Parece também que toda a equipe que realizou o filme esqueceu que mulheres também o assistiriam, pois Os Mercenários é uma ode ao machismo: músculos, bebidas, pancadaria, promiscuidade e as mulheres, em boa parte do filme, tratadas apenas como objetos de prazer. E nem a participação de Gisele Itié ameniza o fato, até porque sua atuação é péssima.
Para quem gosta de Silvester Stallone (como eu) e seus filmes com muita pancadaria, tiros e ação, Os Mercenários é um ótimo programa para o fim de semana. Mas quem gosta de tudo isso e um pouco mais de conteúdo e qualidade, acredito que essa não seja a melhor opção. Os Mercenários é um filme para simplesmente se ver na tela e não assistir. Uma distração bem-vinda e nada mais que isso.

NOTA: 6

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sábado, 14 de agosto de 2010

A Origem – Uma incrível viagem ao mundo dos sonhos



Avatar vai perder espaço nas rodas de discussão de cinema. Isso porque acaba de estrear A Origem, o novo filme de Cristopher Nolan, que promete ser a sensação dos próximos meses. Um filme complexo, mas igualmente empolgante que não caberia numa crítica tudo a ser dito ao seu respeito.

No longa, Cobb é o líder de um grupo que possui a habilidade de invadir os sonhos de qualquer pessoa para extrair informações, uma atividade ilegal e com fins empresariais. Após fracassar com uma de suas vítimas, o empresário bilionário Saito, o mesmo o contrata para fazer o trabalho oposto e muito mais difícil: inserir uma informação nos sonhos de um concorrente seu para que este dividisse a empresa recém-herdada do pai. Instigado pela recompensa (que não revelarei aqui) Cobb aceita e recruta uma equipe para realizar a tarefa.

Escrito e dirigido por Nolan, A Origem leva o espectador numa incrível viagem ao mundo dos sonhos sem nada mirabolante, sendo até difícil diferenciar em dados momentos o que é sonho e o que é real. Aliás esse é um drama em que vive alguns dos personagens da narrativa como a misteriosa Mal. E embora essa semelhança entre sonho/real tenha incomodado alguns críticos, creio ter sido uma decisão acertada do diretor, pois assim ele evita com que o filme fique carregado de exageros e impossibilidades, além de muito mais difícil de se compreender.


Seu roteiro é impecável. Nada fica muito mastigado ao espectador nos obrigando a pensar bastante pra compreender todo o filme. E não é demérito nenhum de quem assistiu ter ficado cheio de dúvidas. Afinal, A Origem é realmente muito complexo e foi feito para ser visto mais de uma vez. E o que há de mais fantástico no roteiro é a relação entre sonho/realidade estabelecida por Nolan. Tudo o que acontece no mundo externo enquanto o sonhador está dormindo afeta diretamente seus sonhos, como na cena onde um dos membros da equipe é atingido por gotas d’água e imediatamente começa a chover em seu sonho.


Interessante também é como ele deixa claro ao espectador o quanto é difícil para a equipe de Cobb realizar seu trabalho: invadir sonhos requer uma série de profissionais nas mais diferentes especialidades como um químico, arquiteto, falsificador, além de alguma tecnologia. Assim, não fica uma idéia de que tudo aquilo acontece como num passe de mágica, quase um deus ex machina, mas sim que exige um planejamento meticuloso para que tudo dê certo.


Os efeitos especiais são uma marca registrada de A Origem. São magníficos em todos os seus aspectos e alguns são impossíveis de se reproduzir de outra forma que não seja em imagens. Nolan acertadamente opta por usá-los apenas o quanto são necessários, não dando espaços a exageros e pieguices. A cena de uma cidade inteira sendo literalmente dobrada ao meio é completamente fora de sério, assim também são algumas das cenas de ação.




E é realmente muito satisfatório não só para o público que pagou o ingresso, como também a toda uma equipe empenhada em fazer um bom filme, trabalhar com um elenco onde todos foram absolutamente impecáveis em suas atuações. Leonardo Di Caprio mais do que nunca se firma como um excelente ator (a ver pelo melhor filme do ano: A Ilha do Medo) e não mais um refém da vaidade. Marion Cotilard embora apareça pouco é sempre intensa, sem contar que é um prazer vê-la em cena, pois além de uma grande atriz é a mulher mais linda do mundo na minha singela opinião. Rasgo elogios também para Ellen Page, Tom Hardy, Ken Watanabe e todos que abrilhantaram a narrativa com suas atuações.

Cristopher Nolan mais uma vez se mostrou um dos melhores diretores de sua geração, incluindo mais um sucesso a sua lista já espetacular de filmes (O Grande Truque, Batman: O Cavaleiro das Trevas). Agora ele nos presenteia com um filme, cujo final fará com certeza que todos saiam discutindo da sala de cinema. Pintou o primeiro candidato ao Oscar 2011.

NOTA: 10 (pra não dizer 11)
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sábado, 31 de julho de 2010

O Bem Amado - Tão bom que dá vergonha assistir




Em ano de eleição não há nada melhor do que uma obra para refletirmos sobre todos os nossos erros (e são muitos) na hora de escolhermos nossos representantes. E não poderia existir uma obra melhor pra gerar essa reflexão do que O Bem Amado.

Adaptado do texto de Dias Gomes, o filme narra a história de Odorico Paraguaçu, um político nada ético, e sua saga como prefeito da pequena cidade de Sucupira que por uma estranha coincidência, tem início exatamente no mesmo dia em que Jango renunciou ao poder e o Brasil quase que viu antecedido o Golpe Militar (21/08/1961).


Até aí, absolutamente nada demais. Porém, dentro dessas quase duas horas de filme há um conjunto de perfeições que fazem de O Bem Amado algo ao mesmo tempo divertidíssimo, constrangedor e reflexivo.

A começar pela opção acertada do diretor Guel Arraes em não situar a história em dias atuais (embora para isso seria necessário apenas mudar cenário e figurino). Assim, ele consegue evitar que Odorico seja comparado a esse ou aquele político da atualidade, porque Odorico na verdade não é a cópia de um político só, mas sim uma metáfora de toda Política.


Falastrão, oportunista e corrupto, Odorico carrega consigo o que é mais presente na imensa maioria dos candidatos que conhecemos. Ele surge na história já se aproveitando para discursar sobre o caixão do antigo prefeito, seu rival político, e assim já iniciar sua campanha para substituí-lo. E é impressionante a cena em que ele dá conta de si e percebe que reclamando da longa caminhada feita para enterrar o prefeito em outra cidade (pois pasmem, Sucupira não possuía um) encontra não só o mote de toda sua campanha, como a justificativa para praticar todos os seus crimes. Sacrifica o povo e manipula bem os fatos para que tudo saia como planejado, exceto (pasmem novamente) o fato de já com dois anos de mandato nenhum sucupirense morreu para inaugurar o super faturado cemitério.

E nem na oposição encontramos algum consolo, pois embora Vladmir Castro quando está em público defenda todos os ideais políticos em prol da população, deixa claro em seus atos que na verdade nada mais quer do que estar no lugar de Odorico e se beneficiar do seu poder. O Bem Amado assim, é um filme sem nenhum protagonista, mas sim com dois antagonistas.

E se rimos dos discursos enfeitados e carregados de neologismos de Odorico, - que é magistralmente interpretado por Marco Nanini - sentimos vergonha ao mesmo tempo sabendo que se rimos é porque ele também está nos enganando e que do mesmo modo nossos políticos nos enganam rotineiramente.

Em toda a trama, o jornalista Neco é o único personagem sensato que tenta abrir nossos olhos e é sempre calado pelo pretensioso Vladmir Castro, uma alusão ao poder de moldar a opinião pública que a imprensa tem, usando O Trombeta única e exclusivamente como arma contra a prefeitura e auto-promoção. E todos os demais personagens são culpados, mesmo que pela sua ignorância. As irmãs Cajazeiras se deixam enganar por qualquer elogio e promessas baratas; Moleza (que representa o povo como um todo) muda sua opinião conforme seu interesse individual.

Zeca-Diabo, um personagem complexo e muito bem construído por José Wilker, talvez seja o único com algum senso de justiça, mesmo ao seu modo. Mas, se por um lado é satisfatório ver que ele desistiu de ser um assassino num momento que essa sua função era indispensável para Odorico (afinal seu nome verdadeiro é José Tranquilino dos Santos), por outro é triste saber que sua ignorância não permite que ele vá mais além do que isso.

E por fim, vemos que assim como no Brasil, em Sucupira a Política é cíclica, pois ao sair um “Coronel” vemos imediatamente outro igual assumir sua função. O Bem Amado, que tem seu título muito bem justificado em seu final, é uma comédia que busca brilhantemente nos envergonhar, por deixar escancarado o quanto somos cidadãos sucupirenses. Ainda há tempo para mudar e fazer com que O Bem Amado seja realmente só uma comédia de ficção.
NOTA: 10
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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Comentário sobre os 10 finais mais surpreendentes do cinema.

RECOMENDO QUE QUEM NÃO ASSISTIU AOS FILMES NÃO LEIA ESSA MATÉRIA, POIS ELA REVELARÁ SEUS FINAIS

Essa semana o jornal The Guardian publicou uma lista dos dez finais mais surpreendentes da história do cinema, segundo votação feita junto aos fãs. Clique aqui para ver.

Sendo assim, decidi fazer um breve comentário sobre cada um deles e dar meu voto.

Vamos pela ordem da lista:


1 – Sexto Sentido - Seria muito surpreendente, porém ruim, se o diretor não tivesse dado tantas dicas ao longo do filme que o Dr. Malcon estava morto. O principal deles é que em nenhum momento ele interage com qualquer outro personagem do filme senão o menino.









2 – Psicose - Tudo bem, surpreendeu mesmo saber que a mãe de Norman Bates estava morta. Porém, o cara era tão estranho que dava pra perceber que no mínimo ele tinha muito a ver com tudo o que estava acontecendo. E o filme é tão focado nele que a mãe fica em segundo plano.









3 – Os Suspeitos- Tem tanta dica no filme de que Verbal era Keyser Soze que já nem é surpresa quando se descobre. Primeiro porque Verbal era o mais previsível exatamente por sua imprevisibilidade: o cara introvertido e deficiente físico que nem parecia um criminoso. Depois há uma série de acontecimentos que entregavam ele. Vale lembrar que a história vinha sendo narrada por ele mesmo, então a verdade só seria revelada se ele quisesse. Antes de ser interrogado, o policial Chazz é advertido que Verbal tem pânico de escutas, mas quando ele finalmente é chamado pro interrogatório parece não ligar tanto pra isso, porque sabia que tendo a história narrada por ele gravada o absolvia de qualquer suspeita de sua identidade. Quando os cinco integrantes do bando recebem um dossiê com tudo da vida de cada um, ele é o único que não folheia o seu. E por aí vai...


4 – O Império Contra-Ataca - É muito revelador mesmo, mas eu fiz a besteira de assistir o Episódio 1 primeiro, então quando vi o filme já sabia que alguma ligação havia entre os dois.









5 – Jogos Mortais - Se for se basear em surpresa a série toda tem que estar na lista. Jogos Mortais sem surpresa não existe. Mas se fosse pra escolher um da série eu escolheria o 4, porque realmente parecia impossível Jigsaw e Amanda fazerem tudo aquilo sozinhos.










6 – Clube da Luta – É muito surpreendente mesmo a revelação de que Tyler na verdade é uma segunda personalidade do Personagem Sem Nome (Edward Norton). Mas também o diretor faz questão de dar dicas de que a história teria tal desfecho. A começar pelo fato do protagonista não ter nome e ser um looser completo, sendo natural que ele adotasse uma outra identidade para ser notado. E durante o filme, antes de Tyler aparecer em definitivo, volta e meia a tela pisca e ele aparece numa fração de segundo em várias cenas e só o Personagem Sem Nome nota.




7 – O Homem de Palha – Que o protagonista ia ser oferecido em sacrifício realmente ninguém imaginava, mas que com certeza um desfecho trágico estava destinado a ele, isso era fato.










8 – Os Outros – Dá pra saber também que eles estão mortos. A direção de arte carregada de neblina e a fotografia escura são exatamente a descrição do limbo que Grace pregava aos seus filhos. Também não deixá-los em contato com a luz é uma metáfora clara de que ela não quer que eles sejam iluminados pela verdade.








9 – Seven – Esse não devia nem estar na lista. Não é surpresa nenhuma que um SERIAL KILLER seja tão sádico.











10 – Planeta dos Macacos – É um dos finais que mais gostei. É impactante saber que tudo aquilo é nossa culpa e que não há qualquer chance de voltar atrás.










E o meu voto vai para...








KILL BILL: VOL 2 – O final põe por terra toda a história. Beatrix queria se vingar de Bill porque ele matou sua filha, mas descobrir que não só ela estava viva o tempo todo, como ainda foi muito bem criada por Bill, tiram toda a sua justificativa por vingança. E daí vemos que Beatrix é tão perversa quanto Bill: primeiro porque não tem mais sua razão nobre para matá-lo; segundo que matando-o ela deixou sua filha órfã do único parente que conhecia até então; terceiro que seu sadismo é tão grande que ela se arrepende logo depois que o mata - porque ele era o homem que ela amava - mas sua sede de sangue falou mais alto.



Ok, ok, fui chato por não ter escolhido um da lista. Mas vou escolher um pra aliviar minha barra: Planeta dos Macacos. Pronto!

sábado, 24 de julho de 2010

Shrek Para Sempre – para sempre um filme perfeito


Sempre que uma sequência de qualquer filme de sucesso chega aos cinemas vem aquela dúvida cruel: “Será que esse vai ser tão bom quanto os outros?”, mas com certeza esse não é o caso de Shrek Para Sempre, o quarto filme do anti-herói mais querido do mundo, que está impecável como sempre.

Com o 3D mais eficiente e convincente desde Avatar (evitando a pieguice de braços saindo da tela), no quarto e último filme da série, Shrek começa a sentir um forte cansaço da rotina e saudades dos tempos em que era um ogro temível por todos, ou seja, antes de conhecer Fiona. Sendo assim, assina um contrato com um duende chamado Rumpelstiltskin (eu sei, é quase impossível pronunciar) onde ele poderia viver despreocupadamente como um ogro assustador por um dia, dando em troca um dia de sua vida a Rumpel. O que ele não contava é que o duende usaria este dia para impedir sua existência e assim dominar o reino de Tão Tão Distante. Agora cabe a Shrek consertar as coisas nesse novo mundo bastante mudado.

O que mais me impressiona em todos os filmes de Shrek é o sucesso feito indo justamente contra as fórmulas empregadas por Hollywood. A começar pelo banho de água fria que joga em todos os contos de fada mais famosos, satirizando-os sem cometer exageros, como um Gato de Botas que se torna obeso após a aposentadoria. Todos os personagens do universo dos contos são inseridos inteligentemente às regras da sociedade contemporânea, sendo mais divertidos e mais fácil ao público se identificar com qualquer um deles.

Ridiculariza também algumas técnicas de filmagem empregadas deixando claro o quanto elas são utilizadas apenas para iludir o espectador, como na cena em slow motion dos cabelos esvoaçantes de Fiona na sua primeira aparição como heroína da resistência ou as constantes trilhas sonoras passando a certeza de um acontecimento previsível, frustrado logo em seguida ocorrendo exatamente o oposto.

Aliás, com Fiona é feita outra crítica ácida ao cinema americano: a dificuldade e o preconceito que Hollywood tem em retratar personagens femininos: ou como totais submissas à sociedade machista ou de um modo truculento em que nada as distinguem do universo masculino. Fiona é retratada dos dois modos no longa, ora sendo a esposa sempre presente, ora sendo a guerreira mais valente do que todos os ogros fortões. Há exceções como no filme Erin Brockovich, mas são realmente raras exceções.

O filme é dirigido magistralmente por Mike Mitchell e chama muita atenção no longa a riqueza de detalhes tanto dos personagens como de todo o cenário e paleta de cores utilizadas. A “atuação” dos personagens - se é que podemos chamar assim - é tão rica que por vezes parece realmente que há um ator ali, especialmente em Rumple e suas expressões faciais que se alteram radicalmente da água para o vinho em diversos momentos. Além da facilidade em que foi trabalhada em toda a série a combinação de elementos da era medieval com os do mundo contemporâneo, como instrumentos musicais feitos de abóboras e um espelho/televisão de alta definição.

Já o roteiro não chega a ser tão envolvente. É eficiente no primeiro ato em que vemos passo a passo o stress do cotidiano afetando Shrek e como ele pouco a pouco sente a perda de sua identidade. Porém, quando passa a ter uma nova vida, indo para uma nova Tão Tão Distante (numa viagem a la Mágico de Oz) a narrativa pouco a pouco vai perdendo seu interesse e se torna comum e previsível.

Mas isso não impede de retratar fatos muito interessantes como a total falta de personalidade do vilão, trocando de peruca para cada ato seu, as piadas rápidas e sempre bem-vindas do Burro Falante e o Gato de Botas, ou um caçador de recompensas e sua arma impensável até para os mais espertos. Sem contar num encontro romântico nada convencional entre Shrek e Fiona regado a socos e pontapés.

Se por um lado o roteiro não desperta tanta atenção, só o fato de reencontrarmos todos esses personagens tão incríveis de Tão Tão Distante valem muitas idas ao cinema. E é uma pena que esse seja o último episódio da série que com certeza vai deixar muitas saudades e...por mais que seja duro, melhor terminar agora enquanto é inesquecível do que estendê-la a um ponto onde comece a se tornar cansativa e prosaica.

NOTA: 9


CONFIRA O TRAILER (Dublado)


quarta-feira, 21 de julho de 2010

A influência de Leone sobre Tarantino: Três Homens em Conflito x Cães de Aluguel














Que Quentin Tarantino tenha fortes influências de Sérgio Leone em seus filmes não é novidade nenhuma. Até porque ele mesmo revela isso.

Mas mesmo que não revelasse, basta assistir a um filme de Leone e posteriormente um de Tarantino para ver como isso é claro. Seja nas cenas de ação, seja na trilha de Ennio Morricone, Tarantino sempre deixa translúcidas suas influências.

Para exemplificar essa influência separei dois trechos de filmes dirigidos por ambos que são muito parecidas. O primeiro trecho é do filme Três Homens em Conflito, sucesso de 1966 de Leone. O segundo trecho é do primeiro filme de Tarantino, Cães de Aluguel, de 1994. As duas cenas são de "trielos", ou seja, um duelo com três pessoas.

Confira as cenas primeiramente e depois veja a análise abaixo.


TRÊS HOMENS EM CONFLITO (SÉRGIO LEONE - 1966)



Nessa cena as três figuras principais que ao longo de toda narrativa ora trabalharm em conjunto, ora brigavam entre si (sempre desconfiando um do outro) resolvem decidir num confronto quem vai ficar com o dinheiro roubado (temática de todo o filme). Num longo período de silêncio, alimentado apenas pela trilha sonora, acompanhamos a tensão do duelo, especialmente por sabermos que estando em triângulo ele se torna completamente imprevisível. O grande momento do duelo é o que o antecede e não o conflito em si.





CÃES DE ALUGUEL (QUENTIN TARANTINO - 1993 / sem legendas)


Nesse trecho de Cães de Aluguel é possível observar claramente a inspiração de Tarantino em Leone. Repare na disposição triângular dos personagens, assim como em Três Homens em Conflito e o quanto isso torna o duelo imprevisível. Mas é também nessa cena que vemos a diferença entre um diretor que copia e um gênio que adapta outros diretores acrescentando seu estilo, como faz Tarantino.






No filme de Leone, um ponto forte da tensão é o silêncio de seus personagens, onde cabe a nós espectadores apenas tentar adivinhar o que estão pensando ou em quem pretendem atirar. A cena é carregada de enquadramento nos olhos dos personagens e planos detalhes em seus coldres. Os cortes vão se intensificando conforme o seu desfecho.

Já em Cães de Aluguel, Tarantino causa um verdadeiro tormento no espectador com três personagens que não param de se ofender. A imprevisibilidade da cena vem do fato que a qualquer momento um deles se exalte mais que os outros e dispare, provocando a reação automática de todos os participantes do conflito. Tarantino também opta por deixar nas ofensas o ponto forte da tensão e trabalha, diferente de Leone, com poucos cortes.

As cenas de ação no cinema são divididas em três etapas: a pré-ação (momento que antecipa a ação), a ação em si e a pós-ação ( o que ocorre depois da ação). Leone se consagrou como um mestre em trabalhar a pré-ação e Tarantino aprendeu bem a lição, como foi possível conferir nessa análise.

Somente um verdadeiro gênio do cinema como Tarantino para parodiar outro diretor consagrado sem perder nem um pouco de sua originalidade.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Dicas: Capitalismo, uma História de Amor & Um Dia de Fúria

Estive assistindo a dois filmes fantásticos hoje e decidi publicar algo a respeito de ambos no blog.


O primeiro é Capitalismo, Uma História de Amor, o novo documentário de Michael Moore.

Nele, o maior crítico do governo americano explica a crise financeira de 2008 traçando uma linha histórica desde os bons tempos da economia no Pós-Guerra até o colapso dos dias atuais, mostrando que a crise não foi um acontecimento recente e sim uma bola de neve que vinha crescendo há décadas.

Carregado de ironias e sátiras, marca registrada do diretor, o filme apresenta fatos absurdos como grandes corporações que faziam seguros de vida secretamente aos seus funcionários à aprovação da doação de US$ 700 bilhões para os bancos em 2008 que burlou escancaradamente o veto do congresso americano.

Um documentário bem conduzido e com um ótimo roteiro. Um excelente documento em vídeo para quem quer conhecer melhor esse acontecimento histórico. NOTA: 10

CONFIRA O TRAILER (legendado)







O segundo já é um pouco mais antigo (1993), Um Dia de Fúria.

Um verdadeiro clássico dos anos 90, o filme foi dirigido por Joel Schumacher e conta a história de Bill Foster, um homem divorciado de meia idade, afetado fortemente pelo cotidiano estressante da vida na grande Los Angeles que extravasa e resolve por pra fora sua fúria. Enquanto isso, tenta chegar à casa de sua filha para sua festa de aniversário.

Na melhor interpretação de Michael Douglas depois de Wall Street, Bill é um personagem complexo e difícil de se definir. Embora seja retratado como um vilão, realiza várias ações características de um anti-herói, como lutar contra traficantes e fazer críticas (ao seu modo) ao american way of life. Com certeza a grande maioria das pessoas se identificam com ele.

O mais interessante são os obstáculos inseridos na jornada de Bill onde todos fazem parte do cotidiano de qualquer pessoa e nós bem sabemos o quanto nos estressam a ponto de alguns, como Bill, explodirem. O filme já começa com um desses obstáculos: um congestionamento sufocante dentro de um túnel muito semelhante ao início de Oito e Meio, onde a edição e montagem de som tem papel fundamental para dar o clima desejado.

Um filme com um roteiro privilegiado e empolgante, prendendo o espectador à tela do início ao fim. Um longa que se tornou eterno e que sempre vale a pena ser revisitado. NOTA: 9

CONFIRA O TRAILER (em inglês sem legendas)


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Eclipse - um sucesso entre aspas

por Lucas Rolim

Bom, eu nunca li qualquer um dos livros de Stephenie Meyer da “saga” Crepúsculo e a cada filme que é lançado o meu desinteresse e antipatia por eles só faz crescer.

No terceiro episódio da saga, Eclipse, voltamos a cidade de Forks onde Bella ainda convive com o eterno dilema de sua vida: ficar com Edward ou Jacob; ser vampira ou não. Além da perseguição da vampira Victória que deseja vingança, criando um exército para destruí-la.
Baseado no que eu vi nos dois filmes anteriores e nesse minha opinião de uma maneira geral sobre a “saga” continua sendo a mesma: se colocássemos um vampiro e um lobisomem entre os personagens da novela Malhação teríamos Crepúsculo todo o dia durante todo ano.


E não é difícil chegar a essa conclusão: um triângulo amoroso adolescente onde todos os problemas do mundo se resumem em por quem Bella é mais apaixonada. Ela gosta um pouco mais de Edward, mas não abre mão de Jacob, e os dois a disputam o tempo todo. Todos os demais personagens parecem viver única e exclusivamente em função de Bella. Onde foi que vi isso mesmo? Ah! Já sei: Malhação.

Além disso, a “saga” como um todo é uma das coisas mais machistas já feitas no cinema que já vi, onde uma adolescente com claros sinais de depressão abandona família, escola, amigos e abre mão da própria vida para fazer as vontades de um vampiro do qual tenho sérias dúvidas, protagonizando um diálogo com Jacob numa barraca a la O Segredo de Brokeback Mountain.

Fora isso, parece que Meyer jamais leu algum livro de valor sobre vampiros antes de compor sua “obra”, como o precursor deles, O Drácula de Bram Stocker ou qualquer livro de Anne Rice, pois o universo que ela criou nem de longe se compara aos vampiros medonhos e interessantes destes, carregando o medo junto ao seu charme. Ao contrário, os seus estão mais para fadas da Disney. A artificialidade é tamanha que a temperatura do corpo e o cheiro das “criaturas” servem para justificar boa parte das ações do filme, como na cena ridícula que Jacob carrega Bella no colo montanha acima para disfarçar seu cheiro dos vampiros que estão chegando.
E é igualmente ridícula e pouco criativa a justificativa de que os Recém-Criados são mais fortes que os vampiros da “velha guarda” porque possuem sangue humano nas veias. Ora, se os vampiros naturalmente são mais fortes que os humanos, seu sangue naturalmente também é.

As atuações de um modo geral são muito precárias, em especial a de Kristen Stewart. Um colega crítico escreveu e eu assino embaixo que sua Bella é tão inexpressiva e sem graça, incapaz de esboçar um sorriso sequer que seria facilmente substituída pelo José Serra de peruca. O mesmo se aplica a Robert Pattinson; as coisas melhoram um pouco – mas bem pouco mesmo – com Taylor Lautner.


O roteiro de Melissa Rosenberg também se torna extenso e cansativo, onde boa parte da trama envolve os diálogos de Bella com seus dois pretendentes e a sua indecisão sempre chegando ao mesmo lugar em que começou. Por diversas vezes a batalha com os Recém-Criados é deixada de lado em função disso. O filme comportaria facilmente 90 minutos para contar a mesma história. Sem contar nos detalhes pífios inseridos apenas para virar gíria de adolescente, como a palavra do universo dos Quileutes: “Imprinting”.

David Slade (que também dirigiu o igualmente desastroso 30 Dias de Noite ) peca nos efeitos especiais do filme, tão caros ao cinema atual especialmente ao público pretendido. Há dois momentos onde a sua precariedade é evidente: na perseguição dos Cullen à Victória no início do filme; e principalmente na transformação dos lobisomens que, diferente de Benício Del Toro em O Lobisomem (2010), parecem ter entrado na era da globalização indo de homem a lobo numa velocidade relâmpago.

Mas mesmo que os efeitos especiais fossem perfeitos não mudaria muita coisa numa trama medíocre que questiona constantemente a inteligência do espectador. Os fãs da “saga” que me perdoem, mas por mais que tenha tentado foi impossível encontrar uma coisa boa sequer nos três filmes, além dos créditos finais. E pra quem duvida do que eu estou falando recomendo dois filmes sobre vampiro em que o leitor poderá comparar com Eclipse e tirar suas próprias conclusões: Entrevista com Vampiro (1995) e Drácula de Bram Stocker (2000).

Tomara que a moda Crepúsculo passe logo e que dias, livros e filmes melhores venham por aí...Tomara.

NOTA: 2

CONFIRA O TRAILER (legendado)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Alice no País das Maravilhas



NOTA: 6


Não tem coisa mais frustrante do que ir assistir a um filme que não só eu, mas toda a mídia gerou uma enorme expectativa, em vão. E é exatamente isso que o novo filme de Tim Burton representa, uma frustração.

Baseado nos dois livros de Lewis Caroll (Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho), a história é uma continuação das demais, um retorno da Alice, já adolescente, ao País das Maravilhas para devolver o trono a Rainha Branca, tomado pela Rainha Vermelha.

O grande mérito do filme é, sem a menor sombra de dúvida, a direção de arte. Os cenários surrealistas, ora de cores vívidas e ora praticamente monocromáticos dão um toque especial à narrativa. Além disso, a caricaturação do personagens é outro trunfo à parte. Cito a Rainha Vermelha e o Chapeleiro Maluco para exemplificar. Os personagens digitais são igualmente fascinantes. Mas aí surge o primeiro tropeço de Tim: o Valete de Copas. Interpretado por um ator real, num corpo desenvolvido no computador, fica evidente a falta de sincronia entre ambos e a artificialidade dos movimentos do personagem aflora a todo momento em que ele surge.

Mas como nem tudo são flores, a direção de Burton deixa muito a desejar. A começar pela história da protagonista que é muito mal trabalhada. A história da Alice é repleta de lacunas, em especial no que diz respeito aos rumos de sua família após a morte de seu pai. Sem contar que fica tão cansativo a repetição dela de que "aquilo tudo não passa de um sonho." que tira aos poucos todo o interesse na narrativa. Ao invés de optar pelo silêncio tornando tudo um mistério, Tim segue a linha oposta já nos preparando para não ter muitas expectativas, pois no fim "tudo não passa de um sonho". 


E há alguns eventos no filme que não fazem a menor razão de estar lá. Qual o motivo da Alice receber aquela ferida no braço? Não soma em nada à narrativa. Cheguei a pensar que serviria de prova no mundo real de que ela esteve lá, contudo, quando ela retorna ninguém nota o imenso ferimento em seu braço. Tim também dá vida à espada que matará o monstro, mas quando finalmente a vemos, chegamos a conclusão de que não passa de um objeto inanimado, algo sem explicação para aquele estranho e inesperado mundo onde tudo tem vida própria.


O roteiro também é muito ruim. A preocupação excessiva em inserir personagens e cenários fazem com o que é mais importante, ou seja, a própria narrativa, passe atropelada e confusa, sendo esquecida por diversas vezes. E graças a "magnífica idéia" de existir um pergaminho profético que conta exatamente como a história termina, acabamos não tendo nenhuma surpresa pelo caminho. Sem contar que quando Alice retorna ao seu mundo, o filme se encerra com um dos finais mais clichês que já vi.

Os personagens são um caso a parte.

Johnny Depp (O Turista, Piratas do Caribe) é mais uma vez brilhante na construção de seu Chapeleiro Maluco, em especial na transição que há entre os seus momentos de alegria e fúria. Numa entrevista do ator, ele disse que na sua pesquisa descobriu que os chapeleiros do tempo de Caroll faziam uso de um produto que era alucinógeno, fazendo com que muitos deles se comportassem desse modo. Infelizmente, por publicidade, Tim inseriu essa personagem em tantas cenas que impossibilitou a atuação de ser brilhante, caso tivesse sido restrita ao necessário.

A Rainha Branca de Anne Hattaway (Amor e Outras Drogas), com seus gestos propositalmente exagerados convence como alguém alheia ao seu mundo e Tim é feliz na escolha de Anne como intérprete.

Mas quem rouba a cena mesmo é Helena Bonham Carter (Harry Potter). Sua Rainha Vermelha é muito bem construída, mostrando uma personagem mimada a cada vez que manda cortar a cabeça de alguém que te desagrada, usando seu poder para esconder sua fragilidade. É onipotente até que se oponham a ela.

Apesar de alguns pontos interessantes - mérito da direção de arte e não de Tim - Alice no País das Maravilhas é de forma geral muito fraco e pouco eficiente. Uma decepção, sabendo que foi feito por um verdadeiro mestre do cinema como Tim Burton, numa narrativa que para muitos não poderia ser adaptada por outra pessoa senão ele. 

CONFIRA O TRAILER 

domingo, 2 de maio de 2010

Por uma propaganda menos Nazista

Por Lucas Rolim

Protesto!

Protesto contra um mal que já nos aflige há décadas, mas que nos é tão sutilmente imposto que nos iludimos por esse pomo de ouro que é belo, mas só por fora, pois por dentro carrega a discórdia das relações sociais.

Falo da nossa publicidade que cria sonhos impossíveis, mundos imaginários, habitados pelas belas modelos de sex appeal inquestionável, e dos modelos com verdadeiras cadeias de montanhas em seus abdômens. Essa propaganda que vende um ideal de vaidades e ilusões que afundam famílias nos cartões de créditos, nas compras das roupas inúteis da última moda e TVs gigantes que não temos tempo de ver. A arte de comunicar, em seu sentido mais pejorativo, levando as pobres adolescentes à anorexia para se tornaram as mulheres de plástico narcisistas das passarelas ou nos vaqueiros valentões, sem pulmão, mais "machos" a cada cigarro.

Afinal, é disso que a sociedade gosta. É a roupa certa, o carro certo, o tênis correto que vão nos fazer tão felizes ao ponto das Giseles Budchens implorarem pela nossa companhia e os Ronalds McDonalds serem nossos melhores amigos. Correto?

NÃO! Esse não pode ser a energia propulsora de nossas vidas. Essa ditadura da informação que só te inclue no mundo se comprar e gastar sem se preocupar com as contas no fim do mês, que te faz abandonar os amigos porque eles são totalmente out e se aproximar de pessoas vazias que são in e te faz acreditar que não há outra opção, JUST DO IT.

Onde estão os aleijados, aidéticos, judeus, negros, cegos, feios e gordos na publicidade? Eles não são consumidores também? Creio que há duas possibilidades de resposta: 1° Todos os aleijados, aidéticos, judeus, negros, cegos, feios e gordos do mundo não possuem o menor talento para estrelarem um comercial ou, 2° as vagas para os comerciais foram todas preenchidas por modelos jovens, ricos, bonitos, mas de pouco talento, porque os publicitários sabem que o primeiro grupo jamais implacaria a venda de um carro ou de um serviço de seguros de um grande banco que tem tudo, menos você, pessoa perfeita. E como os publicitários ficaram tão inteligentes para descobrir que essa gente não vende, porque sua imagem assusta e faz os consumidores fugirem da vitrine? Será uma luz? Não. Eles sabem porque é o mundo que eles criaram. Esse mundo, fora do nosso mundo, com um ideal de beleza muito semelhante ao modelo de um tal de Hitler, um tal de Mussolini, dos louros de corpos saudáveis e perfeitos, "tão criativo", é só uma cópia bem maquiada do modelo nazista.

Quantos de vocês vivem neste mundo ideal, acordam e dormem num mundo feliz e perfeito, sem fome, sem violência, habitado apenas pelas ninfetas e heróis gregos? Creio que ninguém. Mas ainda assim, todos os dias o perseguimos abrindo mais e mais crediários, fazendo mais e mais horas extras, economizando mais e mais nas nossas necessidades básicas, alimentando essa utopia que jamais vai acontecer, porque simplesmente não existe. Ou seja, o erro também é nosso que recebemos de braços abertos diariamente esse bombardeio dos slogans "inovadores" da publicidade.

Que fique claro que a razão desse manifesto não é para o banimento da publicidade, muito pelo contrário, essa é uma das melhores ferramentas que nós temos para formar opinião. Esse texto é um alerta para mudarmos e não nos tornarmos tão cegos e subservientes à comunicação. Ao invés de se preocupar apenas em vender, vender e vender uma realidade que não é nossa, por que não se preocupar em construir uma sociedade melhor, do consumo justo, não indutiva e não seletiva? Por que uma montadora de automóveis ao invés de gastar milhões em propagandas nada criativas - iguais para todas as marcas - vendendo carros que nunca veremos a velocidade máxima por causa dos radares, não dedica parte dessa imensa verba numa campanha de conscientizaçáo do cinto de segurança, de dirigir embriagado, cobrar as autoridades sobre as péssimas condições das estradas? O consumidor ficaria muito mais satisfeito com uma marca que de fato se preocupa com a sociedade e não fica apenas empurrando produtos.

Cabe aos publicitários, mas sobretudo a nós, sociedade, fazer a cobrança por uma publicidade mais justa, real e refutar esse modelo que aí está, mantendo vivo um terrível fantasma do passado que com certeza queremos esquecer.

E para provar que uma propaganda assim é possível, coloquei um exemplo aqui do Brasil de um comercial de TV magnífico de uma grande marca de higiene pessoal, a Dove. Chama-se "Campanha pela real beleza"