quinta-feira, 28 de março de 2013

Colegas


Nota: 6

Colegas é um filme extremamente interessante ao retratar um trio de jovens portadores da Síndrome de Down, fugindo de seu instituto para perseguir seus sonhos numa aventura a la Thelma e Louise. Ainda mais original, é o modo como o diretor Marcelo Galvão retrata seus protagonistas. Longe de se acomodar em seu diferencial, ele ignora por completo a deficiência de seu trio, buscando mostrá-los como pessoas cheias de sonhos e desejos como qualquer outra no mundo.

No longa, Stalone, Aninha e Márcio são três internos de um instituto dedicado a pessoas com Síndrome de Down. Responsáveis por cuidar da videoteca, o trio de amigos decidem fugir do internato e correr atrás de seus sonhos (Stalone quer ver o mar, Aninha quer casar e Márcio quer voar). Para custearem sua aventura praticam assaltos com uma arma de brinquedo, rapidamente ganhando a fama de bandidos perigosos, graças a intensa cobertura da mídia. Coma repercussão da fuga, os agentes Portuga e Souza são escalados para capturar os “fora-da-lei”, mas estão sempre um passo atrás dos “fugitivos”.


Se por um lado, a ideia de retratar o trio Stalone, Aninha e Márcio como citado acima é bastante ousada, original e criativa, por outro, o roteiro - também escrito por Marcelo Galvão - parece tentar o tempo todo sabotar essa iniciativa, apelando para o implausível ao transformar em anomalia absolutamente todos que estão à volta dos três, com personagens bizarros e estereotipados, além de muitas situações que ficam longe do seu propósito cômico. A dupla de agentes que perseguem os jovens são o melhor exemplo disso: um policial de meia idade vaidoso,  preso nos anos 70 (cujo toque do celular é o som de um burro. Por que será?) e um português com o sotaque mais forçado do cinema. Parece ter sido essa a única maneira encontrada por Galvão de conferir alguma autenticidade aos seus protagonistas, mas a única coisa que ele consegue é tornar seu filme patético quando eles estão fora de cena.

E falando em protagonistas, esses sim são o ponto alto da história. Stalone (Ariel Goldenberg) esbanja carisma desde sua primeira fala, extraída de A Sociedade dos Poetas Mortos. E é tocante ver sua paixão por Aninha (Rita Pokk), num tom pueril de desejo e frustração, afinal ele não é o cantor que Aninha quer casar. Márcio (Breno Viola) tem um humor natural impressionante. Praticamente toda vez que abre a boca, é risada na certa, com alguns momentos realmente brilhantes, como aquele onde ao ser menosprezado por uma mulher que flertava por ela ser “diferente” dele, Márcio elegantemente responde: “Eu não ligo. Eu gosto de gorda!”. Genial!

Por fim, mesmo ofuscando uma história fantástica de três jovens cheios de sonhos criando um mundo patético à sua volta, Galvão consegue a proeza de afastar sua história de um dramalhão focada na condição dos jovens, retratando-os (com uma série bem vinda de referências à clássicos do cinema) como pessoas comuns, com sonhos comuns e o mesmo ímpeto de conquistá-los, como qualquer pessoa faria. É isso que faz Colegas valer a pena.

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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Os Miseráveis



NOTA: 5

Os Miseráveis é o tipo de filme que carece de uma produção decente e na ausência disso, decide se concentrar em alguns pontos para alcançar algum sucesso. No caso, o foco foi no melodrama que quase implora para o espectador chorar na tentativa de validar seu título, além de colocar parte de seu elenco num regime de trabalho quase escravo, tamanha a exigência de suas habilidades não só como atores, mas também como cantores, acentuada por quadros obsessivamente enquadrados em primeiríssimos planos.

Adaptada do musical da Brodway, por sua vez baseado no aclamado romance de Victor Hugo, Os Miseráveis conta a história de Jean Valjean (Hugh Jackman), um homem comum condenado há 19 anos de prisão sob trabalhos forçados, após roubar um pão para alimentar o sobrinho pequeno. Libertado, Valjean viola sua condicional e passa a ser perseguido desde então pelo temível Capitão Javert (Russell Crowe). Com nova identidade, Valjean se torna um homem rico e poderoso, assumindo os cuidados da filha de uma condenada prostituta, da qual ele se sente responsável por sua lastimável situação e morte. Mas sempre que tudo parece estar bem, o passado persegue Valjean e ele sempre fica a sombra de seu algoz, Javert.

Diferente do que se vê em musicais, com algumas canções inseridas ao longo da trama, Os Miseráveis é cantado da primeira à última cena. Uma iniciativa ousada que nesse caso se torna um grande problema, deixando a narrativa constantemente cansativa e sem ritmo. Não bastasse isso, tal iniciativa exige todo um casting com a tarefa de não só despontar nas suas atuações, como também estarem afinados cantando. Sendo assim...qual a razão de Russell Crowe fazer parte do elenco? Constantemente desafinado e fora de ritmo, Crowe seria um Javert perfeito se não precisasse cantar. Mas para seu azar (e o nosso) ele precisou.

No mais, o elenco de Os Miseráveis tem boas atuações e cantores razoavelmente bons. Com poucas canções memoráveis, o grande destaque do filme é a canção “I Dreamed a Dream” eternizada na voz de Susan Boyle e aqui interpretada impecavelmente bem por Anne Hattaway, num dos poucos momentos realmente melancólicos da trama. No mais, as músicas são pura lamentação barata.

Mesmo não empolgando com suas canções, Os Miseráveis poderia ter um melhor prestígio, pois conta com um maravilhoso design de produção, desde seus figurinos até cenários. Escrevo poderia porque o vício do diretor Tom Hopper em utilizar close nos personagens o tempo todo ignoram todo esse meticuloso trabalho, assinado por Eve Stewart. Seus closes também prejudicam o desempenho do elenco, sendo ainda mais exigidos em suas atuações já bastante difíceis por terem que cantar. E levando isso em conta, todos eles (até Russell Crowe) merecem seu crédito por trabalharem com tão mal diretor (que surpreendentemente já ganhou um Oscar).

Sendo um grande fã de musicais, fico decepcionado em ver uma história tão boa como Os Miseráveis ser tão mal trabalhada no cinema. Mostrando-se um filme puramente comercial, sua produção ofusca a real qualidade de uma das maiores obras-primas de toda a história. Sendo assim, ao invés de desperdiçar dinheiro pagando para ver um desperdício de filme, recomendo muito mais o investimento onde tudo começou, num livro, sem música e sem melodrama.

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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Django Livre



 Nota: 10

Poucas coisas me deixam mais ansioso do que a estreia de um filme de Quentin Tarantino. E o melhor de tudo é que não importa o quão grande sejam minhas expectativas, essa verdadeira lenda viva que é Tarantino sempre consegue superá-las. Em Bastardos Inglórios ele extasiou o mundo proporcionando uma merecida vingança judia ao terror nazista. Agora, em Django Livre é a vez dos escravos americanos darem o troco sobre o domínio de seus capatazes.

Ambientada no velho oeste americano há dois anos do início da Guerra Civil (que culminaria na alforria da escravidão na América), Dr. King Schultz é um dentista que há cinco anos deixou de exercer a função para se dedicar há um novo emprego: o de caçador de recompensas. Numa de suas caças, ele precisava de alguém que conheça os irmãos Brittle, três procurados dos quais ele sequer sabia como era o rosto. O único que pode ajuda-lo nessa tarefa é Django, um escravo que tem um doloroso passado causado pelos três irmãos: sua esposa foi tirada de si e vendida para outra fazenda. Django e Schultz logo ficam amigos e o dentista/caçador propõe ajuda-lo a recuperar sua mulher, Brünhilde, agora escrava na fazenda Candyland, propriedade do excêntrico e perverso Calvin Candy.


O roteiro, escrito pelo próprio Tarantino, é empolgante logo em seu início, com a cena da compra (se é que é possível chamar aquilo de compra) de Django que gruda qualquer um na poltrona. Além disso, essa cena inicial já contém duas das mais famosas marcas de Tarantino, presentes em diversas outras cenas: seus diálogos longos, inteligentes e reveladores, e sua típica violência exagerada, com tiros que explodem cabeças e fazem suas vítimas voar muitos metros de distância.

Alguns detestam isso no diretor, eu amo. Pra mim não há exagero nas suas cenas violentas. Acredito que Tarantino as elabore exatamente do modo como nós enxergamos qualquer cena do tipo em nosso cotidiano. Para exemplificar, imagine que você presencie uma briga entre dois homens muito fortes, se um golpeia o outro com tamanha força que este recua com o golpe, dificilmente você ou qualquer outra pessoa vai descrever esse evento exatamente do jeito que eu descrevi agora. O mais provável é que seja dito “ele deu um soco no cara que ele voou longe”. Bom, assim é o cinema de Tarantino.

Não bastasse isso, o filme é recheado de cenas antológicas, como a surra de chicote que Django, um escravo, dá em seu antigo feitor. Uma discussão cômica dos membros do primórdio da Ku Klux Khan sobre sua mascara que não permitia enxergar nada, mas que ainda assim deveria ser usada para, segundo um de seus integrantes, não perder seu sentido. O desfecho da historia também é eletrizante e coroa todo o excelente trabalho feito até então.

Outro ponto forte do diretor é sempre contar com um elenco excelente em suas atuações. A começar pelo protagonista, vivido por Jamie Foxx, ousado e nas suas próprias palavras, intrigante sempre desconcertando seus algozes. A voz suave de Foxx mantém oculto o terror que Django representa em ação. Não bastasse isso, sua caracterização como a barba projetada pra frente, salienta ainda mais sua ousadia, ou petulância como preferem os brancos da época.

Christoph Waltz prova que de fato é um ator brilhante, sendo genial do começo ao fim. Um ex-dentista alemão que despreza a escravidão (logo um alemão!), agora caçador de recompensas e, sobretudo um gentleman que nunca perde à postura agindo sempre da lei, independente da crueldade, e o máximo de formalidade, reforçado pela sua fala tão complexa que confunde quase todos os que contracenam com ele, resultado de ter o inglês como sua segunda língua, o que garante muitas cenas hilárias, como sua primeira aparição para “parlamentar” com dois compradores de escravos.


Mas apesar do seu desempenho fantástico, ninguém supera a melhor atuação da vida de Leonardo DiCaprio. Calvin Candy é o típico playboy mimado que na ausência de algo útil a fazer, usa toda a sua fortuna e crueldade para encontrar algum sentido pra sua existência, no caso, uma versão a la UFC de briga de escravos. Candy (que nome sugestivo) é adepto da frenologia, uma pseudociência que diz ser possível determinar o caráter, grau de criminalidade e personalidade de uma pessoa através do formato de sua cabeça. Uma imbecilidade que faz Candy se sentir intelectual, e ele prova que é tão imbecil quanto sua ciência numa demonstração que talvez seja a melhor cena do filme e da carreira de DiCaprio. Assim como Django, sua composição também fala muito da sua personalidade. Os dentes escuros, de quem já comeu doce demais, dá o ar sombrio e tenebroso que o personagem esconde sob seus bons modos. A cabeça sempre inclinada e o mesmo cavanhaque pontudo e saliente mostram o quanto ele despreza tudo a sua volta e se coloca acima de qualquer pessoa. Uma atuação de gênio, desprezada pelo Oscar.


Django Livre é um ótimo exercício de inversão de valores que Tarantino leva às telas, assim como fez com Bastardos Inglórios. E só pra variar um pouco, mais uma vez ele fez uma obra prima tão envolvente a ponto de fazer passar bem rápido suas quase três horas de duração.

Leia também:
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Detona Ralph


NOTA: 10

Quando fui assistir Detona Ralph estava preparado para ver um roteiro mais preocupado em empurrar uma série de personagens de jogos antigos e atuais do que contar uma boa história. Mas felizmente estava enganado, e Detona Ralph conta com uma história brilhante e cativante. E ainda assim os estúdios Disney não se esquecem daqueles marmanjões, como eu, que viviam grudados no fliperama, nos premiado com uma viagem nostálgica aos personagens e jogos como Street Fighter, Super Mário e até mesmo PacMan. Assim, o estúdio acerta em dobro, privilegiando tanto os fãs da sétima arte, quanto os dos games.

Em Detona Ralph, Fix-it Felix é um jogo arcade que surpreendentemente completa 30 anos de atividade. Contudo, o vilão do game, Ralph, está cansado de fazer o papel do vilão do jogo, pois não se considera mal e não gosta de ser ignorado por todos em função disso. Para conquistar o respeito dos seus colegas de jogo, Ralph sai numa aventura em outros jogos para conquistar uma medalha de herói e assim provar seu valor. No decorrer da sua jornada ele vai parar no Sugar Race, um jogo de corrida bastante doce e singular, e lá ele encontra Vanellope, uma menina ignorada por ser um bug do jogo e que também quer mostrar seu valor aos seus colegas, vencendo uma corrida. Os dois personagens topam se ajudar, mas vão ter que encarar o vilão Candy que persegue Vanellope a qualquer preço e uma infestação de insetos assassinos. Além disso, Ralph tem que voltar rápido para o seu jogo, antes que ele seja desligado por não contar mais com o seu antagonista.




Dirigido pelo estreante Rich Moore, o diretor não se contenta em apenas contar uma história que envolva personagens de vídeo game, ao invés disso, engradece sua obra com detalhes como a movimentação em low frame dos personagens de Fix-it Féllix, e até mesmo uma direção de arte que faz referência direta ao período em que alguns dos jogos apresentados eram populares, como na cena onde Ralph e outros vilões deixam o cenário de Pac Man e vemos a imagem exatamente com os gráficos pixelados do período (o mesmo acontece nos créditos finais que faz uma viagem pela história dos vídeo games).

Além disso, o roteiro, cujo Rich também é um dos autores, tem algumas sacadas geniais como a apresentação do conflito vivido por Ralph numa sessão de terapia em grupo com outros vilões como Zangief e Bowser. Aliás, é nessa mesma cena em que a premissa de todo o filme é dada numa fala de Zangief: “Ralph você é um malvado, mas isso não quer dizer que você seja malvado”. É essa frase que vai fazer um vilão dos games de coração puro como Ralph, provar que tem mais valor do que qualquer herói.




O roteiro também acerta em não deixar nenhuma ponta solta, fazendo com que tudo o que foi apresentado, como o vulcão de Coca-Cola e Menthos, o laser para atrair insetos, o martelo milagroso de Félix, todos aparentemente sem muita importância, tenham uma função crucial para o desenvolvimento da história. Os termos do mundo dos games também, com virar turbo ou ser um bug, são usados sem pieguices e são muito bem explicados, não caindo na armadilha fácil de transformar as falas em algo que só tenha significado para quem viva naquele mundo.

Os personagens são um caso a parte. É impossível não simpatizar com o grandalhão Ralph que só que ter um pouco mais de respeito. Ainda mais cativante é a pequena e adorável Vanellope, que mesmo sendo um bug (o equivalente a uma doença sem cura) não deixa de estar sempre bem humorada e determinada a atingir seu objetivo de vencer uma corrida do Sugar Rush, mesmo tendo todos contra si. E o casal Félix e Calhoun que mesmo tendo 30 anos e muita tecnologia os separando formam uma dupla corajosa e divertida.

Assim, 2013 começa com um excelente filme que mesmo sendo uma animação, transita entre as risadas e as lágrimas, mostrando como esse gênero vem ficando cada vez mais adulto. Detona Ralph não é só uma viagem à nostalgia muito bem-vinda ao universo dos games, mas também uma história rica, inteligente e cativante que dá vontade de ver e rever muitas vezes.

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Indicados ao Oscar 2013

Sai a lista dos indicados ao Oscar 2013 com "Lincoln" liderando o número de indicações concorrendo e 12 categorias. 

Abaixo a lista. Deixei como link os filmes que tem crítica publicada aqui:


Melhor Filme

A HORA MAIS ESCURA 
LINCOLN 
ARGO 
O LADO BOM DA VIDA
AS AVENTURAS DE PI 
INDOMÁVEL SONHADORA
AMOUR 

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Melhor Diretor

Steven Spielberg | LINCOLN
Ang Lee | AS AVENTURAS DE PI
David O. Russell | O LADO BOM DA VIDA
Michael Haneke | AMOUR
Benh Zeitlin | INDOMÁVEL SONHADORA

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Melhor Ator

Daniel Day-Lewis | LINCOLN
Hugh Jackman | OS MISERÁVEIS
Bradley Cooper | O LADO BOM DA VIDA
Joaquin Phoenix | O MESTRE
Denzel Washington | O VOO

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Melhor Atriz

Jennifer Lawrence | O LADO BOM DA VIDA
Jessica Chastain | A HORA MAIS ESCURA
Emmanuelle Riva | AMOUR
Naomi Watts | O IMPOSSÍVEL
Quvenzhané Wallis | INDOMÁVEL SONHADORA

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Melhor Ator Coadjuvante

Tommy Lee Jones | LINCOLN
Philip S.Hoffman | O MESTRE
Alan Arkin | ARGO
Robert DeNiro | O LADO BOM DA VIDA
Christoph Waltz | DJANGO LIVRE

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Melhor Atriz Coadjuvante

Anne Hathaway | OS MISERÁVEIS
Sally Field | LINCOLN
Helen Hunt | AS SESSÕES
Amy Adams | O MESTRE
Jacki Weaver | O LADO BOM DA VIDA

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Melhor Roteiro Original

A HORA MAIS ESCURA | Mark Boal
MOONRISE KINGDOM | Wes Anderson & Roman Coppola
DJANGO LIVRE | Quentin Tarantino
AMOUR | Michael Haneke
O VOO | John Gatins

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Melhor Roteiro Adaptado

LINCOLN | Tony Kushner, John Logan & Paul Webb
O LADO BOM DA VIDA | David O. Russell
ARGO | Chris Terrio
INDOMÁVEL SONHADORA | Lucy Alibar & Benh Zeitlin
AS AVENTURAS DE PI | David Magee

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Melhor Desenho de Produção

ANNA KARENINA | Sarah Greenwood
OS MISERÁVEIS | Eve Stewart
LINCOLN | Rick Carter
AS AVENTURAS DE PI | David Gropman

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Melhor Fotografia

SKYFALL | Roger Deakins
AS AVENTURAS DE PI | Claudio Miranda
LINCOLN | Janusz Kaminski
ANNA KARENINA | Seamus McGarvey
DJANGO LIVRE | Robert Richardson

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Melhor Figurino

ANNA KARENINA | Jacqueline Durran
OS MISERÁVEIS | Paco Delgado
LINCOLN | Joanna Johnston
ESPELHO, ESPELHO MEU | Eiko Ishioka

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Melhor Montagem

A HORA MAIS ESCURA | Dylan Tichenor
ARGO | William Goldenberg
LINCOLN | Michael Kahn
AS AVENTURAS DE PI | Tim Squyres
O LADO BOM DA VIDA | Jay Cassidy & Crispin Struthers

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Melhor Maquiagem

HITCHCOCK

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Melhor Trilha Musical

AS AVENTURAS DE PI | Mychael Danna
LINCOLN | John Williams
ARGO | Alexandre Desplat
ANNA KARENINA | Dario Marianelli
SKYFALL | Thomas Newman

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Melhor Mixagem de Som

A HORA MAIS ESCURA
AS AVENTURAS DE PI
LINCOLN
O VOO
ARGO
O IMPOSSÍVEL
A VIAGEM
LOOPER

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Melhor Edição de Som

A HORA MAIS ESCURA
AS AVENTURAS DE PI
O VOO
LOOPER
A VIAGEM
LINCOLN
O IMPOSSÍVEL

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Melhor Efeitos Visuais

AS AVENTURAS DE PI
A VIAGEM
JOHN CARTER

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Melhor Canção

“Skyfall” | SKYFALL
“Suddenly” | OS MISERÁVEIS
“Pi’s Lullaby” | AS AVENTURAS DE PI
“Everybody Needs A Best Friend” | TED
“Before My Time” | CHASING ICE

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Melhor Filme de Animação

FRANKENWEENIE | Walt Disney Pictures
PARANORMAN | Focus Features
DETONA RALPH | Walt Disney Pictures
VALENTE | Pixar Animation Studios
PIRATAS PIRADOS! | Columbia Pictures

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Melhor Filme Estrangeiro

AMOUR | Michael Haneke – Áustria
O AMANTE DA RAINHA | Nikolaj Arcel – Dinamarca
NO | Pablo Larraín – Chile
A FEITICEIRA DE GUERRA | Kim Nguyen – Canadá
KON-TIKI | Joachim Rønning & Espen Sandberg – Noruega

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Melhor Documentário em Longa-Metragem

SEARCHING FOR SUGAR MAN | Malik Bendjelloul
THE GATEKEEPERS | Dror Moreh
HOW TO SURVIVE A PLAGUE | David France
THE INVISIBLE WAR | Kirby Dick
5 BROKEN CAMERAS | Emad Burnat

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Melhor Animação em Curta-Metragem

PAPERMAN | John Kahrs
ADAM AND DOG | Minkyu Lee
THE LONGEST DAYCARE | David Silverman
HEAD OVER HEELS | Timothy Reckart
FRESH GUACAMOLE | PES

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Melhor Documentário em Curta-Metragem

INOCENTE | Shine Global, Inc.
KINGS POINT | Kings Point Documentary, Inc.
REDEMPTION | Downtown Docs
MONDAYS AT RACINE | Cynthia Wade Productions
OPEN HEART | Urban Landscapes Inc.

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Melhor Curta-Metragem

ASAD | Bryan Buckley
DEATH OF A SHADOW | Tom Van Avermaet
CURFEW | Shawn Christensen
BUZKASHI BOYS | Sam French
HENRY | Yan England

A cerimônia do Oscar acontece dia 24 de fevereiro.

Quais são seus palpites?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O Hobbit - Uma Jornada Inesperada


Direção: Peter Jackson
Elenco:  Martin FreemanIan McKellen, Andy Serkis and Richard Armitage

Nota: 9


Depois de 11 anos do lançamento de O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel, numa produção que por si só já renderia um filme, contando com episódios como seu cancelamento, troca de diretores e até greve por maus tratos da equipe técnica, finalmente podemos revisitar o mundo mágico criado por J.R.R. Tolkien pois O Hobbit chega aos cinemas, e permite aos fãs nostálgicos da Terra Média revisitarem aquele mundo revendo personagens como Gandalf, Bilbo e Gollum numa aventura que vai servir de base para os eventos que virão na trilogia estrelada por Frodo e Aragorn.

Os eventos de O Hobbit acontecem 60 anos antes de O Senhor dos Anéis, quando Bilbo ainda era um jovem hobbit que levava uma vida tranquila na sua toca no Condado. Sua vida passa por uma reviravolta quando ele recebe a visita de Gandalf, um mago que o coloca numa aventura, com mais 13 anões (Óin, Glóin, Dori, Ori, Nori, Filli, Killi, Bifur, Bofur, Bombur, Dwalin, Balin e Thorin escudo de Carvalho), para caçarem um poderoso dragão, Smaug, e assim reaver a terra dos seus companheiros anões. Mas durante essa jornada, Bilbo passará por uma série de aventuras enfrentando trolls, orcs e encontrando um misterioso anel de ouro que irá mudar o destino daquele mundo.



O Hobbit coleciona alguns trunfos como a direção competente de Peter Jackson ao conseguir trazer maturidade a uma história que originalmente é infantil. Jackson consegue como ninguém apresentar o sofrimento dos anões por não ter um lar, inserindo uma cena que não constava no livro, explicando o por que eles perderam todo o seu império. Além disso, ele introduz uma série de rimas cinematográficas que fazem ligação direta com a trilogia O Senhor dos Anéis: Bilbo usa o Anel pela primeira vez acidentalmente numa queda muito semelhante a de Frodo em A Sociedade do Anel. Quando o antagonista dessa nova saga, o dragão Smaug, abre os olhos, eles são idênticos ao olho de fogo de Sauron. São pequenos detalhes, mas que levam os fãs a se conectarem diretamente com sua trilogia que já completa uma década.



E o maior trunfo de Jackson, sem dúvida alguma, é filmar toda a história com tecnologia de 48 quadros por segundo, revolucionando o cinema e conferindo um maior realismo às cenas de muito movimento, como as de ação, como nunca foi visto. Um diretor que revolucionou o cinema duas vezes, pois foi ele quem aprimorou em O Senhor dos Anéis a técnica de multiplicar elementos em cena, conseguindo com alguns figurantes criar um exército com milhares de soldado, graças a um software desenvolvido pelo seu estúdio.

Deixando de lado alguns clichês horríveis na mise en scène de algumas cenas, como os anões se levantando pra cantar com Thorin, os mesmos anões rodeando seu rei depois de ouvir sua história (só faltou eles se ajoelharem nessa hora) ou as posições blasé de Galadriel, a trinca de protagonistas (Gandalf, Bilbo e o anão Thorin) estão impecáveis em suas atuações. Mesmo 10 anos depois, Ian McKellen consegue reviver Gandalf com a mesma energia de outrora, indo de a um mero velhinho benevolente a um poderoso mago e guerreiro quando o dever o chama. Martin Freeman cria um Bilbo que é interessante e encantador a cada fala e a cada gesto, não deixando nada a desejar do seu antecessor (ou sucessor?). E novamente, Andy Serkis faz um trabalho brilhante interpretando a criatura recriada digitalmente, Gollum.

Contudo, se Peter Jackson confere alguma maturidade à história, a equipe de roteiristas peca por não conseguir quebrar aquele ritmo quase episódico do livro (um capítulo para o encontro com os trolls, outro na terra dos elfos e por aí vai) minando por várias vezes o ritmo da narrativa. E tudo piora numa atitude que no mínimo desrespeita o espectador ao dividir a história em 3 filmes, uma atitude puramente comercial, pois O Hobbit caberia facilmente num único filme. Isso obrigou a incluir no roteiro cenas completamente inúteis e que até ofuscam como a batalha dos gigantes de pedra em meio a tempestade, além de alongar outras como a reunião na casa de Bilbo.

O 3D também é constantemente prejudicado pelas baixas profundidades de campo aplicadas pela equipe de fotografia. Não se deve aplicar essa técnica em filmes 3D, pois a própria tecnologia já permite ao espectador separar os elementos em planos distintos, sem a necessidade de desfocar ou enfocar qualquer elemento.

Mas defeitos a parte O Hobbit é um filme muito bem vindo, especialmente para aqueles fãs de Senhor dos Anéis como eu, que ficavam horas na fila do cinema pra comprar um ingresso. Vale muito a pena revisitar a Terra Média, seus personagens e ainda poder presenciar uma revolução no cinema.

Obs: Nem todas as salas de cinema estão adaptadas para a nova tecnologia.

Confira o trailer e compartilhe


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

As Melhores Trilogias do Cinema

Fonte: Omelete





O Grande Campeão: O Senhor dos Anéis

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terça-feira, 27 de novembro de 2012

"Casablanca", a história de amor mais famosa do cinema, completa 70 anos



Escrito por Mateo Sancho Cardiel

"Toque outra vez, Sam", "Nós sempre teremos Paris" ou "O mundo está desmoronando e nós nos apaixonamos" - não é preciso dizer mais nada... Há 70 anos era iniciada "uma grande amizade" entre o público de qualquer geração e a história de amor mais famosa do cinema.

O roteiro de "Casablanca" foi escrito durante uma manifestação, a Segunda Guerra Mundial tinha deixado Hollywood sem galãs e Humphrey Bogart havia entrado no elenco do filme de última hora, substituindo ninguém menos que Ronald Reagan.

Ao invés de Ingrid Bergman, os produtores haviam pensando em Hedy Lamarr, enquanto o filme nem sequer seria ambientado no Marrocos, mas em Lisboa.

"Casablanca" nasceu mais como um filme de propaganda política do que como uma história de amor imortal, cujo exotismo seria reconstruído inteiramente nos estúdios. A estação de Paris, por exemplo, foi reciclada de outro filme da Warner, "A Estranha Passageira".

A princípio, o filme teria o mesmo título da obra de teatro na qual se baseava, "Everybody Comes to Rick's" (Todo Mundo Vem ao Rick's), mas essa ideia acabou sendo descartada na tentativa de repetir o mesmo sucesso de "Argélia", rodado três anos antes.

Assim, a tropeços, um dos filmes com mais momentos inesquecíveis e rememorados do cinema era desenvolvido. O fato é que, com três prêmios Oscar conquistados, uma trama cheia de diálogos inesquecíveis, interpretações antológicas de Bogart e Ingrid Bergman (assim como Claude Rains e Peter Lorre em papéis secundários) e uma música de Max Steiner, "Casablanca" entraria para sempre para a eternidade.

Michael Curtiz, diretor de "As Aventuras de Robin Hood" e "A Carga da Brigada Ligeira", foi o inesperado artífice desse milagre, já que o mesmo também não era citado como primeira opção, e sim o mestre do melodrama William Wyler.

No entanto, essa equipe de "suplentes" encontrou tal sinergia que impôs seu "amor" até ofuscar a Marselhesa, que soava já nos créditos iniciais, e a mensagem de oposição aos nazistas em um projeto que começou a ser idealizado apenas um dia depois do ataque japonês contra Pearl Harbor.

Rick e Ilsa, os amantes que o tempo e a História desejarão separar continuamente, davam ao melodrama clássico de Hollywood um adicional de amargura, arrematado com esse final realista tão pouco acostumado na época. Um amor inoportuno, cuja potência já não poderá vencer as adversidades, mas a mera conveniência. Esse foi um duro golpe para a segunda chance e uma vitória para a derrota.

Dado que Paul Henreid e Claude Rains só chegaram mais tarde aos sets de filmagem devido ao excesso de trabalho no filme anterior, a primeira cena filmada por Bogart e Ingrid foi o encontro no piano, mas, desde então, a química já ficou evidente.

Era um casal perfeito dentro da magia do cinema, já que ele teve que subir em caixotes para ganhar os cinco centímetros que a atriz sueca o tirava. Apesar de a canção que os remetiam ao passado se chamar "As Time Goes By", essa cena acabou sendo congelada nas retinas dos cinéfilos.

Tão congelada que tentaram copiá-la em várias ocasiões. Nos anos 40, por exemplo, o filme deveria ganhar uma sequência com Geraldine Fitzgerald no lugar de Ingrid, mas o projeto, então intitulado "Brazzaville", não acabou indo para frente. Woody Allen a homenageou em grande estilo em "Sonhos de um Sedutor", Steven Soderbergh quase a plagiou em "O Segredo de Berlim" e Fernando Trueba fez uma singela referência em "A Menina de Teus Olhos".

No entanto, nenhuma dessas versões foi capaz de repetir a mesma magia do original, que chegou aos cinemas no dia 26 de novembro de 1942 sem grandes expectativas, mas se transformou em um grande clássico mesmo distante de tentar ser uma grande história de amor. Neste caso, assim como na vida, o amor chega quando menos se espera.