sexta-feira, 4 de maio de 2012

Os Vingadores






Nota: 8

Depois de 2 Hulk, 2 Homem de Ferro, 1 Thor e 1 Capitão América, finalmente a Marvel cumpriu sua promessa e reuniu seus maiores heróis para trazer às telas Os Vingadores, um dos filmes mais esperados dos últimos anos, fruto de um trabalho maciço de marketing e uma produção meticulosa nas produções individuais de cada herói para ir costurando suas histórias e criar uma premissa adequada para reuni-los nesse lançamento.

Em Os Vingadores, após fugir de Aesgaard, Loki planeja conquistar a Terra se apossando do Tessecrat, um poderoso cubo de energia capaz de abrir um portal que transportará todo seu exército ao nosso planeta. Para combate-lo, Nick Fury inicia o projeto Os Vingadores, cujo objetivo é formar uma equipe com os melhores heróis para juntos combaterem o deus da artimanha e salvar a Terra da aniquilação.





É evidente num tipo de filme como esse que a atração principal é a reunião dos heróis (Capitão América, Thor, Homem de Ferro, Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro) e não sua história. Sendo assim, não dá para esperar uma estória que fuja do óbvio, como de fato acontece: um grupo que briga sem parar entre si, até que um inimigo em comum os une e com seus superpoderes, munidos de superarmas o combatem em cenas carregadas de ação e efeitos especiais.

Seu roteiro é tão óbvio que é entupido de diálogos desnecessários e com dois atos que servem somente para justificar a quase uma hora de ação ininterrupta no seu final. E mesmo recorrendo a essa tática para preencher um roteiro pobre, o excesso de piadas e gags visuais (especialmente nas falas de Tony Stark) conseguem em muitos momentos garantir momentos hilários como na fala repetida do Capitão América a Tony Stark “Vista seu uniforme” e no encontro de Hulk e Loki.

E num filme feito para ser cheio de ação, a adrenalina vai a mil e a direção de Joss Whedon não decepciona os fãs, trazendo o melhor de cada herói na hora de combater seus inimigos e mesmo abusando de efeitos especiais, esses ajudam e muito a fortalecer todas as suas cenas e duvido muito que um filme desse porte teria sido possível sem um recurso desses.





E se o foco é nos heróis, seus atores não decepcionam e todos se entregam com devoção a seus papéis. Alguns inclusive conseguiram salvar seus filmes individuais que foram um verdadeiro fiasco; estou falando do Capitão América e Thor. E na sua terceira aparição com seu terceiro intérprete finalmente fora encontrado um ator que capte a essência do Hulk. Mark Ruffalo consegue o tempo todo mostrar o medo e o controle que ele possui para não libertar a criatura que vive dentro de si (embora tenha ficado inexplicável sua última transformação no monstro). Outra atuação de destaque é a de Tom Hiddleston que dá vida a um Loki que mesmo com um sorriso sarcástico estampado o tempo todo no rosto, não consegue esconder o quão frágil, egocêntrico é e tão pouco o medo que tem dos Vingadores, a ponto de tentar trazer alguns para seu lado
.
E claro que o destaque de todo o elenco vai para Robert Downey Jr que parece ter nascido para viver o playboy bilionário e excêntrico Tony Stark e seu homem de ferro.

Num filme onde a história fica em segundo plano a Marvel se sai feliz em não decepcionar seus fãs, mas perde a chance de valorizá-los com um filme mais complexo e inteligente, como é o caso do Batman que consegue garantir ação e conteúdo simultaneamente. Como é provável que Os Vingadores terá uma sequencia é esperar uma trama e personagens mais complexos em seus dramas pessoais num futuro próximo, além de podermos contar com Wolverine e Homem-Aranha que nos quadrinhos fazem parte da equipe.

IMPORTANTE: Não saiam da sala logo após os créditos, há uma cena extra bem interessante, especialmente aos fãs.

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quinta-feira, 26 de abril de 2012

American Pie - O Reencontro





NOTA: 8

Em 1999 eu estava entrando na adolescência e se teve um filme que definiu com perfeição minha geração foi American Pie, retratando uma juventude que emergia num mundo onde os jovens despertavam para o sexo cada vez mais cedo, com cada vez mais autonomia, ousadia e vivia uma turbulência de revoluções tecnológicas como a internet, que tornava o desenvolvimento e a maturidade dessa geração em algo completamente distinto de todas as anteriores. E conseguiu essa proeza abusando de um humor que se consagrou por situações e personagens únicos. E claro, como todo filme de sucesso, acompanhamos a vida daqueles jovens em mais dois filmes, vendo a enorme quantidade de transformações que eles passariam em tão poucos anos até atingir a vida adulta.

E fingindo que só foram lançados 3 filmes da série até então (porque eu e todos os fãs se negam a aceitar que os outros filmes feitos com esse título de fato sejam dessa série tamanho o lixo que foram) é um imenso prazer poder revisitar o universo daqueles 5 jovens desesperados por perder a virgindade, e vê-los agora homens tentando resgatar os momentos inesquecíveis da juventude.

Em American Pie – O Reencontro, Jim, Stifler, Finch, Oz e Kevin decidem se reunir 13 anos após sua formatura, para matar as saudades dos velhos tempos. Antes adolescentes virgens, agora todos eles possuem as responsabilidades que a vida adulta traz: filhos, matrimônio, trabalho etc. Mas isso não impede o grupo de se meterem numa série de confusões, num dos filmes mais engraçados do ano. A dupla de diretores Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg consegue com muita eficácia homenagear o público da série e driblar interesses comerciais, resgatando toda sua essência sua melhor fase e ainda por cima preservando todo o seu elenco original, incluindo os coadjuvantes como a primeira namorada de Jim, Nadia e o famosos M.I.L.F. e Sherminator.

Resgatam situações já previsíveis, mas hilárias, como os diálogos sobre sexo nada convencionais de Jim e seu pai. Entretanto não deixam de criar novas cenas engraçadíssimas e muito pontuais como a vingança de Stifler sobre os rapazes da praia.

Aliás, por falar em Stifler (Seann William Scott), esse mais uma vez é sem dúvida o personagem mais engraçado de toda a série voltando muito melhor do que já era no passado, se tornando um adulto que parou na adolescência, ainda só pensando em garotas (mesmo sabendo que agora elas tem metade de sua idade) e festas regadas a álcool. E é ele quem guarda a maior surpresa no desfecho da história. Os três primeiros filmes sempre terminavam com Finch na cama com a mãe de Stifler, e dessa vez...Bom vou deixar para você conferir.

Mas American Pie – O Reencontro, também possui algumas falhas. A principal delas sem dúvidas é o péssimo trabalho da trilha sonora de Lyle Workman, que a partir da metade do longa passa a distorcer todas as músicas retardando seu tempo, a fim de criar um efeito de impedir que aquela época dourada daqueles amigos passe, mas que só consegue criar uma trilha extremamente incômoda e que atrapalha todas as cenas em que surge. Aliás, essa tentativa foi um floreio desnecessário, uma vez que a própria seleção de bandas e canções (Smashing Pumpkins, Spice Girls etc) já traz uma nostalgia perfeita daquele tempo.



Outro problema é que o roteiro vai caminhando perfeitamente até seu terceiro ato em que, sem encontrar um gancho para solucionar as diversas sub tramas do filme, faz-se uma opção por solucionar tudo usando um recurso deus ex macchina (quando tudo se resolve repentinamente) em quase todas elas deixando seu desfecho muito artificial.

Falhas a parte, American Pie – O Reencontro brinda os fãs com uma excelente história de nostalgia, e mostrando que mesmo com o tempo passando e as responsabilidades crescendo cada vez mais, ainda é possível resgatarmos os bons momentos e as boas pessoas de nossa vida.

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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Fúria de Titãs 2





NOTA: 1

Quando assisti ao primeiro Fúria de Titãs, achei um dos piores filmes que vi na vida e pensei que não havia como piorá-lo. Mas para minha infelicidade paguei minha língua e vi o que era ruim se tornar péssimo em Fúria de Titãs 2, fraco sobre todos os aspectos e que faz o que vem se tornando clichê de filme ruim: se ancorar em efeitos especiais.

Em Fúria de Titãs 2, após 10 anos passados da primeira história, Perseu fica viúvo e abandona a oportunidade de viver como um deus para cuidar de seu filho e levar uma vida modesta como pescador. Tudo muda quando seu pai, Zeus, o procura e revela que o antigo deus do tempo, Cronos, está voltando e destruirá todo o mundo. Com os deuses enfraquecidos pela descrença do povo, apenas Perseu pode salvar toda a Grécia.


Embora adote como pano de fundo a mitologia grega, a narrativa em nenhum momento faz real referência a ela. Ao contrário, a corrompe com uma completa distorção do que é realidade, inventando situações e personagens apenas para encaixar uma história medíocre. Qualquer conto mitológico por si só é mais inteligente e interessante do que os dois Fúria de Titãs juntos.

Na verdade a sensação que dá é que o roteiro como um todo serviu apenas para linkar as cenas de ação entupidas de efeitos especiais, que pareciam já estarem idealizadas antes dele ficar pronto. Isso fica claro ao abordar uma narrativa dividida em episódios, ao invés de manter um fluxo contínuo. Temos o episódio em que Perseu volta a ser guerreiro, o episódio da terra de Hefesto, do labirinto e por aí vai. Isso tira das costas da equipe de roteiristas a responsabilidade de criar coerência em tudo e evidencia um trabalho preguiçoso e incompetente, além de gerar uma série de lacunas que abrem um leque de questionamentos: se os deuses morrem mesmo (o que é mentira) por que eles mesmos não mataram Cronos no passado? E se a falta de orações do povo grego enfraqueceu todos os deuses, como Cronos há muito esquecido ainda possuía algum?  E pra piorar é inserido um personagem, o Navegador, que em tese garante o humor da trama com piadas vindas diretamente da Praça É Nossa.

Fúria de Titãs surpreende também em ver atores de excelentes calibre como Liam Neeson (72 Horas) e Ralph Fiennes (Harry Potter) se humilharem na tela para ganhar alguns trocados. Aliás o elenco todo parecia estar em completa falta de sinergia. Quando Perseu encontra Hefesto em nenhum momento eles parecem falar da mesma coisa; e tudo piora quando Hades (Fiennes) se arrepende de seus atos e pede o perdão de Zeus (Neeson), numa cena onde as atuações deixariam qualquer diretor de novela mexicana morrendo de inveja.

E mesmo o tão aguardado momento da libertação de Cronos se mostra decepcionante pela velocidade e aparente facilidade com a qual o monstro é derrotado, deixando claro que a única intenção do diretor Jonathan Liebesman (Batalha de Los Angeles) aqui e em todo o filme era fazer um exercício exibicionista em concepção de efeitos especiais, achando que assim consegue enganar o público e camuflar sua incompetência como diretor.

Fúria de Titãs (os dois), assim como outros títulos como Imortais são filmes desprezíveis e incompetentes com o único objetivo de enriquecer enganado o público, pois nem como história e até mesmo com seus milionários efeitos especiais conseguem levar um trabalho decente ao espectador. Podemos passar sem essa e economizar o ingresso do cinema. Até porque em breve eles com certeza estarão na Sessão da Tarde e afins. 


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sexta-feira, 30 de março de 2012

Jogos Vorazes


NOTA: 9


SINOPSE: Num mundo pós-apocalíptico, 12 colônias se rebelam contra sua capital e travam uma guerra pela independência. Derrotadas, anualmente elas são obrigadas a oferecer a sua algoz um casal de jovens para participarem de um jogo violento onde apenas um sai vivo, os Jogos Vorazes. Mas tudo tende a mudar quando a participante da colônia mais fraca, Katniss, se mostra a mais forte dos concorrentes e preocupa a organização dos jogos.


Um grande número de participantes, cada um com um estilo e personalidade diferentes, participam de um reality show aonde um a um eles vão sendo eliminados até restar apenas um, o vencedor. Um jogo empolgante que leva o público ao delírio, atrai patrocinadores bilionários de todos os segmentos e é sucesso de audiência.

Basicamente, esse é o mote de Jogos Vorazes, mas a mesma definição caberia perfeitamente para programas como Big Brother, A Fazenda e outros tantos alienantes lixos culturais ao quais nos entregamos de braços abertos.

Essa crítica ácida do filme à sociedade de espetáculo que prefere apontar seu dedo a um suposto “estuprador” fabricado pela mídia e dedicar todos os seus esforços em debater um assunto vão como esse ao invés de parar e refletir o quão vem sendo marionetes mídia, fez com que (ao menos pra mim) Jogos Vorazes fosse de uma aventura teen aparentemente medíocre para uma grande obra que esfrega na cara do espectador que tipo de pessoas nos tornamos.

Um apresentador a la Bial egocêntrico, espectadores ávidos que simplesmente ignoram que os participantes daquele jogo caminham pra morte e até mesmos os próprios participantes que traem todos seus princípios em nome do prêmio. Mesmo num universo fantasioso, as referências com o nosso mundo são inúmeras e evidentes.

Adaptado do livro homônimo de Suzana Collins, o roteiro acerta por um lado em trabalhar bem toda a carga emocional da protagonista Katniss (Jennifer Lawrence) que se entrega a um jogo onde provavelmente morrerá para salvar sua irmãzinha que iria em seu lugar, e também mostrando que nos bastidores do jogo não há nada imprevisível, tudo é perfeitamente arquitetado e manipulado pela sua organização e seus patrocinadores (inclusive o vencedor). Mas por outro, peca em tornar a trama maniqueísta demais, transformando todos os concorrentes de Katniss em pessoas “do mal” quando o que todos buscavam ali era sua própria sobrevivência.

A fotografia e edição também prejudicam muito nas cenas de ação. Logo quando os jogos começam, a câmera treme tanto e há tantos cortes que não conseguimos enxergar nenhum combate sequer da chacina que está ocorrendo. Uma estratégia para impedir que fosse elevada a censura mínima do filme, mas que impossibilita que nós realmente víssemos aquele reality show como algo tão violento.

Em compensação, Jennifer Lawrence desempenha um papel excelente com uma personagem muito parecida com a qual ela viveu em Inverno da Alma, filme que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz.


Independente de uma falha ou outra, é uma surpresa muito feliz um filme que tinha tudo para passar em branco fazer uma crítica tão marcante à sociedade alienada como a nossa. E Jogos Vorazes, assim como Harry Potter, prova que é possível sim criar histórias interessantes e inteligentes para jovens, ao contrário de quase tudo que é lançado para esse público, infelizmente.

Confira o trailer clicando aqui.




quinta-feira, 8 de março de 2012

Drive




NOTA: 10

SINOPSE: Na trama, um dublê de Hollywood conhecido apenas como o Motorista (Ryan Gosling), que à noite trabalha como motorista de fugas para criminosos descobre que há um preço pela sua cabeça depois que ajudou o namorado ex-presidiário de sua vizinha (Carey Mulligan) em um golpe que acabara mal. Agora ele precisa proteger a si e sua vizinha que estão sendo caçados pela máfia local.




O diretor Nicolas Widing conseguiu no seu melhor filme fazer uma excelente combinação de Quentin Tarantino (Kill Bill), Francis Ford Coppola (Apocalipse Now) e Martin Scorcese (A Invenção de Hugo Cabret). Drive é uma mistura feliz de Taxi Driver e Os Bons Companheiros (Scorcese), a serenidade de O Poderoso Chefão (Coppola) e o uso impactante da violência exacerbada de Tarantino. Tudo isso resultou numa história que mesmo conduzida tranquilamente, esconde um submundo repleto de violência e morte, numa espécie de reinvenção do cinema noir.

Além disso, Widing acertadamente dá muito mais espaço à trama em que vive o Motorista e mesmo fazendo abuso nas cenas violentas (a cena da ruiva tendo a cabeça estourada é espetacular) as utiliza com agilidade e cortes secos, para não desviarem o foco da história.

Seu design de produção assinado por Beth Mickle consegue reproduzir em plena Hollywood atual um ambiente sujo, degradante e depressivo, assim como a Nova Iorque de Taxi Driver. E a opressão dos ambientes é levada aos personagens, graças ao ótimo trabalho de fotografia de Newton Thomas Sigel, que sufocam constantemente os protagonistas nos cantos dos quadros, quase expulsando-os da tela.

Fora algumas sequencias belíssimas, como o beijo em slow motion do Motorista em Irene (Carrey Muligan) no elevador quebrada logo em seguida pela cena que é com certeza a mais violenta de todo o filme.



Mas mesmo o emprego de toda essa técnica não resultaria num bom trabalho não fosse o roteiro de Hossein Amini, que vai na contramão do habitual apresentando uma história dos bastidores do crime e não do crime em si; e desconstruindo o mito do herói inabalável transformando o Motorista apenas num homem que quer viver tranquilamente. A economia de diálogos também possibilitam que as imagens contem muito mais do que palavras e ajudam a pontuar a serenidade de quase toda a trama.

E falando em serenidade, como essa caracterísca era constante em nosso protagonista, sempre calmo, inabalável, um anti-herói que foge da polícia como se nada de errado estivesse acontecendo e repete a dose quando é perseguido por outro carro durante o roubo que resultou na sua caçada pela máfia. Em contraponto, suas pequenas, mas intensas explosões de raiva só fazem aumentar ainda mais o mistério sobre aquele personagem e o que se passa em sua mente. Uma espetacular atuação de Ryan Gosling (Namorados para Sempre) quem vem se firmando como um dos maiores nomes de sua geração. E nada poderia acentuar ainda mais seu personagem como a excelente trilha do Eletric Youth: A Real Hero.

2012 tem sido um ótimo início de ano para o cinema e Drive só vem pra confirmar isso. Uma pequena obra-prima que juntando uma narrativa perene, quebrada pelo choque da ação  intensa dosada gota a gota, que já é um dos melhores filmes do ano e vem pra ser um daqueles títulos que facilmente sobreviverá ao tempo, especialmente àqueles que apreciam um bom filme.

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domingo, 26 de fevereiro de 2012

And the Oscar goes to...





FILME



O Artista - Thomas Langmann


DIRETOR



Michel Hazanavicius por O Artista


ATOR



Jean Dujardin por O Artista



ATRIZ


Meryl Streep por A Dama de Ferro


ATOR COADJUVANTE



Christopher Plummer por Toda Forma de Amor


ATRIZ COADJUVANTE



Octavia Spencer por Histórias Cruzadas


ROTEIRO ADAPTADO



Os Descendentes - Alexander Payne and Nat Faxon & Jim Rash


ROTEIRO ORIGINAL



Meia-Noite em Paris - Woody Allen


ANIMAÇÃO



Rango - Gore Verbinski


FILME ESTRANGEIRO



A Separação (Irã) - Asghar Farhadi 




FOTOGRAFIA



A Invenção de Hugo Cabret Robert Richardson


DIREÇÃO DE ARTE



A Invenção de Hugo Cabret Dante Ferretti (Design de Produção) e Francesca Lo Schiavo (Decoração de Set)


FIGURINO



O Artista Mark Bridges


DOCUMENTÁRIO



Undefeated - TJ Martin, Dan Lindsay e Richard Middlemas


CURTA DOCUMENTÁRIO




Saving Face - Daniel Junge e Sharmeen Obaid-Chinoy


MONTAGEM






MAQUIAGEM



A Dama de Ferro - Mark Coulier e J. Roy Helland 


MÚSICA - TRILHA SONORA ORIGINAL



O Artista - Ludovic Bource


MÚSICA - CANÇÃO ORIGINAL



"Man or Muppet" de Os Muppets - Letra e música de Bret McKenzie


CURTA METRAGEM DE ANIMAÇÃO



The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore - William Joyce e Brandon Oldenburg


CURTA METRAGEM

The Shore - Terry George e Oorlagh George


EDIÇÃO DE SOM



A Invenção de Hugo CabretPhilip Stockton e Eugene Gearty


MIXAGEM DE SOM



A Invenção de Hugo CabretTom Fleischman e John Midgley


EFEITOS VISUAIS



A Invenção de Hugo Cabret Rob Legato, Joss Williams, Ben Grossman e Alex Henning

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret




NOTA: 5
SINOPSE: Hugo é filho de um relojoeiro por quem tem uma grande admiração e apego. Ele prematuramente aprende sua função e juntos passam o tempo restaurando antigas máquinas. Uma delas é um robô do qual desconhecem a função. Infelizmente, seu pai morre num acidente antes de concluir sua obra e Hugo fica órfão vivendo dentro do relógio da Estação de Trem de Paris, tentando finalizar sozinho a máquina deixada por seu progenitor. Quando finalmente consegue, ela lhe faz uma revelação que o envolve diretamente na história de um dos maiores cineastas de todos os tempos, George Méliès.

A primeira sessão de cinema da história aconteceu em Paris, em 1895. O filme? Um trem chegando a uma estação e...só! Tudo acontece em apenas 56 segundos. Mas ainda assim, todas as pessoas que estavam naquela sala levaram um verdadeiro susto acreditando que o veículo sairia da tela, sendo tomadas de espanto ao conferir que tudo aquilo não se tratava de uma série de fotos colocadas em sequencia.

Hoje, 117 anos depois, em plena era 3D, foi possível conferir com essa tecnologia em A Invenção de Hugo Cabret a mesma cena representada naquela minúscula sala mais de um século antes, um contraste imenso entre esses dois mundos, mas que ainda assim impressionam e encantam de modo semelhante (a primeira vez que vi um filme em 3D, por puro reflexo desviei diversas vezes de objetos na tela). E essa verdadeira homenagem ao cinema é sem dúvida o maior trunfo de Martin Scorcese em seu novo longa.

Não contente, ele ainda introduz no seu longa George Méliès (interpretado por Ben Kingsley), um dos primeiros cineastas da história (que estava presente na sessão da chegada do trem) e que contribuiu consideravelmente para construir de forma tão sólida a sétima arte. Méliès inventou os efeitos especiais através de truques de montagem, maquiagem e apetrechos de ilusionismo, como bombas de gás. Claro que hoje suas técnicas são precárias e qualquer um consegue reproduzir com uma câmera caseira, mas ele abriu às portas da máquina de sonhos que é o cinema até então usado apenas para retratar cenas sem propósito do cotidiano. Sem sua visão das possibilidades que a arte proporcionava, ela jamais teria alcançado o status que possui hoje em transformar o impossível em possível.

Mas infelizmente – e com pesar digo isso – essa é a única coisa que vale a pena em A Invenção de Hugo Cabret. Em paralelo a toda essa homenagem ao cinema, somos entediados com uma história sem graça do personagem título e sua amiga Isabelle. Hugo é vivido por Asa Butterfield que em nenhum momento consegue despertar alguma comoção pelo status de abandono e miséria de seu personagem e muito menos imprime algum interesse em adentrarmos na sua aventura em descobrir o significado do desenho feito pela sua “invenção”, um storyboard de Viagem a Lua, maior filme de Méliès que o levaria a descobrir a existência de do diretor e perceber que este esteve o tempo todo diante de seus olhos. Pra completar, Scorcese enche a história de subtramas sem qualquer função pra narrativa que só servem para render alguns sofridos minutos a mais na trama, como o romance frustrado e frustrante entre a dona de um café e um jornaleiro.


Talvez a única subtrama realmente interessante seja a do inspetor da estação onde Hugo vive que por ter sido abandonado pelos pais e criado em um orfanato, pune severamente todos os órfãos que captura apenas para se sentir vingado pela injustiça que ele sofrera em sua vida.

O ponto de virada imenso do filme, que começa com um menino órfão numa estação de trem e acaba com a história de um dos maiores cineastas de todos os tempos é interessante apenas pela segunda parte. É uma tarefa de extrema dificuldade manter um roteiro bom por completo quando se faz uma mudança tão abrupta como essa. Uma das partes é sempre muito prejudicada. Somente três vezes vi essa técnica dar certo: Psicose (1960), Um Drink no Inferno (1994) e Cópia Fiel (2011). No mais, sempre foi uma experiência frustrante.

Com isso, acredito que Scorcese teria sido perfeito em contar apenas a história de Méliès que por si só rende um longa que garante brilho nos olhos, sorrisos e lágrimas com sua trajetória que foi de dar vida a fantasia à derrocada e o esquecimento. Além de acrescentar um ótimo conteúdo sobre cinema ao espectador que ao invés disso teve que se contentar com uma história sem graça, chata e entediante que é a cara da Sessão da Tarde.
Decepciona ver um diretor que vinha de um trabalho impecável em A Ilha do Medo, possuir um material tão bom nas mãos e simplesmente desperdiçá-lo.

CONFIRA O TRAILER


ESSE É O PRIMEIRO FILME DA HISTÓRIA: A CHEGADA DO TREM NA ESTAÇÃO


E ESSE É O FILME MAIS FAMOSO DE GEORGE MÉLIÈS: VIAGEM À LUA (NA ÍNTEGRA)