terça-feira, 27 de novembro de 2012
"Casablanca", a história de amor mais famosa do cinema, completa 70 anos
Escrito por Mateo Sancho Cardiel
"Toque outra vez, Sam", "Nós sempre teremos Paris" ou "O mundo está desmoronando e nós nos apaixonamos" - não é preciso dizer mais nada... Há 70 anos era iniciada "uma grande amizade" entre o público de qualquer geração e a história de amor mais famosa do cinema.
O roteiro de "Casablanca" foi escrito durante uma manifestação, a Segunda Guerra Mundial tinha deixado Hollywood sem galãs e Humphrey Bogart havia entrado no elenco do filme de última hora, substituindo ninguém menos que Ronald Reagan.
Ao invés de Ingrid Bergman, os produtores haviam pensando em Hedy Lamarr, enquanto o filme nem sequer seria ambientado no Marrocos, mas em Lisboa.
"Casablanca" nasceu mais como um filme de propaganda política do que como uma história de amor imortal, cujo exotismo seria reconstruído inteiramente nos estúdios. A estação de Paris, por exemplo, foi reciclada de outro filme da Warner, "A Estranha Passageira".
A princípio, o filme teria o mesmo título da obra de teatro na qual se baseava, "Everybody Comes to Rick's" (Todo Mundo Vem ao Rick's), mas essa ideia acabou sendo descartada na tentativa de repetir o mesmo sucesso de "Argélia", rodado três anos antes.
Assim, a tropeços, um dos filmes com mais momentos inesquecíveis e rememorados do cinema era desenvolvido. O fato é que, com três prêmios Oscar conquistados, uma trama cheia de diálogos inesquecíveis, interpretações antológicas de Bogart e Ingrid Bergman (assim como Claude Rains e Peter Lorre em papéis secundários) e uma música de Max Steiner, "Casablanca" entraria para sempre para a eternidade.
Michael Curtiz, diretor de "As Aventuras de Robin Hood" e "A Carga da Brigada Ligeira", foi o inesperado artífice desse milagre, já que o mesmo também não era citado como primeira opção, e sim o mestre do melodrama William Wyler.
No entanto, essa equipe de "suplentes" encontrou tal sinergia que impôs seu "amor" até ofuscar a Marselhesa, que soava já nos créditos iniciais, e a mensagem de oposição aos nazistas em um projeto que começou a ser idealizado apenas um dia depois do ataque japonês contra Pearl Harbor.
Rick e Ilsa, os amantes que o tempo e a História desejarão separar continuamente, davam ao melodrama clássico de Hollywood um adicional de amargura, arrematado com esse final realista tão pouco acostumado na época. Um amor inoportuno, cuja potência já não poderá vencer as adversidades, mas a mera conveniência. Esse foi um duro golpe para a segunda chance e uma vitória para a derrota.
Dado que Paul Henreid e Claude Rains só chegaram mais tarde aos sets de filmagem devido ao excesso de trabalho no filme anterior, a primeira cena filmada por Bogart e Ingrid foi o encontro no piano, mas, desde então, a química já ficou evidente.
Era um casal perfeito dentro da magia do cinema, já que ele teve que subir em caixotes para ganhar os cinco centímetros que a atriz sueca o tirava. Apesar de a canção que os remetiam ao passado se chamar "As Time Goes By", essa cena acabou sendo congelada nas retinas dos cinéfilos.
Tão congelada que tentaram copiá-la em várias ocasiões. Nos anos 40, por exemplo, o filme deveria ganhar uma sequência com Geraldine Fitzgerald no lugar de Ingrid, mas o projeto, então intitulado "Brazzaville", não acabou indo para frente. Woody Allen a homenageou em grande estilo em "Sonhos de um Sedutor", Steven Soderbergh quase a plagiou em "O Segredo de Berlim" e Fernando Trueba fez uma singela referência em "A Menina de Teus Olhos".
No entanto, nenhuma dessas versões foi capaz de repetir a mesma magia do original, que chegou aos cinemas no dia 26 de novembro de 1942 sem grandes expectativas, mas se transformou em um grande clássico mesmo distante de tentar ser uma grande história de amor. Neste caso, assim como na vida, o amor chega quando menos se espera.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Amanhecer - Parte 2
Nota: 4
Somente no seu quinto e último filme, a “saga” Crepúsculo finalmente
deixa de ser uma história medíocre e desprezível pra se tornar apenas
desprezível. Amanhecer – Parte 2 é sem dúvida o melhor de todos os cinco
filmes, mas ser o melhor não necessariamente significa ser bom, ainda mais nessa
“saga”.
A grande diferença de Amanhecer - Parte 2 dos seus
antecessores é que esse último finalmente tem uma história: o casal Edward e
Bella tentando proteger a vida da filha da morte certa nas mãos dos Volturi.
Durante quatro filmes vimos apenas uma menina sem personalidade e de autoestima
baixa (Bella) se humilhando ora para um vampiro com uma opção sexual
questionável (Edward) e ora para um lobisomem que tinha certa dificuldade em
ficar de camisa (Jacob). Agora, os Cullen e os Quileutes de fato vivem um drama
e se aproximam cada vez mais de um confronto fatídico com os Volturi, adiado
por tanto tempo.
Mas essa é uma das poucas melhoras que a “saga” sofreu. Além
disso, o trio de protagonistas também melhoram em suas atuações. Lembrando que
melhorar está longe de ser bom. Acho que Bella precisava mesmo virar vampira
pra ganhar alguma personalidade. Dessa vez, Edward consegue até ser engraçado.
E Jacob, além de ficar sem camisa, surpreende se firmando como um perfeito
pedófilo, chegando ao cúmulo de perguntar a Edward se pode chama-lo de pai. Que
“belo exemplo” não?
Mas fora isso, a “saga” continua fraca sobre os mesmos
aspectos. Com efeitos especiais que parecem terem feitos há vinte anos atrás,
os lobisomens continuam incrivelmente artificiais. Mas desta vez eles não estão
sozinhos, porque igualmente artificial é Renesmee enquanto bebê.
O roteiro continua com os mesmos amadorismos transformando
os vampiros numa espécie de X-Men tendo cada um super poder, cruciais na
batalha final da história. Mas que preguiça de escrever um livro/roteiro
descente inventando esses truques baratos.
Mas nada disso se iguala a autêntica Pegadinha do Malandro
que acontece no final do filme, quando finalmente a aliança dos Cullen com os
Quileutes enfrentam os Volturi. Tirou toda a chance da “saga” terminar com
algum estilo (e sem estas aspas).
Na verdade, há muitos mais problemas para apontar na em
Amanhecer – Parte 2. Percebi que tenho certo prazer em criticar a “saga”. Mas maior
prazer me dá saber que finalmente... ACABOU!
CONFIRA O TRAILER
Leia também as críticas de:
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
007 – Skyfall
NOTA: 10
Ficha Técnica
Direção: Sam Mendes
Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade, John Logan
Elenco: Daniel Craig, Javier Bardem, Judi Dench, Ralph Fiennes, Albert Finney, Naomie Harris, Ben Winshaw, Bérénice Marlohe
Confesso que não assisti os 23 filmes da série 007. Mas não é
necessário assistir a todos pra ter certeza que Skyfall é sem dúvida o melhor deles.
Desde a estreia de Daniel Craig (Os Homens que Não Amavam as Mulheres) no papel em Cassino Royale em 2006 já ficava
evidente uma preocupação em trazer mais realismo pra franquia, sem esquecer
elementos que eternizaram todas as obras anteriores. E em Skyfall essa
preocupação atinge seu ápice, com o agente antes imbatível, agora claramente
abatido pelo tempo, ainda possuir a classe de ajeitar seu paletó após entrar
num trem despedaçado. Como Bruce Wayne no último Batman, James Bond se torna um
herói caído, mais fraco, menos hábil, sendo questionado pelo seu próprio
governo se ainda está apto para atuar em campo.
Em 007 - Skyfall, numa missão para recuperar uma lista
roubada com o nome de todos os agentes secretos infiltrados no MI6 (agência
secreta britânica), James Bond é baleado por uma integrante de sua própria
corporação e dado como morto. Aproveitando a “morte” para fugir da vida de
espião e recomeçar a vida numa pequena ilha, Bond decide retornar a ativa
depois de ver o MI6 explodir para apanhar o autor do atentado.
Skyfall é uma combinação de momentos brilhantes, criados por
profissionais brilhantes. A cena inicial com uma perseguição eletrizante é
digna de toda a trilogia Bourne, e rica ao privilegiar poucos cortes. A cena
seguinte é ainda mais interessante, onde nos créditos iniciais, numa viagem
surrealista descobrimos como Bond foi salvo após ser baleado e cair num rio. E
essas são apenas duas das ótimas cenas que compõem toda a produção.
Além disso, todo o elenco está impecável em suas atuações. Daniel Craig parece nem interpretar Bond de tão natural que está no papel, conseguindo nos detalhes de uma barba por fazer demonstrar a fragilidade de seu personagem. Sem a elegância de seus antecessores, Craig compensa acrescentando a virilidade que faltava ao seu personagem.
E finalmente Craig contracena com um ator de peso para
interpretar o antagonista da estória, Javier Bardem. Com um visual de cabelos
loiros tingidos (tão exótico como o assassino que viveu em Onde os Fracos Não
Tem Vez), é até difícil definir seu personagem, Raoul Silva, como um vilão.
Isso porque, longe dos planos megalomaníacos dos antigos inimigos de Bond, Silva
tem como único objetivo destruir a MI6, ou melhor, sua líder (Judy Dench)
antiga chefe que o deixou para morrer numa missão em que ele atuou no passado.
Sempre numa serenidade assustadora, Silva é o responsável pela melhor cena do
filme. Sua entrada é um trabalho perfeito do ator, diretor e equipe de
fotografia, onde Silva surge pequenino no fundo da tela, contando uma história
aparentemente sem importância, e vai crescendo conforme avança em direção a Bond
e sua história se mostra tensa e revela os traços de sua personalidade. Raoul
Silva é o maior vilão, para o melhor filme.
Além disso, Skyfall conta com locações perfeitas como a ilha
abandonada onde Silva vive e a casa no meio do nada onde James Bond foi criado
(chamada Skyfall) e serve de palco para desfecho da história, temperada por uma
paleta de cores avermelhada representando o conflito de Bond vs Silva como se
estivesse acontecendo no próprio inferno. Além disso, essa casa revela traços
da vida pessoal de Bond, coisa rara de se acontecer em 007.
Contando com algumas pequenas falhas de roteiro, Skyfall se
supera por uma produção redesenhada de forma impecável, recheada com excelentes
atuações, deixando o cenário pronto pra um reboot da série em seu próximo
filme.
Vale muito a pena assistir ao novo filme de Bond, James Bond.
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sexta-feira, 19 de outubro de 2012
A Queda – As Últimas Horas de Hitler
NOTA: 10
O bom das semanas de poucas estreias nos cinemas é que
permitem revisitar e escrever sobre grandes clássicos. Uma oportunidade rara,
mas bem vinda. No passado já escrevi sobre O Rei Leão, A Lista de Schindler e
Kill Bill. Hoje escrevo sobre um jovem clássico do cinema europeu (2005), A
Queda – As Últimas Horas de Hitler.
Na Segunda Guerra Mundial, numa Alemanha quase toda dominada
pelo exército soviético, o filme mostra os últimos dias de Hitler isolado em
seu bunker, se recusando a fugir e reorganizar seu governo. No seu império
outrora implacável, agora decadente, Hitler alterna suas emoções entre a
ingenuidade à completa loucura, além de amargar o abandono e traição dos seus
generais que o serviam com tanta lealdade.
Bastam os primeiros cinco minutos de A Queda para perceber o
quão genial é aquela obra. Cinco candidatas a uma vaga de datilógrafa do
próprio Hitler o aguardam para a entrevista. O local é um bunker apertado e
cinza. Quando o líder nazista finalmente surge, toda aquela altivez, o ímpeto
dos discursos fervorosos declamado por aquele homem imponentemente retratado
pelas câmeras da cineasta Riefenstahl, são substituídos por um velho baixo, encurvado,
visivelmente cansado e de fala mansa. Quando cumprimenta cada uma das
candidatas, se mostra claramente incomodado pelas famosas saudações nazistas. E
não bastasse isso, quando a primeira e tensa entrevistada erra a digitação do seu
discurso, o füher gentilmente (você não leu errado) sugere que ambos recomecem
o trabalho.
Essa é a premissa que o diretor Oliver Hirschbiegel emprega
ao longo de toda sua obra. Sem querer inocentar, de forma alguma, o império de
terror que foi o nazismo, e muito menos seus agentes, Oliver busca retratar que
até mesmo monstros têm sentimentos e fraquezas, e com isso quebrar nossa visão
maniqueísta de um mundo imaginário onde reina só a bondade, ou a maldade nas
pessoas. É nesse paradoxo que vemos o casal Goebbels mata os próprios filhos
com medo de uma Alemanha sem o nazismo; um médico da SS que tenta salvar as
vidas ignoradas pelo seu próprio governo; ou mesmo o pai veterano de guerra,
que conhece o terror daquele evento, tentando convencer seu filho, ainda uma
criança, a deixar o exército alemão e voltar a ter uma infância normal (e com
isso ele só cultiva o ódio e desprezo do garoto). Essas e mais uma série de sub
tramas impecavelmente bem concebidas só vem pra reforçar ainda mais o trabalho
de Oliver.
Não bastasse isso, A Queda ainda conta com uma das atuações
mais impressionantes que já vi. Bruno Ganz consegue retratar a fraqueza de seu
Hitler até mesmo no detalhe de uma mão trêmula tirando seus óculos. Mais
impressionante ainda são suas explosões de fúria repentinas e duradouras, todas
voltadas para seus generais traidores e preguiçosos. Numa delas (onde eles
desobedecem uma ordem direta de seu líder) enquanto esbraveja, Hitler vai se
curvando lentamente, terminando seu movimento numa posição quase fetal,
mostrando sua completa vulnerabilidade sobre seus comandados, uma cena realmente
tocante que acabou virando paródia no Youtube sobre os mais diversos temas.
Há também o excelente trabalho da montagem que pontua
corretamente a trama principal com suas sub tramas, sem deixar nenhuma de lado
e sem tirar o ritmo da narrativa.
E por fim, o que é mais impressionante (pelo menos pra mim)
em A Queda é ver como Oliver consegue expor tão bem a figura mítica que aquele
pequeno homem imprimia em seu povo, mostrando uma sucessão de suicídios de
gente de todo o tipo, após o próprio Hitler por fim à sua vida.
Mesmo bem recente, A Queda se mostra uma obra-prima que vai
ultrapassar o tempo, quebrando paradigmas, ideias pré-concebidas e mostrando
que até mesmo um homem diretamente responsável pela morte de milhões de pessoas
pode ter um coração, por mais que duvidem disso. O que de certa forma serve
para expressar que a barbárie pode estar dentro de qualquer um de nós. Só a
ousadia de Oliver já basta para elevar seu filme a esse status.
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sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Ted - O filme mais polêmico do ano
Nota: 9
Em Kung Fu Panda, um velho provérbio chinês diz “Às vezes é
tentando evitar um problema que acabamos por encontra-lo” e essa é uma frase
perfeita para definir o recente episódio em que o deputado Protógenes Queiroz
tentou barrar nos cinemas a exibição de Ted, a história da amizade entre um
homem e um urso nada convencional. Antes da ação do deputado, Ted tinha tudo
para ser um filme com uma bilheteria regular e sem deixar muita marca nos
cinemas. Mas, após a tentativa de proibição, Ted registrou um estouro de
bilheteria no Brasil fazendo o tiro de Protógenes sair pela culatra. Além
disso, o longa é escrito e dirigido por Seth McFarlene, criador da série
mundialmente famosa Uma Família da Pesada, carregada de humor ácido. Dessa
forma era de se esperar que Ted não seria um conto de fadas.
Na história, John Bennett é uma criança solitária e sem
amigos, até ganhar no natal de 1985 um urso de pelúcia do qual que ele batizou
de Ted. Seu amor pelo brinquedo era tanto que certo dia ele desejou que ele ganhasse
vida, no momento em que uma estrela cadente cortou os céus e...seu desejo foi
realizado e Ted além de ganhar vida, se tornou seu amigo inseparável. Hoje,
mesmo adultos, Benett e Ted parecem ter ficado presos à juventude, com atitudes
que vão de festas ao consumo de drogas. Porém, a amizade de ambos está ameaçada
por Lori (Mila Kunis de O Livro de Eli), noiva de John, a qual está disposta a deixar seu noivo caso ele não
amadureça e deixe seu amigo urso, que o impede de amadurecer, no passado.
Bastam poucos minutos para perceber o tom ácido de todo o
filme, ao ver garotos cristãos espancando um menino judeu porque era natal. Mas
isso não é nada perto que vem pela frente. O roteiro de McFarlene está recheado
de momentos como esse. O consumo de drogas é presença constante em quase todas
as cenas em que Ted está presente. Fora as festas regadas à álcool, uma criança
apagada com um soco de Benett (Mark Wahlberg de O Vencedor),as prostitutas e
até mesmo um caso de Ted com Norah Jones.
Mas apesar de polêmica, atrás de
polêmica, Ted é um filme extremamente divertido, especialmente pelo seu
protagonista claramente inspirado no Grande Lebowsky de Jeff Bridges. Mas o
foco de Mcfarlene não é só fazer piada, mas através de Benett, fazer um retrato
da Geração X que mesmo tendo membros chegando próximo dos 40 anos, ainda tem
uma forte raiz na juventude. E não há melhor maneira de fazer isso colocando
como seu melhor um brinquedo. Dessa forma, Ted é mais um reflexo da
personalidade de Benett, do que seu amigo propriamente dito. Num gênero tão cheio
de fórmulas e clichês como a comédia, McFarlene consegue inovar na
originalidade de seu humor e inteligência crítica.
Por outro lado, o mesmo não acontece com o desenvolvimento da
história e a dificuldade do roteirista/diretor de criar boas tramas. Lori e Ted
se relacionam perfeitamente bem, sua antipatia pelo urso surge repentinamente numa
conversa rápida da moça com personagens irrelevantes. Essa foi a forma que
McFarlene encontrou para instaurar algum conflito na excelente relação do
triângulo Ted, Benett e Lori. E acrescente a isso Donny, um personagem de olhar
sombrio que quer comprar o urso de qualquer forma e é esquecido durante quase
todo o filme, até reaparecer no seu fim para sequestrar Ted e assim dar algum
clímax (por sinal decepcionante) à história. Mas para uma primeira experiência
como diretor num longa metragem, pode-se dizer que McFarlene teve um saldo mais
positivo do que negativo.
Negativo mesmo em Ted é a atitude do nosso ilustríssimo
deputado Protógenes Queiroz, com sua ação (já revogada) de barrar o filme.
Muito mais polêmico do que retratar sexo, drogas e rock and roll é censurar a
arte, forma universal de expressão e ferramenta propulsora de mudança. Ademais,
vai ao cinema quem quer, e nosso deputado convenceu muita gente a fazer isso.
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domingo, 23 de setembro de 2012
Resident Evil 5: Retribuição
Nota: 2
Quando Resident Evil 4 foi lançado,
escrevi aqui que essa era uma franquia da qual não se renovava nunca, inclusive
no seu roteiro praticamente idêntico desde o começo, ou seja, quando se assistia
a qualquer um dos episódios da série, era o equivalente a assistir a todos. Mas
dessa vez... minha opinião não mudou, e seu quinto episódio se mostra idêntico,
ou pior que seus antecessores, mostrando como Resident Evil se tornou uma
franquia que vem se arrastando para perdurar, cada vez perdendo mais qualidade,
se é que já houve alguma.
Em Resident Evil: Retribuição, a
heroína Alice (Milla Jovovovich) foi capturada pela corporação Umbrella e
aprisionada numa base submarina em plena Sibéria. Numa invasão hacker, ela é
libertada e tem apenas duas horas para fugir da base que será explodida após
esse período. Mas para isso, Alice vai contar com a ajuda de uma equipe de
resgate que conta com caras novas e velhos amigos, enfrentando monstros, zumbis
e reencontrando antigos personagens.
E tudo piora, pois a direção assinada por Paul
W.S. Anderson (Os Três Mosqueteiros) parece levar a sério a questão da
adaptação e transforma seu roteiro num verdadeiro jogo de vídeo game, com fases
e chefes. Alice tem que passar por diversos cenários (cada um é uma simulação
de uma capital do mundo) e enfrentar em cada um algo como um “chefe” pra seguir
adiante.
E, sem me alongar muito, nem mesmo
os novos personagens dão alguma graça pra história. O tão querido dos games e
esquecido do cinema, o policial Leon, finalmente surge, mas com uma
personalidade antipática muito aquém da conhecida dos fãs. E sobre os
personagens fica difícil entender 3 coisas:
1º) Qual era o propósito de uma
personagem ser surda, mas pronunciar todas as palavras que seus sinais indicam
e o mesmo é feito com quem interage com ela?
2º) Qual o propósito de trazer
clones de personagens do primeiro episódio de volta (em especial Michele
Rodriguez, fazendo o único personagem que ela faz em qualquer filme)? O público
sequer lembrava da sua participação, muito menos sentia sua falta.
3º) Por fim,
qual a explicação para o dono da Umbrella (Wesker, aquele que estava sempre de
óculos escuros) aparecer vivo após ter explodido no último longa?
Acho que nem mesmo Paul W.S.
Anderson sabe a resposta dessas perguntas, uma vez que ele parece ter feito um
filme pra uma plateia de zumbis. Talvez isso explique a quase ausência dessas
criaturas em Resident Evil: Retribuição. Cuidado com quem estiver sentado do
seu lado.
CONFIRA O TRAILER E CLIQUE AQUI PARA LER A CRÍTICA DE RESIDENT EVIL 4
CONFIRA O TRAILER E CLIQUE AQUI PARA LER A CRÍTICA DE RESIDENT EVIL 4
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Os Mercenários 2
NOTA: 8
SINOPSE: Barney Ross e sua equipe de mercenários estão no
leste europeu, tentando impedir os planos de Vilain, um terrorista francês que
descobriu uma reserva de plutônio da antiga União Soviética e pretende vende-la
para fabricação de armas atômicas.
Quando escrevi sobre o primeiro Mercenários há dois anos, um
fator que pontuei como um dos piores defeitos do filme era seu excesso de
personagens que prejudicava em muito a construção de uma história. Mas, por
incrível que pareça, Stallone consegue resolver esse problema fazendo sabe o
quê? Colocando ainda mais personagens em Os Mercenários 2.
Não que isso tenha melhorado a história, ao contrário, ela
continua tão fraca e previsível quanto a outra, mas pelo menos dessa vez ele
consegue cumprir com algumas das expectativas dos fãs de filmes de ação,
frustradas no seu antecessor. Agora finalmente vemos Stallone, Schwaznegger e
Bruce Willis em ação juntos, além da participação daqueles que ficaram de fora
anteriormente. Sim, estou falando de Van Damme e Chuck Norris. E é claro, o
banho de sangue gratuito também não falta e até melhora nessa continuação,
graças a um trabalho de edição com poucos cortes de cena.
E mesmo carregado de clichês, como ver o próprio Chuck
Norris contar uma das famosas “Chuck Norris Facts”, ou mesmo seu personagem que
é um lobo solitário, e também Van Damme, o antagonista, se chamar Vilain (vilão
em inglês), Stallone cumpre seu papel trazendo às telas ainda mais tiroteio,
pancadaria e ação em sua sequencia. Ou seja, pra que se preocupar em fazer uma
história decente se o que ele quer é exatamente isso?
Sendo assim, mesmo sendo muito contrário a filmes que fazem
lavagem cerebral no público, devo reconhecer que Os Mercenários acaba sendo bom
por entregar exatamente o que promete, nem mais, nem menos. Afinal, alguém
realmente esperava uma história inteligente aqui?
Mas também não posso deixar de apontar meu desapontamento
com o clímax do filme, o confronto final entre Stallone e Van Damme.
Por fim, a razão da nota alta de um filme com diálogos
bizarros e um roteiro tão pobre é saber que ninguém esperava ver algo mais
melhor do que isso. Sendo assim...sem mais comentários. Só não se esqueçam de
levar o colete à prova de balas no cinema.
CONFIRA O TRAILER E CLIQUE AQUI PARA LER A CRÍTICA DO PRIMEIRO MERCENÁRIOS
domingo, 2 de setembro de 2012
Rock of Ages - O Filme
Nota: 3
Eu particularmente sou um grande fã de musicais. Acho uma
maneira excelente de fuga da realidade, fora o requinte das produções com coreografias
e músicas de alto nível. E por gostar tanto do gênero me sinto desapontado em
dobro por ter desperdiçado duas horas da minha vida assistindo Rock of Ages, um
filme que cospe na cara do gênero e não conta nem mesmo com uma trama
interessante.
Situada em 1987, Rock of Ages conta a história de Sherrie,
uma adolescente que sai do interior para tentar a vida como cantora em
Hollywood. Lá ela encontra Drew, um aspirante a roqueiro que trabalha num
famoso bar do rock, o Bourbon, agora à beira da falência. Juntos eles formam um
casal que por um mal entendido se separam e cada um segue seu caminho atrás do
mesmo sonho. O Bourbon também foi o bar que revelou Stacee Jaxx, uma lenda viva
do rock em decadência artística e pessoal.
Na verdade não é bem essa a sinopse de Rock of Ages, faltou
citar a beata (Catherina Zeta-Jones) que persegue fervorosamente o rock e seus
seguidores; seu marido infiel; o empresário gananciosos de Stacee Jaxx; a
relação entre o dono do Bourbon (Alec Baldwin) e seu assistente e...ah! A dona
de uma boate de strippers descrente dos homens. Muita coisa pra um filme só?
SIM. Mas quem liga? O importante é dar um jeito de encaixar o extenso setlist
do filme. Tanto faz a história, no fim é tudo Glee mesmo.
Essa é a única sensação que a equipe de roteiristas passa,
encontrar estórias que servissem de pretexto para encaixar a seleção de
músicas, que é um caso a parte. Até estava tentando levar Rock of Ages a sério,
mas quando vi Stacee Jaxx cantando uma música que mesmo sendo composta por Foreigner, fora eternizada de Mariah Carrey, desisti por completo.
Impossível levar um filme assim a sério, bem como seus arranjos e mashups (a
combinação de duas músicas) juvenis que conseguem destruir qualquer clássico.
Além disso, trazem na sua trama principal um casal que só azeda o andamento da
história e deixam cada vez mais pop o mundo do rock; e até agora eu não entendi
o porque é dada uma atenção tão grande ao medo de palco de Drew se em nenhum
momento ele manifesta isso.
Não fosse a atuação de um elenco de peso (e a nota 3 desse
texto representa um ponto pra cada um deles), contando com Tom Cruise,
Catherina Zeta-Jones e Alec Baldwin, Rock of Ages seria um daqueles fiascos que
já iria direto pra Sessão da Tarde.
Embora sem muito nexo um grupo de beatas condenar o Rock em
plenos anos 80 (quando isso na verdade aconteceu nos anos 60), Catherina, que
canta tão bem que já faturou um Oscar por isso em Chicago, protagoniza o melhor
número musical do filme cantando “Hit Me With Your Best Shot”. Baldwin, mesmo
sendo transformado pelo roteiro numa espécie de enciclopédia de rock para
leigos - porque precisa explicar toda hora que banda canta qual música - é o
único a trazer alguma maturidade a um bar que se um dia já foi um templo do
rock, hoje lembra mais a balada da próxima temporada de Malhação.
Mas o mérito do longa é sem dúvida de Tom Cruise que traz em sua
personagem toda a essência do rock, fazendo uma mistura perfeita do estilo
despojado de Axl Rose no seu figurino, maquiagem e atuações no palco (fora as
tatuagens incríveis), com o que há de mais depressivo em Kurt Cobain ao expor
nos bastidores seus dramas pessoais e seu bloqueio artístico. Uma personagem
tão rica quanto Stacee Jaxx só serve para tornar mais pobre um filme que
precisa recorrer a cada dez minutos a um macaco amestrado (Hey Man) para
provocar algum riso.
Resumindo, se desconsiderar os três atores citados acima,
Rock of Ages é um ótimo caso do que não se fazer num musical, além de um
completo desperdício. É o tipo de filme que você pode assistir e deixar o
cérebro em casa, porque ele não será nem um pouco exigido. Gene Kelly deve
estar se revirando no túmulo agora.
CONFIRA O TRAILER
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
A Lista de Schindler - um clássico!
Nota: 10
OBS: ESSA CRÍTICA CONTÉM SPOILERS.
Se eu fosse de outro planeta e estivesse de passagem na Terra
e um terráqueo me dissesse que nesse mundo já houve um homem que convenceu um
país inteiro a desencadear a maior matança que já existiu, condenando uma raça
inteira ao extermínio apenas pela subjetividade de considera-los “impuros”,
levando milhões de judeus ao limiar do sofrimento e mostrando o quão cruel pode
ser o Homem, eu responderia sem hesitar: “Uau, que sinopse! Como chama esse
filme?”.
Mas infelizmente não sou de outro mundo, e sei que a ficção
mais atroz infelizmente foi a mais dura e fria realidade. E mesmo não tendo
vivido durante a Segunda Guerra Mundial, mesmo não sendo judeu ou nazista,
sinto vergonha em saber que vivo mundo que foi palco desse espetáculo nefasto.
E pensando nisso essa coluna faz uma pausa na crítica dos lançamentos da semana
para falar de um filme que soube retratar como ninguém a desolação de um povo
frente à brutalidade de seu opressor e indo além, conseguindo dar um rumo
otimista onde essa palavra não existia mais. Estou falando de A Lista de
Schindler, o melhor filme de Steven Spielberg em minha opinião.
Spielberg (Cavalo de Guerra; As Aventuras de Tintim) na verdade não criou uma obra-prima, mas sim um
conjunto de pequenas obras-primas em seu filme, contando com várias cenas
memoráveis. O corredor feito de lápides no campo de concentração; a chaminé que
soava como um monstro despejando no ar a “neve” que nada mais era do que cinzas
de judeus incinerados; a execução de um rabino onde todas as armas falham na
hora de mata-lo, além de uma das sequencias mais cruéis já vistas no cinema, o
extermínio em massa de judeus nos guetos, comandado por Goeth. Enfim, são
tantas cenas desse nível que as quase três horas de filme acabam parecendo
pouco tempo para mostrar tudo.
O uso da fotografia em preto e branco é outro trunfo do
filme. Além de situar melhor a história com seu tempo também confere uma
veracidade muito maior ao terror retratado. Um filme colorido não teria graça nem
causaria comoção, pois o tempo todo daria para perceber a artificialidade de
cada cena. Além disso, impossibilitaria momentos únicos como a menina de casaco
vermelho circulando perdida frente ao extermínio no gueto e uma vela apenas com
sua chama em cores, num belo sinal de esperança frente a toda àquela
adversidade.
Não bastasse um diretor talentosíssimo, o trabalho do trio de
atores principais tornam a narrativa ainda mais interessante, graças as suas
atuações espetaculares (e numa das maiores injustiças do Oscar, nenhum dos três
recebeu uma estatueta). Liam Neesom (Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge; Fúria de Titãs 2) é impecável na composição de seu Schindler,
um playboy oportunista inabalável que vai evoluindo até se tornar num
filantropo que encerra sua participação chorando feito criança por não ter
conseguindo salvar mais vidas, graças aos seus excessos com luxo, carros e
mulheres.
Ben Kingsley (Ilha do Medo; A Invenção de Hugo Cabret) vive um Itzak Steirn que mesmo numa completa
situação de submissão tem a coragem constante de encontrar meios de ajudar seu
povo e ser duro o bastante para confrontar seu chefe (Schindler), modificando
pouco a pouco seu modo de pensar.
E por fim, Ralph Fiennes (Harry Potter; Fúria de Titãs 2) criando um dos maiores vilões que o
cinema já viu, Amon Goeth, um general nazista que toda manhã mata alguns judeus
de sua sacada, apenas para praticar sua pontaria. E mesmo sendo o símbolo da
maldade, Goeth sente uma profunda inveja de Schindler por ver o amigo ser muito
superior a ele sem necessitar de nenhum gesto hostil.
Acredito que a grande mensagem que Spielberg passa em seu filme
não seja apenas contar uma história de otimismo, mas sim mostrar que para ser
um herói não é preciso voar, contar com armas ou uma força descomunal, e muito
menos pertencer a um credo ou povo. É preciso apenas o respeito à vida de outro
ser humano e o desejo de mudar, não importa a que custo. É disso que os
verdadeiros heróis são feitos.
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quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge
Nota: 1.000
Não fico tão ansioso para ver um
filme desde quando era lançado ano a ano algum dos episódios de O Senhor dos
Anéis. E foi com grande euforia que fui conferir o terceiro e último episódio
de Batman, que fecha com grandiosidade a trilogia do homem morcego sob os
olhares de Christopher Nolan (A Origem), diretor que reinventou o modo de se fazer filme
de herói, trazendo esse universo para o mundo real, num gênero que facilmente
deposita todas as suas fichas em efeitos especiais. O resultado? Nolan criou
três verdadeiras obras-primas que já fazem parte da história do cinema,
resistindo facilmente ao tempo, assim como outras trilogias como De Volta Para
o Futuro, O Poderoso Chefão etc.
Em Batman – O Cavaleiro das Trevas
Ressurge, oito anos se passaram desde a prisão do Coringa e todo esse tempo de
esforço extremo e dedicação para proteger Gotham City trouxeram consequências
sérias à saúde de Bruce Wayne, fisicamente debilitado. Além disso, ele vive num
exílio auto imposto em sua mansão desde quando seu alter ego, o Batman, assumiu
a culpa pela morte de Harvey Dent para torna-lo um mártir. Nesse tempo Gotham
se tornou uma cidade livre do crime, graças a Lei Dent. Mas a paz está prestes
a terminar, porque Bane, um gigante mascarado de força descomunal tem planos de
destruir toda Gotham e fazer seu justiceiro sofrer até o limite.
Talvez o único problema do filme
(que é o mesmo dos anteriores) é seu excesso de personagens que sempre acaba
prejudicando a edição final do longa. Prova disso é ver Bruce Wayne sumir por
um bom tempo a partir da segunda metade da história para dar tempo de ligar o
ponto das tramas de todos os demais personagens. Mas esse é um problema muito
pequeno se comparar com a quantidade de acertos em todo o restante da produção.
A começar pelas atuações. Difícil
dizer quem roubou a cena porque todos desempenharam excelentes papéis.
Christian Bale (O Vencedor) se firma como o melhor Batman, tão enraizado na sua obsessão em
fazer justiça que quando descobre perder todos os seus bilhões num golpe tem a
sensibilidade de reagir questionando se suas armas não caíram nas mãos
inimigas. Além disso, chega a ser comovente ver sua aparente descrença em
Gotham servir para camuflar sua vergonha por não mais conseguir executar os
feitos do passado, bem como o vigor impressionante que o ator conquista quando
o Cavaleiro das Trevas de fato ressurge para seu derradeiro confronto com Bane.
Aliás, Tom Hardy (A Origem) desenvolve seu
vilão com maestria tornando-o temível todo o tempo, mas ainda assim tendo a sensibilidade
para admirar a voz de uma criança cantando o hino nacional, mostrando com isso
que ele estava longe de ser insano, mas sim um homem frio, impiedoso e que
tinha exata noção do mal que provocava. E mesmo a limitação da enorme máscara
que cobria metade de seu rosto é derrubada pelo seu ótimo trabalho vocal, que
dispensa expressões faciais em todas as suas falas. Hardy cria um vilão que é
símbolo da maldade, mal a ponto de dar esperança para suas vítimas, apenas para
vê-las sofrer mais. Batman que o diga. Evidente que o Coringa de Heath Ledger é
insuperável, mas isso de forma alguma tira os créditos de Hardy, afinal o que
Ledger estava acima do nível de qualquer um.
E mesmo os dois personagens sendo o
centro da história, todo o restante do poderoso elenco é excelente,
especialmente Joseph Gordon-Levitt (A Origem) vivendo um policial que mesmo no caos ainda
acredita na justiça; e a Michael Caine (A Origem), se firmando também como o melhor
Alfred, que mesmo com poucas falas garante os momentos mais tocantes e
emocionantes da trama com seu sincero afeto e preocupação pelo seu chefe. Além
disso, ainda temos os sempre ótimos Morgan Freeman e Gary Oldman (O Livro de Eli), sem contar
nas beldades Anne Hathaway (Alice no País das Maravilhas) e Marion Cotillard (Contágio).
Fora as atuações, seu roteiro é
impecável tanto em amarrar todas as pontas dos três filmes para que não ficasse
nada no ar, bem como trazer uma trama intensa que vai piorando a vida de seus
personagens até o limite extremo para mudar o jogo a partir de uma pequena
fagulha de esperança. Além de contar com falas precisas, evitando excessos, dando
sempre indícios sobre o caráter e os dramas de cada personagem.
Mas o maior mérito dessa empreitada
é sem dúvida de Cristopher Nolan, que cria uma Gotham mergulhada no pessimismo
(reforçado o tempo todo pela brilhante trilha sonora do mestre Hans Zimmer)
onde somente um visionário como Batman poderia enxergar alguma esperança em seu
futuro. Além de criar longas cenas de ação de tirar o fôlego, especialmente nas
que envolvem veículos. Outro ponto forte seu é utilizar ao máximo efeitos especiais
físicos ao invés de recorrer ao digital como faria qualquer um. Um bom exemplo
disso é a roda que gira nas laterais na moto do Batman, simplesmente
impressionantes.
Contudo, o maior acerto de Nolan
não foi seu impecável design de produção, ou seu casting de estrelas, ou sua
produção etc. Mas sim a revolução que criou no gênero, provando que é possível
sim criar um filme de herói aliado a uma história profunda e inteligente, sem
imbecilizar seu público e sem recorrer ao óbvio. E se por um lado é extremamente
gratificante ver uma trilogia tão perfeita terminar com chave de ouro, por
outro é triste pensar que essa também foi nossa despedida daquele mundo e
daqueles personagens (talvez). Agora entendo o que sentiram os fãs de HarryPotter.
Obs: A não
ser que algo muito surpreendente aconteça até dia 31 de dezembro, esse já é sem
dúvida o melhor filme do ano, na minha opinião.
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