sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A Queda – As Últimas Horas de Hitler



NOTA: 10

O bom das semanas de poucas estreias nos cinemas é que permitem revisitar e escrever sobre grandes clássicos. Uma oportunidade rara, mas bem vinda. No passado já escrevi sobre O Rei Leão, A Lista de Schindler e Kill Bill. Hoje escrevo sobre um jovem clássico do cinema europeu (2005), A Queda – As Últimas Horas de Hitler.

Na Segunda Guerra Mundial, numa Alemanha quase toda dominada pelo exército soviético, o filme mostra os últimos dias de Hitler isolado em seu bunker, se recusando a fugir e reorganizar seu governo. No seu império outrora implacável, agora decadente, Hitler alterna suas emoções entre a ingenuidade à completa loucura, além de amargar o abandono e traição dos seus generais que o serviam com tanta lealdade.


Bastam os primeiros cinco minutos de A Queda para perceber o quão genial é aquela obra. Cinco candidatas a uma vaga de datilógrafa do próprio Hitler o aguardam para a entrevista. O local é um bunker apertado e cinza. Quando o líder nazista finalmente surge, toda aquela altivez, o ímpeto dos discursos fervorosos declamado por aquele homem imponentemente retratado pelas câmeras da cineasta Riefenstahl, são substituídos por um velho baixo, encurvado, visivelmente cansado e de fala mansa. Quando cumprimenta cada uma das candidatas, se mostra claramente incomodado pelas famosas saudações nazistas. E não bastasse isso, quando a primeira e tensa entrevistada erra a digitação do seu discurso, o füher gentilmente (você não leu errado) sugere que ambos recomecem o trabalho.


Essa é a premissa que o diretor Oliver Hirschbiegel emprega ao longo de toda sua obra. Sem querer inocentar, de forma alguma, o império de terror que foi o nazismo, e muito menos seus agentes, Oliver busca retratar que até mesmo monstros têm sentimentos e fraquezas, e com isso quebrar nossa visão maniqueísta de um mundo imaginário onde reina só a bondade, ou a maldade nas pessoas. É nesse paradoxo que vemos o casal Goebbels mata os próprios filhos com medo de uma Alemanha sem o nazismo; um médico da SS que tenta salvar as vidas ignoradas pelo seu próprio governo; ou mesmo o pai veterano de guerra, que conhece o terror daquele evento, tentando convencer seu filho, ainda uma criança, a deixar o exército alemão e voltar a ter uma infância normal (e com isso ele só cultiva o ódio e desprezo do garoto). Essas e mais uma série de sub tramas impecavelmente bem concebidas só vem pra reforçar ainda mais o trabalho de Oliver.

Não bastasse isso, A Queda ainda conta com uma das atuações mais impressionantes que já vi. Bruno Ganz consegue retratar a fraqueza de seu Hitler até mesmo no detalhe de uma mão trêmula tirando seus óculos. Mais impressionante ainda são suas explosões de fúria repentinas e duradouras, todas voltadas para seus generais traidores e preguiçosos. Numa delas (onde eles desobedecem uma ordem direta de seu líder) enquanto esbraveja, Hitler vai se curvando lentamente, terminando seu movimento numa posição quase fetal, mostrando sua completa vulnerabilidade sobre seus comandados, uma cena realmente tocante que acabou virando paródia no Youtube sobre os mais diversos temas.

Há também o excelente trabalho da montagem que pontua corretamente a trama principal com suas sub tramas, sem deixar nenhuma de lado e sem tirar o ritmo da narrativa.

E por fim, o que é mais impressionante (pelo menos pra mim) em A Queda é ver como Oliver consegue expor tão bem a figura mítica que aquele pequeno homem imprimia em seu povo, mostrando uma sucessão de suicídios de gente de todo o tipo, após o próprio Hitler por fim à sua vida.


Mesmo bem recente, A Queda se mostra uma obra-prima que vai ultrapassar o tempo, quebrando paradigmas, ideias pré-concebidas e mostrando que até mesmo um homem diretamente responsável pela morte de milhões de pessoas pode ter um coração, por mais que duvidem disso. O que de certa forma serve para expressar que a barbárie pode estar dentro de qualquer um de nós. Só a ousadia de Oliver já basta para elevar seu filme a esse status.

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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Ted - O filme mais polêmico do ano



Nota: 9

Em Kung Fu Panda, um velho provérbio chinês diz “Às vezes é tentando evitar um problema que acabamos por encontra-lo” e essa é uma frase perfeita para definir o recente episódio em que o deputado Protógenes Queiroz tentou barrar nos cinemas a exibição de Ted, a história da amizade entre um homem e um urso nada convencional. Antes da ação do deputado, Ted tinha tudo para ser um filme com uma bilheteria regular e sem deixar muita marca nos cinemas. Mas, após a tentativa de proibição, Ted registrou um estouro de bilheteria no Brasil fazendo o tiro de Protógenes sair pela culatra. Além disso, o longa é escrito e dirigido por Seth McFarlene, criador da série mundialmente famosa Uma Família da Pesada, carregada de humor ácido. Dessa forma era de se esperar que Ted não seria um conto de fadas.


Na história, John Bennett é uma criança solitária e sem amigos, até ganhar no natal de 1985 um urso de pelúcia do qual que ele batizou de Ted. Seu amor pelo brinquedo era tanto que certo dia ele desejou que ele ganhasse vida, no momento em que uma estrela cadente cortou os céus e...seu desejo foi realizado e Ted além de ganhar vida, se tornou seu amigo inseparável. Hoje, mesmo adultos, Benett e Ted parecem ter ficado presos à juventude, com atitudes que vão de festas ao consumo de drogas. Porém, a amizade de ambos está ameaçada por Lori (Mila Kunis de O Livro de Eli), noiva de John, a qual está disposta a deixar seu noivo caso ele não amadureça e deixe seu amigo urso, que o impede de amadurecer, no passado.

Bastam poucos minutos para perceber o tom ácido de todo o filme, ao ver garotos cristãos espancando um menino judeu porque era natal. Mas isso não é nada perto que vem pela frente. O roteiro de McFarlene está recheado de momentos como esse. O consumo de drogas é presença constante em quase todas as cenas em que Ted está presente. Fora as festas regadas à álcool, uma criança apagada com um soco de Benett (Mark Wahlberg de O Vencedor),as prostitutas e até mesmo um caso de Ted com Norah Jones


Mas apesar de polêmica, atrás de polêmica, Ted é um filme extremamente divertido, especialmente pelo seu protagonista claramente inspirado no Grande Lebowsky de Jeff Bridges. Mas o foco de Mcfarlene não é só fazer piada, mas através de Benett, fazer um retrato da Geração X que mesmo tendo membros chegando próximo dos 40 anos, ainda tem uma forte raiz na juventude. E não há melhor maneira de fazer isso colocando como seu melhor um brinquedo. Dessa forma, Ted é mais um reflexo da personalidade de Benett, do que seu amigo propriamente dito. Num gênero tão cheio de fórmulas e clichês como a comédia, McFarlene consegue inovar na originalidade de seu humor e inteligência crítica.

Por outro lado, o mesmo não acontece com o desenvolvimento da história e a dificuldade do roteirista/diretor de criar boas tramas. Lori e Ted se relacionam perfeitamente bem, sua antipatia pelo urso surge repentinamente numa conversa rápida da moça com personagens irrelevantes. Essa foi a forma que McFarlene encontrou para instaurar algum conflito na excelente relação do triângulo Ted, Benett e Lori. E acrescente a isso Donny, um personagem de olhar sombrio que quer comprar o urso de qualquer forma e é esquecido durante quase todo o filme, até reaparecer no seu fim para sequestrar Ted e assim dar algum clímax (por sinal decepcionante) à história. Mas para uma primeira experiência como diretor num longa metragem, pode-se dizer que McFarlene teve um saldo mais positivo do que negativo.


Negativo mesmo em Ted é a atitude do nosso ilustríssimo deputado Protógenes Queiroz, com sua ação (já revogada) de barrar o filme. Muito mais polêmico do que retratar sexo, drogas e rock and roll é censurar a arte, forma universal de expressão e ferramenta propulsora de mudança. Ademais, vai ao cinema quem quer, e nosso deputado convenceu muita gente a fazer isso.

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domingo, 23 de setembro de 2012

Resident Evil 5: Retribuição


Nota: 2

Quando Resident Evil 4 foi lançado, escrevi aqui que essa era uma franquia da qual não se renovava nunca, inclusive no seu roteiro praticamente idêntico desde o começo, ou seja, quando se assistia a qualquer um dos episódios da série, era o equivalente a assistir a todos. Mas dessa vez... minha opinião não mudou, e seu quinto episódio se mostra idêntico, ou pior que seus antecessores, mostrando como Resident Evil se tornou uma franquia que vem se arrastando para perdurar, cada vez perdendo mais qualidade, se é que já houve alguma.

Em Resident Evil: Retribuição, a heroína Alice (Milla Jovovovich) foi capturada pela corporação Umbrella e aprisionada numa base submarina em plena Sibéria. Numa invasão hacker, ela é libertada e tem apenas duas horas para fugir da base que será explodida após esse período. Mas para isso, Alice vai contar com a ajuda de uma equipe de resgate que conta com caras novas e velhos amigos, enfrentando monstros, zumbis e reencontrando antigos personagens.


O filme começa numa sequencia, que apesar de ter uma plástica excelente, é confusamente apresentada em câmera lenta e em ordem reversa. A cena é uma espécie de ligação com o final do ultimo filme e mostra Alice sendo capturada pela Umbrella. Tudo piora quando logo em seguida, um corte na cena mostra a protagonista num cenário completamente escuro fazendo um resumo dos últimos quatro filmes ao espectador. Abrir um filme com uma cena confusa como aquela para mergulhar num resumo deste só deixa claro o quanto a franquia já se desgastou e o quão pouco impacto ela tem sobre seu público. Resumão da história? Essa é nova pra mim.

E tudo piora, pois a direção assinada por Paul W.S. Anderson (Os Três Mosqueteiros) parece levar a sério a questão da adaptação e transforma seu roteiro num verdadeiro jogo de vídeo game, com fases e chefes. Alice tem que passar por diversos cenários (cada um é uma simulação de uma capital do mundo) e enfrentar em cada um algo como um “chefe” pra seguir adiante.


E, sem me alongar muito, nem mesmo os novos personagens dão alguma graça pra história. O tão querido dos games e esquecido do cinema, o policial Leon, finalmente surge, mas com uma personalidade antipática muito aquém da conhecida dos fãs. E sobre os personagens fica difícil entender 3 coisas: 

1º) Qual era o propósito de uma personagem ser surda, mas pronunciar todas as palavras que seus sinais indicam e o mesmo é feito com quem interage com ela?
2º) Qual o propósito de trazer clones de personagens do primeiro episódio de volta (em especial Michele Rodriguez, fazendo o único personagem que ela faz em qualquer filme)? O público sequer lembrava da sua participação, muito menos sentia sua falta.
3º) Por fim, qual a explicação para o dono da Umbrella (Wesker, aquele que estava sempre de óculos escuros) aparecer vivo após ter explodido no último longa?


Acho que nem mesmo Paul W.S. Anderson sabe a resposta dessas perguntas, uma vez que ele parece ter feito um filme pra uma plateia de zumbis. Talvez isso explique a quase ausência dessas criaturas em Resident Evil: Retribuição. Cuidado com quem estiver sentado do seu lado.

CONFIRA O TRAILER E CLIQUE AQUI PARA LER A CRÍTICA DE RESIDENT EVIL 4


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Os Mercenários 2



NOTA: 8

SINOPSE: Barney Ross e sua equipe de mercenários estão no leste europeu, tentando impedir os planos de Vilain, um terrorista francês que descobriu uma reserva de plutônio da antiga União Soviética e pretende vende-la para fabricação de armas atômicas.

Quando escrevi sobre o primeiro Mercenários há dois anos, um fator que pontuei como um dos piores defeitos do filme era seu excesso de personagens que prejudicava em muito a construção de uma história. Mas, por incrível que pareça, Stallone consegue resolver esse problema fazendo sabe o quê? Colocando ainda mais personagens em Os Mercenários 2.

Não que isso tenha melhorado a história, ao contrário, ela continua tão fraca e previsível quanto a outra, mas pelo menos dessa vez ele consegue cumprir com algumas das expectativas dos fãs de filmes de ação, frustradas no seu antecessor. Agora finalmente vemos Stallone, Schwaznegger e Bruce Willis em ação juntos, além da participação daqueles que ficaram de fora anteriormente. Sim, estou falando de Van Damme e Chuck Norris. E é claro, o banho de sangue gratuito também não falta e até melhora nessa continuação, graças a um trabalho de edição com poucos cortes de cena.

E mesmo carregado de clichês, como ver o próprio Chuck Norris contar uma das famosas “Chuck Norris Facts”, ou mesmo seu personagem que é um lobo solitário, e também Van Damme, o antagonista, se chamar Vilain (vilão em inglês), Stallone cumpre seu papel trazendo às telas ainda mais tiroteio, pancadaria e ação em sua sequencia. Ou seja, pra que se preocupar em fazer uma história decente se o que ele quer é exatamente isso?


Sendo assim, mesmo sendo muito contrário a filmes que fazem lavagem cerebral no público, devo reconhecer que Os Mercenários acaba sendo bom por entregar exatamente o que promete, nem mais, nem menos. Afinal, alguém realmente esperava uma história inteligente aqui?

Mas também não posso deixar de apontar meu desapontamento com o clímax do filme, o confronto final entre Stallone e Van Damme.

Por fim, a razão da nota alta de um filme com diálogos bizarros e um roteiro tão pobre é saber que ninguém esperava ver algo mais melhor do que isso. Sendo assim...sem mais comentários. Só não se esqueçam de levar o colete à prova de balas no cinema.

CONFIRA O TRAILER  E CLIQUE AQUI PARA LER A CRÍTICA DO PRIMEIRO MERCENÁRIOS

domingo, 2 de setembro de 2012

Rock of Ages - O Filme



Nota: 3

Eu particularmente sou um grande fã de musicais. Acho uma maneira excelente de fuga da realidade, fora o requinte das produções com coreografias e músicas de alto nível. E por gostar tanto do gênero me sinto desapontado em dobro por ter desperdiçado duas horas da minha vida assistindo Rock of Ages, um filme que cospe na cara do gênero e não conta nem mesmo com uma trama interessante.

Situada em 1987, Rock of Ages conta a história de Sherrie, uma adolescente que sai do interior para tentar a vida como cantora em Hollywood. Lá ela encontra Drew, um aspirante a roqueiro que trabalha num famoso bar do rock, o Bourbon, agora à beira da falência. Juntos eles formam um casal que por um mal entendido se separam e cada um segue seu caminho atrás do mesmo sonho. O Bourbon também foi o bar que revelou Stacee Jaxx, uma lenda viva do rock em decadência artística e pessoal.

Na verdade não é bem essa a sinopse de Rock of Ages, faltou citar a beata (Catherina Zeta-Jones) que persegue fervorosamente o rock e seus seguidores; seu marido infiel; o empresário gananciosos de Stacee Jaxx; a relação entre o dono do Bourbon (Alec Baldwin) e seu assistente e...ah! A dona de uma boate de strippers descrente dos homens. Muita coisa pra um filme só? SIM. Mas quem liga? O importante é dar um jeito de encaixar o extenso setlist do filme. Tanto faz a história, no fim é tudo Glee mesmo.



Essa é a única sensação que a equipe de roteiristas passa, encontrar estórias que servissem de pretexto para encaixar a seleção de músicas, que é um caso a parte. Até estava tentando levar Rock of Ages a sério, mas quando vi Stacee Jaxx cantando uma música que mesmo sendo composta por Foreigner, fora eternizada de Mariah Carrey, desisti por completo. Impossível levar um filme assim a sério, bem como seus arranjos e mashups (a combinação de duas músicas) juvenis que conseguem destruir qualquer clássico. Além disso, trazem na sua trama principal um casal que só azeda o andamento da história e deixam cada vez mais pop o mundo do rock; e até agora eu não entendi o porque é dada uma atenção tão grande ao medo de palco de Drew se em nenhum momento ele manifesta isso.



Não fosse a atuação de um elenco de peso (e a nota 3 desse texto representa um ponto pra cada um deles), contando com Tom Cruise, Catherina Zeta-Jones e Alec Baldwin, Rock of Ages seria um daqueles fiascos que já iria direto pra Sessão da Tarde.

Embora sem muito nexo um grupo de beatas condenar o Rock em plenos anos 80 (quando isso na verdade aconteceu nos anos 60), Catherina, que canta tão bem que já faturou um Oscar por isso em Chicago, protagoniza o melhor número musical do filme cantando “Hit Me With Your Best Shot”. Baldwin, mesmo sendo transformado pelo roteiro numa espécie de enciclopédia de rock para leigos - porque precisa explicar toda hora que banda canta qual música - é o único a trazer alguma maturidade a um bar que se um dia já foi um templo do rock, hoje lembra mais a balada da próxima temporada de Malhação.

Mas o mérito do longa é sem dúvida de Tom Cruise que traz em sua personagem toda a essência do rock, fazendo uma mistura perfeita do estilo despojado de Axl Rose no seu figurino, maquiagem e atuações no palco (fora as tatuagens incríveis), com o que há de mais depressivo em Kurt Cobain ao expor nos bastidores seus dramas pessoais e seu bloqueio artístico. Uma personagem tão rica quanto Stacee Jaxx só serve para tornar mais pobre um filme que precisa recorrer a cada dez minutos a um macaco amestrado (Hey Man) para provocar algum riso.



Resumindo, se desconsiderar os três atores citados acima, Rock of Ages é um ótimo caso do que não se fazer num musical, além de um completo desperdício. É o tipo de filme que você pode assistir e deixar o cérebro em casa, porque ele não será nem um pouco exigido. Gene Kelly deve estar se revirando no túmulo agora.

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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A Lista de Schindler - um clássico!





Nota: 10

OBS: ESSA CRÍTICA CONTÉM SPOILERS.

Se eu fosse de outro planeta e estivesse de passagem na Terra e um terráqueo me dissesse que nesse mundo já houve um homem que convenceu um país inteiro a desencadear a maior matança que já existiu, condenando uma raça inteira ao extermínio apenas pela subjetividade de considera-los “impuros”, levando milhões de judeus ao limiar do sofrimento e mostrando o quão cruel pode ser o Homem, eu responderia sem hesitar: “Uau, que sinopse! Como chama esse filme?”.

Mas infelizmente não sou de outro mundo, e sei que a ficção mais atroz infelizmente foi a mais dura e fria realidade. E mesmo não tendo vivido durante a Segunda Guerra Mundial, mesmo não sendo judeu ou nazista, sinto vergonha em saber que vivo mundo que foi palco desse espetáculo nefasto. E pensando nisso essa coluna faz uma pausa na crítica dos lançamentos da semana para falar de um filme que soube retratar como ninguém a desolação de um povo frente à brutalidade de seu opressor e indo além, conseguindo dar um rumo otimista onde essa palavra não existia mais. Estou falando de A Lista de Schindler, o melhor filme de Steven Spielberg em minha opinião.


Spielberg (Cavalo de Guerra; As Aventuras de Tintim) na verdade não criou uma obra-prima, mas sim um conjunto de pequenas obras-primas em seu filme, contando com várias cenas memoráveis. O corredor feito de lápides no campo de concentração; a chaminé que soava como um monstro despejando no ar a “neve” que nada mais era do que cinzas de judeus incinerados; a execução de um rabino onde todas as armas falham na hora de mata-lo, além de uma das sequencias mais cruéis já vistas no cinema, o extermínio em massa de judeus nos guetos, comandado por Goeth. Enfim, são tantas cenas desse nível que as quase três horas de filme acabam parecendo pouco tempo para mostrar tudo.


O uso da fotografia em preto e branco é outro trunfo do filme. Além de situar melhor a história com seu tempo também confere uma veracidade muito maior ao terror retratado. Um filme colorido não teria graça nem causaria comoção, pois o tempo todo daria para perceber a artificialidade de cada cena. Além disso, impossibilitaria momentos únicos como a menina de casaco vermelho circulando perdida frente ao extermínio no gueto e uma vela apenas com sua chama em cores, num belo sinal de esperança frente a toda àquela adversidade.

Não bastasse um diretor talentosíssimo, o trabalho do trio de atores principais tornam a narrativa ainda mais interessante, graças as suas atuações espetaculares (e numa das maiores injustiças do Oscar, nenhum dos três recebeu uma estatueta). Liam Neesom (Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge; Fúria de Titãs 2) é impecável na composição de seu Schindler, um playboy oportunista inabalável que vai evoluindo até se tornar num filantropo que encerra sua participação chorando feito criança por não ter conseguindo salvar mais vidas, graças aos seus excessos com luxo, carros e mulheres.


Ben Kingsley (Ilha do Medo; A Invenção de Hugo Cabret) vive um Itzak Steirn que mesmo numa completa situação de submissão tem a coragem constante de encontrar meios de ajudar seu povo e ser duro o bastante para confrontar seu chefe (Schindler), modificando pouco a pouco seu modo de pensar.

E por fim, Ralph Fiennes (Harry Potter; Fúria de Titãs 2) criando um dos maiores vilões que o cinema já viu, Amon Goeth, um general nazista que toda manhã mata alguns judeus de sua sacada, apenas para praticar sua pontaria. E mesmo sendo o símbolo da maldade, Goeth sente uma profunda inveja de Schindler por ver o amigo ser muito superior a ele sem necessitar de nenhum gesto hostil.


Acredito que a grande mensagem que Spielberg passa em seu filme não seja apenas contar uma história de otimismo, mas sim mostrar que para ser um herói não é preciso voar, contar com armas ou uma força descomunal, e muito menos pertencer a um credo ou povo. É preciso apenas o respeito à vida de outro ser humano e o desejo de mudar, não importa a que custo. É disso que os verdadeiros heróis são feitos. 

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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge



Nota: 1.000

Não fico tão ansioso para ver um filme desde quando era lançado ano a ano algum dos episódios de O Senhor dos Anéis. E foi com grande euforia que fui conferir o terceiro e último episódio de Batman, que fecha com grandiosidade a trilogia do homem morcego sob os olhares de Christopher Nolan (A Origem), diretor que reinventou o modo de se fazer filme de herói, trazendo esse universo para o mundo real, num gênero que facilmente deposita todas as suas fichas em efeitos especiais. O resultado? Nolan criou três verdadeiras obras-primas que já fazem parte da história do cinema, resistindo facilmente ao tempo, assim como outras trilogias como De Volta Para o Futuro, O Poderoso Chefão etc.




Em Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, oito anos se passaram desde a prisão do Coringa e todo esse tempo de esforço extremo e dedicação para proteger Gotham City trouxeram consequências sérias à saúde de Bruce Wayne, fisicamente debilitado. Além disso, ele vive num exílio auto imposto em sua mansão desde quando seu alter ego, o Batman, assumiu a culpa pela morte de Harvey Dent para torna-lo um mártir. Nesse tempo Gotham se tornou uma cidade livre do crime, graças a Lei Dent. Mas a paz está prestes a terminar, porque Bane, um gigante mascarado de força descomunal tem planos de destruir toda Gotham e fazer seu justiceiro sofrer até o limite.

Talvez o único problema do filme (que é o mesmo dos anteriores) é seu excesso de personagens que sempre acaba prejudicando a edição final do longa. Prova disso é ver Bruce Wayne sumir por um bom tempo a partir da segunda metade da história para dar tempo de ligar o ponto das tramas de todos os demais personagens. Mas esse é um problema muito pequeno se comparar com a quantidade de acertos em todo o restante da produção.

A começar pelas atuações. Difícil dizer quem roubou a cena porque todos desempenharam excelentes papéis. Christian Bale (O Vencedor) se firma como o melhor Batman, tão enraizado na sua obsessão em fazer justiça que quando descobre perder todos os seus bilhões num golpe tem a sensibilidade de reagir questionando se suas armas não caíram nas mãos inimigas. Além disso, chega a ser comovente ver sua aparente descrença em Gotham servir para camuflar sua vergonha por não mais conseguir executar os feitos do passado, bem como o vigor impressionante que o ator conquista quando o Cavaleiro das Trevas de fato ressurge para seu derradeiro confronto com Bane.

Aliás, Tom Hardy (A Origemdesenvolve seu vilão com maestria tornando-o temível todo o tempo, mas ainda assim tendo a sensibilidade para admirar a voz de uma criança cantando o hino nacional, mostrando com isso que ele estava longe de ser insano, mas sim um homem frio, impiedoso e que tinha exata noção do mal que provocava. E mesmo a limitação da enorme máscara que cobria metade de seu rosto é derrubada pelo seu ótimo trabalho vocal, que dispensa expressões faciais em todas as suas falas. Hardy cria um vilão que é símbolo da maldade, mal a ponto de dar esperança para suas vítimas, apenas para vê-las sofrer mais. Batman que o diga. Evidente que o Coringa de Heath Ledger é insuperável, mas isso de forma alguma tira os créditos de Hardy, afinal o que Ledger estava acima do nível de qualquer um.

E mesmo os dois personagens sendo o centro da história, todo o restante do poderoso elenco é excelente, especialmente Joseph Gordon-Levitt (A Origemvivendo um policial que mesmo no caos ainda acredita na justiça; e a Michael Caine (A Origem), se firmando também como o melhor Alfred, que mesmo com poucas falas garante os momentos mais tocantes e emocionantes da trama com seu sincero afeto e preocupação pelo seu chefe. Além disso, ainda temos os sempre ótimos Morgan Freeman e Gary Oldman (O Livro de Eli), sem contar nas beldades Anne Hathaway (Alice no País das Maravilhas) e Marion Cotillard (Contágio).




Fora as atuações, seu roteiro é impecável tanto em amarrar todas as pontas dos três filmes para que não ficasse nada no ar, bem como trazer uma trama intensa que vai piorando a vida de seus personagens até o limite extremo para mudar o jogo a partir de uma pequena fagulha de esperança. Além de contar com falas precisas, evitando excessos, dando sempre indícios sobre o caráter e os dramas de cada personagem.

Mas o maior mérito dessa empreitada é sem dúvida de Cristopher Nolan, que cria uma Gotham mergulhada no pessimismo (reforçado o tempo todo pela brilhante trilha sonora do mestre Hans Zimmer) onde somente um visionário como Batman poderia enxergar alguma esperança em seu futuro. Além de criar longas cenas de ação de tirar o fôlego, especialmente nas que envolvem veículos. Outro ponto forte seu é utilizar ao máximo efeitos especiais físicos ao invés de recorrer ao digital como faria qualquer um. Um bom exemplo disso é a roda que gira nas laterais na moto do Batman, simplesmente impressionantes.




Contudo, o maior acerto de Nolan não foi seu impecável design de produção, ou seu casting de estrelas, ou sua produção etc. Mas sim a revolução que criou no gênero, provando que é possível sim criar um filme de herói aliado a uma história profunda e inteligente, sem imbecilizar seu público e sem recorrer ao óbvio. E se por um lado é extremamente gratificante ver uma trilogia tão perfeita terminar com chave de ouro, por outro é triste pensar que essa também foi nossa despedida daquele mundo e daqueles personagens (talvez). Agora entendo o que sentiram os fãs de HarryPotter.

Obs: A não ser que algo muito surpreendente aconteça até dia 31 de dezembro, esse já é sem dúvida o melhor filme do ano, na minha opinião.

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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Valente



NOTA: 4



Ver que pela primeira vez a Pixar lançaria uma animação protagonizada por uma personagem feminina me fez crer que o estúdio estava realmente disposto a apagar a mancha escura na sua história que foi seu último filme, o desastroso Carros 2. Porém, infelizmente o que Valente mostra é que talvez o mesmo estúdio que criou obras-primas como Toy Story, Os Incríveis, Wall-E e mais uma lista imensa de animações (a imensa maioria dignas de nota 11) esteja caindo no cliché e perdendo sua principal característica, o elemento criativo. Ao menos no que diz respeito a contar histórias, essa é a sensação que dá, especialmente num projeto que levou 5 anos para ficar pronto.

Em Valente, Merida é uma princesa celta que nem de longe se comporta como uma, preferindo passar a maior parte do tempo cavalgando pela floresta e atirando com seu arco e flecha. Sua mãe Elinor, ao contrário da filha, é enraizada nas suas tradições e não aprova o comportamento da sua primogênita. E quando a rainha dá abertura aos jogos que decidirão quem se casará com sua filha, Merida entra no torneio para disputar seu direito a ser livre. Prestes  causar uma guerra entre seus povos pela su atitude, a princesa recorre à magia, transformando sua mãe acidentalmente numa ursa. Agora ela tem apenas dois dias para desfazer o feitiço e impedir que Elinor, agora uma ursa, seja caçada pelo próprio rei, Fergus.



A grande decepção de Valente, como dito acima é seu roteiro de uma pobreza absurda, com uma dificuldade evidente em ligar pontos, criar situações dramáticas e acrescentar peso em qualquer uma de suas tramas, a começar pela súbita mudança em seu foco onde até metade do filme tudo – e por tudo quero dizer todo o contexto apresentado, além de seus personagens – indicava que seria centrado nos jogos que definiriam o marido de Merida. Se Valente tivesse ficado restrito a isso teria sido excelente, pois Merida era obviamente melhor que seus concorrentes e ainda com seu ato desafiava todas as tradições de seu povo. Desse modo, chega a ser um tanto incoerente o motivo pelo qual a princesa subitamente a magia, transforma sua mãe numa ursa e tira toda a emoção da história. 

Essa mudança foi tão ruim que uma série de clichês foram criados para sustenta-la: o sumiço da feiticeira que criou o feitiço; a obrigação de quebra-lo em no máximo dois dias (por que dois dias?); os irmãos de Merida (um trio sem graça e sem serventia) também serem enfeitiçados; além do vilão enfiado goela abaixo no espectador só pra dar algum desfecho para aquele tédio.

Mas por outro lado, se a história acaba com o filme, a parte artística garante um verdadeiro espetáculo na tela, mostrando que pelo menos nesse ponto a Pixar ainda está afiada e a anos-luz de seus concorrentes. É impossível não se impressionar pelos cachos vermelhos flamejantes e encaracolados de Merida. E seus cenários são de uma realidade tão extrema que chega a ser difícil acreditar que eles foram criados digitalmente.



Pode se dizer que parcialmente a iniciativa ousada da Pixar de lançar sua primeira protagonista feminina deu certo se levar em conta que conseguiram conceber uma personagem de caráter forte, marcante e que possibilita um leque de dramáticas, além de uma possível sequencia. Mas se essa iniciativa deu certo por esse motivo, por outro parece que o próprio estúdio se sabotou ao contar uma história que parece ter sido escrita às pressas, sem qualquer preocupação em ser coerente e acima de tudo, atraente ao público. Há um ano e meio atrás eu e qualquer outro crítico acharia impossível um dia apontar algum defeito em qualquer animação da Pixar, mas infelizmente isso ocorreu duas vezes seguidas, e tomara que essa seja a última.


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sexta-feira, 13 de julho de 2012

O "Espetacular" Homem Aranha


NOTA: 3

Quando li pela primeira vez que a saga do Homem Aranha seria relançada tão pouco tempo depois de sua primeira – e excelente – estreia em 2002 pensei cá com os meus botões que o único motivo pra isso era tentar esmiuçar um pouco mais o passado de Peter Parker e recriar uma história ainda mais impactante que sua antecessora como fez Cristopher Nolan com Batman Begins em 2005.

Nos trailers, todos centrados nos dramas de Peter, minhas previsões pareciam estar corretas, mas quando finalmente O Espetacular Homem Aranha estreou vi que estava errado e assisti a uma completa decepção. O “reinício” da saga nada mais é do que uma cópia descarada e mal feita de seus antecessores.

Qualquer semelhança não é mera coincidência. No longa, Peter Parker é um adolescente misteriosamente abandonado pelos pais e criado pelos tios. Certo dia, ele descobre uma pista deixada pelo seu pai em documentos antigos, que o leva até a Corporação Oscorp onde é picado por uma aranha geneticamente modificada. Com a combinação do DNA de ambos, Peter adquire poderes que o transformam num hábil herói, já com a missão de deter um cientista que, transformado num lagarto gigante, tenta transformar todos os habitantes de Nova Iorque em seres como ele.

Não há nada de errado em retomar alguns pontos da saga anterior como um todo para dar base na sua história. Por retomada, me refiro ao processo entre a apresentação e a transformação de Peter Parker no Homem Aranha. O problema é quando se utiliza quase metade do filme para chegar a esse ponto, esticando uma história entediante e, numa dificuldade evidente do roteiro em apresentar conflitos, fazendo o uso abusivo de coincidências em sua narrativa para dar alguma justificativa às ações que víamos na tela. Peter é apaixonado por Gwen (Emma Stone - Zumbilândia) que por coincidência trabalha na Corporação Oscorp que por coincidência é o local onde o pai de Peter trabalhou e que, por coincidência, continha uma porção de aranhas geneticamente modificadas. E gostaria que essa fosse a última coincidência, mas a verdade é que estenderia muito esse parágrafo se citasse todas.

Fora isso, muitas das cenas são exatamente idênticas ao Homem Aranha lançado em 2002: a transformação do cientista num lagarto gigante após um procedimento científico que deu errado (lembra do Duende Verde?); a lição que Peter Parker dá no valentão da escola logo quando se transforma; a morte do tio Ben e por aí vai.

Num filme onde até mesmo a fotografia é idêntica ao primeiro Homem Aranha, ao menos o ótimo trabalho de efeitos especiais salva parte do projeto. Algo de certa forma ruim, pois efeito especial é algo que se torna rapidamente obsoleto.

Outro ponto positivo é a atuação de Andrew Garfield (A Rede Social) vivendo um herói muito mais próximo dos quadrinhos, principalmente pelo seu sarcasmo constante. Além disso, confere um naturalismo a sua caracterização numa cena onde mesmo disfarçado e em plena atividade, atende seu celular para ser lembrado pela tia que deve comprar ovos antes de chegar em casa. Senti falta apenas da fragilidade de Tobey Maguire que dava muito mais profundidade à sua versão do herói, em contraponto a Andrew que é mais superficial e parece estar mais seguro de si mesmo antes de ser picado.

Numa franquia relançada tão cedo pelo próprio estúdio que criou dois – esses sim – espetaculares Homem Aranha (o terceiro tento esquecer que existiu), não deixa outro pensamento que seu único objetivo era nada mais, nada menos que gerar faturamento pro seu caixa, pois é impossível acreditar que um filme que copia seus antecessores em absolutamente tudo tenha algum outro propósito. Seria mais interessante lançar um Homem Aranha 4, deixando ao encargo de quem entende do assunto fazer um bom trabalho, do que queimar suas fichas nesse “Espetacular” Homem Aranha, que nem mesmo como espetáculo tem serventia.


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quinta-feira, 5 de julho de 2012

A Era do Gelo 4



Nota: 8

Há poucas semanas Madagascar3 estreou com uma história pobre, sem graça, numa dificuldade visível de criar algo novo e batendo na mesma tecla com seus personagens principais ainda insistindo em voltar a Nova Iorque. Quase toda franquia que se estende como Madagascar cai nesse mesmo erro e ao invés de parar quando ainda estão no auge, decidem ganhar alguns trocados a mais nos cinemas, mesmo que isso estrague todo um bom trabalho no passado.

Mas felizmente pra tudo há exceção e definitivamente esse é o caso de A Era do Gelo 4 que mesmo no seu quarto filme ainda consegue encontrar premissas inteligentes e originais para sustentar a história do mamute Manny e sua dupla inseparável, Diego e a preguiça Sid.

No primeiro filme o problema foi a própria era do gelo, no segundo o descongelamento desse gelo, no terceiro uma visita ao mundo dos dinossauros e nesse a Pangéia, o continente único que se dividiu nos 5 continentes que conhecemos hoje.

Em A Era do Gelo 4, na sua interminável caçada a noz perfeita, o esquilo Scratch provoca um acidente no centro da terra, dividindo seu território em 5 pedaços. Nessa divisão, Manny e seus leais amigos são separados de sua mulher, Ellie, e sua filha adolescente, Amora. Atirados num iceberg em mar aberto, o trio tenta voltar pra casa, mas tem seus planos atrapalhados pelo navio pirata do capitão(e macaco) Gutt e sua tripulação composta de bandidos da pior espécie. Não bastasse tudo isso, Manny ainda corre contra o relógio para salvar sua família antes que a ilha onde vivem seja completamente destruída por esse novo desastre.




Apesar de não contar dessa vez com a direção do gênio brasileiro Carlos Saldanha (Rio), a dupla de diretores Steve Martino e Mike Thurmeier conseguem contornar os problemas de um roteiro que não inova na sua fórmula - mesmo trazendo uma ótima premissa como citado acima - inserindo uma série de personagens secundários que assim como nos episódios anteriores garantem cenas de peso à história, como em quase todas onde há a participação de Gutt e sua tripulação, sem deixar de lado sua forte marca humorística, principalmente pela nova integrante do bando, a avó de Sid que já banguela, pede a todo o momento pro seu neto mastigar seus alimentos.

E essa é a versão que traz as melhores cenas de Scratch, especialmente aquela em que ele mergulha no oceano e tem seu corpo transformado em praticamente uma lombriga por causa da pressão do mar. Há também a tão merecida recompensa depois de uma odisseia de quatro filmes que...bom é melhor não estragar a surpresa.




A exceção dos novos personagens e seu argumento principal, a Era do Gelo 4 não traz muitas novidades em relação aos seus antecessores, optando por repetir fórmulas que funcionaram no passado e que novamente deram certo. Num filme que poderia ser muito prejudicado pela ausência de Saldanha, não correr risco talvez tenha sido a melhor opção.